Blog do José Cruz

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28/07/2012

Às vésperas da Olimpíada, trapalhada tira classe Snipe do Pan

 

Acabou a diversão. O lema da Snipe é: Serious sailing, seirous fun. E agora?

No fim de semana passado o Brasil acabou de perder uma medalha de ouro que será disputada daqui a 3 anos, no Pan de Toronto, no Canadá. Anunciaram a saída da classe Snipe do Pan, para a entrada do 49er, barco olímpico que praticamente não existe no Brasil. Os cartolas da Vela andam se superando em manobras desastradas rumo à modernização do esporte, que cada vez fica mais longe (e não mais perto) de público, TV e dos próprios atletas.

A Snipe é uma classe das antigas, nasceu nos anos 40 e teve um bom tempo para ganhar admiradores pelo mundo todo, das Américas ao Japão, passando pela Europa. No Brasil, é a classe mais ativa e que leva as maiores flotilhas para a água. Vencemos os últimos três Pans (com velejadores diferentes). Ela é classe pan-americana desde sempre (1951), mas não olímpica. É também uma classe que exige muito fisicamnte, especialmente do proeiro.

Talvez parte do sucesso da Snipe esteja no fato de ela não ser olímpica. Assim, velejadores semi-profissionais conseguem fazer campanhas internacionais, com foco no Pan, e amadores conseguem se manter competitivos no meio dessa turma.

A 49er é uma classe moderna, que nunca pegou no Brasil. Uns seis barcos passaram por aqui, talvez 10. Não me lembro de nenhuma regata com mais de três brasileiros na raia. É um barco caro, veloz (e instável), moderno e muito popular na Oceania. A ideia é aproximar as classes pan-americanas das olímpicas e modernizar a vela. A besteira (de novo) é tomar uma decisão de cima pra baixo e alijar os velejadores das decisões do esporte.

Os cartolas da Vela se empolgaram nessa onda modernizadora. Levaram o kite às Olimpíadas do Rio, tiraram a Star do evento e agora tiram a classe mais popular do Pan em troca de outra com representatividade rizível. Modernização não é só trocar um barco velho por um novo, especialmente quando você não tem ninguém pra velejar o novo. 

A 49er no Pan não vai incentivar nenhum brasileiro a investir numa campanha internacional. Se para a campanha olímpica já havia um único representante (que não conseguiu a vaga), imagine na Copa! ops, no Pan!

Sobre a J/24: O número está certo, serão apenas 3 por barco, com buja no lugar da genoa

Desculpe, mas esses cartolas não entendem o esporte que representam. E a comunidade de velejadores tinha uma responsabilidade de reivindicação. Mas deixou barato até agora.

As novas classes pan-americanas para 2015:

 

Clase

Sexo


Número de 

Barcos

Número de

Competidores

 

 

 

 

RS:X

Masculino

12

12

RS:X

Femenino

8

8

Laser Standard

Masculino

12

12

Laser Radial

Femenino

12

12

49er

Masculino

10

20

Sunfish

Abierto

12

12

Lightning

Mixed

8

24

Hobie 16

Mixed

8

16

J24

Abierto

8

24

Por Antonio Alonso às 09h37

27/07/2012

Marcado por fiasco em 2004, Bimba deve se despedir da prancha este ano

 

Ricardo Winicki, o Bimba, é o melhor windsurfista olímpico do Brasil há décadas. Ele estourou internacionalmente em 1997, quando venceu o Mundial da Juventude, no Japão. Até então, o único campeão do Mundial da Juventude brasileiro era Robert Scheidt (em 1991). No ano seguinte, Bimba novamente venceu a competição e é, até hoje, o único brasileiro com dois títulos da Juventude. Ele foi campeão do Mundo, em 2007, vice-mundial em 2002 e 2005, venceu 3 Pans e 5 Sul-americanos e é imbatível em águas nacionais, com um total de 14 títulos. Bimba também se adaptou muito bem à mudança de prancha, da Mistral, com a qual venceu seus primeiros mundiais de categoria, para a atual RS:X, que está em vias de extinção.

A Federação Internacional de Vela, a Isaf decidiu que, o windsurf não fará parte do programa aa Olimpíada do Rio 2016, em seu lugar entra o kitesurf. A decisão é definitiva... até que provem o contrário. No encontro anual da Isaf, em novembro deste ano, muita gente vai trabalhar para reverter essa mudança. Ímpossível saber ainda qual será o resultado. Mas Bimba já admitiu que, se a prancha sair mesmo, ele vai tentar a classificação no kitesurf.

Todos os títulos da carreira de Bimba, incluindo o Mundial de 2007, não apagam o fiasco que marcou sua carreira em 2004, na Olimpíada de Atenas. Bimba foi para o último dia muito perto do ouro, e com a prata praticamente garantida. Para perder o bronze então, ele teria que chegar 14 posições atrás do britânico Nick Dempsey. Adivinha o que aconteceu? Isso mesmo, Bimba, que dominou a competição até então, chegou em 15º, e o tal Nick Dempsey ganhou a regata.

Hoje Bimba diz que entrou muito tranquilo na água, que achou que era só completar a regata e que a medalha estaria garantida. "Quarto lugar em uma Olimpíada é um excelente resultado". Eu continuo achando que houve um erro de estratégia, que foi tentar marcar os adversários em vez de correr a regata, como vinha fazendo. O atual treinador do Bimba, Fernando Pasqualin, refuta essa minha visão.

Hoje veterano, Bimba continua andando entre os melhores do mundo e em vários eventos fica na zona de medalha. Bimba tem chances reais de ir ao pódio em Weymouth, só não está mais com aquela bola toda que tinha em 2003 e 2007.

Entre os favoritos estão o francês Julien Bontemps (campeão Mundial este ano), o holandês Dorian Van Rijsselberge (campeão mundial de 2011) e o polonês Przemyslaw Miarczynski. Bimba corre por fora. A RS:X estreia dia 31 de julho, às 8h e termina com a Medal Race na outra terça, 7 de agosto.

 

Por Antonio Alonso às 10h45

26/07/2012

Olimpíada: Medalha na 470 é difícil, mas possível

Fernada volta à Olimpíada, agora com nova parceira, Ana Barbachan. Foto: CBVM/Divulgação

 

Na última Olimpíada, na China, o Brasil saiu com duas medalhas: uma prata de Scheidt/Prada na Star e um bronze na 470 com Fernanda Oliveira e Bel Swan. Desta vez. Scheidt/Prada chegam mais fortes, o 470 feminino chega mais fraco.

Fernanda Oliveira e Isabel Swan desfizeram a dupla logo depois da Olimpíada. Os quatro anos de campanha olímpica, com Isabel mudando de Niterói para Porto Alegre não fizeram bem ao relacionamento das duas. Fernanda, muito provavelmente a melhor timoneira de toda uma geração de garotas, não escondia seu descontentamento com o desempenho técnico da proeira. Assim, a dupla que conquistou a primeira medalha olímpica feminina da vela brasileira se separou sem ter a chance de descobrir o quão longe elas conseguiriam chegar num novo ciclo olímpico.

É uma pena que o relacionamento das duas tenha azedado, porque, na água, Oliveira/Swam de 2007 e 2008 foi a melhor dupla feminina que o Brasil já viu velejar. Prova disso foi a medalha (bronze) inédita entre as mulheres, e que chegou com 40 anos de atraso em relação ao bronze de Reinaldo Conrad e Burkhard Cordes (leitor atento deste blog) na Flying Dutchman, em 1968.

A separação da dupla teve também seu lado bom. O Brasil passou a ter duas tripulações bastante competitivas na 470 feminino. Fernandinha Oliveira chamou a jovem Ana Barbachan para ser sua proeira e Isabel Swan voltou para Niterói e passou a velejar com Martine Grael. As duas equipes travaram uma disputa muito apertada pela vaga olímpica brasileira. O equilíbrio entre elas chegava a ser impressionante, até que Martine e Bel começaram a disparar. No Mundial de Perth, em dezembro passado, elas classificaram o Brasil para as Olimpíadas e ainda cravaram um impressionante oitavo lugar. Mas foi então que valeu a experiência de Fernanda Oliveira. Oliveira/Barbachan viraram o jogo, venceram as outras duas seletivas brasileiras e levaram a vaga.

Com elas, o Brasil tem chances de medalha, mas chega mais fraco do que chegou na China há quatro anos. As gaúchas Oliveira/Barbachan ficaram em nono lugar no último Mundial da classe antes das Olimpíadas (uma posição atrás de Martine/Bel). No evento teste, disputado na raia olímpica em agosto de 2011, elas ficaram em quinto lugar. Há espaço para medalha, mas vai ser duro. No entanto, não duvidem do que Fernanda Oliveira é capaz.

Fernanda e Ana estão treinando em Weymouth e aguardando a estréia, que só acontece no dia 3 de agosto, daqui a oito dias. 

 

Por Antonio Alonso às 09h44

25/07/2012

Olimpíada: Aos 38, Adriana Kostiw é a mais velha da Laser Radial

 

Adriana Kostiw é uma velejadora excepcional, mas falta a ela um grande resultado em competições internacionais de primeiro nível. Ela tem técnica, é uma das atletas mais bem preparadas fisicamente (especialmente para o vento forte), é determinada como poucas e mais experiente que qualquer outra na flotilha olímpica da Laser Radial, que larga sua primeira regata no dia 30 de julho. 

Receita para medalha? Não desta vez. Apesar de eu torcer muito pela Adriana e ser fã em particular da sua determinação, ela vai à Olimpíada com aspirações mais modestas. 

Terceira no Pan do Rio em 2007 (com uma recuperação incrível, depois de chegar a ser 11º) e sexta no Pan do ano passado, no México, Adriana é, regularmente, irregular. É uma dessas velejadoras que faz regatas de campeã, mas no dia seguinte se atrapalha em um resultado ruim e não se recupera mais. Nas seletivas nacionais, ela chegou a perder para a capixaba Odile Gnaid no vento fraco e teve uma classificação bem difícil.

Uma coisa que ficou clara para mim nesses anos cobrindo Vela é que o atleta (especialmente nas classes individuais) precisa acreditar em si até quase o ponto da arrogância (eu disse quase). Posso incluir aí o Bruninho Fontes, da Laser, acho que também falta isso a ele. A capacidade de não duvidar de si mesmo… pelo menos no meio da competição. Não duvidar e se concentrar em correr a regata e vencer.

O vídeo acima me foi enviado pelo Ronald Isoldi, ótimo fotógrafo de Ilhabela, apesar de muito falador. Ele acompanhou o penúltimo treino da Adriana no Brasil. Ela passou quatro meses em Ilhabela, buscando condições parecidas com a de Weymouth e combatendo seus pontos fracos ao lado do técnico gaúcho Geison Mendes. Ela foi também a primeira a chegar em Weymouth e treinar na raia olímpica.

Ela merece muito. Antes de mais nada, merece acreditar que ela é uma das melhores velejadoras que o Brasil já viu. Nunca é tarde pra isso.

As competições da classe Laser Radial começam dia 30 de julho e seguem até o dia 4 de agosto. No dia 6 será disputada da medal race, em que participam apenas as 10 primeiras colocadas e tem pontuação dobrada. O dia 2 será dia de folga. Eu vou comentar a Olimpíada ao vivo aqui pelo UOL.

Para ver o vídeo no site Dias de Ilha, de Ronald Isoldi, clique aqui.

 

Por Antonio Alonso às 09h32

24/07/2012

Scheidt e Prada estreiam domingo em busca de ouro merecido e incerto

Scheidt e Prada no Mundial de Hyères deste ano, que a dupla venceu. Foto: OnEdition

 

Brasileiros dominaram com folga a classe Star em 2011/2012 e viraram odiados pelos adversários britânicos, que chegaram a provocar uma colisão, de propósito. "Estamos bem preparados, 2011 foi um ano excelente, mas favoritismo não garante nada".

Anote na agenda: domingo acontece a estreia da Vela na Olimpíada, com dois barcos brasileiros na água: Finn (Jorginho Zarif) e Star (Scheidt e Prada). Os outros representantes nacionais em Londres estreiam depois: Bruno Fontes (Laser Standard) começa a competir na segunda (30), assim como Adriana Kostiw (Laser Radial), Patrícia Freitas (RS:X) e Ricardo ´Bimba´ Winicki (RS:X) têm a primeira regata marcada para a terça-feira (31), enquanto Fernanda Oliveira/Ana Barbachan (470) velejam a partir do dia 3 de agosto. Eu vou comentar as regatas ao vivo aqui no UOL. Do Jorginho eu já falei num post anterior, de Scheidt e Prada… o que dizer?

Entre todas as classes olímpicas, existem dois barcos muito favoritos ao ouro. O primeiro é o britânico Ben Ainslie, que está para Finn como Scheidt estava para a Laser anos atrás: é praticamente imbatível. Em segundo lugar, vem a dupla brasileira da Star, Robert Scheidt e Bruno Prada.

Num esporte em que o vento, a correnteza, o tempo e os adversários pregam surpresas, os brasileiros conseguiram passar praticamente um ano ganhando todas as regatas que disputaram. "Estamos bem preparados, 2011 foi um ano excelente, mas favoritismo não garante nada", conta Scheidt.

O ouro não é garantido, mas o que a dupla brasileira já garantiu foi muita dor de cabeça para os britânicos Iain Percy e Andrew Simpsom. Em 2010, eles venceram o Mundial de Star no Brasil e reinaram solitários na classe. Os brasileiros já venceram os dois mundiais seguintes e tiraram o doce da boca dos britânicos pelo menos três vezes recentemente. No último encontro, um evento teste na raia olímpica de Weymouth, a rivalidade ficou clara quando os britânicos bateram de propósito nos brasileiros para tentar forçar uma penalização a Scheidt e Prada. "Há uma rivalidade e é bom saber que isso está preocupando eles. Quem viu a regata ou o vídeo sabe que eles bateram de propósito. O que nós temos que fazer é continuarmos focados em nossa regata e não cair no jogo", conta Bruno Prada.

Não se espantem se os brasileiros não saírem líderes no primeiro dia. Scheidt e Prada traçam normalmente uma estratégia de começar o campeonato de maneira conservadora, para não correr o risco de cometer um erro logo no início da competição. A partir da metade do campeonato, o bicho pega. Scheidt acha que será uma disputa apertada. "Será uma edição bastante equilibrada dos jogos e acredito que o vencedor será conhecido na última regata, a chamada 'medal race' (regata final com pontuação dobrada e sem descarte). Pode ter certeza que será uma decisão apertada, pois no início cada dupla fará sua estratégia, dependendo das condições climáticas. No final terá marcação", conta Robert Scheidt, dono de quatro medalhas olímpicas. 

Mais que Torben, menos que Ainslie - Se subir ao pódio, Robert Scheidt se tornará o maior medalhista olímpico da história. O atleta tem dois ouros e duas pratas. Atualmente, o líder é o também velejador Torben Grael, que soma cinco medalhas (duas de ouro, uma prata e duas de bronze). A vela é a modalidade brasileira que mais tem pódios nos Jogos: são 16 ao todo. "Não me preocupo em quebrar recorde, mas atingir essa façanha seria maravilhoso, uma consagração. Porém, em Olimpíada, é preciso pensar regata a regata", diz Robert Scheidt. No entanto, a pedra no sapato de Scheidt será, novamente, Ben Ainslie. O britânico tem uma prata e três ouros (só perdeu uma vez, sua primeira final contra Scheidt na Laser) e vai com enormes chances de conquistar mais um ouro. Se levar mais uma medalha, Ainslie passa Torben, Scheidt e também o dinamarquês Paul Elvstrom, o maior campeão olímpico da Vela, com quatro ouros entre as décadas de 1960 e 1980.

Bruno Prada reforça a preparação da dupla. "Somos constantes em qualquer tipo de vento. Treinamos todas as situações. Nossa vantagem pode ser essa, somada também a nossa velocidade no popa", revela o proeiro, que ao lado de Robert Scheidt ficou com a prata em Pequim/2008. Na última edição da Olimpíada, o Brasil saiu da China também com uma medalha de bronze, na 470 com Fernanda Oliveira e Isabel Swan.

Mais sobre Ben Ainslie na boa matéria do UOL: Clique aqui para ler.

 

Por Antonio Alonso às 09h03

23/07/2012

Gaúchos do Crioula divulgam nota oficial sobre polêmica em Ilhabela

"Como velejador, me senti humilhado e ofendido", Samuel Albrecht - comandante do Crioula

Pajero cobriu o Crioula, mas havia largado escapado. Foto: Carlo Borlenghi/Rolex

Achei que eu ia falar sozinho sobre este assunto, mas o Veleiros do Sul, clube gaúcho do S40 Crioula divulgou na sexta passada uma nota oficial sobre a polêmica final da S40 em Ilhabela. Passado todo esse tempo, eu acho que essa polêmica é muito boa para a Vela nacional e dá peso ao esporte. Ou alguém acha que futebol ia ser o que é sem paixão e sem polêmica? Por essas e outras, que eu estou mais empolgado do que muita gente sobre a situação atual da Vela de Oceano no Brasil.

Do VDS: A 39º Rolex Ilhabela Sailing Week terminou no fim de semana [no dia 14 de julho], mas o resultado na classe S40 ainda está dando o que falar. A vitória do Pajero/Gol no campeonato levantou muita polêmica devido aos fatos ocorridos na última regata do campeonato, realizada no sábado, 14 de julho.

Ao dar a largada o Pajero saiu escapado e não retornou para a linha, apesar da sinalização visual da Comissão de Regatas e dos chamados pelo rádio VHF. O barco, que tinha como tático André Fonseca, o Bochecha, continuou no percurso de contravento e mesmo fora da regata foi para cima do Crioula, e todo tempo atrapalhou o seu adversário. A prova terminou com o Carioca em primeiro lugar, o Crioula em quarto e o Pajero desclassificado por OCS. Mas pela pontuação acumulada o título foi do Pajero.

Levada a questão ao júri internacional, o representante do Pajero alegou que não ouviu pelo rádio o chamado da Comissão de Regatas e que apenas marcaram o adversário na raia. Por falta de provas o júri considerou que o Pajero não infringiu as regras de má conduta ou antidesportiva. O título ficou com o Pajero, por dois pontos de diferença, sobre o Crioula, vice-colocado.

Samuel Albrecht, tático do Crioula comentou o incidente, lamentando a atitude da equipe adversária em relação a sua tripulação, que realiza um trabalho sério e comprometido na classe Soto 40, acompanhando a sua evolução:

"<i>Fomos para o último dia de regatas com 11 pontos perdidos e o Pajero com 9. Tínhamos uma missão muito difícil pois eles (Pajero) possuíam um descarte que era um (3) e nós um (5). Sabíamos que eles tentariam prejudicar ao máximo nossa regata.

Existia a programação para duas regatas no dia, mas como o tempo estava justo, talvez houvesse uma só. No caso de uma, o único resultado que nos daria o título, seria a vitória, sendo que eles deveriam apenas chegar na terceira colocação. Tínhamos que vencer a oitava regata, e acabamos conseguindo. Porém, o Pajero, que chegou a andar em quinto lugar, terminou a regata em segundo lugar, com uma ótima recuperação.

Mais uma vez, seguíamos em desvantagem (porém menor que antes) para a última regata. Poderíamos vencer o campeonato com um primeiro e um segundo lugar, sendo que eles chegassem atrás. Com qualquer outro resultado, o Pajero ganharia o campeonato.

Mais uma vez sabíamos que tentariam nos surpreender na largada e nos atrasar ao máximo. Houve uma disputa quase igual à primeira regata, como no match race. Quando saímos dos giros e nos posicionamos para largar, o Pajero virou na nossa proa faltando uns 30 segundos para largada. Foi quando estivemos muito perto pela popa e por sotavento e fomos levando-os para que saíssem escapados.

Ao sinal de largada, a comissão de regatas subiu a bandeira com a chamada individual e comunicou repetidamente o veleiro escapado. Imediatamente, viramos para o lado direito da raia, quando vimos que o Pajero virou também. Neste momento, ignoraram o fato de não estarem na regata e começaram a soltar o barco em cima da gente, nos atrasando o máximo possível. Neste momento, voltei a chamar a Comissão pelo Rádio e pedi para que repetisse a informação de qual barco teria escapado. Daí em diante foram diversas cambadas, onde tentamos de alguma maneira ou outra sair da marcação, o que não foi possível até o fim da regata, quando já havíamos perdido contato com os demais competidores.

Como velejador, sou a favor do match race e da marcação, mas quando os dois barcos estão em regata. Quando um dos barcos não está em regata, isso se torna má-fé, conduta antidesportiva e navegação desleal. Como velejador, me senti humilhado e agredido.

Cruzando a linha, fizemos um protesto, pela regra 2 da parte 1, sobre navegação leal e espírito esportivo. Os juízes interrogaram as partes e claramente o representante do veleiro Pajero (André Fonseca) disse que não sabia que seu barco estava escapado.

Foi questionado quanto ao uso do VHF, que foi um dos meios de comunicação usados durante todo o campeonato pela comissão de regatas e demais veleiros, mas disse que não tinha conhecimento do mesmo durante a largada mais importante do campeonato, a qual disputava o título contra outro barco. Seria coincidência?

Por falta de provas, os juízes não conseguiram comprovar que o Pajero realmente sabia que estava escapado e assim as coisas ficaram.

Realmente foi muito difícil de digerir esta história, quem estava lá viu o que aconteceu e sabe como as coisas foram feitas. Tentamos reabrir a audiência e iniciar outra sobre outra regra. Fizemos um informe sobre a regra 69 e solicitamos que o comandante do Veleiro Pajero fosse citado a comparecer pra dar sua versão. Infelizmente, isso não aconteceu.

Solicitamos e gostaríamos que a comissão de protesto tivesse ouvido mais gente, como outros competidores, velejadores e que perguntasse se alguém tinha alguma dúvida do que realmente tinha acontecido.

A equipe Crioula volta a competir em Búzios durante a Mitsubishi Sailing Cup, em compromisso assumido com a classe no ano passado</i>".

Considerando a importância do debate, também ouvimos o velejador olímpico e tático do Pajero, André “Bochecha” Fonseca, sobre os fatos sucedidos na final da disputa:

"<i>Em primeiro lugar, obrigado por querer escutar a nossa parte. O encerramento do campeonato gerou diferentes versões, interpretações e opiniões e, por conseqüência, muita polêmica.

Como todos sabem, houve um protesto depois da largada da última regata da Semana de Vela. O fato foi julgado ainda na água e mais tarde uma nova solicitação de protesto, em terra, foi feita. Em ambas as situações, o júri ouviu os táticos dos dois barcos que apresentaram  seus fatos e argumentos.  Ambos os júris eram Internacionais da ISAF,  composto de cinco Juízes de diferentes países, chegando a uma decisão de desconsiderar o protesto por unanimidade.

Todos os argumentos, explicações e fatos foram apresentados pelas duas embarcações e julgados de acordo com as regras de regata. O campeonato foi excelente e mostrou o alto nível técnico da flotilha com disputas acirradas e grandes velejadas. O que era para ser dito e justificado já foi feito e julgado.

O foco agora são as próximas regatas e os campeonatos que estão por vir. Tenho certeza que as disputas seguirão intensas e acirradas, mostrado todo o potencial da vela gaúcha, brasileira e sul-americana"</i>.

 

Por Antonio Alonso às 10h26

Última de Ilhabela: RGS, a classe orgulhosa

Trop Too, campeão da RGS-A, por um ponto. Foto: Edu Grigaitis/Balaio de Ideias

Acho que com essa eu encerro minhas notas sobre Ilhabela. Como eu vejo a RGS? Uma classe divertida, barata, sem burocracia e que funciona com mediana justiça, especialmente entre barcos de tamanhos muito próximos. Um medidor da classe me disse que ela "funciona muito bem para quem está dando seus primeiros passos nas regatas". Fico contente em poder botar isso na boca de outra pessoa, porque a RGS é uma classe orgulhosa… e às vezes reclamona. Em Ilhabela, 61 barcos se inscreveram na RGS, a maior classe em número de inscritos. Abaixo vai meu relato.

A RGS, ou Regra Geral Simplificada é uma classe especial. Criada no Rio Grande do Sul (dizem que a sigla é uma homenagem ao estado), ela nasceu com o obejtivo de desburocratizar as medições. Muito mais simples, barata e rápida do que a medição da ORC, ela reuniu uma multidão de seguidores nas raias brasileiras. Tradicionalmente, a RGS é a classe mais numerosa em Ilhabela há anos e não foi diferente desta vez, com 61 RGS inscritos num total de 150. 

E os velejadores da RGS normalmente também são especiais. Divertidos e apaixonados, eles defenem a classe com unhas e dentes frente a outros velejadores, imprensa, organização… O grupo é bastante heterogêneo. Neste ano, os dois maiores veleiros da raia eram da RGS, Sessentão e Nautico II, ambos com 60 pés. Mas os menores e mais lentos da raia também estavam na RGS, os antigos e clássicos Delta 31. É nesse grupo também que estão tripulações altamente competitivas e outras que são atraídas pela diversão do encontro. 

Não há um campeão geral da RGS, que é subdividida em seis classes. Mas neste ano o destaque de competitividade foi para o Wind 34 Tangaroa, que venceu o Campeonato Brasileiro de RGS, em Ilhabela (esse sim, geral) e levou também o título na RGS B, com apenas sete pontos perdidos em sete regatas, quase um terço do segundo colocado, o Fast 345 Revanche. Outro destaque da RGS foi o NEO 25 Mandinga, que também dominou sua classe, a RGS C. Ele venceu simplesmente todas as regatas sete que disputou, terminou com um quarto dos pontos do segundo colocado, o Fast 300 Xiliqui, e ainda saiu com o título moral de ser o único campeão deste ano em Ilhabela a não perder nenhuma das regatas que disputou.

Entre os grandões da RGS Máxi, o melhor foi o First 47.7 Maria Preta, um caçulinha entre os gigantes. Em sete regatas, seus piores resultados foram dois segundos lugares. O bicampeão pan-americano Mario Buckup foi o responsável pela tática. "Estamos muito felizes. Vencer a Rolex Ilhabela Sailing Week é importante para o currículo de todos os velejadores. As regatas são sempre muito próximas e exige atenção total nas provas".

A classe mais disputada foi ao RGS A. Apenas seis pontos separaram o primeiro colocado do quinto. A vitória do Fast 39.5 Troop Too é uma boa recordação de uma das épocas mais empreendedoras da nossa indústria vélica. O estaleiro brasileiro Fast já partiu desta para melhor há décadas, mas ainda deixou campeões por aí. 

Por fim, a RGS também incorporou os antigos veleiros da classe Bico de Proa, que corriam sem medição alguma. O Farr 38 Chrispin II Kelvin Clima venceu na RGS Cruiser A e um Delta 32, o Helios-Hospital Sírio Libanês, com uma tripulação que contou com médicos internacionais, venceu na B.

RGS Maxi - após 7 regatas com 1 descarte 

1º - Maria Preta (José Barreti) - 7 pp (1+2+1+1+1+2+1)

2º - Saravah (Pierre Joullie) - 10 pp (3+1+2+2+3+1+1)

3º - Náutico II (ARG) - 18 pp (5+4+3+3+2+3+3)

4º - Harpia III (Le Vent Mistral) - 21 pp (2+3+4+4+4+4+4)

5º - Sessentão (Alain Simon) - 31 pp (4+5+5+5+6+6+6)

 

RGS A - após 7 regatas com 1 descarte 

1º - Troop Too (Luiz Eduardo de Lucena) - 15 pp (1+1+3+2+6+2+11)

2º - Quiricomba (Escola Naval) - 16 pp (4+7+5+4+1+1+1)

3º - Brekelé (Escola Naval) - 18 pp (2+5+2+1+5+11+3)

4º - Fram (Felipe Aidar) - 19 pp (3+3+4+3+3+3+5)

5º - Jazz (Valéria Ravanni) - 21 pp (6+2+1+5+2+5+6) 

 

RGS B - após 7 regatas com 1 descarte 

1º - Tangaroa (James Bellini) - 7 pp (3+1+1+1+1+1+2)

2º - Revanche (Celso Faria) - 20 pp (10+2+4+2+3+4+5)

3º - Sereloco (Marcelo Cabral) - 23 (8+3+3+12+5+3+1)

4º - Palmares (José Romariz) - 23 pp (1+5+6+4+4+9+3)

5º - BL3 (Clauberto Andrade) - 23 pp (7+7+2+3+2+2+9)

 

RGS C - após 7 regatas com 1 descarte 

1º - Mandinga (Jonas Penteado) - 6 pp (1+1+1+1+1+1+1)

2o - Xiliki (Flávio Cantanhede)- 24 pp (2+2+20+4+5+6+5)

3º - Azulão (Marcello Polônio) - 25 pp (5+3+2+2+10+11+3)

4º - Santeria (Maurício Martins) - 33 pp (7+11+7+7+8+2+2)

5º - Ariel (Luis Pimenta) - 33 pp (4+4+4+8+4+9+10)

 

RGS Cruiser A - após 7 regatas com 1 descarte 

1º - Chrispin II Kelvin Clima (José Carlos de Souza) - 9 pp (2+4+2+1+1+1+2)

2º - For Sale (Décio Goldfarb) - 11 pp (4+2+1+2+2+3+1) 

3º - Sailing Adv. Travessura (Sérgio Gomes) - 13 pp (1+1+3+3+3+2+3)

4º - Magaratz (Cláudio Birolini) - 27 pp (3+5+6+9+4+4+5)

5o - Jubarte 1 (Aldo Sani Jr.) - 34 pp (7+6+7+5+5+5+6) 

 

RGS Cruiser B - após 7 regatas com 1 descarte 

1º - Hélios II - Hospital Sírio Libanês (Marcos Lobo) - 6 pp (2+1+1+1+1+1+1)

2º - Cocoon (Luiz Caggiano) - 17 pp (3+2+2+2+4+9+4)

3º - Boccalupo (Cláudio Melaragno) - 19 pp (1+6+5+4+3+3+3)

4º - BL3 / Alísios Wind Náutica (Domingos Carelli Neto) - 20 pp (6+3+4+3+2+9+2)

5º - Austral (Antônio de Faria) - 25 (5+4+3+5+6+2+9)

 

Brasileiro de RGS - classificação final - 6 regatas, 1 descarte

1º Tangaroa (James Bellini) - 8 pp (4+1+3+1+1+2) 

2º Mandinga (Jonas Penteado) - 19 pp (1+2+1+7+8+12)

3º Maria Preta (José Barreti) - 26 pp (11+17+2+2+2+9)

4º Troop Too (Luiz Eduardo de Lucena) - 26 pp (7+4+7+4+17+4)

5º Fram (Felipe Aidar) - 35 (10+6+9+5+12+5)

Por Antonio Alonso às 00h36

Sobre o autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.

Sobre o blog

A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.

Histórico

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