As italianas Giulia Conti and Giovanna Micol não aguentaram a pressão das brasileiras e cederam a liderança no final. Foto: OnEdition
Fernanda Oliveira é provavelmente a melhor timoneira que o Brasil já teve. Mais do que isso, é uma viciada no que faz. Ela correu atrás para montar a campanha olímpica, encabeçou a dupla que deu ao Brasil sua primeira medalha na história da Vela feminina, em 2008, e agora está de volta, com a dificílima missão de lutar por mais um pódio olímpico.
As brasileiras nunca venceram uma competição contra as top do mundo. Mas, mesmo assim, incomodam. Neste sábado, elas acabaram de completar a quarta regata da classe 470. Fizeram duas regatas medianas, que não vão levá-las a lugar algum, e duas regatas excelentes, que as colocam na briga por medalha.
Neste sábado, no entanto, eu quero comentar uma regata de gênio. Ao contrário do que muita gente pensa, a Vela é muito mais do que corrida de barquinhos. Nisso, ela deixa pra trás o automobilismo de pista. A Vela é um jogo de xadrez, ou pôquer. Apostas altas podem pagar alto. Hoje, com 14 nós de vento, as brasileiras largaram bem e contornaram a primeira boia em nono lugar. Elas poderiam ficar ali, brigando para manter a posição. Foi isso que fizeram as francesas, que estavam em oitavo e terminaram em oitavo.
Mas Fernanda Oliveira e Ana Barbachan se tocaram de que o nono lugar não servia pra quem quer medalha... e arriscaram tudo no lado direito da raia, junto com um par de outras tripulações. Já na boia seguinte, o veleiro BRA aparecia na segunda posição. E isso também não servia. Elas ficaram no pé das italianas até a penúltima perna, quando conseguiram ultrapassar.
Com duas regatas medianas e duas excelentes, o Brasil é quinto colocado após quatro regatas na 470. Faltam seis para a fase classificatória. Se o espírito continuar esse, estamos na briga por medalhas.
Por Antonio Alonso às 13h20

AFP PHOTO/William WEST
Não foi exatamente como planejado. Após as 10 regatas da fase classificatória, Scheidt e Prada têm medaha garantida, mas também uma desvantagem de oito pontos em relação aos líderes, os britânicos Iain Percy e Andrew Simpson. No domingo, as 10 melhores tripulações voltam à raia para disputar a Medal Race. Na verdade, a regata só vale medalha mesmo para britânicos, brasileiros e suecos. Nenhuma outra tripulação tem chances de medalha.
Scheidt e Prada já garantiram uma medalha, mas não vão se contentar com o bronze (ou prata). Eles dominaram as últimas duas temporadas da Star, sempre deixando os britânicos para trás. Desta vez, para ficar com o ouro, eles precisam chegar 5 posições à frente dos britânicos, o que é dificílimo numa regata de 10 barcos. Portanto, provavelmente vai rolar marcação pesada. Mas então o perigo é deixar o ouro com os suecos.
Para os britânicos, a situação está um pouco mais fácil. Eles podem garantir o título chegando em quinto lugar, independentemente do desempenho de brasileiros e suecos. Ou podem atrapalhar os brasileiros com uma marcação pesada. Eles levam o ouro mesmo que cheguem em sétimo e os suecos em primeiro (desde que segurem Scheidt/Prada para trás).
Vai ser difícil, mas tenho certeza que os brasileiros não vão seguir o script. Alguma surpresa deve vir. Aposto numa regata bastante animada no domingo, às 9h (de Brasília)
Por Antonio Alonso às 11h51
Scheidt e Prada correm mais uma regata antes da decisiva Medal Race, no domingo. Acompanhe ao vivo: Clique aqui para acompanhar.
Por Antonio Alonso às 09h36
Os britânicos estão com tudo rumo ao ouro. Foto: Isaf/OnEdition
É duro reconhecer, mas os britânicos Iain Percy e Andrew Simpson estão velejando melhor que Robert Scheidt e Bruno Prada. Consistentemente. Tirando o 11º lugar, na primeira regata, os britânicos foram primeiro ou segundo seis vezes. Sobra ainda um terceiro lugar, como pior resultado computado (a pior regata é descartada). Percy e Simpson têm 13 pontos contra 22 dos brasileiros, que ainda estão empatados com os britânicos Fred Loof e Max Salminen. O time da Polônia, quarto colocado, está bem atrás, com 40 pontos perdidos.
Esses nove pontos de diferença, contra um barco que não dá espaço pra erros, são uma distância gigantesca. Se a situação não piorar com as duas regatas desta sexta, Scheidt e Prada descansam no sábado sabendo que precisarão chegar cinco posições à frente dos ingleses na Medal Race de domingo para ficar com o ouro. Na Medal Race, a pontuação conta em dobro.
No entanto, o primeiro desafio é não ficar atrás de Percy e Simpson amanhã e velejar melhor do que os britânicos. O que está difícil.
Por Antonio Alonso às 15h36

Foto: Carlo Borlenghi
Depois de um descanso nesta quarta, as regatas da classe Star serão retomadas na Olimpíada. Os tricampeões mundiais Robert Scheidt e Bruno Prada estão em segundo lugar na disputa na raia de Weymouth e a liderança é dos britânicos Iain Percy e Andrew Simpson, com quatro pontos de vantagem. "Os adversários (ingleses) têm uma média um pouco melhor, mas estamos na briga. Temos mais quatro provas antes da Medal Race e é preciso ter cautela. Basicamente temos que manter o estilo conservador nas próximas duas regatas e depois arriscar mais", revelou Bruno Prada.
O proeiro, que completou 41 anos nesta terça-feira (31), evitou grandes comemorações na data. Depois da recuperação no campeonato, ganhando uma e ficando em segundo na outra, o brasileiro passou a tarde fazendo fisioterapia na lombar. "É a parte mais exigida na minha função. O objetivo é voltar com força total para a reta final", disse.
Além dos donos da casa e atuais campeões olímpicos Iain Percy e Andrew Simpson, que lideram com 10 pontos perdidos contra 14 de Robert Scheidt e Bruno Prada, a dupla Fredrik Loof/Max Salminen, da Suécia, com 17, está na briga pelas medalhas.
Por Antonio Alonso às 19h50
Com seis provas até agora e um descarte, os donos da casa e atuais campeões olímpicos Iain Percy/Andrew Simpson lideram com 10 pontos perdidos contra 14 de Robert Scheidt/Bruno Prada. Em terceiro lugar está a dupla Fredrik Loof/Max Salminen, da Suécia, com 17. Os ingleses têm dificultado a vida dos brasileiros, especialmente no vento de popa. "O campeonato está bastante acirrado com várias equipes velejando bem, principalmente os ingleses. Os campeões olímpicos surpreendem sendo velozes no vento de popa, que é nossa especialidade", revela Bruno Prada.
O proeiro, que completou 41 anos nesta terça-feira, explica que não teve comemoração. A cartilha que será seguida inclui descanso e fisioterapia. "Foram três dias desgastantes, principalmente nas regatas de hoje (terça) quando conseguimos resultados positivos. É hora de recuperar e voltar na quinta-feira para mais provas. Estamos felizes, já que voltamos para a briga depois de um dia irregular na segunda-feira", comenta Bruno Prada
Serão 10 regatas no total e a Medal Race, que tem peso dobrado e não pode ser descartada, no domingo (5).
Por Antonio Alonso às 13h22
Você que está triste e desesperado esperando meu próximo post pode ficar aliviado ao saber que eu e Mari Peccicacco estamos comentando a Olimpíada ao vivo neste momento. Basta clicar AQUI para acompanhar.
Por Antonio Alonso às 08h17

Foto postada no Facebook de Bruno Fontes mostra o catarinense sofrendo na merreca da primeira regata
A classe Laser estreou nesta terça na Olimpíada de Londres (de Weymouth, para os velejadores). O catarinense Bruno Fontes fez duas regatas completamente distintas. Na primeira, com ventos fracos, que variaram de 13 a 9 nós, Bruninho foi um velejador mediano. Ok, fez uma ótima regata de recuperação e subiu dez posições depois de contornar a primeira bóia em 27º lugar. Mas, não importa a desculpa, a 17ª posição não é para quem briga por medalha. Muito diferente foi a segunda regata, com vento forte, de 16 nós. Nessa, Bruno largou melhor, montou a primeira bóia em quarto e terminou em segundo, velejando mais rápido do que o vencedor da regata e líder da competição, o australiano Tom Slingsby.
Bruno Fontes tem velejada pra sair com ouro olímpico. Falta ele acreditar nisso, de verdade. Por via das dúvidas, vou torcer para o vento soprar mais forte na raia da Laser.
Por Antonio Alonso às 17h30

Os brasileiros, em foto da regata-treino de ontem. Foto: Thom Touw/Isaf
Robert Scheidt e Bruno Prada acabam de cruzar a linha em Weymouth e a sensação é de que eles não poderiam ter pedido um dia melhor. Um quarto lugar na primeira regata e uma vitória na segunda os deixa com 5 pontos, 3 à frente dos irlandeses e sete à frente de poloneses e noruegueses. Além disso, os arqui-rivais britânicos fizeram uma péssima regata de estreia (11º) e devem sentir a responsabilidade nos próximos dias.
A Star, assim como a maioria das outras classes, tem 11 regatas na Olimpíada. São 10 classificatórias (duas por dia, de hoje até sexta). Descanso no sábado. O pior resultado é descartado e os 10 melhores disputam as medalhas no domingo, dia 5.
Os ingleses já comprometeram o descarte deles com esse 11º lugar. Ou seja, se alguma coisa der errado daqui pra frente, eles dançam.
Dois lances chamaram à atenção hoje. O primeiro foi um quiprocó na segunda largada que eu não entendi direito até agora. Parece que os gregos se enroscaram no cabo do barco que fazia o papel de bóia de largada. Nisso, eles levaram outras tripulações junto, incluindo os brasileiros. De maneira impressionante, Robert e Bruno se recuperaram e assumiram a liderança. O segundo lance foi a chegada, praticamente simultânea de brasileiros e britânicos. A organização deu primeiro a vitória aos brasileiros, depois aos britânicos, e depois aos brasileiros de novo.
Hoje também rolaram as regatas da Finn. Eu achei que o Jorginho Zarif fosse incomodar mais, mas ele foi coadjuvante na flotilha. Esse moleque é bom. De verdade. Mas bom só não basta. É o momento de ele decidir o que vai fazer com o talento.
Por Antonio Alonso às 13h38
Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.
A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.