Nos EUA, pedido falso de socorro aciona resgate que custou o equivalente a mais de 600 mil reais
"Houve uma explosão a bordo, tenho 3 mortos e nove feridos. O barco está fazendo água". O chamada via rádio parecia verdadeira. O falso "capitão" conhecia a terminologia náutica, deu o nome de um barco verdadeiro e conseguiu convencer os serviços de restate de Nova Jersey que havia 21 pessoas em risco, num iate de luxo que afundava. As buscas demoraram seis horas, envolveram pelo menos sete helicópteros e 200 agentes. Horas depois, o verdadeiro proprietário do barco foi encontrado e desmentiu a ligação. O trote acabou custando pelo menos US$ 318 mil aos contribuintes americanos, além de colocar em risco a segurança dos agentes mobilizados. Segundo dados oficiais dos EUA, trotes como este custam em média US$ 10 mil em recursos públicos. Esse superou em muito a média. A guarda costeira ofereceu um prêmio de US$ 3 mil para quem der pistas que levem ao autor do trote. Além de preso, ele tem uma conta para pagar.
Leia a notícia original, em inglês: Clique aqui.
Por Antonio Alonso às 00h15

O veleiro neste momento está no fundo do oceano, com um pedacinho de baleia junto.
Um cargueiro panamenho resgatou o americano Max Young, que colidiu com uma baleia de 55 pés quando fazia a última etapa de sua volta ao mundo, de Cabo San Lucas até San Diego. O americano, de 67 anos, fez a maior parte da viagem com a mulher, mas estava sozinho nesse trecho onde aconteceu o acidente. "A baleia deixou um pouco de pele no barco", contou o velejador.
Com o choque, a baleia arrancou o leme do barco e fez um buraco no casco. O velejador foi resgatado na quarta-feira, dia 13. O barco, que afundou, estava assegurado, mas Max está preocupado porque não sabe se o seguro cobre colisões com baleias.
Quando Max estiver recuperado, ele certamente vai postar a história em seu blog, que tem imagens da viagem dele e da mulher pelo mundo: http://maxyoungcircumnavigation.blogspot.com.br/
Por Antonio Alonso às 23h36
Enquanto eu escrevo este post, o veleiro espanhol Telefónica nem chegou a Lorient, penúltima etapa da Volta ao Mundo, mas a chance de título foi por água abaixo (pela terceira vez consecutiva). Os franceses do Groupama deram show, confirmaram seu crescendo e disparam na liderança. O Telefónica, por outro lado, entrou mesmo num diminuendo impressionante depois de vencer de forma arrasadora as primeiras etapas. Uma série de vacilos, problemas e chances perdidas agora colocam os espanhóis na terceira posição, empatados com o Camper, faltando apenas uma etapa para o fim da Volvo Ocean Race. Matematicamente, é possível, mas eu ouso falar que, na prática, esta regata acabou para os espanhóis.
Justiça seja feita, os espanhóis chegaram a mostrar a velha forma nesta penúltima etapa, duas mil milhas entre Lisboa e Lorient, na França, com uma passadinha pelos Açores. O Telefónica quebrou (duas vezes) o recorde de singradura para esta edição e liderava a flotilha de forma imponente, como nos velhos tempos. Mas o barco não aguentou. Duas quebras de leme, eles foram obrigados a diminuir a velocidade. Com isso, eu não sou o único a afirmar que as chances do Telefónica acabaram. Não sei se deveriam, mas a bordo, eles próprios já reconheceram a derrota:
"O ânimo aqui a bordo é tão bom quanto pode ser em circunstâncias como esta, já que acabamos de ver escapar todas as chances de vencer esta regata de volta ao mundo. É como se dois anos de trabalho desaparecessem no ar em questão de minutos. Que bagunça! Neste momento, eu me darei por felz se chegarmos todos em terra sem nenhum outro problema", decretou o skipper do Telefónica, Iker Martínez, que acrescentou, em tom de despedida: "Eu gostaria de pedir desculpas do fundo do meu coração a todos os patrocinadores, mais especialmente ao [presidente do time] Pedro Campos que arriscou tanto para nos dar os melhores recursos e tempo para vencer esta regata. Eu acho que a única coisa que me faz sentir melhor agora é saber que eu dei 100% do meu melhor nos últimos dois anos neste projeto".
Vamos falar um pouco de futebol? Eu sou corintiano e acompanhei em 2007 meu time ser rebaixado para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Um empate contra o Grêmio, em dezembro, selou o passaporte para a Série B. Muita gente botou a culpa no Internacional, que facilitou a vitória do Goiás, nos jogadores daquela última partida ou nos detalhes do jogo. A verdade é que o Corinthians foi rebaixado inúmeras vezes naquele ano, não só no dia 2 de dezembro.
No começo de setembro, o Corinthians ganhou dois jogos (Santos e América-RN) e "disparou" na tabela. Parecia mesmo que bastava querer e aquela situação ia ser resolvida. Dos 14 jogos seguintes, o Corinthians perdeu a metade. Da outra metade, empatou cinco e venceu apenas dois. É normal empatar um jogo com o Grêmio no Olímpico. Mas não é normal um time vencer duas partidas em 14 e achar que não merece ser rebaixado.
O Telefónica perdeu essa regata várias vezes. É normal que uma quebra (ou duas) acabe com uma etapa da equipe. Isso aconteceu com Puma, Groupama, Abu Dahbi e Sanya (várias vezes). Mas o Telefónica teve meia Volta ao Mundo para defender uma liderança consistente, que chegou a ser de mais de 30 pontos (eles poderiam não correr uma etapa e ainda assim seriam líderes). Foram quebras, escolhas mal feitas, pequenos vacilos e — vá lá — até azar (especialmente nas costeiras). Não é normal passar meia volta ao mundo comendo mosca sem reagir. Não para um time que quer ser campeão.
Há algum tempo eu escrevi aqui sobre a maldição do barco azul. Esta é a terceira vez que os espanhóis chegam como favoritos à Volta ao Mundo e terminam de maneira decepcionante.
O Corinthians ninguém abandonou. Parece que com o Telefónica vai ser diferente.
Resultados: O Groupama venceu esta etapa, seguido por Camper e Puma. Acesse http://www.volvooceanrace.com/en/scoreboard/rdc.html para ver a tabela de pontuação completa. Ainda restam 42 pontos em jogo (se alguém vencer tudo, leva 42, quem terminar todas em último, leva 7).
Por Antonio Alonso às 11h44
Ontem eu falei aqui sobre o recorde de singradura (maior distância percorrida em 24 horas) que o Telefónica havia estabelecido para esta edição (560 milhas). Como eu previ, o recorde caiu mais uma vez. Telefónica e Camper chegaram à marca das 565 milhas navegadas em 24 horas. Mas não foi só o recorde que caiu, o skipper do Camper Chris Nicholson (o Nico), também. Ele foi arrancado do timão depois que uma onda gigante o acertou e arrastou o comandante pelo chão do barco. Um regulador de velas que estava por perto assumiu o controle do barco e evitou uma atravessada ou uma capotagem, mas dá para ver que, sem o capacete de proteção, o tripulante praticamente não consegue enxergar o que está fazendo com o barco.
O recorde mundial da maior distância navegada por um monocasco em 24 horas continua com o Ericsson 4. Sob o comando de Torben Grael, o barco sueco navegou 596,6 milhas náuticas em 24 horas na edição anterior da Volvo Ocean Race, em 2008/2009.
Por Antonio Alonso às 11h18

IAN ROMAN/Volvo Ocean Race
Quando menos se esperava, a Volvo Ocean Race 2011/2012 voltou a mostar os dentes. No final da penúltima perna, o Telefónica bateu o recorde de velocidade em 24horas nesta perna, somando 560 milhas percorridas. Este recorde também dá mais uma dica de como os barcos são parelhos no vento forte. Para quem se lembra das duas edições passadas, ABN 1 e Ericsson 4 disparavam nessas condições. Desta vez, o Telefónica fez uma marca só cinco milhas melhor que Camper e Groupama e sete milhas melhor que o Puma. O recorde anterior desta perna pertencia ao Camper, e era de 553 milhas náuticas, navegadas na primeira perna.
As coisas vão esquentar daqui pra frente, porque o vento só aumenta em direção a Lorient. Eu posso apostar que o recorde cai mais uma vez até lá.
O recorde mundial da maior distância navegada por um monocasco em 24 horas pertence ao Ericsson 4. Sob o comando de Torben Grael, o barco sueco navegou 596,6 milhas náuticas em 24 horas na edição anterior da Volvo Ocean Race, em 2008/2009.
Por Antonio Alonso às 09h58

Essa é do final de semana, mas eu não poderia deixar passar. No sábado acabou a Skandia Sail for Gold, regata disputada na raia de Olímpica de Weymouth, onde acontecem as competições de vela da Londres 2012, no final de julho. O Brasil foi até bem, com um segundo lugar de Scheidt (ok, para o padrão dele isso não se comemora), um 4º de Martine Grael/Isabel Swan na 470 e o melhor resultado da carreira da windsurfista Patrícia Freitas (6º). Bimba, também na prancha, ficou em décimo e Fernanda Oliveira/Ana Barbachan foram 11º lugar também na 470.
Mas hoje eu quero focar em Martine Grael/Isabel Swan. Até porque acho que não falarei mais dessa dupla na 470. Martine, filha de Torben, se juntou à proeira dispensada por Fernanda Oliveira após a conquista do bronze olímpico na China em 2008 (a primeira medalha na história da Vela feminina brasileira). A gaúcha Fernandinha não valorizava o trabalho de Bel e acreditava que poderia ir muito melhor com outra proeira. Foi aí que surgiram as duplas Martine/Bel e Fernandinha/Ana Barbachan.
Ambas as duplas se mostraram talentosas e a classificação olímpica não foi desafio para nenhuma delas. Pelo contrário, o difícil foi saber quem ficaria com a vaga. Depois de anos velejando com resultados impressionantemente idênticos, as gaúchas Fernandina/Ana ficaram com a vaga ao vencer duas das três seletivas nacionais.
Ainda assim, os melhores resultados internacionais de expressão vieram justamente da dupla que está fora dos jogos. Em dezembro, Martine e Bel foram oitavo no Mundial. Das últimas cinco regatas, elas chegaram três vezes entre as três primeiras. Fernandinha foi melhor no Trofeo Princesa Sofia (por isso ficou com a vaga). No Mundial deste ano, novamente andaram juntas, Tine/Bel foram 8º, uma posição à frente de Fernandinha/Ana. E agora, no último teste na raia olímpica, Martine e Bel velejaram pra arrepiar, chegando na quarta posição, coisa de quem briga por medalha. Mas a festa acabou para elas. Muito provavelmente a dupla fará campanha olímpica para o Rio a bordo de um skiff, a versão feminina do 49er. Se Fernanda Oliveira topar continuar na Vela de alto nível, a notícia é excelente para o Brasil, que terá duas tripulações muito talentosas de medalha em casa. Dessa vez, infelizmente, uma dupla que poderia fazer história vai ficar assistindo.
Bel se despediu na 470 assim: "Conquistamos o 4º lugar na Skandia Sail for Gold, campeonato disputado na raia que será a Olimpíada de 2012. Esse foi o segundo melhor resultado dentro da equipe brasileira, e um dos nossos melhores resultados, já que todas as equipes que vão para os Jogos estavam presentes. Agradeço principalmente aos nossos patrocinadores EMBRATEL e SUZUKI. Sem eles, esses resultados seriam impossíveis de atingir! Obrigada :)".
The end
Por Antonio Alonso às 10h50

Sílvio Ramos quer organizar um Rally de gringos até o Rio de Janeiro, partindo da cidade do Cabo. Alguém a fim?
Agora já não é mais apenas uma ideia. Sílvio Ramos colocou no papel (ou melhor, na web) o blog http://www.brazilianrallymatajusi.blogspot.com.br/, que tem como meta incentivar a vinda de velejadores estrangeiros para o Brasil. Em inglês, Sílvio Ramos dá dicas sobre documentação, burocracia, segurança e ensina os gringos a driblar outros entraves que impedem a vinda de mais gente ao país.
Ao contrário do que pode parecer, o Brasil não é um destino muito disputado por cruzeiristas internacionais. Pelo menos não o é na proporção do tamanho e das atrações de nosso litoral. Para a comunidade de cruzeiristas lá fora, o Brasil é visto como um país de difícil burocracia, com pouquíssima infra-estrutura náutica e onde os velejadores são mortos. Em parte, a culpa é nossa. Em 1999, "matamos" provavelmente a maior lenda viva do iatismo, Peter Blake, a troco de um relógio, no Amapá. A propaganda negativa desse assassinato foi devastadora e continua até hoje. Também não somos muito bons na área de infra-estrutura, é preciso conhecer bem o litoral para não cair em armadilhas. Por fim, nossa burocracia até pouco tempo impedia que um barco estrangeiro ficasse por aqui mais do que seis meses. Agora esse prazo foi estendido, mas o controle ainda pode dar dores de cabeça. Tudo isso porque, no Brasil é proibido importar barcos usados (muito mais baratos lá fora do que aqui).
Bom, convido a todos a visitar e divulgar a iniciativa voluntariosa do Silvio, que está dando a volta ao mundo a bordo do seu Matajusi, feito no Brasil.
Por Antonio Alonso às 18h17
Ok, confesso que o dia está fraco de notícias, por isso apelei para esse vídeo do Luís Figo pegando carona no Abu Dhabi durante a largada de Lisboa, no domingo. Não adianta ver o vídeo porque nem uma declaração boa em português você vai encontrar.
Em compensação, depois de dois dias de regata, a flotilha vive uma situação inédita. Telefónica e Groupama estão empatados na liderança desta perna, e ambos velejando à mesma velocidade (8,3 nós). A flotilha agora se aproxima da ilha de São Miguel, nos Açores, onde farão a volta rumo a Lorient, na França. O vento é fraquíssimo: 3 a 4 nós e ruim para a flotilha toda. O ângulo para a aproximação também é péssimo, com vento "na cara" nos velejadores. Essa situação deixa tudo aberto nos próximos dias.
Por Antonio Alonso às 10h06
O campeonato Paulista de Lightning aconteceu neste feriado, na represa de Guarapiranga, mas ainda não tem um vencedor. Tudo isso porque três das quatro equipes que disputavam o título não chegaram a tempo para disputar a primeira regata decisiva do domingo, último dia de competição. Seria um caso comum se o caso fosse apenas de atraso dos competidores, mas uma divergência de informações entre o Aviso de Regata e a Instrução de Regata abriu precedente para que fosse aberto um protesto formal.
Eu tento explicar para quem se interessou.
Como em uma empresa, há um procedimento padrão para um clube que vai sediar uma regata. O Aviso de Regata (AR) e as Instruções de Regata (IR) são dois documentos importantes nesse processo. Primeiro, os velejadores precisam ser comunicados que a regata vai existir, precisam saber local, datas e horário em que as inscrições serão feitas. Depois, as Instruções de Regata são o documento oficial com todo o regulamento e detalhes da competição, incluindo horário das regatas. Mas os juízes ainda podem fazer alterações e para isso, usam o Quadro de Avisos, que é o meio oficial de comunicação.
Tudo isso pode parecer meio pré-histórico na era da internet, mas é assim que funciona. Os organizadores mais precavidos chegam até a tirar fotos com o horário de cada atualização pregada no quadro de avisos do clube.
E no Paulista de Lightning? Um competidor, Marcelo Belotti, fez sua inscrição no horário previsto no aviso de regata e não recebeu a Instrução de Regata que, segundo ele, não estava pronta até o horário limite para as inscrições. Ele se baseou nas informações e horários do aviso de regata e estava disputando o título até que, no último dia, chegou no clube com uma regata já rolando. A regata das 13h havia sido antecipada para as 11h.
Dois outros competidores que disputavam o título também se basearam no Aviso de Regata e perderam a prova. Marcelo Belotti foi o único a protestar (e é o único que pode ser campeão caso a regata seja invalidada).
Daí, eu depreendo duas coisas:
1) Os competidores que perderam a regata não podem reclamar, já que não consultaram o documento oficial, que é a Instrução de Regata
2) Os competidores que perderam a regata têm o dever de reclamar, já que o documento oficial não existia no momento da inscrição.
Se você não dormiu até agora com a chatice técnica dessa discussão, vai ter de concordar comigo que um erro não anula o outro e, seguindo a regra à risca, à uma boa chance de que a regata seja anulada. Ruim para o esporte, ruim para todo mundo.
"O Tommy Sumner, Felipe Brito e Fillipe Gil velejaram muito bem e são merecedores do título. Mas eu e minha equipe também tínhamos o direito de velejar para conquistar esse título. Reconheço que posso ter sido negligente por não ter visitado o clube, reconheço que o aviso estava divulgado no quadro. Não discuto isso. Mas três equipes que disputavam o título perderam uma regata decisiva, houve um problema de informação. Contrariando o AR, não havia Instrução de Regata para os velejadores no momento da inscrição", contou Marcelo Belotti.
O campeonato foi de excelente nível, com quatro equipes com chances de título no último dia. Mas esse enrosco foi o que acabou chamando a minha atenção por enquanto.
Atualização: Aqui segue a súmula completa do campeonato. A sétima regata é a regata prejudicada. Vale reparar que todos os velejadores de outros clubes perderam a regata, com exceção do pessoal de Brasília, que estava baseado no clube-sede: http://www.fevesp.org.br/noticias/paulistadelightning2012
Por Antonio Alonso às 19h23
O Telefónica percebeu que não pode se dar ao luxo de continuar bobeando como vinha fazendo e assumiu a liderança da penúltima perna da regata, entre Lisboa e Lorient, via Açores, uma voltinha de duas mil milhas. O Groupama está nos calcanhares dos espanhóis, e em uma posição ligeiramente mais favorável, um pouco ao norte. A diferença entre os dois na tarde desta segunda era de menos de uma milha, mas os cinco pontos que separam o primeiro do segundo colocado nessa perna serão disputados centímetro a centímetro. Agora sim, qualquer vacilo é mortal.
Por Antonio Alonso às 16h51

Competição foi disputada na raia olímpica. Foto: On Edition
Scheidt/Prada não querem mesmo dar espaço para os ingleses Iain Percy e Andrew Simpsom. Neste sábado, os brasileiros largaram para a Medal Race da Skandia Sail for Gold na segunda colocação, atrás apenas dos ingleses. Depois de um ano sem perder nenhuma regata, a dupla brasileira não estava disposta a ceder o tabu justamente na raia olímpica e na última competição antes dos jogos. O excesso de vontade talvez tenha pesado e brasileiros e ingleses se envolveram em um acidente e ambos foram penalizados. Os ingleses se enroscaram e terminaram em oitavo lugar, enquanto os brasileiros terminaram em quarto e acabaram empatados em pontos com os irlandeses. No desempate, Scheidt/Prada perderam a primeira em mais de um ano.
Agora, é a Olimpíada.
Da ZDL: Robert Scheidt e Bruno Prada conquistaram neste sábado o vice-campeonato do Skandia Sail for Gold Regatta. A dupla conquistou o quarto lugar da medal race, em que participam apenas os 10 primeiros colocados e tem peso dobrado. O título ficou com os irlandeses Peter O’Leary e David Burrows. Os ingleses Iain Percy e Andrew Simpson, maiores adversários de Scheidt e Prada, completaram o pódio.
A dupla brasileira largou bem, porém na primeira perna se envolveu em um acidente com a dupla inglesa. Ambos foram penalizados e caíram para as últimas colocações. Scheidt e Prada fizeram uma regata de recuperação, terminando em quarto. Os ingleses ficaram com a oitava posição, enquanto os franceses Xavier Rohart e Pierre Alex Ponsot venceram. Os irlandeses cruzaram em terceiro e terminaram com os mesmos 23 pontos dos brasileiros, mas garantiram o título por terem melhor resultado na regata final.
"A regata final foi muito difícil, porque fomos penalizados logo no início, depois de uma colisão com os ingleses. Conseguimos nos recuperar, mas não deu para superar os irlandeses. Mesmo assim, ganhar dos donos da casa e campeões olímpicos dá moral. Nosso objetivo era fazer ajustes e testar bem a raia dos Jogos. O resultado era o menos importante", analisou Bruno Prada.
A medal race foi disputada com ventos em torno dos 20 nós (37 km/h), bem diferente dos dois últimos dias, quando a classe Star não teve regatas. Nesta sexta-feira o vento chegou na casa dos 45 nós (83 km/h) e a organização cancelou as regatas de todas as classes. A Star acabou tendo apenas seis regatas na fase classificatória.
Resultado final, com um descarte
1. Peter O’Leary/David Burrows (Irlanda), 23pp (5+2+4+1+[7]+5+6)
2. Robert Scheidt/Bruno Prada (Brasil), 23 pp (4+1+[6]+3+5+2+8)
3. Iain Percy/Andrew Simpson (Inglaterra), 30 pontos perdidos ([12]+3+1+7+2+1+16),
4. Fredrik Loof/Max Salminen (Suécia), 37 pp (7+8+[14]+13+1+4+4)
5. Xavier Rohart/Pierre Alexis Ponsot (França), 39 pp ([19]+4+3+9+12+9+2)
Dupla tem mais de 50 títulos
Em maio, Scheidt e Prada conquistaram o tricampeonato mundial da classe, a 52ª vitória da dupla. Os dois começaram a velejar em 2001 entre maio de 2011 e abril de 2012 conquistaram 11 títulos seguidos. A sequência só foi interrompida na Semana Olímpica Francesa, em Hyères, em maio. Confira a lista de conquistas consecutivas:
• Semana Olímpica Francesa, em Hyères (etapa da Copa do Mundo) - maio/2011
• Delta Lloyd Regatta, em Medemblik (etapa da Copa do Mundo) - junho/2011
• Skandia Sail for Gold Regatta, Weymouth (etapa da Copa do Mundo) - junho/2011
• Evento-teste para os Jogos de Londres/2012, em Weymouth - agosto/2011
• Campeonato Italiano para as Classes Olímpicas, em Garda - setembro/2011
• Star Class Southern Hemisphere Championship, no Rio de Janeiro - novembro/2011
• Mundial de Perth (Austrália), dezembro/2011
• Miami OCR (etapa da Copa do Mundo) - janeiro/2012
• Semana Brasileira de Vela, em Búzios - fevereiro/2012
• Campeonato Paulista de Star - fevereiro/2012
• Palma de Maiorca, etapa da Copa do Mundo de Vela - abril/2012
A caminho de sua segunda olimpíada, os dois somam cinco medalhas olímpicas - quatro de Scheidt, com dois ouros e uma prata na Laser e uma prata na Star, que conquistou ao lado de Bruno, nos Jogos Olímpicos de Pequim.
Robert Scheidt tem patrocínio do Banco do Brasil, Prada, Gocil e Rolex. Robert Scheidt e Bruno Prada têm o apoio do Comitê Olímpico Brasileiro e da Confederação Brasileira de Vela e Motor.
Por Antonio Alonso às 09h42
Está chegando ao fim. Enquanto eu escrevo este post, o Puma de Ken Read lidera a penúltima largada da Volvo Ocean Race 2011-2012. Os seis veleiros enfrentam uma perna de duas mil milhas entre Lisboa e Lorient (com uma passagem nos Açores) e devem chegar à França dentro de uma semana. Depois disso, só restará uma última perna, entre Lorient e Galway, na Irlanda. No total, 72 pontos estão em jogo. Na edição mais disputada desta regata, quatro barcos ainda têm chances de sair como campeões: Groupama, Telefónica, Puma e Camper.
Por Antonio Alonso às 09h38
Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.
A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.