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09/06/2012

A maldição do barco azul está de volta: Telefónica é último mais uma vez

Foto: Ian Roman/Volvo Ocean Race

Até que venha uma tese melhor, eu vou creditar essa ao psicológico. A regularidade (no mau sentido) do Telefónica é horripilante nessas regatas costeiras. Seis últimos lugares em oito regatas disputadas (e isso para um time que despontou mais de 30 pontos de vantagem logo no começo da Regata Volta ao Mundo).

O barco não é ruim, a tripulação não é ruim… Mas eles conseguem impressionar pela sequência de erros, quebras e também má-sorte. Neste sábado, o Telefónica levou uma penalidade logo na largada (nervosismo?). Num percurso de 12 milhas, essa penalidade já custa muito caro: o barco precisa dar uma volta no próprio eixo, o que leva um bom tempo. Como se não bastasse, ainda quebrou uma adriça (cabo que segura a vela balão). A vela foi para a água e todo aquele enrosco que vem depois cobrou mais tempo dos espanhóis.

A maldição do barco azul

Pouca gente vai se lembrar, mas esta é a terceira participação dos espanhóis na regata. Em todas elas, o barco azul começou como favorito. Nas duas anteiores, o favoritismo acabou em fiasco. Em 2005-2006, o barco quase naufragou perto do Cabo Horn. Um dos tripulantes disparou que o barco não era seguro e simplesmente abandonou a regata. Pouco mais de um mês depois, na travessia do Atlântico Norte, o Movistar efetivamente afundou e foi abandonado pela tripulação, que precisou ser socorrida por um adversário. Na edição seguinte, em 2008-2009, os espanhóis apareceram com dois barcos, um azul (que é o atual Sanya) e um preto. O barco azul disputava a liderança, mas sofreu dois acidentes que acabaram com as chances dos espanhóis. O primeiro foi a colisão contra um objeto submerso na largada de Qingdao, na China. Depois, e muito mais estranho, foi encalhar na largada da penúltima perna, quando o barco azul estava cabeça-a-cabeça com o segundo colocado na tabela geral. Encalhar numa pedra desconhecida em uma região tão bem mapeada como a Suécia é um evento raríssimo. Digno da maldição do barco azul, que assola esta regata há pelo menos duas edições. Será que a maldição vai vencer mais uma vez?

A regata

Depois de bater Telefónica na liderança geral da regata, os homens de Franck Cammas aplicaram hoje outro golpe em seus rivais espanhóis. Nas águas do rio Tejo, em Lisboa, os franceses do Groupama venceram a Regata Costeira e agora somam 189 pontos, contra 181 do Telefónica que – mais uma vez – chegou em último. 

Apesar da vitória dos franceses, a estrela do dia na água foi o Puma, de Ken Read, que estava bastante atrás na flotilha e conseguiu retornar em segundo lugar graças à escolha acertada de um dos lados da raia na hora de contornar uma marca. O Puma agora tem 176 pontos, apenas cinco a menos que o Telefónica e dez a mais que o Camper, terceiro colocado na regata deste sábado. Abu Dhabi Ocean Racing, ficou em quarto, seguido do Sanya. O Telefónica fechou a raia de maneira melancóloica mais uma vez. Das oito regatas costeiras disputadas até agora, os espanhóis foram último em seis (ironicamente, venceram as outras duas). 

O princpal problema do Telefónica foi uma penalidade que sofreram depois de um incidente com o Puma já na largada. Para piorar (e muito) as coisas, a adriça que segura a vela balão quebrou no meio da regata e a enorme vela foi para a água. 

Desde a largada, o Groupama despontou na liderança. Conseguiu se livrar do tráfego e disparou na frente logo na primeira perna, sob ventos de sudoeste de 10-15 nós. Apesar de trocar a liderança várias vezes com o Camper durante esta primeira perna, enquanto a flotilha descia o rio Tejo e passava sob a icônica ponte 25 de abril em Lisboa, o Groupama foi o primeiro a chegar à marca e, nas pernas seguintes, nunca mais deixou a liderança nas 11,5 milhas de percurso.

A flotilha larga na manhã deste domingo (9h de Brasília) rumo a Lorient, na França. A perna será alongada por uma montagem de marca obrigatória nos Açores. Com quase duas mil milhas, a penúltima perna da regata deve durar uma semana. Faltam apenas quatro oportunidades de pontuação, um total de 72 pontos em jogo. A regata está aberta para os quatro primeiros colocados: Groupama, Telefónica, Puma e Camper.

 

 

Por Antonio Alonso às 11h05

08/06/2012

Regata costeira de Lisboa, ao vivo, a partir das 8h

Às 8h (horário de Brasília), os seis veleiros da Volvo Ocean Race largam para a regata costeira de Lisboa, a antepenúltima desta edição. Apenas três pontos separam o líder Groupama do Telefónica. Nas regatas costeiras disputadas até agora, os espanhóis venceram duas e foram último em todas as outras. Se antes, com folga na tabela, esses descuidos pareciam não fazer diferença, a regata agora é de vida ou morte.
Atualização: A regata acabou neste momento (10h06) e vocês me encontrariam de boca aberta com mais um último lugar do Telefónica. Se eles perderem esta edição, vai ser muito culpa deles mesmos. Resultado: Groupama, Puma, Camper, Abu Dahbi, Sanya e Telefónica.

Por Antonio Alonso às 23h13

Fora da Olimpíada, filha de Torben veleja melhor do que titulares na Inglaterra

Martine e Isabel estão em terceiro na Skandia Sail For Gold. Foto: OnEdition

Tava na cara que isso iria acontecer em alguma regata. Depois de uma disputa duríssima pela vaga olímpica brasileira, prevaleceu a maior experiência da gaúcha Fernanda Oliveira que, ao lado de Ana Barbachan, carimbou o passaporte para a Olimpíada deste ano, na Inglaterra. Só que, no último grande evento preparatório, disputado exatamente na raia olímpica, a tripulação formada pela filha de Torben, Martine Grael, e a proeira Isabel Swan, deu um banho nas gaúchas. Martine e Isabel avançam para a Medal Race na terceira posição geral, enquanto as gaúchas ficam fora da Medal Race num honroso 11º lugar. O esporte é cruel. Martine e Bel tiveram quatro anos de ótima preparação e agora não adianta muito brilhar, a vaga foi conquistada com todos os méritos por Fernanda e Ana. É uma pena, mas não podemos levar duas tripulações para a Olimpíada. Se ao menos pudéssemos enviar uma dupla para competir no lugar dos homens, que não conseguiram a vaga…

Fiquem de olho também na classe Star. Os ingleses Iain Percy e Andrew Simpson lideram a competição, faltando apenas uma regata. Robert Scheidt e Bruno Prada estão em segundo lugar. Se os ingleses vencerem, será a primeira derrota dos brasileiros depois de mais de um ano de invencibilidade.

Da ZDL: A Equipe Brasileira de Vela disputa neste sábado (9) a medal race da Skandia Sail for Gold, na raia onde serão realizados os Jogos Olímpicos de 2012. O País tem representantes em três classes (Star, RS:X Masculino e Feminino e 470 Feminino) nas regatas finais e só não credenciou mais velejadores por causa do cancelamento das atividades nesta sexta-feira(8), já que os ventos atingiram 50 nós (cerca de 92 km/h). 

Com chance de ouro, os tricampeões mundiais Robert Scheidt e Bruno Prada correram apenas seis regatas. Na tabela, os brasileiros ocupam a segunda colocação com um ponto a mais do que os líderes Iain Percy e Andrew Simpson, da Inglaterra. Outras duas duplas também têm chance de vencer a competição: Peter O'Leary/David Burrows(Irlanda) e Richard Clarke/Tyler Bjorn(Canadá).

"A previsão é de ventos fortes para o sábado, mas teremos regatas. Mesmo em segundo, não temos uma estratégia de ganhar apenas dos ingleses, já que há mais duas duplas brigando pelas primeiras colocações", reforça Bruno Prada. 

Na RS:X, as duas duplas nacionais estão nas finais: Patrícia Freitas,em sexto, e Ricardo ‘Bimba’ Winicki, em 10º. "O nível está altíssimo, como sempre. Na RS:X são uns 11 atletas com chances reais de medalha e tudo pode acontecer. Para a Olimpíada, me sinto preparado, mas ainda preciso fazer uns pequenos ajustes nos próximos 50 dias", conta Bimba, que também sofreu nos últimos dias com ventos acima de 40 nós. "Adrenalina pura. Na quinta-feira (7) terminamos uma regata com ventos beirando os 50 nós. Apenas 17 dos 58 completaram. A velocidade é absurda, temos que travar o corpo todo e chegamos assim a 180 bpm".

Patrícia Freitas faz o melhor campeonato de sua carreira e ocupa a sexta colocação. Pelos resultados, a brasileira pode ficar com a medalha de bronze. A terceira colocada, Olga Maslivets, da Ucrânia, tem 36 pontos perdidos e Patrícia 49. Mas, a medal race tem peso dobrado e pode alterar a classificação. "Meu objetivo era ficar entre as 10 primeiras e já foi atingido. Agora vou para a medal race sem pressão," garante Patrícia.

Na 470, Fernanda Oliveira e Ana Barbachan não puderam alcançar a medal race pela falta de ventos. Em 11º, as brasileiras classificadas para a Olimpíada ficaram oito pontos atrás das italianas Giulia Conti e Giovanna Micol. As também brasileiras Martine Grael e Isabel Swan ocupam a terceira colocação no geral e disputarão a medalha em Weymouth.

Na Laser Radial, Adriana Kostiw fechou na 33ª colocação geral. Na Laser Standard, Bruno Fontes foi o 23º. Na Finn, o paulista Jorge Zarif ficou em 20º.

A vela nas Olimpíadas - Como é comum nas Olimpíadas, a competição de vela não será na cidade-sede dos Jogos de Londres. As regatas estão marcadas para a cidade de Weymouth, na costa sul da Inglaterra. O local é a sede da Academia Nacional de Vela, o principal centro da modalidade no País.

A disputa começa no dia 29 de julho e termina apenas no dia 11 de agosto, com a final do Match Race feminino. As medal races para as demais classes serão realizadas entre os dias 5 e 9 de agosto.

A Confederação Brasileira de Vela e Motor tem o patrocínio do Bradesco por meio da Lei de Incentivo ao Esporte do Governo Federal, e apoio do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e Travel Ace.

 

Por Antonio Alonso às 17h58

Dia Mundial do Oceano (hoje) nasceu no Brasil

A Volvo Ocean Race entrou na campanha do Dia Mundial dos Oceanos. Produziu até um vídeo em português em Lisboa

Dia 8 de junho (hoje) é o Dia Mundial dos Oceanos, data que começou a ser celebrada há 20 anos, durante a ECO-92 no Rio, a Conferência Mundial sobre Desenvolvimento e Meio-Ambiente (avó da Rio +20).  Eu acho essas datas comemorativas meio furadas, porque todo mundo tem que ter noção de que praia não é lugar de ser porco todos os dias do ano, não só na festa. No entanto, é uma data que pode servir pra quem está realmente por fora se tocar.

O mundo é cheio de lições. Uma caminhada na praia também é. Eu ainda vou falar disso neste blog, mas repare no lixo da sua praia e tente perceber o quanto daquilo é seu: bitucas, canudos, cascas ou os mais bizarros como fraldas, sacolas, restos de refeições inteiras, cocô... Nesses nove anos em que cubro náutica já fiquei de boca aberta algumas vezes. Por exemplo, ao ver que na Espanha (e aparentemente em vários lugares da Europa), jogar a bituca de cigarro no mar não envergonha ninguém. Os argentinos que competem regatas aqui (alguns fumam até o aviso de atenção antes da largada), também não se embaraçam com isso. Aliás, cigarro é uma das peças exóticas mais presentes nos museus do lixo. Eu já andei horas em trilhas para chegar em uma praia deserta e perceber que o único lixo pro ali era justamente cigarro. Deve fazer parte de um mantra, tipo: "Eu não ligo nem pra mim, pra quê eu vou cuidar do seu espaço?". Não sei. A mim, essa atitude blasé de jogar lixo no chão (seja chiclete, cigarro ou fralda), não me agrada. 

Se você pensa diferente, o consolo é que você não está sozinho. Eu já vi velejador com duas voltas ao mundo nas costas jogar lixo pra fora do barco parado na marina. Na marina onde ele mora!

Portanto, esqueça o dia do oceano. Mas tome um pouco de cuidado nos outros dias do ano.

 

Por Antonio Alonso às 17h03

Na Volta ao Mundo, Telefónica paga caro por erros na costa

"Nosso objetivo principal é acabar de uma vez com o mito de que quem ganha a primeira perna termina campeão desta regata". Um animado Ken Read, skipper do Puma, conta como acredita que é possível derrotar o Telefónica nesta edição da Regata Volta ao Mundo. Na verdade, agora todos acreditam que é possível fazê-lo, mas não era bem assim há alguns meses, quando os espanhóis venciam todas as etapas e pareciam ser o único barco a não quebrar, não importava a condição. Os próprios espanhóis pareciam não se importar muito em chegar em último em todas as regatas costeiras que disputavam (com a exceção de duas, que ganhara), porque afinal a vantagem conquistada nas pernas longas era imensa. 

Só nas duas últimas regatas costeiras, o Telefónica deixou de conquistar nove pontos. Parece pouco, mas seria mais do que suficiente para que os espanhóis mantivessem a vantagem que tinham desde a primeira perna. Neste momento, os franceses do Groupama são os novos líderes, apenas três pontos à frente.

Neste sábado acontece a antepenúltima regata costeira, em Cascais. Raia de ventos tradicionalmente fortes, Cascais deve ter cerca de 8 a 12 nós, condição que pode armar novas armadilhas para esses barcos de 70 pés. Vale a pena ficar de olho na postura do Telefónica. Agora, as regatas costeiras representam vida ou morte.

A regata será transmitida ao vivo na internet, no site oficial da regata e também aqui, neste blog, a partir das sete horas da manhã deste sábado.

Por Antonio Alonso às 10h12

06/06/2012

Depois do lançamento do C30, argentinos contra-atacam com o Soto 30

Javier Soto Acebal é o projetista (argentino) que desenhou o brasileiríssimo HPE 25. Esse veleirinho de 25 pés já tem mais de 50 unidades vendidas no Brasil (ele é fabricado aqui, em Indaiatuba) e foi uma inspiração inegável para o Soto 40, um barco que surgiu da vontade de brasileiros e argentinos de ter um monotipo puro sangue de porte em águas sul-americanas. O sucesso da S40 atraiu muitos proprietários de barco na América do Sul, na Europa, nos EUA e até na Oceania. Mas o preço (USS$ 850 mil) assustou muitos brasileiros, que resolveram usar a cabeça e encomendaram um barco ao mais consagrado projetista de competição dessas bandas: o brasileiro nascido no Uruguai Horácio Carabelli.

O resultado é o Carabelli 30, ou simplesmente C30, que terá até sete barcos na água durante a Semana de Vela de Ilhabela. Mas Javier Soto e os argentinos, que não são bobos nem nada, meio que mataram as chances dessa classe vir a ser internacional com o lançamento, quase simultâneo, do Soto 30, uma cópia menor do Soto 40. O vídeo acima mostra o Soto 40 em seu lançamento... na Tailândia (!) há pouco mais de um mês.

Há espaço para duas classes tão semelhantes na América do Sul? Claro que há. Mas a graça seria muito maior se o padrão fosse o mesmo lá e cá.

Clique aqui para ver a playlist com os três vídeos de apresentação do Soto 30.

Por Antonio Alonso às 17h09

05/06/2012

Depois de 20 anos, grandes europeus voltam a competir no Brasil

A Mitsubishi Sailing Cup deste ano vai contar com a participação do bicho-papão da Soto 40 na Europa, o espanhol Iberdrola. A notícia é excelente por vários motivos. Um motivo é preencher o vácuo deixado pelo Negra. Bicampeão da copa e bicho-papão continental, o uruguaio Negra, anunciou este ano que encerrou suas atividades na classe Soto 40. Mas o principal motivo é ver uma competição na América do Sul atrair um time que no ano passado estava correndo um dos principais circuitos de vela do mundo. Eu já defendi aqui várias vezes que a Mitsubishi Sailing Cup é muito maior do que ela mesma acredita ser. No ano passado, essa competição se igualou em competitividade e técnica com os melhores circuitos do mundo. Só que ninguém ficou sabendo disso. Foi um golaço, mas ninguém filmou.

Eu temia que a retração do mercado de carros importados deixasse uma marca mais profunda na copa. A chegada do Iberdrola é um movimento no sentido oposto a meus temores. Na Europa, a crise quase acabou com a Med Cup. O patrocinador pulou fora, mas os proprietários decidiram manter o circuito, com TP52 e também S40. Era uma excelente oportunidade para a Mitsubishi Sailing Cup virar um evento mundial. Não vai ser dessa vez, mas um passo muito importante acaba de ser dado.

Do site Classe Soto40 Brasil: Depois de mais de 20 anos, o litoral brasileiro voltará a receber um barco europeu para uma competição organizada no país. Atraído pelo alto nível da Mitsubishi Sailing Cup, o veleiro espanhol Iberdrola, campeão da MedCup 2011 na classe Soto 40, cruzará o Oceano Atlântico para competir na 3ª temporada do circuito, que é considerado um dos mais importantes, atualmente, na vela oceânica mundial.

“Faz muito tempo que um barco europeu não viaja até o Brasil para uma grande competição e, por isso, estaremos ainda mais determinados para a disputa. Sem dúvida, esperamos continuar no futuro para dizer que a Mitsubishi Sailing Cup foi o melhor começo que poderíamos ter”, conta Agustin Zulueta, diretor da equipe.

Além do título da MedCup, a tripulação do Iberdrola possui dezenas de conquistas em regatas internacionais. Augustin, por exemplo, é vencedor de quatro America´s Cup, seis campeonatos mundiais e quatro Copas del Rey. “Temos ainda o comandante Jose María Torcida, que é bicampeão mundial na classe J80, além, é claro, dos outros tripulantes que estão comigo há anos e têm muita experiência”, lembra Zulueta.

Competindo na classe S40 pela primeira vez no Brasil, a tripulação do Iberdrola sabe que não terá uma missão nada fácil na Mitsubishi Sailing Cup. Isso porque os espanhóis terão pela frente alguns dos melhores velejadores do mundo, como Torben Grael, Lars Grael, Guillermo Parada, Mariano Parada, Javier Conte, Francisco Bruni, Vasco Vascotto, Dag Von Appen, Maciel Cicchetti e Eduardo de Souza Ramos.

“Iremos para o Brasil com o intuito de conhecer um pouco dos veleiros sul-americanos. Sabemos que nível da nossa equipe é alto e nosso objetivo é sempre a vitória, mas temos consciência que enfrentaremos a melhor frota de Soto 40 do mundo e com tripulações que estão navegando nestes barcos há bem mais tempo que nós”, explica Augustin. (Informou M.S.C)

S40 Carioca e Magia, no Rio de Janeiro, por Fred Hoffmann.

Os S40 brasileiros  Crioula, comandado por Samuel Albrecht, passou por reparos na Argentina; e S40 Carioca e Magia treinam na raia do Rio de Janeiro.

O S40 Crioula chegou na manhã de sexta-feira (1º) ao clube Veleiros do Sul, e  fará treinamentos em casa, para a próxima etapa do Sul-Americano de S40 que ocorre de 21 a 24 de junho, na Mitsubishi Sailing Cup e depois na Rolex Ilhabela Sailing Week, de 7 a 14 de julho, ambos eventos em Ilhabela (SP).

A equipe do Crioula é composta ainda pelos velejadores Eduardo e Renato Plass, George Nehm, Geison Mendes, Alexandre Rosa, Fabrício Streppel, Guilherme Fasolo e Diego Garay e ganha o reforço do navegador italiano Bruni Zirilli, que já auxiliou a equipe nas etapas chilenas da disputas. O Carioca terá André Mirsky no comando.

As inscrições para a primeira etapa da Mitsubishi Sailing Cup, entre os dias 21 e 24 de junho, em Ilhabela (SP), já estão abertas no site www.mitsubishisailingcup.com.br.

Por Antonio Alonso às 18h34

04/06/2012

Editor convidado, Narciso Reinato comenta RGS na Copa Suzuki

Franck Cammas, skipper do Groupama na Volta ao Mundo é fã do blog Vento e Som, do Narciso Reinato. Ou será o contrário?

Narciso Reinato é velejador de verdade e um blogueiro que eu leio com frequência. Encontrei ele velejando no Jylic II neste fim de semana e resolvi estrear uma série de matérias por "editores convidados" com ele. A tripulação da qual Narciso faz parte agora lidera a Copa Suzuki na classe RGS, cuja marca registrada é a animação. Outra marca registrada é a falta de grana, em comparação com as classes dos barcos maiores e modernos, como a ORC. Prova disso é que uma das tripulações vitoriosas da atualidade na RGS é a do Asbar, sigla para algo tipo "Amigos Sem Barco de Angra dos Reis".

Narciso tem seu próprio blog, o Vento e Som: http://ventoesom.blogspot.com.br/. Abaixo segue a análise dele sobre a classe RGS na Copa Suzuki. Para nossa infelicidade, ele deixou o Narciso brincalhão um pouco de lado e ficou sério na notícia. Mas, sem dúvida, o melhor resumo da classe que mais "causa" na Vela nacional está aí:

Narciso (de azul, ao centro), na premiação, com a turma do Jylic II. Foto: Aline Bassi/Balaio

Asbar II: Amigos Sem Barco de Angra dos Reis vencem na RGS-B

Acima, os sem barco do Asbar II

Helios II

Entre os pequenos, o Ariel foi o campeão na RGS-C. Fotos: Aline Bassi/Balaio de Ideias

Por Narciso Reinato, em Ilhabela (SP)A Classe BRA-RGS foi mais uma vez a classe que levou mais barcos para a raia de Ilhabela na segunda etapa da Copa Suzuki Jimmy, chamada de Warm Up  que aconteceu nos dias 26,27 de maio e 2 e 3 de Junho. Dividida em 4 divisões (A, B, C e Cruiser) e contando com 27 barcos na raia, ela foi destaque pela disputa entre as embarcações de tamanhos e modelos diferentes. 

Na A o destaque foi a embarcação Jylic II  (Martin Bonato) que conseguiu na regata de Sábado  (2/7) a primeira colocação e com isso assumiu o primeiro posto e a vantagem no critério de desempate com o Veleiro Fram (Felipe Aidar) que ficou em 3º na regata e em 2º lugar na colocação final, com o Jazz (Valéria Pavani)  ficando com o 3º lugar na classificação final, com certeza o cancelamento das regatas de Domingo por falta de vento tirou a oportunidade dos barcos que esperavam mais uma regata para tentar mudar o resultado final, um desses foi o Barco da Escola BL3, que correndo com o novo barco o Wind 34 e ainda se acostumando com as mudanças,  ficou com o 4º lugar da A, com 3 pontos a mais.

Na B o Delta 32 Asbar (Sérgio Klepacz), foi o grande campeão, oriundo da Classe ORC, ele se adaptou rapidamente e venceu também no critério de desempate o Nomad (Renato Vita), atual Campeão Paulista da Classe, que ficou em 2º lugar com o Anequim (Paulo F. de Moura) levando a medalha de bronze pelo seu 3º lugar. Uma coisa que chama a atenção na B é que quatro dos barcos eram Deltas de 32 pés, praticamente um match race em uma classe Multi design. 

Na C Ariel de Luis Pimenta foi o grande campeão, tendo apenas um ponto de vantagem do Conquest  (Marco Hidalgo), o outro Fast 23 da raia, com certeza um duelo que foi decidido nos pequenos detalhes, por serem barcos semelhantes, velejar sem erros é imprescindível, em terceiro ficou o Rainha (Leonardo Pacheco), velho conhecido da Raia de Ilhabela que teve 2 vitórias consecutivas, mas depois não foi bem nas outras regatas.

Na Cruiser, o resultado foi o mais incontestável de todos na BRA-RGS, o Hélios II – Hospital Sirio libanês (Marcos Lobo) ganhou todas as regatas que disputou, tirando todas as chances do Cocoon (Luiz Caggiano) 2º colocado e do Pirajá de Rubens Bueno que ficou em 3º de lutar por uma posição melhor na Etapa.

Agora que venha a Rolex Ilhabela Sailing Week de 2012, para ver se os barcos que venceram no Warm Up, vão manter os resultados e se existe favoritismo em uma classe tão disputada como é a BRA-RGS.

Por Antonio Alonso às 19h09

03/06/2012

Evolução de Tembó e Chroma abre espaço para "ressurreição" da ORC no Brasil

 

O domingo sem vento abriu espaço para a tripulação do Tembó Guaçu, um dos destaques desta etapa, treinar sua coreografia de nado sincronizado. Fotos: Aline Bassi/Balaio de Ideias

A pedidos, mais fotos do álbum: "quando não tem vento é assim". Fotos: Aline Bassi/Balaio de Ideias

A segunda etapa da Copa Suzuki Jimny terminou neste domingo sem regatas. O céu mais uma vez amanheceu limpo e sem nuvens, mas o dia era de praia, não de vela. Os barcos boiaram durante duas horas até que a juria finalmente declarou o dia encerrado. Ficam valendo os resultados de ontem (abaixo).

Copa Suzuki Jimny é o nome comercial do Circuito Ilhabela de Oceano, competição disputada em quatro etapas no ano, todas com dois finais de semana de duração. Sem a presença de grandes nomes internacionais ou de outros estados, é um retrato fiel da temporada da vela paulista. Eu provavelmente vou falar mais das outras classes no futuro, mas um dos destaques desta etapa foi uma ameaça de renascimento da classe ORC 500, dos veleiros mais velozes e modernos. Até a primeira etapa, o Tomgape (novo nome do Touché Super) velejou sozinho contra barcos bons, mas sem tripulação a altura. "Essa tripulação tem um entrosamento impressionante, eles velejam juntos há muito tempo, é difícil batê-los nesse quesito", contou Enrico Francavilla navegador do Tomgape em sua segunda temporada no barco, um dos poucos "novatos" na tripulação de Ernesto Breda. Enrico é também irmão de Valentina Francavilla, assistente de palco do Ratinho e capa da Playboy em alguma das edições deste ano (parte do currículo do menino que eu não poderia deixar de mencionar).

A hegemonia do Tomgape havia condenado a ORC 500 a uma chatice a perder de vista. Mas a boa notícia veio com a melhora visível no desempenho de Chroma e Tembó Guaçu, os outros dois grandes barcos da raia. "Os dois melhoraram muito nesta etapa, especialmente o Tembó Guaçu. Em algumas regatas, vencemos eles por poucos segundos de diferença", contou Rodrigo Inácio, proeiro do Tomgape. O Chroma é o antigo Land Rover, que não competia na Copa Suzuki do ano passado. Chroma e Tomgape são barcos idênticos, Botin & Carkeek 46. O Tembó é um Judel Vrolik dois pés maior que os outros. 

A competição ainda não está equilibrada. Tembó e Chroma ainda precisam evoluir bastante para equilibrar a classe. Mas, se as coisas seguirem assim, teremos uma Semana de Ilhabela muito mais empolgante do que a que se desenhava no começo do ano. Para a Semana de Ilhabela devem vir pelo menos dois argentinos fortes, Gaucho e Humildad Zero. Na Semana de Vela os grandes devem enfrentar também os veleiros de 30 pés, que são fortes concorrentes mas velejam muito atrás na flotilha.

O Orson, outro veleiro na ORC da Copa Suzuki, é um Malbec 36, que venceu a Copa Suzuki no ano passado, em boa parte graças à entressafra dos barcos grandes.

Resultados acumulados do Warm Up: 
ORC após cinco regatas e um descarte
1º - Tomgape (Ernesto Breda) - 4 pp pontos perdidos (2+1+1+1+1)
2º - Tembó Guaçu (Marcelo Massa) 10 pp - (3+3+2+2+3)
3º - Orson/Mapfre (Carlos Eduardo Souza e Silva) - 11 pp (1+4+3+3+4)

HPE após sete regatas e um descarte
1º - Relaxa Next (Eduardo Mangabeira) 16 pp (3+1+8+2+4+5+1)
2º - Jimny/Takeashauer (Marcos Ashauer) - 20 pp (1+7+2+5+2+10+3)
3º - SERGlass Eternity (MarceloBellotti) - 23 pp (7+2+5+12+5+2+2)

BRA RGS A após cinco regatas e um descarte
1º - Jylic II (Martin Bonato) - 8 pp (4+3+3+1+1)
2º - Fram (Felipe Aidar) - 8 pp (2+1+5+2+3)
3º - Jazz (Valéria Ravanni) - 9 pp (1+4+1+3+4)

BRA RGS B após cinco regatas e um descarte
1º - Asbar II (Sérgio Keplacz) - 7 pp (1+3+2+2)
2º - Nomad (Márcio Dottori) - 7 pp (3+1+1+1) 
3º - Anequim (Paulo de Moura) - 9 pp (2+2+7+3)

BRA RGS C após cinco regatas e um descarte
1º - Ariel (Luis Pimenta) - 6 pp (2+1+2+1+1)
2º - Conquest (Marco Hidelgo) - 7 pp (1+5+5+3+2)
3º - Rainha (Leonardo Pacheco) - 9 pp (3+2+1+2+4)

BRA RGS Cruiser após cinco regatas e um descarte
1º - Helios II - Hospital Sírio Libanês (Marcos Lobo) - 4 pp (1+1+1+1+1)
2º - Cocoon (Marcelo Cagiano) - 9 pp (5+3+2+2+2)
3º - Pirajá (Rubens Bueno) - 13 pp (2+2+6+4+5)

C30 após seis regatas e um descarte
1º - Loyal (Marcelo Massa) - 5 pp (1+1+1+1+1+1)
2º - Barrucada/Matrix (Humberto Diniz) - 10 pp (2+3+2+2+2+2)
3º - +Realizado (José Apud) - 14 pp (3+2+3+3+3+3)

 

Por Antonio Alonso às 17h47

Sobre o autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.

Sobre o blog

A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.

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