
IAN ROMAN/Volvo Ocean Race
Essa Volvo Ocean Race está chegando ao fim e tudo indica que ela vai terminar com um embate emocionante entre Telefónica e Groupama. Mas hoje, dia da sétima regata costeira desta edição, eu vou comentar uma das qualidades mais importantes para uma equipe profissional de vela: regularidade.
Eu estou assombrado (literalmente) com a regularidade do Telefónica nas regatas costeiras. Das sete disputadas até agora, o time líder da tabela conseguiu ser último em cinco (e ganhou as outras duas!). Uma vez foi uma escolha errada, outra vez uma má largada, uma escolha errada de bóia… Desta vez, o Telefónica meio que juntou várias falhas, terminou errando o lado da raia e ainda bateu em uma bóia, o que o obrigou a pagar uma penalização (um giro em torno do próprio eixo).
Não, esses caras não são incopetentes. Nem o barco é ruim. Mas eles conseguem fazer tudo errado nessas regatas curtas. Eu estou impressionado. Logo mais deve rolar um vídeo com os "melhores momentos" da regata e eu posto aqui.
O vencedor deste sábado foi o Abu Dahbi, que não tem mais chances de título, mas chega a sua terceira vitória em uma in-port race. A regata foi disputada com vento bom, entre 10 e 15 nós. Os franceses do Groupama conseguiram ganhar pontos importantes com um segundo lugar. O Puma ficou em terceiro (numa chegada emocionante), deixando Camper em quatro, Sanya em quinto e os espanhóis por último.
A diferença de pontos entre Telefónica e Groupama caiu para apenas sete. Puma, em quarto, está a 14 pontos do líder. Faltando três etapas para o final da regata, a competição está mais aberta do que nunca.
Neste domingo a flotilha larga de Miami rumo a Lisboa, novamente com transmissão ao vivo aqui no blog.
Por Antonio Alonso às 16h16
O grande dia da Regata Volta ao Mundo mesmo é amanhã, quando os seis barcos partem para a sétima e antepenúltima etapa da competição. Hoje, durante a coletiva pré-evento, os skippers deixaram claro que a regata costeira é importante para tentar ganhar algum pontinho, mas está todo mundo de olho na última grande perna da prova. O trecho entre Miami e Lisboa vai levar a flotilha à Europa, onde eles estarão já bem perto da final, em Galway, na Irlanda.
A regata deste sábado começa a ser transmitida pouco depois do meio-dia (horário de Brasília) e as transmissões devem se encerrar cerca de duas horas mais tarde. É uma excelente oportunidade para acompanhar a batalha entre as máquinas de regata mais modernas do planeta, já que no meio do oceano os barcos se separam e a grande emoção é ficar acompanhando as posições no mapa-múndi.
Para quem quiser esquentar, aí vai uma prévia da regata costeira (em inglês):
Por Antonio Alonso às 10h01

Bel e Tine estão melhor no Mundial, mas já perderam a vaga olímpica. Foto: Marcio Rodrigues/Mpix
Martine Grael e Isabel Swan estão em sexto lugar no Mundial da classe 470, em Barcelona. As niteroienses repetem o desempenho do Mundial passado e voltam a andar melhor do que as gaúchas Fernanda Oliveira e Ana Barbachan, em 10º lugar após 12 regatas.
A disputa entre as duas duplas foi apertadíssima e o resultado saiu no último confronto de uma série melhor de três. Na última Olimpíada, na China, Fernanda Oliveira e Isabel Swan correram juntas e conquistaram a primeira medalha na história da Vela feminina brasileira. Depois da Olimpíada, o relacionamento pessoal entre as duas já estava muito desgastado e a separação foi praticamente automática. Fernanda, uma das melhores timoneiras que o Brasil já viu, confessava reservadamente que não confiava na competência técnica de sua timoneira.
A separação acabou criando duas duplas excelentes, ambas com condições de lutar por uma medalha olímpica. O nível das duas foi praticamente idêntico em todas as competições que disputaram. Agora, já sem chance de conquistar a vaga, Martine e Isabel velejam melhor no Mundial de Barcelona. Mas as quatro posições que separam as duas duplas brasileiras não devem enganar: a diferença entre os dois times é de apenas 4 pontos.
No Rio de Janeiro, em 2016, o mais provável é que Martine e Isabel passem a velejar na nova classe de skiffs, a FX, uma versão feminina do 49er. Pelo nível que as duas tripulações estão andando, o Brasil se daria melhor se a FX estivesse no programa já este ano.
Por Antonio Alonso às 15h33

Foto: Oskar Kihlborg/Volvo Ocean Race 2005-2006
O brasileiro Lucas Brun estava a bordo do ABN 2 na última etapa longa da Volvo Ocean Race 2005-2006. O segundo time do ABN era formado por velejadores jovens, escolhidos em um programa mundial. O holandês Hans Horrevoets era um dos poucos velejadores profissionais a bordo. O momento era tenso. Na travessia do Atlântico Norte ventos fortes e ondas varriam o convés dos barcos. A milhas dali, o barco espanhol Movistar começaria a fazer água horas depois do acidente. Foi uma dessas ondas que atingiu o ABN 2 e atirou Hans para fora do barco. Ele foi encontrado cerca de 40 minutos depois, boiando graças à vestimenta que infla automaticamente em contato com a água, mas com o rosto submerso. Várias tentativas de ressucitá-lo não funcionaram. O corpo do velejador, que então tinha 32 anos, foi levado a bordo até a Europa. Os jovens do ABN 2 terminariam esta perna como heróis. Foram eles os responsáveis por resgatar os velejadores do Movistar. O barco espanhol, que ameaçava afundar, foi abandonado e nunca mais foi encontrado.
Horrevoets, foi a quinta morte na história de 39 anos da regata. Três velejadores morreram na primeira edição, que largou em 1973, Paul Waterhouse, Dominique Guillet e Bernie Hosking. Tony Phillips morreu na edição 1989-90.
Por Antonio Alonso às 20h17

PAUL TODD/Volvo Ocean Race
A Volvo Ocean Race está chegando ao fim. Faltam três pernas, sendo que as duas últimas são bastante curtas, dentro da Europa. A grande maioria dos velejadores da regata está bem acostumada com a travessia do Atlântico Norte, mas normalmente essa travessia acontece mais ao norte, com largada em Boston e chegada no sul da Inglaterra. Desta vez, as 3600 milhas serão disputadas em latitudes mais baixas, entre Miami e Lisboa, quase uma travessia "tropical".
O problema para as tripulações é que, tradicionalmente, as rotas ao norte são mais velozes. Primeiro, porque há a corrente do Golfo, que favorece a subida da costa americana rumo norte. Depois, são comuns os sistemas de baixa pressão na Carolina do Norte seguirem a rota da corrente do Golfo. Esses dois elementos juntos podem catapultar veleiros em velocidade muito maior, porém num percurso também mais longo. O caminho direto esbarra numa barreira perigosa, o sistema de alta-pressão subtropical que fica bem no meio do Atlântico. No entanto, pode acontecer de uma frente fria dividir ou mover esse sistema, e aí então o caminho fica aberto para uma rota muito mais direta rumo a Lisboa.
A flotilha larga neste domingo, dia 20. No dia anterior acontece a regata costeira de Miami. Faltando três pernas para o final da competição, Abu Dahbi e Team Sanya não têm mais chances de vencer, enquanto o Telefónica mantém o favoritismo. Groupama, Camper e Puma não contam, mas torcem por um tropeço dos espanhóis.
Por Antonio Alonso às 14h45
Faz tempo que não posto uma dessas, mas hoje encontrei isso no Sailign Anarchy. Alguém teve a paciência de gravar (muito mal) durante seis minutos uma frota inteira de lanchas amarradas a contrabordo que se dirigia para praia e pedras. A maioria dos donos estava na praia e se muitos se jogaram na água para alcançar seus barcos, alguns quase se afogando (era muito mais fácil pular no primeiro barco e atravessar a contrabordo). Por sorte (e só por sorte) parece que todos os barcos se salvaram sem danos significativos.
Lembre-se desse vídeo na próxima vez que o cunhado tiver aquela "boa idéia" ao lado do costão.
Por Antonio Alonso às 14h29

Falta aí só as garotas do 470, que já garantiram a vaga olímpíca
A notícia não vai fazer barulho em lugar nenhum além deste blog, mas é histórica. Depois de 36 anos de história da classe 470, o Brasil vai ficar fora dos Jogos Olímpicos pela primeira vez. Os gaúchos Fábio Pillar e Gustavo Thiesen lutaram até a última chance, mas não conseguiram mais do que o 48º lugar na primeira fase do Mundial. Com esse resultado, a dupla gaúcha fica na flotilha prata e não tem chances nem de ouro, nem de conquistar uma das vagas ainda em disputa. O 470 é um barco relegado a segundo plano hoje, mas tem uma importância histórica para os brasileiros. Foi nele que, em 1980, Edu Penido e Marcos Soares conquistaram o primeiro ouro olímpico da Vela brasileira. Foi nele também que, na Olimpíada passada, Fernanda Oliveira e Isabel Swan conquistaram a primeira medalha da Vela feminina do país, um bronze.
É legal olhar para Scheidt e ver nele um gênio, que vai nos dar a medalha de ouro. Mas esse fracasso no 470 é revelador de uma bomba-relógio pronta para explodir. Xandi Paradeda, nosso grande velejador de 470, desistiu da classe no meio de um campeonato mundial (literalmente no meio), em 2007. Nós temos tradição, alguns dos melhores técnicos do mundo (eu destaco Xandi Paradeda e Paulinho, também gaúcho) e o rescaldo de uma geração vencedora. Mas a Vela é um esporte cruel. Só existe espaço para o primeiro. Robert Scheidt acabou com as esperanças de dezenas de grandes velejadores brasileiros talentosos: Eduardo Couto, Joca Signorini (que foi obrigado a mudar para a Finn), Andreas Perdicaris, André Streppel... Xandi Paradeda também eclipsou (com seu talento) uma geração. Basta olhar para o esforço de Martine Grael e Isabel Swan, que perderam a vaga olímpica na 470 feminina por um triz para perceber como o esporte é ingrato com quem está começando. O próprio Scheidt, quando jovem, tinha a sombra de Peter Tanscheid, brasileiro campeão mundial de Laser. Scheidt jovem derrotou o campeão mundial, que nunca mais velejou competitivamente na vida. Só há lugar para um.
Mas se só há lugar para um, como fazer a juventude crescer e ter motivação? Apostar nas classes jovens, na 29er, 420, Hobie Tiger e tantas outras que estão por aí é só um primeiro passo.
É importante também que fiquemos um pouco embaraçados com esse fracasso na 470. E na 49er, que também vai ficar fora da Olimpíada depois de oito anos. O caminho não é esse.
Da ZDL de Comunicação: A Equipe Brasileira de Vela que vai disputar os Jogos Olímpicos de Londres, no final de julho, está fechada. Nesta terça-feira (15), o Mundial de Barcelona, na Espanha, definiu os últimos classificados para a Olimpíada da classe 470 masculina, sem representantes brasileiros. Com isso, o Brasil será representado em águas inglesas em sete das dez classes olímpicas: RS:X masculino (Ricardo Winicki, o Bimba), RS:X feminino (Patrícia Freitas), Laser (Bruno Fontes), Laser Radial (Adriana Kostiw), Finn (Jorginho Zarif), 470 feminino (Fernanda Oliveira e Ana Barbachan) e Star (Robert Scheidt e Bruno Prada).
A vela é a modalidade que mais medalhas deu ao País em Jogos Olímpicos, com 16 pódios. Em Londres, três velejadores já tem experiência de conquistas olímpicas. Robert Scheidt e Bruno Prada foram prata em Pequim/2008 e chegam a Londres como favoritos para o ouro, após o tricampeonato mundial conquistado na semana passada. Já Fernanda Oliveira, que conquistou a primeira medalha feminina há quatro anos ao lado de Isabel Swan na classe 470 feminina, vai disputar sua quarta edição olímpica ao lado da proeira Ana Barbachan, que estreia na competição. Outros destaques da equipe são Ricardo Winicki, o Bimba, campeão mundial de RS:X em 2007 e que disputará sua quarta olimpíada, e Bruno Fontes, vice-líder do ranking mundial da classe Laser.
Em águas espanholas, a definição da classe 470 masculina veio com o fim da fase de classificação. Após seis regatas, os competidores foram definidos nas flotilhas ouro, prata e bronze. Os melhores brasileiros na competição, Fábio Pillar e Gustavo Thiesen, se classificaram para a disputa da flotilha prata (em 48º lugar, com 74 pontos perdidos). As sete vagas olímpicas, porém, ficarão entre os classificados para o grupo ouro, que define do campeão ao 32º colocado. "Estou muito, muito triste. Ontem fomos oitavos nas três regatas. Se não fossem as largadas escapadas, estaríamos com a primeira vaga", lamenta Pillar, que fechou a fase de classificação com um quarto e um 16º lugares.
"No dia mais triste da minha carreira, agradeço a torcida, o apoio e o carinho de todo mundo que acreditou no nosso trabalho nos ultimos quatro anos. Peço desculpas a quem trabalhou comigo, principalmente ao Gustavo Thiesen, que desempenhou de maneira maestral seu trabalho nesses três dias de competição. Assumo os erros, a derrota, mas agradeço por ter vivido os quatro anos mais felizes da minha vida, fazendo diariamento o que mais amo e com companhias perfeitasm " acrescenta Pillar.
No feminino, vaga na Ouro - Já classificadas para a classe 470 feminina nos Jogos Olímpicos de Londres, Fernanda Oliveira Horn e Ana Barbachan confirmaram o bom momento. Após a fase de classificação do Mundial de Barcelona, as gaúchas estão em 14º lugar. Nas seis regatas disputadas elas acabaram entre as dez primeiras, incluindo o 3º e o 10º lugares desta terça.
"Conseguimos nosso objetivo e ficamos entre as melhores, na flotilha ouro. Mas sabemos que ainda precisamos melhorar. Agora é seguir nosso planejamento e fazer boas regatas finais", analisa Fernanda. Outra dupla brasileira, Martine Grael e Isabel Swan estão em 16º lugar e também se classificaram para a Flotilha Ouro.
O Mundial de Barcelona tem mais quatro dias, com duas regatas diárias programadas. A Medal Race, que reúne as dez melhores duplas e define o campeão, está marcada para sexta-feira (18).
Na Inglaterra, Jorginho é o 28º - Em Falmouth, na Inglaterra, Jorginho Zarif segue na disputa da Gold Cup, o Mundial da classe Finn. Após seis regatas, ele é o 28º, com 183 pontos perdidos. Nesta terça, ele marcou um 38º e um 23º. "O dia foi de ventos rondados (oscilando em direção) e de intensidade forte, com 20 nós e rondadas de 15 a 20 graus. Mesmo tendo um bom andamento do barco, as opções táticas não foram boas e isso acabou prejudicando o rendimento", fala Jorginho.
O torneio faz parte da preparação de Jorginho para os Jogos Olímpicos de Londres. Na semana passada, contra boa parte dos adversários do Mundial, e no mesmo local, ele terminou o Campeonato Inglês da classe Finn no nono lugar.
Por Antonio Alonso às 17h15

Neil Pryde já foi velejador olímpico. Foto: Daniel Forster/Rolex
Quem mandou essa frase foi um dos grandes entusiastas do kitesurf no mundo. O empresário Neil Pryde, que fabrica as atuais pranchas olímpicas (e também fabrica kites) disse que o kite não está preparado para ser esporte olímpico e que a pressa em colocar a modalidade no programa da Olimpíada do Rio pode ser ruim para o kite e para a Vela, que pode acabar fora das olimpíadas de vez. Para ele, a decisão da Isaf foi um erro "terrível e egoísta".
Neil Pryde, de 71 anos, certamente tem uma ligação mais íntima com o windsurf do que com o kite. A atual classe olímpica de wind, a Neil Pryde RS:X leva seu nome. Por outro lado, ele foi um dos defensores da introdução do kite no programa olímpico, mas para 2020, não para os Jogos do Rio.
Em uma entrevista para o South China Morning Post, ele começa dizendo que o kite não tem estrutura, organização ou trabalho no desenvolvimento de jovens atletas.
"A ISAF é representa por todos os países membros e a maioria vem da 'bancada dos iates'. O que eles fizeram foi defender interesses seus mesquinhos e sacrificador o windsurf. O que eles não percebem é o esporte da Vela como um todo corre o perigo de ser eliminado dos Jogos Olímpicos ", disse Pryde.
"Como empresário, isso não me afeta. Eu vou continuar a fornecer o equipamento de vela. Mas de um ponto de vista pessoal, acho que é uma decisão terrível para o esporte da vela como um todo. É uma desgraça absoluta".
Originalmente, Pryde, que tem acesso aos corredores do poder da Isaf, era a favor do kite, mas retirou seu apoio em março deste ano.
"No começo, a idéia era de que a Vela brigasse por outra medalha nos Jogos Olímpicos, com a introdução de kitesurf. Não houve essa discussão de substituir o windsurf. Mas, de alguma forma, ao longo dos anos, as coisas evoluíram e como o número de atletas nos Jogos Olímpicos tem de ser diminuído, isso, infelizmente, ocorreu.
"Apesar de o kitesurf ser um esporte grande, é muito imaturo. Não há estrutura, organização e não há o desenvolvimento de jovens talentos. E o plano era introduzir kiteboarding nos Jogos de 2020, não em 2016. Apressar um esporte ainda em desenvolvimento é totalmente ridículo.
A matéria completa foi republicada pelo site americano Scuttlebutt e pode ser lida clicando aqui.
http://forum.sailingscuttlebutt.com/cgi-bin/gforum.cgi?post=13793 # 13793
Por Antonio Alonso às 08h15
O convite é para trabalhar no escritório da Isaf em Southampton, na Inglaterra. O gerente terá o desafio de "fazer pegar" a Copa do Mundo de Vela, que nasceu como uma boa ideia, mas nunca foi levada muito a sério pela imprensa e não ajudou a popularizar os principais eventos do esporte. Mais informações (em inglês): www.sailing.org/38564.php
Por Antonio Alonso às 07h44


É isso aí. O santista Robert Scheidt já sabia: ele é também é tri
Quem chamou Robert Scheidt de "Pelé das Velas" não fui eu, mas o leitor Henrique Zanardi em um comentário. Menos badalado do que qualquer jogador mediano de futebol profissional dos grandes times, Robert Scheidt é santista assumido e também tem um tri para comemorar. Na sexta-feira, ele e o proeiro Bruno Prada conquistaram o terceiro título mundial da classe Star. Só duas duplas na centenária história da classe conseguiram isso: os italianos Augustino Straulino e Nicolo Rode, nos anos 50, e agora os brasileiros.
"Tapa na cara do Brasil"
Scheidt e Prada detêm uma invencibilidade maior do que a do Barcelona nos bons tempos: há um ano eles venceram todas as competições que disputaram (eu não estou contando Hyères, competição que Scheidt precisou abandonar na metade). Eles são favoritos para a medalha de ouro na Olimpíada deste ano, mas nem tudo é comemoração. A federação internacional de vela decidiu tirar a classe Star da Olimpíada do Rio em 2016. O representante brasileiro na Isaf disse à época que a atitude era um "tapa na cara do Brasil", que é um país de gênios da classe. Além de Scheidt, Torben e Lars Grael também tinham chances de brigar por uma medalha "em casa" em 2016.
Existe uma chance mínima de a Star voltar ao programa olímpico, por pressão do COB. Mas essa pressão deve depender muito da repercussão das vitórias de Scheidt/Prada, especialmente na Olimpíada. Eu não espero ouvir nenhum rojão, como estou ouvindo hoje com a vitória do Santos no Campeonato Paulista, mas espero que a mensagem chegue aos ouvidos certos.
Por Antonio Alonso às 18h17
Foram quase oito semanas, mas o Team Sanya está de volta ao jogo. O barco chinês não aguentou o tranco já no início da quinta etapa, entre Nova Zelândia e Brasil. Para não afundar junto com o barco, os velejadores decidiram voltar para a Nova Zelândia e mandar o barco de navio direto para os EUA, sem passar pelo Brasil. A situação não é novidade para o skipper Mike Sanderson e sua equipe. Eles já haviam perdido a primeira perna inteira e metade da segunda. Com a quebra na Nova Zelândia, perderam mais duas pernas consecutivas.
Mike Sanderson é o único dos skippers desta edição a já ter vencido uma Volvo Ocean Race, em 2005/2006. Desta vez, ele aceitou correr em um barco velho (o Sanya é o "Telefónica Azul" da edição passada), sabendo que ia chegar em último. Tal qual o Guarani, ele tentou sempre dar o melhor de si e não baixou a cabeça para os adversários mais fortes. Mas não adiantou. O barco, além de mais lento, é também mais frágil do que os barcos novos.
A flotilha da Regata Volta ao Mundo larga no próximo domingo (20) de Miami rumo a Lisboa, para a sétima etapa da competição.
Por Antonio Alonso às 18h05
Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.
A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.