
A única medalha foi um bronze, vindo de quem se esperava ouro. Foto: Daniel Ramalho/AGIF/COB
A Olimpíada acaba neste sábado, como comentarista de Vela, meu artigo obrigatório agora é fazer um balanço que não me interessa. A única medalha brasileira deste ano foi um bronze, e veio do favorito, que tinha pinta de que levaria o ouro: Scheidt/Prada, na Star. Só Barcelona'92, de onde o Brasil saiu sem medalhas na Vela, foi pior.
E daí?
Desculpem os catastrofistas, mas isso não significa nada, e eu não vou entrar no coro de previsões de desastre para 2016. É emblemático olhar para o que aconteceu há 20 anos. O Brasil saiu de Barcelona sem medalhas. Na Olimpíada seguinte, em Atenas, foi o melhor país da Vela (repetindo o feito de 1980), com dois ouros e um bronze.
Tendo avisado que não estou desesperado com este resultado, aqui vai meu comentário, classe por classe:
Star - O desempenho dos ingleses com o barco novo surpreendeu. As três tripulações que foram ao pódio velejaram num nível absurdo de superioridade e o bronze só prova que Scheidt é humano, como já suspeitávamos. Os ingleses, um dia antes da final, declararam: "Nunca em nossas vidas velejamos tão bem como fizemos aqui. É impressionante que ainda existam duas outras tripulações brigando pelo ouro".
Eu senti muita falta de uma tentativa mais arriscada na Medal Race. Os brasileiros velejaram conservadoramente e ainda perderam a prata, ficando com o bronze. Fora isso, a medalha foi decidida em detalhes, espero que esses caras continuem motivados, porque Scheidt e Prada são gênios.
470 feminino - O Brasil é um dos países mais fortes do mundo nesta classe hoje, com duas equipes entre as Top 10 no último mundial. Fernanda Oliveira colocou seu nome na história ao conquistar, ao lado de Bel Swan, a primeira medalha olímpica feminina do Brasil, em 2008. Além do talento, é uma apaixonada, que colocou dinheiro na campanha. Acho que trocar de proeira em todos os ciclos olímpicos não fez bem ao time. Considero que o sexto lugar não é surpresa e é justo pela campanha que as gaúchas fizeram.
R:X masculino: Bimba conseguiu passar à Medal Race, e terminou em nono. Ele já velejou à frente dos adversários no passado, hoje se mantém entre os favoritos. Cumpriu com a expectativa. Eu torço para que ele continue na Vela, como excelente mentor que é. A renovação na prancha (e talvez no kite) provavelmente virá das mãos dele, de algum de seus alunos de Búzios.
Laser: Bruninho foi 13º, e ele mesmo concorda que a colocação ficou abaixo da expectativa. Pra esse cara faltou, com certeza, uma temporada com os melhores técnicos do mundo no exterior. Bruninho é fera, mas precisa confiar mais em si, e esse intercâmbio lá fora ajudaria muito o brasileiro.
Finn: Jorginho Zarif tem 19 anos, a mesma idade que Ben Ainslie tinha quando ganhou sua primeira prata. Jorginho é um fenômeno, há três anos ele estava tão bem que eu apostei que ele seria medalhista já em Londres. Ficou longe disso. Não sei o quanto ele segue motivado, mas é provavelmente o velejador mais talentoso de sua geração. O Brasil não é o melhor lugar para um cara de 15 anos decidir ser profissional da Vela e dedicar sua vida a isso, como Ainslie fez. O resultado dessa Olimpíada não reflete o talento de Jorginho, mas o esporte é assim: cruel.
RS:X feminino: Patrícia Freitas é outro talento da nova geração que não encaixou nesta Olimpíada. Não tenho informações para comentar os motivos.
Laser Radial: Adriana Kostiw era a velejadora mais velha da flotilha da Laser Radial, com 38 anos. Ela treinou muito, ainda é soberana no Brasil, mas nenhum de seus resultados internacionais apontavam para uma medalha ou Medal Race em Londres. A Vela feminina está crescendo muito no Brasil, Adriana Kostiw fez parte desse crescimento e está na hora na nova geração assumir a responsabilidade.
Por Antonio Alonso às 19h47

Patagonia é o líder em Búzios. Tom Papp/Mitsubishi
Sim, hoje eu vou deixar vocês com o release apenas. Estou aqui em Búzios, comentando a Olimpíada para o UOL e cobrindo a Mitsubishi Sailing Cup ao vivo via Twitter @mitsailingcup. Acreditem, está osso ficar na raia a bordo de um inflável, com 15+nós de vento e ondas de 1,5 - 2 metros. Confesso, hoje deixo vocês na mão.
Da Mitsubishi: O veleiro argentino Patagônia e o brasileiro Ginga foram os grandes destaques desta sexta (10) na Mitsubishi Sailing Cup. Nas duas regatas realizadas em Búzios (RJ), a experiência dos tripulantes de ambos fez toda a diferença nas provas, já que os ventos estavam mais fortes do que na abertura da etapa, chegando a 20 nós.
Em mais um dia com o céu sem nuvens e muito sol, os competidores tiveram uma primeira regata barla-sota com quatro pernas de 1,9 milha (3,5 km) cada, com ventos leste de 14 a 17 nós. Na 3ª prova da etapa, o Patagônia, que tem como tático o hexacampeão de vela Mariano ‘Cole’ Parada, liderou a disputa do início ao final.
"Foi um bom dia para nós. Na primeira regata, tivemos uma boa saída e o barco estava rápido. Controlamos a prova do começo ao fim e isso nos fez líderes na classificação geral. É muito bom estar na ponta. Ainda estamos na metade da competição, mas esperamos continuar assim", afirma Mariano. "Búzios é impressionante. É maravilhoso velejar aqui. Não se pode pedir mais", completa.
Na segunda regata, quem tomou a dianteira foi o chileno Claro. A tripulação de Dag Von Apen superou as condições mais adversas até agora na Mitsubishi Sailing Cup, com ventos leste de 20 nós e mar muito agitado, para chegar em primeiro.
"Merecemos a vitória da segunda regata de hoje. Ficamos a frente quase toda a regata. Quando temos ventos fortes, a estratégia é não cometer erros de manobras, navegar conservadoramente. Com isso, a chance de liderar a flotilha é maior. O resto é velocidade e um pouco de tática. E fizemos isso hoje", conta o tático do veleiro, Frederico Calabrese.
Com a somatória das quatro regatas disputadas até agora, quem lidera a Mitsubishi Sailing Cup, na classe S40, é o argentino Patagonia, com 7 pontos perdidos (pp). Na segunda colocação vem o brasileiro Crioula, com 10 pp, seguido do chileno Claro, com 13 pp.
Classe HPE 25
Na classe HPE 25, quem está traçando, a cada dia, o caminho para a vitória da etapa de Búzios da Mitsubishi Sailing Cup é o veleiro Ginga, de Breno Chvaicer. Após uma vitória na última quinta-feira, o barco paulista ficou com a primeira colocação nas duas regatas de quatro pernas desta sexta, somando agora apenas cinco pontos perdidos na geral.
"Hoje havia um pouco mais de ondas, então foi um dia difícil, mas muito emocionante. Nessas horas, a experiência ajuda. Algumas lições de vela, como a de treinar bastante, mostram que quanto mais horas na água, mais vitórias. Também, o fato de ter uma equipe harmoniosa é um diferencial", explica Breno.
Agora com 5 pontos perdidos, o Ginga lidera, seis pontos a frente do Bixiga, de Pino Marco di Segni (11 pp), e 11 a frente do Repeteco I, de Fernando Haaland (16 pp).
O evento
A Mitsubishi Sailing Cup é uma competição para veleiros monotipos de oceano que chega à 3ª temporada em 2012. Primeiro campeonato exclusivo para barcos deste tipo no Brasil, a competição coloca a prova, nos litorais de Ilhabela (SP) e Búzios (RJ), os mais modernos barcos de regata do mundo: S40 e HPE25.
Mais uma vez, a competição conta com grandes nomes da vela mundial, como os irmãos Torben e Lars Grael, Guillermo Parada, Mariano "Cole" Parada, além de um barco 100% feminino comandado por Martine Grael.
Cobertura online
Para acompanhar de perto a Mitsubishi Sailing Cup, acesse a cobertura online das regatas no Twitter (www.twitter.com/mitsailingcup) e tenha todas as novidades e curiosidades da prova no Facebook (www.facebook.com/Mundomit). Para mais informações: www.mitsubishisailingcup.com.br.
Por Antonio Alonso às 18h40
As gaúchas Fernanda Oliveira e Ana Barbachan conseguiram aumentar muito as chances de conquistar uma medalha de bronze nesta Olimpíada. Nas regatas desta quarta, elas fizeram um quinto e um quarto lugares. Com isso, estão a nove pontos da dupla terceira colocada, da Holanda.
A situação matemática é a seguinte: ouro e prata vão ficar com Nova Zelândia ou Grã-Bretanha, quem chegar à frente. Lutam pelo bronze cinco duplas: além da brasileira, estão na briga a holandesa, a francesa, a australiana e a italiana. A Holanda está melhor, com nove pontos de vantagem sobre o Brasil e três sobre a Itália. As brasileiras precisam chegar seis posições à frente das holandesas e quatro à frente das italianas.
Vamos à previsão: É muito provável que as duas últimas colocadas sejam GBR e NZL, que devem entrar numa disputa de marcação individual, já que para elas só o que interessa é o ouro. Portanto, isso dificulta ainda mais as chances das brasileiras, já que o universo de barcos efetivamente competindo cai de 10 para oito.
A favor das brasileiras pesa a probabilidade de que as holandesas investirem numa marcação cerrada contra as francesas. Neste caso, seriam mais dois barcos indo para o final da flotilha. Infelizmente, é uma jogada muito perigosa e eu duvido um pouco que as holandesas comprem esse risco.
Por Antonio Alonso às 08h13

Fernanda e Ana têm duas regatas nesta quarta para ficar até 18 pontos atrás das terceiras colocadas e sonhar com medalha na sexta. Foto: OnEdition
Eu posso não ter deixado isso claro aqui antes, mas sou um ranzinza. E nada me deixa mais de mau humor do que o mimimi dos ranzinzas. Digo isso antes de anunciar que o Brasil deve ficar sem medalha na 470 feminino, nossa última esperança em Londres/Weymouth. Digo isso porque acordei pra ver a sensacional seleção feminina de handebol ser eliminada por não saber ganhar. É um deja-vu cansativo. Elas são melhores do que as adversárias, lideram o jogo e depois perdem no final. Enfim, "jogou como nunca, perdeu como sempre".
E daí? E daí que, numa derrota, você tem duas opções: ou aprende, ou dá desculpa. Um amigo meu, treinador de handebol, desabafou no Facebook, colocando a culpa no país, na falta de investimento, no SUS... Eu cansei desse mimimi. Perdeu por um bloqueio psicológico. Vamos focar nisso ou procurar culpados externos?
De volta à Vela, Fernanda Oliveira vai a sua quarta Olimpíada, pela quarta vez com uma proeira diferente. Desta vez, ela vai ficar no quase. Ela é uma heroína por conseguir se manter como atleta profissional da Vela feminina por tanto tempo. Os méritos são, em grande parte, pessoais. Mas eu devo ficar com dó? Ou tenho espaço para dizer que faltou agressividade nas largadas? Ou para falar que a troca constante de proeiras tem seu preço?
É uma injustiça esse dó que temos dos nossos atletas. Negar que Scheidt e Prada tiveram um dia de derrota na Medal Race é negar todo o tempo em que eles passaram no topo. Eu não quero passar a mão na cabeça de ninugém. Eles não precisam disso. A Fernanda não precisa disso. E, se precisassem de dó, eles não poderiam contar comigo.
Fernanda Oliveira e Ana Barbachan vão disputar duas regatas amanhã. Elas precisam terminar 18 pontos atrás da terceira colocada para sonhar com o bronze. É possível, mas bem difícil. O lugar da Fernanda nessa flotilha não era esse.
Por Antonio Alonso às 12h05

Scheidt e Prada entraram na raia com o bronze garantido, mesmo que o barco afundasse. E saíram apenas com bronze. Foto: Carlo Borlenghi
O dia de hoje foi um fracasso para a dupla Robert Scheidt e Bruno Prada. Eles tinham a prata na mão, com chances de um ouro difícil. Acabaram ficando com o bronze, que ganhariam de qualquer jeito, mesmo se chegassem em último ou se o barco afundasse no meio da regata.
O dia foi um fracasso, mas os últimos 30 anos, não. Para não ir tão longe, nos últimos dois anos essa dupla conseguiu o feito assustador de ganhar 11 competições seguidas contra os melhores do mundo. Ninguém faz isso na Vela, muito menos na classe Star. Os britânicos Iain Percy e Andrew Simpson, que em 2010 vieram ao Brasil e ganharam com folga o Mundial do Rio, tiveram os piores dois anos da carreira. Mesmo quando tudo parecia muito fácil, como hoje, Scheidt e Prada conseguiam roubar o sorriso da cara inglesa da dupla.
Sim, porque hoje os suecos devem parte do ouro aos brasileiros. Os britânicos chegaram a velejar nas primeiras posições da flotilha, mas preferiram ir atrás dos brasileiros para fazer a marcação. Deu certo, só esqueceram de combinar com os suecos, que tinham um bronze garantido e saíram da água com o ouro.
No último popa, Scheidt e Prada devolveram a marcação. Nas pernas de vento a favor, quem vem atrás consegue ficar na frente do vento e atrapalhar o barco melhor colocado. Os britânicos erraram no cálculo, e pagaram por brincar com uma dupla que leva a competição muito a sério, a nossa, claro.
O dia foi um fracasso, mas no dia em que um cara pode chamar de fracasso uma medalha olímpica, na classe mais disputada do planeta, há um paradoxo. Eu não gostei da regata de hoje. Os brasileiros tiveram alguma liberdade na largada, poderiam ter ditado mais as decisões, poderiam ter atrapalhado mais os britânicos, poderiam ter acertado todos os bordos errados no começo da regata… Poderiam, mas erraram.
Os caras que passaram os últimos dois anos ensinando aos melhores do mundo o que é levar a Vela a sério erraram um dia. Concordo que foi um fracasso, mas só o dia de hoje. Mas, se me perguntarem duas vezes, vou confessar que comemorei que os brasileiros roubaram o ouro dos antipáticos britânicos, e o fracasso não foi completo.
Por Antonio Alonso às 12h58
Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.
A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.