
Transfusion, campeão do ano passado. Photo by Rolex / Kurt Arrigo
Os brasileiros Torben Grael e Vince Brun participam, a partir desta segunda-feira, do Mundial de Farr 40, em Chicago. Esse já foi "o" Mundial da Vela de Oceano, e continua até com bastante moral, mesmo depois de 14 anos na atividade e com um modelo (o Farr 40) já com cara de bem velhinho se comparado com os atuais monotipos de oceano. Mesmo assim, essa classe reúne alguns dos proprietários mais dispostos a gastar grana pra correr em alto nível no mundo (por isso que, além de Torben e Vince Brun, a lista dos táticos tem alguns dos maiores nomes do planeta). O timoneiro precisa ser amador e, entre os 10 tripulantes, só quatro podem ser profissionais.
Torben vai correr no italiano Enfant Terrible, de Alberto Rossi, e Vince Brun, no Plenty, de Alexander Roepers. Quem correu vários desses mundiais foi o Eduardo Souza Ramos, antes de apostar todas suas fichas no Soto 40 aqui no Brasil. O Mundial deste ano terá só 20 competidores, quase a metade do que o ano de 2003. A Farr 40 está em processo de definhamento e morte, mas mesmo assim ainda vai ter uma das linhas de largada mais respeitáveis que se pode imaginar atualmente.
Para acompanhar o Mundial: www.farr40worlds.com
Por Antonio Alonso às 12h17

A esta altura todo mundo já está sabendo da tal bolsa-medalha. Os número são ambiciosos: um bilhão de reais investidos no esporte, bolsas de até R$ 15 mil para atletas de modalidades individuais que estejam entre os 20 melhores do mundo. Mas o objetivo não enxerga longe, é míope (e não poderia ser mais picareta): subir no maldito ranking olímpico de medalhas. Além de míope, o programa é vesgo, porque pretente desenvolver o esporte olhando para o lado errado.
Antes de continuar, eu preciso deixar claro aqui que eu sou um admirador de ações, não de planos. Não sou cego eu mesmo e sei que nos últimos anos o investimento no Esporte começou a virar coisa séria e que nunca os atletas brasileiros tiveram tanto apoio como agora. Reconheço isso e aplaudo.
Agora, colocar como meta a picaretagem do quadro de medalhas é reduzir o investimento no Esporte à lógica da propaganda. Sim, porque o número de medalhas de ouro de um país está longe de mostrar o quão vitorioso é seu programa esportivo. O Brasil já sabe há tempos que será sede olímpica em 2016. Você conhece alguma jogadora de hóquei na grama? E a turma do rugby, que treina dois dias por semana? O Brasil tem classificação garantida em todos esses esportes, mas deixou quatro anos se passarem e não se mexeu. O Brasil é uma potência nos esportes coletivos. Até onde eu sei, é o único país com títulos mundiais de vôlei, basquete e futebol. E está perto do título mundial no handebol feminino (falta só cabeça).
Ao priorizar os esportes individuais, o Bolsa-medalha vai ser vir para o Brasil subir muito pouco no ranking, porque não se faz um campeão mundial com grana só. Na maior parte dos casos, é preciso que os adversários desse cara aqui no Brasil sejam duros. Campeões nascem em solo fértil, não derrotando atletas desmotivados. Para ficar com o exemplo da Vela, tanto Robert Scheidt como Torben Grael tiveram que derrotar campeões mundiais brasileiros para chegar às Olimpíadas. Hoje eles parecem pioneiros, mas não são.
Ao olhar para o lugar errado, a Bolsa-medalha vai patrocinar uma super-competição nas classes individuais, o que pode (deve) descobrir as classes de dupla. Laser, Laser Radial, Finn e Kitesurf serão mais valorizadas do que a 470 feminino, por exemplo, classe em que teremos chances reais de ouro.
Mas o que me irrita, quatro anos antes da Olimpíada, não é trocar um ouro por outro. É o desespero em se focar nesse maldito quadro de medalhas. É propaganda pela propaganda. A gente viu em Pequim que os EUA "mudaram" a contagem, computando o número de medalhas e não o número de ouros, para não ficar atrás da China.
Boa sorte aos esportes coletivos.
Por Antonio Alonso às 18h55
Recebi essas imagens hoje da Georgia Bruder (sim, a filha do Jörg, tricampeão mundial de Finn). Alguém reconhece a dupla e o barco afundando na foto?
(atualização): Resposta de Enio Lineburger: The one-design C Scow class was created by Johnson Boatworks of White Bear Lake, Minnesota in 1905.


Por Antonio Alonso às 18h20

Tripulação do Atik comemora o título no Rio de Janeiro. Foto: Fred Hoffmann
Há algumas semanas eu escrevi um post criticando a falta empolgação da flotilha carioca, que abandonou a Mitsubishi Sailing Cup em Búzios e levou uma baile dos paulistas em casa, no Campeonato Estadual. Pois a resposta veio de um velejador cuja classe principal nem é a HPE 25. Henrique Haddad, o Gigante, é vice-campeão mundial de Match Race e faz parte da turma de "profissionais", e foi o único HPE carioca na competição de Búzios. Em segundo ficou Fit to Fly, de Eduardo Mangabeira seguido pelo Relaxa/Next, de Roberto Mangabeira, ambos de Ilhabela.
Robertão Martins foi o segundo melhor representante do Rio de Janeiro, no comando do Carioca Fiote, em sexto lugar. Aliás, Robertão não gostou quando eu falei que os cariocas estavam afrouxando na HPE 25 e lembrou que vários timoneiros dos paulistas são cariocas. Verdade. Acho que a crítica vale porque o problema para o qual quero chamar a atenção não é falta de talento, mas sim falta de organização ou mesmo de encarar uma classe que está mesmo ficando cada vez mais difícil. Ou alguém é a favor da HPE com handicap para timoneiros não-profissionais? A classe está pegando fogo. É hora de decidir o que fazer com tanta gente boa na raia. Em alguns países, mudou-se a regra, para obrigar que o proprietário timoneasse o barco. Em outros, a decisão foi criar limites para "profissionais" a bordo ou ainda dividir a flotilha em duas categorias: Expert e Amador. Seja qual for a decisão, a HPE tem um problema inédito (e muito bom) pra resolver.
Valéria Corbucci contou assim o que aconteceu no Brasileiro: O veleiro Atik, sob comando de Henrique Haddad, ficou com o título do Campeonato Brasileiro da Classe HPE25, encerrado neste domingo, no Iate Clube do Rio de Janeiro. O segundo colocado foi o veleiro de Alexandre Paradeda, Fit to Fly. A tripulação do Relaxa Next, comandada por Maurício Santa Cruz, completou o pódio da competição, que reuniu 26 embarcações na mesma raia onde serão realizadas as competições de vela da Olimpíada de 2016. A bordo do ICS-Corum, a única tripulação exclusivamente feminina terminou em 19º lugar.
Sob comando de Adriana Kostiw, a tripulação do ICS-Corum contou ainda com o reforço de mais duas velejadoras olímpicas: as gaúchas Fernanda Oliveira e Ana Barbachan. A carioca Elisa Freitas, que já disputou regatas em diversas classes e pela primeira competiu na HPE, e a paulista Mariana Peccicacco completaram a equipe. “Nos entrosamos muito bem, mas é uma classe muito competitiva e com muita gente boa e forte. Faltou treino e mais familiaridade com o barco”, destacou Elisa.
O Atik não chegou a vencer nenhuma das sete regatas disputadas ao longo da competição. Seu melhor resultado foi um segundo lugar, e outros cinco terceiros, que lhe renderam o título, com um total de 17 pontos perdidos, já computado o descarte do pior resultado. O segundo colocado chegou a somar dois primeiros lugares, mas não conseguiu manter a regularidade, com um sétimo, um oitavo, um quarto e um segundo lugares, que totalizou 23 pontos. O mesmo aconteceu com o Relaxa, que venceu duas, mas enterrou as chances ao somar 29 pontos - com mais um quinto, um oitavo, um 12º e um segundo lugares.
A próxima competição da classe HPE 25 será o Campeonato Paulista, em outubro, na sede do Iate Clube de Santos. O veleiro ICS-Corum já está confirmado.
Top 10:
1 Atik (Rio de Janeiro) Henrique Haddad 17 pontos perdidos
2 Fit to Fly (Ilhabela) Eduardo Mangabeira 23 pp
3 Relaxa / Next / Caixa (Ilhabela) Roberto Mangabeira Albernaz 29 pp
4 Magoo (Ilhabela) Carlos Augusto Falletti 32 pp
5 Avantto I / Caue (Santos) Dario Galvao 35 pp
6 Carioca Fiote (Rio de Janeiro) Roberto Martins 38 pp
7 Ginga (Ilhabela) Breno Chvaicer 46 pp
8 SX-4 Bond Girl (Ilhabela) Rique Wanderley 48 pp
9 Wright On White (Rio de Janeiro) Clinio de Freitas 49 pp
10 Motu (Rio de Janeiro) Celso Quintella 49 pp
Por Antonio Alonso às 18h40
Magic Carpet, do brasileiro Lucas Brun, vence Maxi Yacht Rolex Cup, em Porto Cervo
Photo By: Rolex / Carlo Borlengh
Tripulação do Magic Carpet 2. Lucas Brun é o segundo agachado, da esquerda para a direita. Photo By: Rolex / Carlo Borlenghi
O briânico Magic Carpet 2, veleiro de Sir Lindsay Owen Jones, venceu a Maxi Yacht Rolex Cup 2012, disputada no cenário idílico da Costa Smeralda, na Sardenha. O veleiro, que teve o brasileiro Lucas Brun como regulador de vela mestra, levou o título entre os Wally – classe que reúne as embarcações assinadas pelo sofisticado estaleiro de mesmo nome.
Com o cancelamento das regatas de sábado (8), devido à falta de vento, os líderes após os cinco primeiros dias de competição confirmaram o título sem precisar retornar à raia. A lista de vencedores da 23ª Maxi Yacht Rolex Cup ficou assim: Bella Mente (EUA) no Campeonato Mundial Rolex de Mini Máxis; Esimit Europa 2 (ESL) na Maxi Racing; Aegir (GBR) na Maxi Racing/Cruising; Magic Carpet 2 (GBR) na Wally e, na classe dos maiores veleiros, o Nilaya (GBR) dominou completamente a competição.
Sir Lindsay Owen-Jones, fez provavelmente sua despedida como comandante e proprietário do Magic Carpet 2, de 94 pés, já que seu plano agora é mudar para seu novo barco – outro Wally, mas agora um de 100 pés – o Magic Carpet 3. Vencendo três das cinco regatas disputadas, o Magic Carpet 2 teve como maior adversário um veleiro o Open Season, Wally também briânico e apenas sete centímetros maior que o campeão. Esta foi o terceiro título de Owen-Jones em Porto Cervo. Ele também triunfou nos anos de 2006 e 2008.
"A emoção é extrema em todas as regatas até o último momento", declarou Owen-Jones. “A decisão sempre se dá por uma diferença de segundos, já que o hadicap dos barcos é muito parecido, e a qualquer momento pode dar tudo errado, como aconteceu conosco na sexta-feira! [quando o Magic Carpet fez um 4º lugar]".
O trabalho de Lucas Brun e da tripulação foi reconhecido após a vitória. Owen-Jones disse que a vitória foi conquistada graças ào trabalho em conjunto e entrosamento da equipe. "Eu tento escolher os melhores e não tenho medo de velejar com pessoas mais talentosas que eu próprio". Agora Owen-Jones vai se concentrar no lançamento de seu novo barco, programado para 2013. "O Magic Carpet 3 vai seguir a tradição dos Magic Carpet, vamos aplicar nele tudo o que aprendemos até hoje. Será um veleiro bastante aceitável como embarcação de cruzeiro para mim e minha família e no verão vai se transformar num veleiro de competição de primeira. Ele será largo, como a maior parte desses novos barcos, com quase metade de seu peso na quilha e uma mastreação potente".
Um dos compeitdores mais impressionantes na raia foi o Nilaya, de 112 pés, que venceu todas as quatro regatas da classe Supermaxi e chegou ao bicampeonato após ter vencido também no ano passado. A tripulação do comandante Filip Balcaen já havia conquistado neste ano a fita-azul na Rolex Volcano Race.
Além de reunir os mais vistosos e competitivos máxis do planeta, a Maxi Yacht Rolex Cup também é palco do Campeonato Mundial de Mini-Máxi, para barcos com no mínimo 72 pés. "São embarcações que dificilmente nós vemos no Brasil", contou Lucas Brun. E é verdade. Mesmo os maiores competidores de nossa principal competição, a Rolex Ilhabela Sailing Week deste ano, não passa dos 60 pés e ficam longe dos requisitos para serem considerados mini-máxis.
Neste ano tudo estava pronto para uma final emocionante entre o favorito Rán 2, de Niklas Zennstrom, e o Bella Mente, de Hap Fauth. No entanto, foi o novíssimo 72 pés Bella Mente que começou liderando a competição. O Rán só conseguiu empatar na regata costeira da sexta-feira, o que deixaria a decisão para sábado. Como não houve vento, no entanto, o título saiu terceiro critério de desempate. Ambos somaram com 12 pontos perdidos e 3 vitórias. No número de segundos lugares, o Bella Mente levou a melhor, encerrando um domínio de Niklas Zennstrom que durava desde o primeiro Mundial, em 2010.
"Nós queríamos ter velejado hoje e estávamos emocionalmente preparados para a decisão, mas os deuses do vento não quiseram o mesmo que nós", lamentou Fauth, novo campeão. "Foi uma grande semana, com uma velejada sensacional e estamos encantados com o resultado. Tenho uma grande tripulação comigo e um novo barco que ainda estamos tentando dominar completamente, mas o resultado é simplesmente maravilhoso".
"Os competidores nesta classe são fantásticos", reconheceu Fauth. "É uma honra estar numa raia com esses caras. O iatismo cavalheiresco é fantástico. É a disputa mais acirrada da qual já participei. Todos os barcos são muito parelhos".
Bem diferentes entre si são os barcos da Maxi Racing class, disputada por quatro veleiros contrastantes. O Esimit Europa 2, 100 pés de Igor Simcic foi o mais veloz na água durante a semana. No tempo corrigido, os holofotes foram divididos com outros dois barcos da classe: o 83 Highland Fling (MON), do Lorde Irvine Laidlaw, e o impressionante 130 pés Velsheda (GBR). Com todos eles terminando com oito pontos perdidos, a vitória da sexta-feira acabou garantindo o título ao Simic, que teve no timão o alemão Jochen Schümann, estrela de America's Cup.
"Nós temos ganho desde o começo da temporada", disse Simcic, que venceu nesta mesma classe em 2010. "Este não é o tipo ideal de regata para nosso barco, especialmente nos ventos fortes. O time trabalhou bastante duro, já que cada segundo conta, como num match race".
Na classe Maxi Racing/Cruising o Aegir 2, de Brian Benjamin ditou as regras desde o começo da semana, vencendo as quatro regatas. Uma maneira enfática de apagar a decepção do ano passado, quando a mesma tripulação perdeu para o Swan 90 pés DSK Pioneer Investments (ITA) por questão de segundos. Este título vai para a estante de Benjamin, que já tem o título de 2010.
Todos os cinco vencedores de suas classes ganharam um relógio Rolex e o Bella Mente levou também o troféu do Mini Maxi Rolex World Championship durante a cerimônia de premiação na Piazza Azzurra, em frente ao Yacht Club Costa Smeralda.
Por Antonio Alonso às 01h39
Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.
A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.