
O pior resultado de Scheidt na Itália foi um segundo lugar (só um). Foto: Fabio Taccola
Tem um ditado que diz que "quem não sabe perder perde sempre". Eu cresci ouvindo esse tipo de argumento na escola, nos desenhos animaos, nos filmes da sessão da tarde... Mas aí eu conheço esse cara, que realmente não sabe perder, mas que ganha sempre. Robert Scheidt está de volta à classe Laser. Ele não queria. Seu sonho era se estabelecer como um grande entre os grandes, e a classe Star é onde estão os grandes. Só depois de muito tempo eu fui perceber que não saber ganhar era muito mais chato do que não saber perder.
Em seu primeiro teste na Laser, Scheidt encarou 104 velejadores no Campeonato Italiano de Classes Olímpicas. Os adversários eram os melhores da Itália, que está longe de ser uma potência na Laser. Marco Gallo, 22º do ranking mundial, não seria ameaça no Campeonato Brasileiro. Mesmo assim, Robert Scheidt passou com louvor em seu primeiro teste e provou: não sabe perder.
Esse primeiro teste é importantíssimo porque prova, pelo menos duas coisas. A primeira é óbvia: Robert Scheidt está de volta e não vai dar mole. Ele venceu seis das sete regatas disputadas (ficou em segundo na outra). Isso significa sangue nos olhos, e os adversários que se preparem. A segunda coisa provada neste primeiro teste é que a questão física não deve ser um obstáculo para o brasileiro. Se os italianos não são reis da técnica, os adversários de Scheidt formavam um grupo de velejadores muito mais jovens, com sede de vencer uma regata contra uma lenda da Vela mundial. Não rolou.
Um Scheidt motivado e em forma é de assustar. O primeiro teste foi relativamente fácil, e foi superado com louvor. A dificuldade só aumenta daqui pra frente, mas é um início com o pé direito.
Da Local da Comunicação: Robert Scheidt está acostumado a ganhar títulos e, de volta à classe Laser, ele acaba de conquistar mais um. Depois de seis vitórias em sete regatas, o brasileiro desbancou outros 104 velejadores para ficar com o lugar mais alto do pódio no Campeonato Italiano de Classes Olímpicas, o CICO 2012, nesta terça-feira (25).
A competição foi a primeira de Scheidt nesta temporada na classe em que se consagrou. Depois de uma pausa de dois ciclos olímpicos bem-sucedidos na Star, que não deve estar nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, Scheidt optou por voltar à Laser e aproveitou o evento em Scarlino, na Sardenha, para testar o preparo físico, já que o barco depende mais de escora (quando o atleta usa o corpo para contrapor o peso do vento na vela).
Sem conhecer os seus adversários e sem ter a obrigação de vencer, Scheidt entrou na disputa mais relaxado, o que acabou rendendo a ele a medalha de ouro. O campeonato foi marcado por ventos forte, que chegaram a 30 nós na segunda-feira. Já nesta terça, o vento demorou a aparecer e teve velocidade máxima de 15 nós, o que permitiu a realização de apenas duas regatas. Scheidt venceu as duas disputas da flotilha ouro (que recebeu os 52 vejeladores mais bem colocados na primeira fase) e saiu da água satisfeito.
"Estou muito feliz de voltar para a classe já com um título. Consegui ser bastante consistente e veloz e com a divisão das flotilhas ouro e prata, o pessoal que velejou ao meu lado tinha um nível técnico maior, o que me permitiu competir mais tranquilo e confiante. Acho que ninguém estava esperando que eu fosse ganhar", explicou o brasileiro, que tem entre seus títulos na Laser nove mundiais, dois ouros e uma prata olímpicos e dois ouros e duas pratas pan-americanas.
Apesar de ser um campeonato no qual a maioria dos velejadores era da Itália, grandes nomes da classe na Europa estiveram presentes, como Marco Gallo, 22º colocado no ranking mundial, que ficou com a terceira colocação.
Scheidt, que tem patrocínio do Banco do Brasil, Prada, Gocil e Rolex e apoio do Comitê Olímpico Brasileiro e da Confederação Brasileira de Vela e Motor, volta para Riva Del Garda, onde vive, ainda nesta terça-feira e seguirá uma rotina de treinos até o próximo dia 20, quando embarca para o Brasil para uma série de compromissos com patrocinadores.
Classificação final
1. Robert Scheidt - 6 pontos perdidos (1+1+1+1+[2]+1+1)
2. Alessio Spadoni (ITA) - 11 pp (2+1+2+2+2+2+[18])
3. Marco Gallo (ITA) - 13 pp (1+2+1+1+3+5+[19])
4. Enrico Strazzera (ITA) - 13 pp (3+3+2+2+1+[6]+2)
5. Francesco Marrai (ITA) - 16 pp (2+2+[5]+3+3+3+3)
Por Antonio Alonso às 14h44

Bruno Prada, medalha de bronze em Londres este ano, é comandante do líder da HPE, o SER Glass Eternity. Foto: Murilo Mattos/Green Pixel
A normalmente pacata Copa Suzuki, o Circuito Oceânico de Ilhabela, foi palco de regatas com rajadas de mais de 50 km/h neste fim de semana. Eu não estava lá, e por isso perdi um momento importante da nascente classe C30, a derrota do todo-poderoso Loyal para o Barracuda, na primeira regata. A Copa Suzuki continua no próximo fim de semana, também em Ilhabela. Deixo com vocês o relato da assessoria de imprensa:
Da ZDL - O fim de semana de abertura da terceira etapa da Copa Suzuki Jimny de Vela Oceânica foi marcado por muita oscilação de vento em Ilhabela, litoral norte de São Paulo, e regatas altamente técnicas no Yacht Club de Ilhabela (YCI) com a presença de campeões mundiais e medalhistas olímpicos, como Bruno Prada e Maurício Santa Cruz, destaques da HPE.
Ao todo, 42 barcos divididos nas classes HPE, C30, ORC e RGS, disputaram o evento, um dos mais importantes e aguardados da modalidade. Na prova de percurso, no sábado (22), o vento não deu as caras, mas neste domingo (23), a situação se inverteu: rajadas de 28 nós (51,8 km/h) na Ponta das Canas, no norte de Ilhabela, e equilíbrio em todas as categorias, que disputaram uma regata, a exceção da HPE com duas provas.
"A regata com vento forte fica mais fácil para a gente, pois as manobras de balão ocorrem mais naturalmente e este barco foi feito para regatas barla-sota. Conseguimos treinar a equipe também para os próximos desafios", revelou Ernesto Breda, que comanda o Touché Tomgape, líder na classe ORC. Depois de duas regatas, a categoria tem outro veleiro dividindo a primeira posição, o Tembó Guaçu (André Omatti), que chegou em segundo lugar. Completaram o percurso de Orson/Mapfre (Carlos Eduardo Souza e Silva) e Sextante (Thomas Shaw).
Velocidade e diversão no domingo - A chegada de uma frente fria no Litoral Norte provocou essa oscilação no tempo, mas os velejadores aprovaram as mudanças. Quem prefere mais velocidade, como o medalhista olímpico Bruno Prada, se divertiu neste domingo. O atleta comandou o SER Glass Eternity, que lidera a classe HPE com oito pontos perdidos em três regatas. "O resultado é positivo e o time permanece na ponta do campeonato, além de ter o melhor desempenho desta etapa. Com o vento forte, o popa fica muito mais divertido e a briga mais acirrada com barcos como o Ginga. Eles, por exemplo, treinam quase todo final de semana", salientou Bruno Prada, que fez um quarto e um segundo lugares.
O Ginga (Breno Chvaicer), mencionado por Bruno Prada,teve um desempenho perfeito nas águas de Ilhabela. A equipe venceu as duas provas do dia e soma 13 pontos perdidos. A irregularidade na véspera, quando a tripulação tirou um 11º, deixa o time momentaneamente em segundo. A tabela da terceira etapa mostra ainda Aventura (José Octavio Vita) e Jimny Take Ashauer (Casio Ashauer) em terceiro e quarto lugares, respectivamente.
Na classe C30, outra de design único como a HPE, o TNT/Loyal (Marcelo Massa) divide a ponta com o Barracuda (Humberto Diniz) após duas regatas. Uma vitória para cada tripulação. A equipe de Marcelo Massa cruzou em primeiro lugar neste domingo com vento forte, depois de sofrer com a chamada merreca do sábado. O Loyal é um das equipes mais profissionais do circuito com nomes de peso da vela, como André Fonseca, o ´Bochecha e o campeão pan-americano Alexandre Paradeda.
"Está cada vez legal correr de C30. Foi uma ótima escolha. Faltam apenas mais dois barcos em São Paulo para que a raia tenha cinco concorrentes e fique competitiva o ano inteiro. Isso já existe em Santa Catarina, que tem cinco", contou Marcelo Massa.
Muito Equilíbrio - Na RGS, que conta com 20 embarcações entre as quatro subdivisões A, B, C e Cruiser, a súmula foi praticamente a mesma nas duas provas disputadas até agora, com muito equilíbrio. Maria Preta (José Barreti) em primeiro, Jazz (Valéria Ravani) em segundo e Fram (Felipe Aidar) em terceiro, na A.
Na B, tríplice empate com quatro pontos perdidos: Anequim (Paulo Fernando de Moura), Nomad (Mauro Dottori) e Asbar II (Sergio Klepacz). O mesmo ocorre na C com empate Ariel (Luis Pimenta), Conquest (Marco Hidalgo) e Rainha/Mix Saúde (Leonardo Pacheco) com quatro pontos perdidos. Na Cruiser, o Hélios II - Hospital Sírio Libanês (Marcos Lobo) perdeu os 100% de aproveitamento no campeonato, mas recuperou a liderança ao vencer a regata do domingo. A equipe divide a liderança com o Cocoon (Marcelo Caggiano).
A terceira etapa da Copa Suzuki Jimny será encerrada no próximo final de semana, dias 29 e 30 de setembro.
Resultados da terceira etapa
ORC
1º - Touché Tomgape (Erneste Breda) - 3 pontos perdidos (2+1)
2º - Tembó Guaçu (André Omatti) - 3 pp (1+2)
3º - Orson/Mapfre (Carlos Eduardo Souza e Silva) - 6 pp (3+3)
4º - Sextante (Thomas Shaw) - 8 pp (4+4)
C30
1º - TNT/Loyal (Marcelo Massa) - 3 pp (2+1)
2º - Barracuda (Humberto Diniz) - 3 pp (1+2)
3º - + Realizado (José Luiiz Apud) - 6 pp (3+3)
HPE
1º - SER Glass Eternity (Bruno Prada) - 8 pontos perdidos [2+4+2]
2º - Ginga (Breno Chvaicer) - 13 pp [11+1+1]
3º - Aventura (José Vita) - 15 pp [3+7+5]
4º - Jimny Take Ashauer (Cassio Ashauer) - 16 pp [1+9+6]
5º - Laranja (Rubens Sabino) - 20 pp [4+8+8]
RGS-A
1º - Maria Preta (José Barreti) - 2 pp (1+1)
2º - Jazz (Valéria Ravani) - 4 pp (2+2)
3º - Fram (Felipe Aidar) - 6 pp (3+3)
RGS-B
1º - Anequim (Paulo Fernando de Moura) - 4 pp (3+1)
2º - Nomad (Mauro Dottori) - 4 pp (1+3)
3º - Asbar II (Sérgio Klepacz) - 4 pp (2+2)
RGS-C
1º - Rainha/Mix Saúde (Leonardo Pacheco) - 4 pp (3+1)
2º - Conquest (Marco Hidalgo) - 4 pp (1+3)
3º - Ariel (Luis Pimenta) - 4 pp (2+2)
RGS-Cruiser
1º - Hélios/Sírio Libanês (Marcos Lobo) - 3 (2+1)
2º - Cocoon (Marcelo Caggiano) - 4 pp (1+3)
3º - Fram Travessura (Sérgio Gomes) - 7 pp (5+2)
Por Antonio Alonso às 09h27
Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.
A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.