Blog do José Cruz

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10/05/2013

Nova capotagem de catamarã da America's Cup mata campeão olímpico

"Vamos ser sinceros, nós todos já sabíamos que algo muito feio estava para acontecer". Esta frase mistura cinismo e sinceridade em um nível que dói.

O britânico Andrew "Bart" Simpson morreu ontem depois que o AC 72 da equipe sueca Artemis se despedaçou e capotou durante um treino. Os relatos mais confiáveis até agora são de que Andrew ficou preso embaixo do barco por cerca de 10 minutos e morreu afogado. Vale mencionar que os velejadores levam uma garrafa de ar de emergência, como os surfistas de grandes ondas. Não está claro se Andrew chegou a usar a sua.

Reprodução da revista Wired, que tem um dos mais precisos relatos sobre o acidente. Para ler (em inglês), clique aqui.

Eu entrevistei Andew Simpson no Mundial Star no Rio de Janeiro, em 2010, quando ele e seu parceiro Ian Percy ganharam de lavada a competição. Andrew era um proeiro acidental. Um dos melhores timoneiros de seu país, ele cansou de ficar sempre em segundo lugar, atrás da lenda britânica Ben Ainslie, que foi ouro em todas as Olimpíadas que disputou na Finn. Com a Star fora das Olimpíadas, ele estava se dedicando à America's Cup na equipe Artemis, a mesma do brasileiro Horácio Carabelli.

Pressão comercial

A "nova" America's Cup foi concebida para agradar, em primeiro lugar, à mídia. Não à mídia especializada, à massa. A ideia foi radicalizar e popularizar a Vela. Uma competição centenária, que sempre foi disputada por gênios da tática como Paul Cayard, Torben, Peter Blake e Dennis Conner (para nomear apenas alguns), deu sua guinada para se tornar um X-Games do mar. Os gênios e a tecnologia ainda estavam lá, mas a tática… essa deu lugar à velocidade pura.

Capotagens recorrentes

Várias capotagens aconteceram durante os treinamentos com os "mini" AC, catamarãs de 45 pés (maiores que um soto 40, portanto), usados nos treinamentos da America's Cup. Essas imagens de capotagens correram o mundo e fizeram a alegria de patrocinadores e organizadores. O Oracle já havia capotado seu AC 72 (esse simm, o catamarã verdadeiro da nova America's Cup), há alguns meses, sem feridos graves.

E agora, José?

Sim, todos nós sabíamos que novas capotagens iriam (vão?) acontecer. O que eu nem de longe imaginava era que o resultado seria tão devastador como o de ontem. O acidente assustou a America's Cup, que fará uma investigação sobre a segurança dos barcos. Mas agora? Às vésperas do início das competições?

O que ninguém falou

Segundo a revista Wired, foi a travessa frontal do barco, que serve para manter os dois cascos do catamarã unidos, que quebrou primeiro. O Artemis teve várias quebras em suas travessas durante os treinos. A partir da quebra, os dois cascos, separados na parte da frente, começaram a velejar em direções opostas. Um dos cascos se partiu, levando consigo os estais que tensionam o mastro. O mastro então caiu e o barco capotou, prendendo Simpson sob a água.

O que ninguém falou ainda é que a equipe Artemis estava fazendo modificações estruturais importantes no barco, que podem estar por trás do acidente. Depois de decidir que não queria um barco "voador", Paul Cayard, chefão da equipe, voltou atrás e pediu um barco com hidrofólios. Esses hidrofólios são capazes de fazer o catamarã velejar sem nenhum casco na água, o que minimiza o arrasto e maximiza a velocidade. Não sei se os hidrofólios já estavam nesse barco que capotou ou não. 

Pior fase da história recente da America's Cup

Eu posso falar sem medo de errar feio que a America's Cup vive sua pior fase nos últimos 50 anos. E isso já dura seis anos, desde a segunda vitória do Alinghi, em 2007, quando o dono da equipe, Ernesto Bertarelli, tentou mudar as regras para virar dono da copa. Ele mudou as regras para poder, por exemplo, eliminar concorrentes sem dar explicações. Foram tantas as provocações que ele foi obrigado a colocar a Copa em disputa mesmo sem querer. O Oracle venceu com um catamarã gigantesco, uma vitória do dinheiro e da tecnologia. Quando eu achei que os monocascos voltariam, veio essa ideia dos catamarãs gigantes, para atender patrocinadores e mídia. E mídia tipo "Fantástico", porque a mídia especializada não cai nessa.

Por Antonio Alonso às 08h47

09/05/2013

Aprenda a plotar waypoints no Google Maps

A velejadora Izabel Pimentel se viu obrigada a fazer uma escala de segurança na ilha de Páscoa, e interrompeu sua tentativa de ser a primeira brasileira a dar a Volta ao Mundo sem escalas. Izabel capotou o barco, teve uma cruzeta avariada, e decidiu sabiamente não enfrentar o cabo Horn, ponto mais temido de todos oceanos, nessas condições.

Graças a Marcos Lobo, temos recebido informações constantes das posições de Izabel Pimentel. Nesta quarta-feira, a velejadora reclamou de estar dormindo no molhado há quinze dias e os equipamentos de comunicação começaram a falhar seriamente. "...você não imagina o que é dormir numa cama molhada há mais de quinze dias. Tudo úmido, sol aqui não vejo há muito tempo. Mar batido jogando água para dentro a toda hora..."

Segundo as posições, ela andou cerca de 260 km nos últimos dois dias. Ainda faltam cerca de 1700 km até a ilha de Páscoa, mas é muito provável que ela encontre melhores condições de navegação nos próximos dias.

Com o waypoint na mão, eu decidi plotar no Google Maps mesmo a posição de Izabel, para ter uma ideia de onde ela está no oceano Pacífico. O resultado é a imagem acima. A Izabel é o ponto vermelho. Ela está ainda a mais de 1500 km da Ilha de Páscoa, mas a previsão indica que o tempo vai melhorar.

Resolvi dar uma dica para os curiosos que quiserem fazer o mesmo. É bastante simples. Vou usar como exemplo as coordenadas que o Marcos postou na noite desta quarta-feira. Pouco antes do São Paulo entrar em campo contra o Atlético Mineiro, Izabel estava na seguinte posição: Latitude: 42º 03' S Longitude: 113º 06' W. (Obs: se você é uma pessoa prática, pare de ler agora e vá direto ao final deste post).

Pois o Google Maps não entende só endereços, entende também coordenadas. No entanto, precisamos "traduzir" para a linguagem dele. Por convenção, no Google Maps, tudo o que é S (Sul) tem sinal negativo. Tudo o que é norte tem sinal positivo. Nas longitudes, tudo o que é W (Oeste) tem sinal negativo, e E (Leste), sinal positivo.

Portanto, se você procurasse apenas por 42ºS e 113ºW, tudo o que vc precisaria colocar no www.maps.google é -42, -113. Faça o teste. Você vai ver o local onde o paralelo 42 sul cruza com o meridiano de 113º oeste.  Mas não é isso que procuramos ainda. Queremos a posição precisa, em graus e minutos.

Voltando às aulas de geografia, vou lembrar que as coordenadas são medidas em graus, minutos e segundos. Os minutos e segundos, como no relógio, vão de zero a 60. Ou seja, não existe 41 graus e 63 minutos, esse valor equivale a 42 graus e três minutos. Ou, como está marcado na notação do Marcos Lobo, 42º03' S. 

A única coisa que temos que fazer é transformar o sistema de minutos no sistema decimal, no qual 60 minutos equivalem a 100 centésimos de um minuto.

Uma tabela simples de conversões:

60 minutos = 100 centésimos

30 minutos = 50 centésimos

15 minutos = 25 centésimos

6 minutos = 10 centésimos

3 minutos = 5 centésimos

1 minuto = 1,7 centésimos (aproximado)

Seguindo esta tabela, os três minutos da nossa latitude, valem 5 centésimos, ou 0,05. E os seis minutos da nossa longitude, valem 10 centésimos, ou 0,10 de um minuto. 

Usando esses dados, podemos transformar as coordenadas Latitude: 42º 03' S Longitude: 113º 06' W em linguagem Google Maps: -42.05, -113.10. Notem, por favor, que eu usei ponto para separar os centésimos dos graus. Isso é a notação usada nos Estados Unidos. Se você tentar a vírgula, não vai funcionar. Até porque a vírgula é usada para separar a latitude da longitude.

Parece difícil, mas é fácil. Agora você pode testar com outros waypoints. Dá até pra saber com uma relativa precisão as coordenadas da sua praia predileta ou da sua casa. Outro dia eu ensino como.

Para você, que é uma pessoa prática, eu compartilho o comentário do David, que mata tudo o que eu disse acima:

Prezado Antonio, sou leitor do blog, mas sem comentar. E para ajudar nessa empreitada, o Google Maps aceita a coordenada direto. Pode testar e digitar --- 42º03'S 113º06'W --- só precisa ter o símobolo de grau e o apóstrofe (não é aspas simples). Se quiser colocar em decimal, basta dividir separadamente os minutos por 60 e os segundos por 3600 e somar tudo. Como só tem minutos, então fica -42.05 = 42+(03/60) e 113.10=113+(6/60). Espero ter contribuído.

Por Antonio Alonso às 00h44

Aprenda a plotar waypoints no Google Maps

A velejadora Izabel Pimentel se viu obrigada a fazer uma escala de segurança na ilha de Páscoa, e interrompeu sua tentativa de ser a primeira brasileira a dar a Volta ao Mundo sem escalas. Izabel capotou o barco, teve uma cruzeta avariada, e decidiu sabiamente não enfrentar o cabo Horn, ponto mais temido de todos oceanos, nessas condições.

Graças a Marcos Lobo, temos recebido informações constantes das posições de Izabel Pimentel. Nesta quarta-feira, a velejadora reclamou de estar dormindo no molhado há quinze dias e os equipamentos de comunicação começaram a falhar seriamente. "...você não imagina o que é dormir numa cama molhada há mais de quinze dias. Tudo úmido, sol aqui não vejo há muito tempo. Mar batido jogando água para dentro a toda hora..."

Com o waypoint na mão, eu decidi plotar no Google Maps mesmo a posição de Izabel, para ter uma ideia de onde ela está no oceano Pacífico. O resultado é a imagem acima. A Izabel é o ponto vermelho. Ela está ainda a mais de 1500 km da Ilha de Páscoa, mas a previsão indica que o tempo vai melhorar.

Resolvi dar uma dica para os curiosos que quiserem fazer o mesmo. É bastante simples. Vou usar como exemplo as coordenadas que o Marcos postou na noite desta quarta-feira. Pouco antes do São Paulo entrar em campo contra o Atlético Mineiro, Izabel estava na seguinte posição: Latitude: 42º 03' S Longitude: 113º 06' W.

Pois o Google Maps não entende só endereços, entende também coordenadas. No entanto, precisamos "traduzir" para a linguagem dele. Por convenção, no Google Maps, tudo o que é S (Sul) tem sinal negativo. Tudo o que é norte tem sinal positivo. Nas longitudes, tudo o que é W (Oeste) tem sinal negativo, e E (Leste), sinal positivo.

Portanto, se você procurasse apenas por 42ºS e 113ºW, tudo o que vc precisaria colocar no www.maps.google é -42, -113. Faça o teste. Você vai ver o local onde o paralelo 42 sul cruza com o meridiano de 113º oeste.  Mas não é isso que procuramos ainda. Queremos a posição precisa, em graus e minutos.

Voltando às aulas de geografia, vou lembrar que as coordenadas são medidas em graus, minutos e segundos. Os minutos e segundos, como no relógio, vão de zero a 60. Ou seja, não existe 41 graus e 63 minutos, esse valor equivale a 42 graus e três minutos. Ou, como está marcado na notação do Marcos Lobo, 42º03' S. 

A única coisa que temos que fazer é transformar o sistema de minutos no sistema decimal, no qual 60 minutos equivalem a 100 centésimos de um minuto.

Uma tabela simples de conversões:

60 minutos = 100 centésimos

30 minutos = 50 centésimos

15 minutos = 25 centésimos

6 minutos = 10 centésimos

3 minuto = 5 centésimos

Seguindo esta tabela, os três minutos da nossa latitude, valem 5 centésimos, ou 0,05. E os seis minutos da nossa longitude, valem 10 centésimos, ou 0,10 de um minuto. 

Usando esses dados, podemos transformar as coordenadas Latitude: 42º 03' S Longitude: 113º 06' W em linguagem Google Maps: -42.05, -113.10. Notem, por favor, que eu usei ponto para separar os centésimos dos graus. Isso é a notação usada nos Estados Unidos. Se você tentar a vírgula, não vai funcionar. Até porque a vírgula é usada para separar a latitude da longitude.

Parece difícil, mas é fácil. Agora você pode testar com outros waypoints. Dá até pra saber com uma relativa precisão as coordenadas da sua praia predileta ou da sua casa. Outro dia eu ensino como.

 

Por Antonio Alonso às 00h44

08/05/2013

Robert Scheidt critica novo formato das competições olímpicas da Isaf

"O jogo tem que ser justo e não pode depender somente da sorte". O brasileiro dono de cinco medalhas olímpicas se juntou a um coro praticamente unânime de atletas criticando o novo formato das regatas olímpicas. "A vela é um esporte de regularidade". Esta foi a frase mais ouvida na série de entrevistas feitas pelo site SailCoach.

Traduzi abaixo a fala do Robert (a entrevista foi gravada em inglês). O brasileiro fala no começo do vídeo e depois aos 3min52 de gravação:

Robert, qual a sua opinião sobre o novo formato?

"Eu acho que é bom tentar coisas diferentes. Minha única preocupação é que a Vela é um esporte de regularidade. Portanto, fazer cinco regatas no começo da competição e ter essas cinco regatas contando como se fosse apenas uma é algo que sou contra. Porque a pessoa que foi consistente nessas cinco regatas deveria ter uma vantagem sobre os demais. Esta é realmente minha única preocupação. Porque agora as competições se resumem a dois ou três dias [que contam como uma regata] mais finais e duas medal races. 

Eles [A Isaf] estão tentando muitos formatos diferentes. O importante é ouvir o que os velejadores querem, não só o que a mídia quer. Eu acho que os velejadores devem ter uma voz forte sobre o formato das competições e decidir as coisas. Porque há um grande esforço sendo feito pelos velejadores para estar no topo e o jogo precisa ser justo e [depender] de regularidade, não apenas da sorte".

Depois de Robert, uma série de atletas mete a boca no novo formato. A linda holandesa Marit Bouwmeester (já disse que ela é linda?) responde um redondo "NÃO" quando perguntada se tinha gostado do evento. O britânico Giles Scott resume: "a única coisa boa que eu acho boa são os zero pontos para o vencedor"

A Federação Internacional de Vela (Isaf) faz seu encontro de meio de ano a partir de amanhã, na Dinamarca. Aliás, fiquem atentos para novidades que podem vir de lá nos próximos dias.

Um resumo rápido sobre o formato das regatas olímpicas:

Antes do advento das Medal Races, os velejadores corriam um determinado número de regatas e o campeão era quem somava menos pontos descartando o pior resultado. Simples assim. O problema aconteceu quando a TV ganhou importância e passou a transmitir as finais. Ora, mas o Robert Scheidt já havia ganho todas as regatas anteriores, não precisava correr a final, porque era só descartar um resultado (a própria final) e o título estava garantido. Mas a TV saía frustrada, porque mostrava uma regata sem o campeão.

Para resolver isso, inventaram a Medal Race. Você corre 10 regatas, seleciona só os 10 primeiros e leva esses caras para a Medal Race, que é uma regata com regras especiais. Em primeiro lugar, ela não pode ser descartada (Robert Scheidt vai ter que correr). Em segundo lugar, a pontuação é dobrada. Portanto, se Robert Scheidt chegar em último, ele soma 20 pontos (e não 10, como em uma regata tradicional).

Novo formato

Agora a Isaf está testando um novo modelo, um tanto mais complexo. As principais mudanças são:

* O primeiro colocado em cada regata soma zero pontos (e não mais um). O resto da pontuação segue igual: (2, 3, 4, 5...)

* Há uma série qualificatória (que foi de 5 regatas em Hyères), que conta como apenas uma regata para a série final. Ou seja, o primeiro colocado após cinco regatas soma zero pontos. O segundo dois...

* Na fase final, cada regata conta normalmente 

* Agora são duas Medal Race para cada classe, ambas no mesmo dia. É o "Medal Day", ou "Final Stage" em inglês. 

* Os skiffs (49er e 49erFX), por serem mais rápidos, fazem quatro medal races, com apenas oito participantes, e em algum local perto do público (quando possível, claro).

Por Antonio Alonso às 10h38

Mais uma vitória para o Solution Blindagem na Volta à Ilha da Moela

Mauricio Martins me enviou algumas fotos e um relato da regata Volta à Ilha da Moela que rolou este fim de semana, em Santos. Na verdade, o percurso original da regata seria até a ilha das Cabras, mas com o pouco vento (dá pra ver o mar leitoso nas fotos), a comissão decidiu encurtar. O próprio Mauricio conta pra vcs como foi:

Originalmente o percurso seria até a Ilha das Cabras, o que significaria o dobro da distância, mas o vento fraco levou a Comissão do Clube Internacional de Regatas a adotar o plano B, encurtando o percurso.

Em uma largada muito disputada, com mais de 15 veleiros, pularam na frente o Lexus, H3+ , Mandinga, Solution Blindagem e Infinity.

No primeiro terço da regata o veleiro Infinity escolheu velejar mais afastado da costa enquanto todas as outras tripulações escolheram velejar mais aterrados.

O Veleiro Solution Blindagem voou no primeiro contravento em um velejo típico da represa de Guarapiranga com rajadinhas de todos os lados, uma trimagem de velas cirúrgica de Francisco De Godoy Bueno e logo passou a liderar a flotilha. O Mandinga, de Jonas Penteado, em um erro tático ficou preso em uma sombra de vento, mas  H3+, Solution e Lexus escaparam mais ao mar, abrindo grande distancia dos demais.

No contorno da Ilha da Moela o Lexus, um 57 pés de última geração chegou a ser ultrapassado pelo Solution Blindagem e H3+, mas acabou retomando a posição por motivos óbvios de velocidade natural.

Ao final da regata, Solution Blindagem em primeiro geral da RGS, deixando em segundo lugar o Infinity (Wind 34) e em terceiro o Mandinga (Neo 25). A Fita Azul ficou com o Lexus.

Por Antonio Alonso às 09h52

06/05/2013

Tempestade de 50 nós joga barcos contra pedras em Ilhabela

Essa veio do Facebook de Matias Gomes, que foi parar até na Globo. Quem visita a Ilhabela com regularidade já deve ter pelo menos uma história de tempestade para contar. Talvez a mais memorável de todas seja aquela que aconteceu logo depois que a Whitbread partiu de São Sebastião, em 98. Bastou os veleiros deixarem o porto e caiu um temporal de arrastar caminhão. Recentemente, num sábado após a Semana de Ilhabela (talvez 2009), nova tempestade fez barcos desgarrarem e outros se chocarem tanto contra o píer que acabaram com rombos no casco.

Desta vez, 50 nós fizeram com que vários barcos se soltassem de suas poitas e parassem na praia. Mas Matias captou provavelmente o momento mais triste da noite:

"Noite triste em Ilhabela, com ventos de mais de 50 nós, teve mais 3 barcos soltos alem desses das fotos, o que mais me marcou é a bateira de pescador, branca e azul que aparece na foto, ao lado do coqueiro está o dono do barco que aparece na foto de longe, cheguei perto para fazer uma foto do estrago no casco, as pedras abriram um rombo, ele estava agachado abraçado com o cachorro e chorando, nem pensei em levantar a câmera, ele me olhou e falou, Por favor não tira foto não, respondi que não iria tirar, e fui embora com o coração na mão."

Para ver mais fotos, visite o Facebook de Matias Gomes: https://www.facebook.com/matias.ilhabela


Por Antonio Alonso às 22h42

Lars Grael vence Brasileiro de Star e segue invicto desde 2008

Lars Grael é um fenômeno que não tem recebido a devida atenção no Brasil. Pela quinta vez desde 2008 ele vence o Campeonato Brasileiro da classe Star, e muitas vezes deixou para trás as maiores estrelas da nossa Vela: Torben Grael e Robert Scheidt. Agora, que a classe Star está fora das Olimpíadas, Lars domina a posição de "dono" da Star no Brasil. Para temperar ainda mais a aura de fenômeno, Lars velejou ao lado de Samuel Gonçalves, velejador revelado nas ondas do Projeto Grael, em Niterói.

Existe uma chance tênue, porém real, de a Star retornar ao programa Olímpico ainda na Rio 2016. Se isso acontecer, eu adoraria ver Lars Grael representando o Brasil nas águas na baía de Guanabara, que ele conhece tão bem.

Da assessoria de imprensa: A dupla formada por Lars Grael e Samuel Gonçalves venceu o Campeonato Brasileiro da Classe Star 2013, disputado em Brasília, entre os dias 1º e 5 de maio. Com ventos fracos, que variavam entre 5 e 10 nós, foram disputadas cinco regatas, com direito a um descarte. Lars e Samuel fizeram um 3º, 4º, 2º, 5º e 1 º lugares, respectivamente, e somaram 10 pontos perdidos, quatro à frente do segundo lugar, os paulistas Marcelo Fuchs e Ronald Seifert. O terceiro lugar da competição ficou com a dupla local Guilherme Raulino e Alexandre Freitas, com 16 pontos.

"A classe Star é muito técnica e exige muita concentração a bordo. O campeonato reuniu ótimos velejadores na raia, o que eleva ainda mais o nível da disputa. Nosso foco era ficar entre os primeiros colocados em todas as regatas, o que nos daria uma boa posição na classificação final. Fechar a competição com um primeiro lugar foi
essencial para essa vitória", comentou Lars.

Com a vitória, Lars Grael conquistou seu quinto título consecutivo no Campeonato Brasileiro da Classe Star, considerada a Fórmula 1 dos monotipos. Esta é a segunda conquista do velejador este ano. Mês passado, ele venceu o 7º Distrito da classe Star, disputado em São Paulo. Esta foi a 28ª vez que Lars Grael subiu ao pódio somente na Classe Star, após o acidente que sofreu, em 1998, quando foi atropelado por uma lancha em Vitória/ES, causando a amputação de sua perna direita.

O proeiro de Lars é o jovem Samuel Gonçalves, ex-aluno do Projeto Grael - organização social criada por Lars e seus irmãos, Torben e Axel, e o amigo Marcelo Ferreira. Samuel recebeu o convite para velejar com um de seus ídolos no esporte após conquistar o título da tradicional regata Cape Town-Rio, em 2010.

Lars Grael é um atleta Adidas e patrocinado pela Light através da Lei de Incentivo ao Esporte do Estado do Rio de Janeiro.

Por Antonio Alonso às 16h45

Após capotagem, velejadora solitária brasileira adia sonho da volta ao mundo sem escalas

Taí o Don, casco de alumínio de 34 pés, projeto de Philippe Harlé, em foto de Marcos Lobo. O Don, com Bel a bordo, agora ruma para a ilha de Páscoa

 

Como ficou claro nos últimos posts, muita gente está interessada em acompanhar a velejadora Izabel Pimentel em sua volta ao mundo em solitário. Sigo recomendando o Facebook de Marcos Lobo como a fonte mais atualizada e direta de informações sobre a velejadora (clique aqui para acessar).

 

Conversei com o Marcos Lobo no sábado e ele me avisou que a Izabel iria desistir do Horn e partir para o canal do Panamá e dali para a França. Isso, na prática significa que ela não segue mais na tentativa de contornar o planeta navegando sem paradas e sem auxílio externo. "Que ela vai retomar o projeto de volta ao mundo sozinha e sem escalas, não tenho dúvida", me contou Marcos. Ela deve fazer uma parada na Ilha de Páscoa, território chileno a 1200 milhas (mais de 2.200 km, mais ou menos a distância entre Florianópolis e Salvador) para avaliar o estado do barco e dali segue para o norte. Izabel cruzará o canal do Panamá e terá como destino final a França, e não mais o Brasil.

 

"Ao chegar a França terá completado sua viagem de CIRCUNAVEGAÇÃO EM SOLITÁRIO tornando-se, caso tenha sucesso, a primeira velejadora brasileira a realizar esse feito", destaca Marcos Lobo. Ou seja, mesmo com paradas, a volta ao mundo de Izabel é inédita para uma mulher brasileira.

 

Conhecendo a Izabel, imagino como foi difícil tomar essa decisão depois de já ter dado meia volta ao mundo. Não tenho dúvida que houve muito conflito de sentimentos ali e que essa foi a decisão mais sábia. O cabo Horn é o ponto mais temido do planeta. Para chegar lá, ela teria de enfrentar milhares de milhas do impiedoso oceano Austral. Tudo isso depois de uma capotagem, que pode ter deixado avarias invisíveis, mas comprometedoras. Vale lembrar que na última Volta ao Mundo praticamente todos os barcos quebraram nesse mesmo trecho onde Izabel velejaria agora. E eram barcos de regata, desenhados especificamente para aquilo e com mais de 10 marmanjos profissionais a bordo.

 

Ou seja, decisão difícil, mas acertada.

 

Copio abaixo os últimos dois posts de Marcos Pimentel, com a localização atualizada da Izabel neste domingo:

 

Postado por Marcos Lobo:

 

Posição da Izabel Pimentel em 5/5/2013 - 20h09 Brasil (15h09 local) - 129º DIA

 

Lat 45º 32' S

Lon 116º 38' W

 

"...preciso descongelar os pés. Muito frio aqui...Novidade: Recuperei o leme de vento..."

 

Nota: Izabel pediu que transmitisse mensagem de agradecimento pelo apoio e ao saber das mensagens ficou emocionada chegando a interromper a transmissão.

Pouco depois já demonstrava, de novo, toda a empolgação para, após a parada, prosseguir em busca de seu sonho e que, tenho certeza, é de todos nós.

 

Amanhã devo ir ao Consulado do Chile para verificar procedimentos de entrada em territórios daquele país, especialmente em razão da Mimi.

 

Bons Ventos,

Marcos

Por Antonio Alonso às 00h28

Sobre o autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.

Sobre o blog

A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.

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