
Robert Scheidt e Bruno Prada entraram para a história da Vela Mundial conquistando o tricampeonato mundial da classe Star em Hyères, na França. A maneira como Scheidt/Prada tiraram uma vantagem de 10 pontos de Iain Percy/Andrew Simpson em duas regatas também vai ficar para a história. Depois de uma excelente regata ontem, os brasileiros foram para a última regata, nesta sexta, precisando chegar seis posições à frente dos britânicos para vencer o mundial. Missão impossível para qualquer pessoa normal. Não para esses caras.
Doze anos depois de chorar (literalmente) a perda da medalha de ouro para Ben Ainsliie em Sydney (leia aqui), Scheidt usou a mesma tática para conquistar o título mundial na França. Os brasileiros seguraram os ingleses durante toda a regata, desde a largada e terminaram nas últimas colocações da flotilha. Tenho certeza que Scheidt deve ter guardado aquela lição e esperou por 12 anos para poder transformá-la em vitória. Com as duas duplas chegando nas últimas colocações, os ingleses levaram a pior. Tiveram de computar o péssimo 17º lugar de ontem e perderam, por apenas dois pontos.
Para quem não se lembra, em 2000 Scheidt chegou à última regata da Olimpíada com o ouro praticamente garantido. Só precisava chegar entre os 20 primeiros, coisa que ele tinha feito com o pé nas costas até então. Mas Ben Ainslie, que tinha um descarte (pior regata, que não é computada) melhor, resolveu velejar com o único objetivo de atrapalhar o brasileiro. E conseguiu. Scheidt só conseguiu escapar quando já estava quase dois minutos atrás da flotilha, e com uma manobra que lhe rendeu um protesto. O brasileiro deu seu máximo, saindo de último para 22º lugar, mas não foi o suficiente. Ainslie tinha feito bem seu trabalho. O britânico ficou com o ouro. Scheidt, claramente surpreso com a tática, acabou desclassificado por conta do protesto do britânico. Mais do que o choro, a reação emocional do brasileiro ficou para os anais da Vela internacional. Qualquer juiz de olimpíada sabe do que eu estou falando.
Dizem que gênios nunca erram, aprendem (dizem mesmo?). Aprendeu essa?
Da Local da Comunicação: Robert Scheidt e Bruno Prada ganharam nesta sexta-feira (11) em Hyères, na França, o tricampeonato mundial da classe Star, conquista inédita para a vela brasileira. Os dois foram campeões em Cascais/POR, em 2007, e em Perth/AUS, em 2011. Com o resultado na França, a dupla brasileira fecha a competição com 30 pontos perdidos, dois à frente dos ingleses Iain Percy e Andrew Simpson, que ficaram com a medalha de prata.
Os dois são os primeiros brasileiros a chegar a três títulos mundiais de Star, considerada a mais importante classe olímpica da vela. Até a conquista em Hyères, Scheidt e Prada dividiam o posto de maiores vencedores com o bicampeão olímpico Marcelo Ferreira, que foi campeão mundial de Star como proeiro de Torben Grael, em 1990, e do alemão Alexander Hagen, em 1997. Além de Scheidt e Prada, só uma dupla na história, os italianos Agostino Straulino e Nicolo Rode conquistaram, sempre velejando juntos, três títulos mundiais (1952, 1953 e 1956). O norte-americano Lowell North é o recordista em conquistas, com cinco títulos (1945, 1957, 1959, 1960 e 1973), mas sempre com parceiros diferentes. Também norte-americano, Bill Buchan Jr. é tricampeão com parceiros diferentes (1961, 1970 e 1985).
A conquista desta sexta-feira foi improvável e só foi possível graças ao poder de reação dos brasileiros durante a competição e a capacidade de criar condições para que uma combinação de resultados no último dia acontecesse. Após passar a maior parte da competição em segundo lugar, a dupla tinha duas opções: terminar cinco posições à frente dos ingleses Percy e Simpson ou torcer para que os rivais ficassem fora do grupo dos 15 primeiros na 6ª regata. Nessa segunda opção, porém, ainda precisariam torcer para que os poloneses Mateusz Kusznierewicz e Dominik Zycki e os irlandeses Peter O’Leary e David Burrows não ficassem entre os primeiros.
"Na reunião de ontem à noite, decidimos que ficar em segundo ou terceiro lugar não interessava. Então, decidimos partir para a estratégia mais agressiva. A ideia foi ir para cima dos ingleses e torcer para os poloneses não ganharem e os irlandeses ficaram em terceiro. E deu certo", comemora o proeiro Bruno Prada.
Scheidt e Prada terminaram a última regata da série na 39ª colocação, sua pior na competição, mas forçaram os ingleses a também ter uma regata ruim, terminando na 38ª colocação. Além disso, irlandeses e poloneses também tiveram um mau dia, terminando a regata em 14º e 27º respectivamente. Com isso, Scheidt e Prada terminaram a competição com 30 pontos perdidos, contra 32 dos vice-campeões Percy e Simpson. O bronze acabou com Michael Hestbaek e Claus Olesen, da Dinamarca, com 33.
Resultado final do Mundial após seis regatas e um descarte
1º Robert Scheidt/Bruno Prada, Brasil, 30 pp (7+2+6+10+5+[39])
2º Iain Percy/Andrew Simpson, Inglaterra, 32 pontos perdidos (6+7+1+1+17+[38])
3º Michael Hestbaek/Claus Olesen, Dinamarca, 33 pp ([25]+3+7+13+7+3)
4º Peter O’Leary/David Burrows, Irlanda, 40 pp (3+4+12+7+[18]+14)
5º Fedrik Loof/Max Salminen, Suécia, 43 pp (2+[32]+3+27+4+7)
6º Flavio Marazzi/Enrico de Maria, Suíça, 44 pp (14+1+14+4+[36]+11)
7º Hamish Pepper/Jim Turner, Nova Zelândia, 49 pp (18+5+8+17+1+[19])
8º Emilios Papathanasiou/Antonios Tsotras, 50 pp ([39]+6+9+8+25+2)
9º Xavier Rohart/Pierre Alexis Ponsot, França, 53 pp (1+19+5+19+[63]+9)
10º Mateusz Kusznierewicz/Dominik Zycki, Polônia, 56 pp, (5+20+2+2+[59]+27)
Dupla tem mais de 50 títulos
A conquista na França nesta sexta-feira foi a 52ª da dupla, formada em 2001, incluindo um período de quase um ano invictos. Entre maio de 2011 e abril de 2012, Scheidt e Prada conquistaram 11 títulos seguidos. A sequência só foi interrompida na Semana Olímpica Francesa, em Hyères, há duas semanas. Confira a lista de conquistas consecutivas:
• Semana Olímpica Francesa, em Hyères (etapa da Copa do Mundo) - maio/2011
• Delta Lloyd Regatta, em Medemblik (etapa da Copa do Mundo) - junho/2011
• Skandia Sail for Gold Regatta, Weymouth (etapa da Copa do Mundo) - junho/2011
• Evento-teste para os Jogos de Londres/2012, em Weymouth - agosto/2011
• Campeonato Italiano para as Classes Olímpicas, em Garda - setembro/2011
• Star Class Southern Hemisphere Championship, no Rio de Janeiro - novembro/2011
• Mundial de Perth (Austrália), dezembro/2011
• Miami OCR (etapa da Copa do Mundo) - janeiro/2012
• Semana Brasileira de Vela, em Búzios - fevereiro/2012
• Campeonato Paulista de Star - fevereiro/2012
• Palma de Maiorca, etapa da Copa do Mundo de Vela - abril/2012
A caminho de sua segunda olimpíada, os dois somam cinco medalhas olímpicas - quatro de Scheidt, com dois ouros e uma prata na Laser e uma prata na Star, que conquistou ao lado de Bruno, nos Jogos Olímpicos de Pequim.
A sequência de resultados confirma que a dupla é a favorita à conquista da medalha de ouro em Londres. Seguindo o calendário de preparação, a partir do dia 25 de maio eles estarão na raia olímpica em Weymouth, na Inglaterra, treinando antes da disputa do Skandia Sail for Gold, válida como etapa da Copa do Mundo, entre os dias 4 e 9 de junho. De 18 e 29, eles farão mais uma sessão de treinos em Weymouth. A entrada na Vila Olímpica será dia 16 de julho.
Por Antonio Alonso às 14h16

Eu confesso. Duvidei desses caras um pouco cedo demais. Um quinto lugar e a entrada do descarte na contagem de pontos recolocaram Robert Scheidt e Bruno Prada na briga pelo Mundial da classe Star. É bem verdade que a situação ainda continua bem complicada. Faltando apenas uma regata, os brasileiros estão cinco pontos atrás dos ingleses Iain Percy e Andrew Simpson. Esses ingleses (que vão correr a Olimpíada em casa) foram os mesmos que venceram o Mundial de Star disputado aqui no Rio, em 2010. Em uma regata, Scheidt e Prada tiraram cinco dos 10 pontos da vantagem que os britânicos tinham. Amanhã, nossos atletas, atuais campeões mundiais, precisam fazer melhor. Os britânicos têm duas vitórias até agora, contra nenhuma dos brasileiros. Em caso de empate, o título vai para Percy e Simpson. Difcíl. Mas aprendi a não duvidar desses caras.
Da Local da Comunicação - Robert Scheidt e Bruno Prada conseguiram manter a segunda colocação no Mundial de Star, que acontece até esta sexta-feira em Hyères, na França. A dupla foi quinta colocada na regata desta quinta-feira e, com a entrada do descarte do pior resultado, soma 20 pontos perdidos, cinco a mais que a dupla inglesa Iain Percy e Andrew Simpson, líder da competição.
"Foi uma dia bem difícil com ventos fracos. Montamos a primeira boia bem atrás, entre os 25, mas nos recuperamos durante a regata, inclusive passando o inglês que foi penalizado com bandeira amarela por estar bombando a vela", explicou Bruno Prada.
Faltando apenas uma regata para o final do evento, os brasileiros só perdem medalha de prata com uma combinação de resultados entre as duplas da Irlanda e da Polônia. Mas, dependendo do resultado dos ingleses nesta sexta, Scheidt e Prada podem conquistar o tri da competição (eles foram campeões em Cascais em 2007 e em Perth, em 2011).
"Ainda não discutimos qual vai ser a nossa tática, tudo vai depender do vento", completou Bruno. A previsãopara sexta-feira indica ventos médios, entre 10 e 12 nós (20 km/h).
A outra dupla brasileira, Alessandro Pascolato e Henry Boening, também teve um dia bom, conquistando o oitavo lugar na regata. Eles ocupam a 34ª colocação.
Resultado após cinco regatas e um descarte
1º Iain Percy/Andrew Simpson, Inglaterra, 15 pontos perdidos (6+7+1+1+[17])
2º Robert Scheidt/Bruno Prada, Brasil, 20 pp (7+2+6+[10]+5)
3º Peter O’Leary/David Burrows, Irlanda, 26 pp (3+4+12+7+[18])
4º Mateusz KuszNierewicz/Dominik Zycki, Polônia, 29 pp (5+20+2+2+[59])
5º Michael Hestbaek/Claus Olesen, Dinamarca, 30pp ([25]+3+7+13+7)
6º Hamish Pepper/Jim Turner, Nova Zelândia, 48 pp ([18]+5+8+17+1)
7º Flavio Marazzi/Enrico de Maria, Suíça, 33 pp (14+1+14+4+[36])
8º Fedrik Loof/Max Salminen, Suécia, 36 pp (2+[32]+3+27+4)
9º Robrt Stanjek/Frithjof Kleen, Alemanha, 42 pp (8+8+[16]+14+12)
10º Xavier Rohart/Pierre Alexis Ponsot, França, 44 pp (1+19+5+19+[63])
Após o Mundial, a dupla segue para a raia olímpica de Weymouth, onde disputará mais uma etapa da Copa do Mundo e fará dois períodos de treinos, como preparação para os Jogos de Londres. Scheidt e Prada voltaram a usar o PStar, barco americano com o qual venceram o Mundial de Perth, em 2011, e escolhido para a Olimpíada.
Por Antonio Alonso às 15h07
Por Antonio Alonso às 09h07
Depois de uma perna muito lenta (só eu que achei chata?), o Puma pôde comemorar uma vitória caseira na etapa entre Itajaí e Miami da Regata Volta ao Mundo. Essa sexta etapa foi marcada por ventos fracos e também pela falta de opções. O Puma praticamente saiu na frente desde a largada do Brasil. A 500 milhas da chegada, o Groupama ainda tentou se aproximar de Cuba e buscar outros ventos, mas funcionou só parcialmente. Os franceses subiram para o terceiro lugar e chegaram à frente do Telefónica. Esse lance foi o mais comemorado pelos adversários. Isso porque o barco espanhol começou esta Volvo Ocean Race de maneira arrasadora, vencendo as três etapas iniciais. Agora, com o quarto lugar, os espanhóis vão ficar "só" 15 pontos à frente do Camper, que chegou em segundo, 17 à frente do Puma e 11 à frente do Groupama.
Claro, Groupama e Telefónica ainda nem chegaram. A última perna mostrou que não se pode contar com os ovos antes que eles estejam fritos e dentro da boca. Mas vai ser assim.
Por Antonio Alonso às 20h31
Leitor notou que as pranchas usadas em campeonatos não são idênticas.
Todo mundo está um pouco perdido depois que a Isaf anunciou o kite na Olimpíada do Rio de Janeiro no lugar do windsurf. Eu, pelo menos, estou. O leitor Rodrigo Vellardo fez algumas perguntas que são boas. Vou aproveitar que a dúvida é geral e responder tudo em um post.
Algumas dúvidas devem prosseguir por meses. Mas vale começar a discussão.
1ª - Como será a regata com 3 knots de vento? É possível "bombar" as pipas como na RS:X?
A escolha do kite joga as regatas obrigatoriamente para a Barra da Tijuca. Impossível fazer na baía de Guanabara, onde foi o Pan. E não vai rolar regata sem vento forte. Esse é um problema para a organização responder. Segundo Fernando Pasqualin, técnico do Bimba: "As técnicas dos dois são muito diferentes. No kite você nunca desengata o trapézio, o que torna o esforço nos membros superiores quase zero. Realmente você não bomba da maneira do windsurf. O jeito de bombar é fazendo os kiteloops" (são manobras com a pipa).
2ª - Porque foi escolhida a "Course Race", ao invés de "Freestyle", uma vez que a justificativa é apelo ao público?
A Course Race usa um percurso de regata, com largada, montagem de bóias e chegada e foi a modalidade testada pela Isaf, provavelmente isso não vai mudar. Imagino (só palpilte meu) que a Isaf quer inovar pero no mucho, mantendo pelo menos o formato de regata ao invés de escolher uma exibição de manobras, mais parecida com o surfe.
3ª - A classe "Course Race" é "one design"? Pelas fotos, parece que as meninas usam pranchas diferentes (sem falar do kite)
Sua observação está certa, as pranchas não são idênticas. Mas ninguém sabe ainda como será na Olimpíada. A Isaf vai escolher o tipo de equipamento no encontro anual em novembro deste ano.
4ª - Qual a opinião das principais federações? E os investimento dos países para os jogos, tudo por "água abaixo"?
Ainda não sei a opinião das principais federações. Nova Zelândia e Inglaterra lamentaram a saída do windsurf, mas deram boas vindas ao kite. O Brasil deve ir na mesma linha. Pior do que o investimento dos países eu acho cruel o desperdício do investimento dos atletas. Imagina você dedicando uma vida a um esporte e toma uma dessas na cabeça (Bimba já trocou de prancha algumas vezes na vida, mas agora vai ter de se adaptar a algo 100% novo).
Por Antonio Alonso às 12h31
Robert Scheidt e Bruno Prada avisaram que iam ser mais agressivos nesta segunda metade o Campeonato Mundial de Star, na França. Talvez esse tenha sido o problema. A dupla foi penalizada por estar bombando a vela (um movimento ilegal do peso dos velejadores para acelerar o barco em vento fraco). Como resultado, tiveram que pagar uma volta de 360º em torno de si mesmos, terminaram em 10º lugar, abriram espaço para a vitória fácil dos principais adversários e ficaram mais longe do terceiro título mundial. Bom para seus maiores rivais, os ingleses Iain Percy e Andrew Simpson. Como eu disse ontem, o Mundial de Star não permite vacilos. São apenas seis regatas. Quatro já foram e os brasileiros estão 10 pontos atrás dos britânicos. Eu sei (e você sabe) que é possível. Mas agora já não depende só de Robert e Bruno, é preciso torcer para um tropeço dos gringos.
Em tempo: Essa derrota vem em boa hora. Antes da olimpíada, que é o grande evento do ano. É um susto que nossa dupla deve saber trabalhar bem até julho.
Da Local da Comunicação - Robert Scheidt e Bruno Prada não tiveram um bom dia no Campeonato Mundial de Star que está sendo disputado em Hyères, na França. A dupla foi penalizada com uma bandeira amarela (por estar bombando a vela) e teve de pagar uma penalidade de 360° (uma volta em torno do próprio eixo), acabando a única regata do dia na 10ª posição. Apesar do mau resultado eles ainda ocupam a vice-liderança da competição. Os líderes são os ingleses Iain Percy e Andrew Simpson, que venceram a regata pelo segundo dia consecutivo.
"Hoje o resultado foi muito ruim. fomos penalizados com uma bandeira amarela e com a vitória dos ingleses a disputa pelo título ficou um pouco mais complicado. Ainda estamos em segundo, pois não entrou o descarte, mas quando isto acontecer podemos ser ultrapassados pelos poloneses e pelos irlandeses", disse Prada.
Classificação da Star após a quarta regata:
1º Iain Percy/Andrew Simpson, Inglaterra, 15 pontos perdidos (6+7+1+1)
2º Robert Scheidt/Bruno Prada, Brasil, 25 pp (7+2+6+10)
3º Peter OLeary/David Burrows, Irlanda, 26 pp (3+4+12+7)
4º Mateusz KuszNierewicz/Dominik Zycki, Polônia, 29 pp (5+20+2+2)
5º Flavio Marazzi/Enrico de Maria, Suíça, 33 pp (14+1+14+4)
6º Xavier Rohart/Pierre Alexis Ponsot, França, 44 pp (1+19+5+19)
7º Robrt Stanjek/Frithjof Kleen, Alemanha, 46 pp (8+8+16+14)
8º Michael Hestbaek/Claus Olesen, Dinamarca, 48pp (25+3+7+13)
9º Hamish Pepper/Jim Turner, Nova Zelândia, 48 pp (18+5+8+17)
10º Arapov Mate/Mikulicic Sihisa, Croácia, 56 pp (16+12+19+9)
A quarta-feira será dia de descanso e as competições serão retomadas na quinta. Ainda faltam duas regatas para o término do campeonato, que serve como seletiva para as quatro últimas vagas olímpicas da classe.
Após o Mundial, a dupla segue para a raia olímpica de Weymouth, onde disputará mais uma etapa da Copa do Mundo e fará dois períodos de treinos, como preparação para os Jogos de Londres. Scheidt e Prada voltarão a usar o PStar, barco americano com o qual venceram o Mundial de Perth, em 2011, e escolhido para a Olimpíada.
Robert Scheidt tem patrocínio do Banco do Brasil, Prada, Gocil e Rolex. Robert Scheidt e Bruno Prada têm o apoio do Comitê Olímpico Brasileiro e da Confederação Brasileira de Vela e Motor.
Por Antonio Alonso às 19h59

Foto: Fred Hoffmann
Velejadores do Clube dos Jangadeiros estão em 54º lugar no Campeonato Mundial da Classe 49er, em Zadar, na Croácia. Vale lembrar que Bochecha participou das últimas 3 olimpíadas (em 2000 na classe 470) e chegou a ser sexto na 49er, na Olimpíada de Atenas, em 2004. É, sem dúvida, um retrocesso para o Brasil, especialmente no momento em que a 49er FX, para mulheres, é escolhida para participar da Rio 2016. Essa eu errei feio, tinha certeza que essa dupla ia se classificar.
Do Jangadeiros: O dia não foi bom para os velejadores André “Bochecha” Fonseca e Marco Grael no Campeonato Mundial da Classe 49er. Integrante da Equipe Brasileira de Vela Olímpica, da Confederação Brasileira de Vela e Motor (CBVM), a dupla não teve um bom desempenho nesta terça-feira ( 8) e caiu da 41ª para a 54ª colocação. Após a realização de seis regatas e um descarte, os brasileiros têm 77 pontos perdidos (16º, 22º, 5º, 20º, 17º e 19º) e seguem longe da vaga olímpica. A liderança da competição é dos alemães Tobias Schadewaldt e Hannes Baumann, com os poloneses Lukasz Przybytek e Pawel Kolodzinski ocupando o segundo lugar.
Realizado em Zadar, na Croácia, o Mundial de 49er reúne 74 tripulações, de 32 países, e vai até o próximo sábado, (12). O evento definirá os últimos cinco países que participarão dos Jogos Olímpicos de Londres. Até o momento, 15 já estão definidos: Nathan Outteridge e Iain Jensen (Austrália), Nico Delle Karth e Niko Resch (Áustria), Pavle Kostov e Petar Cupac (Croácia), Allan Norregaard e Peter Lang (Dinamarca), Lauri Lehtinen e Kalle Bask (Finlândia), Manu Dyen e Stephane Christidis (França), Tobias Schadewaldt e Hannes Baumann (Alemanha), Stevie Morrison e Ben Rhodes (Grã-Bretanha), Ryan Seaton e Matt McGovern (Irlanda), Peter Burling e Blair Tuke (Nova Zelândia), Iker Martinez e Xabi Fernandez (Espanha) e Erik Storck e Trevor Moore (Estados Unidos), mais Polônia, Portugal e Suécia, que ainda não definirão quem serão seus representantes.
Por Antonio Alonso às 17h17

O fotógrafo suíço Jürg Kaufmann divulgou uma foto entre a colisão entre argentinos e russos durante o Mundial
O Mundial de Star é, provavelmente, a competição mais difícil do universo da Vela. E não só pela qualidade dos participantes que, sem dúvida, reúne os melhores nomes do planeta. Mas o Mundial de Star dá muito pouco espaço para erros. Ele tem só seis largadas, menos regatas do que qualquer outra competição. Vacilos são imperdoáveis. Torben Grael, o melhor starista de sua geração, venceu apenas um.
Dito isto, Robert Scheidt e Bruno Prada, atuais campeões mundiais, estão na França. Depois de três regatas disputadas, eles estão em segundo lugar, a um ponto dos líderes, os ingleses Iain Percy e Andrew Simpson (campeões em 2010). Sim, depois de nove anos cobrindo esse cara eu ainda me surpreendo. A tática até agora foi velejar conservadoramente. Na segunda metade da competição, eles prometem um pouco mais de agressividade.
O campeonato chegou à sua metade em um dia de ventos fortes na baía francesa (20 nós). A partir de agora, os atletas vão mudar a estratégia e velejar de maneira mais agressiva. "Nossa regata não foi muito boa, cometemos alguns erros táticos, mesmo assim chegamos em sexto. Cumprimos nosso plano de fazer as três primeiras regatas entre os 10 primeiros", diz Bruno Prada, proeiro. A dupla está um ponto atrás dos novos líderes do Mundial, os campeões olímpicos Iain Percy e Andrew Simpson, da Grã-Bretanha, que somam 14 perdidos contra 15 dos brasileiros.
Segundo a meteorologia, as condições em Hyères devem mudar novamente nesta terça-feira (8). A previsão é de ventos fracos. "Por essa variação e pela possibilidade de vento fraco nas próximas regatas, nossa estratégia foi muito importante no início. Conseguimos uma boa média e estamos na briga pelo título", emenda Bruno Prada. A temperatura em Hyères deve esfriar novamente, caindo para 16 graus e com possibilidade de chuva. O evento da classe Star tem a presença de outra dupla do País: Dino Pascolatto e Henry Boening ocupam a 36ª posição com 113 pontos perdidos.
Por Antonio Alonso às 08h47

Jorginho quase ficou com a vaga na classe dos pesos-pesados na Olimpíada passada, quando era uma criança de 14 anos. Dessa vez, a vaga está garantida. Foto: CBVM
E esse moleque? Tá virando gente grande...
Da CBVM: Como parte dos treinos para o Campeonato Mundial da Classe Finn 2012, nosso atleta Jorge Zarif participou do Falmouth Finn Festival que valeu como Campeonato Nacional Inglês para a Classe Finn.
A competição contou com a inscrição de 84 competidores/barcos disputando o evento, sendo que Jorge conquistou a 9º colocação geral no evento.
Confira a súmula final - http://www.falmouthfinnfestival.com/nationals-results/C2
Por Antonio Alonso às 19h03

Entre garantir o penúltimo no caminho mais curto ou arriscar tudo o caminho mais longo, os franceses escolheram o caminho mais longo. Foto: Yann Riou/Groupama Sailing Team/Volvo Ocean Race
A vitória de François Hollande nas eleições francesas neste fim de semana talvez tenha encorajado os franceses do Groupama a romper com o senso comum na flotilha da Regata Volta ao Mundo. Os franceses foram os primeiros a escolher a esquerda, navegando ao lado de Cuba, enquanto o resto da flotilha navega pela receita consagrada da austeridade e escolheram o caminho mais curto rumo a Miami.
A situação na flotilha é de recessão de vento. Faltando cerca de 400 milhas para a chegada em Miami, o líder Puma velejava a passo de tartaruga, a 4,4 nós. Para os outros, a situação não é diferente. E o prognóstico para os próximos dias não é nada animador: crescimento zero para o vento.
Foi neste cenário que os franceses escolheram o caminho da coragem. "Essa opção é um pouco arriscada, já que estamos nos afastando da rota normal, mas também pode render muito", disse o timoneira Charles Caudrelier. "Os líderes podem ficar preso sem vento e essa pode ser nossa chance de alcançá-los".
Por enquanto, o caminho de Cuba tem dado certo. O Groupama subiu de quarto para terceiro lugar e é o mais rápido neste momento. Pela previsão que eu estou vendo agora, eu arrisco dizer que os franceses chegam lá.
E torço para que o Hollande consiga mudar um pouco o senso comum na Europa desses dias.
Por Antonio Alonso às 14h29

Vento fraco à frente do Puma. Foto: Hamish Hooper/CAMPER ETNZ/Volvo Ocean Race
Eu confesso. Abandonei meus três barcos na regata virtual da Volvo Ocean Race em Itajaí. E tou achando que não perdi grande coisa. Não me levem a mal, eu sou um fã das regatas táticas do vento fraco (é tudo o que se consegue no vento fraco mesmo), mas controlar o barco nessa merreca é tão exigente, que eu teria duas opções: fazer uma regata medíocre, ou perder noites de sono pra controlar o barco.
A bordo dos barcos, tenho certeza que os velejadores estão preferindo mil vezes esta perna do que a quebradeira do trecho entre Nova Zelândia e Brasil, quando a flotilha foi se despedaçando pelo caminho. Quem está se gostando muito mais ainda é Ken Read e sua turma, no Puma, que lideram a regata, no Caribe. Mas engana-se quem acha que vento fraco é sinônimo de moleza. Na noite deste domingo o Puma era o líder, mas era também o segundo barco mais lento. O Groupama, que começou mal nesta perna, apostou numa rota mais ao sul, quase colada à ilha Hispaniola, onde ficam Haiti e República Dominicana. É o penúltimo, mas é também o segundo barco mais veloz da flotilha na noite do domingo (o mais veloz é o lanterninha, Abu Dahbi).
Faltando 500 milhas para a chegada em Miami, nós devemos continuar vendo esse mesmo tipo de emoção. O vento vai acabar onde o Puma está agora. A perspectiva para o Groupama é um pouco melhor, mas vai ser uma disputa entre seis nós de um lado e oito ou dez do outro.
O que eu tiro dessa perna até agora? Esses barcos são realmente muito iguais. Nas edições passadas, as diferenças eram muito mais extremas. O ABN1, por exemplo, que inaugurou uma série vencedora do projetista argentino Juan K, era o melhor disparado no vento forte e o pior disparado no vento fraco. Dessa vez, depois de 10 dias no mar, a diferença entre o primeiro e o último é de 120 milhas. E isso porque cada um foi para um lado.
Nada está garantido para o Puma ainda.
Por Antonio Alonso às 23h47


Fotos enviadas por Nayara: "Até hoje, meu pior resultado foi o terceiro lugar"
Ontem o kitesurf foi anunciado como modalidade olímpica, no lugar no windsurf. Eu faço parte dos que lamentam o desespero da Associação Internacional de Vela (Isaf) em procurar mais popularidade virando as costas continuamente justamente para classes populares. Foi o caso do windsurf. Eu também comentei que a troca não alegrava muito o Brasil, já que a substituição aposenta Bimba, que já venceu o Mundial da Juventude, já liderou a Olimpíada até o último dia e tem boas chances de ser medalha. Não comentei, mas aposenta também Patrícia Freitas, uma das revelações mais empolgantes da nossa Vela nos últimos tempos.
Mas o kite tem sua legião de fãs, que acham que eu estou completamente errado. Frid, do site Kitesurfmania, reclamou dizendo que Nayara Licarião é a melhor do mundo no kite (o que nos coloca como favoritos ao ouro no feminino) e a prória Nayara me mandou uma resposta, que publico abaixo.
Minha opinião não muda, eu acho que a Isaf erra. Até porque, da maneira como a Isaf está decidindo essas mudanças de classes, é possível que o kite seja eliminado da Olimpíada já na edição seguinte. Dá pra defender isso? Samuel Albrecht, que já foi velejador olímpico e hoje desistiu, resumiu um pouco o que eu penso: "Estes tempos modernos trazem cada surpresa! Kite na Olimpíada! Nada contra, acho muito bacana, mas será modalidade pra ser olímpica substituindo o windsurf? Para mim, a vela esta com a vida contada nos jogos! Não traz retorno, é de difícil compreensão do publico e resumidamente, não da Ibope! Portanto, começam as mudancas, para atender mídia, patrocinadores e dirigentes! O pior esta por vir!"
Minha opinião não muda, mas eu errei em não mencionar a Nayara, terceira colocada no último Mundial de kite. Abaixo segue a opinião dela sobre o assunto e sobre meu comentário:
"Oi Antonio!
Recebi um email que me falava da matéria insana e irrespnsável que vc publicou no seu blog e realmente fiquei muito triste com o que li e vi.
São anos dedicados ao esporte,no sacrifício,muitas vezes fazendo o que podia e não podia pra ler uma matéria deste tipo.
Nos do kitesurf apenas fizemos a nossa parte.Tentamos entrar no mundo olímpico,que é o sonho de qualquer atleta.
Tem muito sobre o kitesurf que vc não conhece,principalmente sobre mim.Estou no TOP do esporte mundial por dedicação e merecimento,e agardeço por contar com o apoio da CBVM,da ISAF,da IKA e ABK que são órgãos honestos e acreditam que eu possa sim trazer uma medalha olímpica para o nosso país.
Pra começar, Achei um desrespeito, primeiro vc publicar no post da matéria um vídeo de Bruna(que é uma grande e exemplar atleta) mais não tem nada a ver com a categoria que vc cita.
Segundo,publicar informações desencontradas e desrespeitosas sobre o nosso esporte.
Sugiro que vc se informe um pouco mais e corrija os erros de publicação,por favor.
A começar,fui a 3ª do mundo em 2011.
Só pra vc entender:
Este ano fui convidada a estar entre os 12 melhores atletas do mundo,sendo a unica representante do Brasil e da América do sul em evento em Santander Espanha a convite da ISAF e com custos pagos pela CBVM.Isto mostra que todo meu esforço me rendeu um lugar de destaque no mundo da vela.Graças a muito esforço e dedicação não lobby ou política.
A cbvm já declarou que confia e acredita que eu tenho sim,chances de trazer uma medalha para o Brasil em 2016.E vc pode ter certeza de que,aqui no nordeste as mulheres tem força,garra,inteligência e dedicação para tornar isso realidade.
Por favor, peço que corrija sua matéria e seja menos injusto com o que vc não conhece!
Em anexo alguns dos muitos pódiuns internacionais que tenho no esporte,só pra vc saber,em todas as competições nacionais e internacionais que fui até hoje,meu pior resultado foi o 3º lugar!
Peço que isto sirva de exemplo e o senhor possa se informar antes de publicar algo ,pois para um repórter especialista em vela,vc está desmerecendo suas atribuições!
Bons Ventos!
Nayara Licarião"
Por Antonio Alonso às 09h40
Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.
A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.