Blog do José Cruz

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05/05/2012

Kiteboard substituirá Windsurf na Olimpíada do Rio em 2016

A bela Bruna Kajiya, de Ilhabela, já foi campeã mundial e é uma das melhores do mundo no Freestyle

"Esse anúncio marca uma nova era para a Vela". Foi assim que o presidente da Isaf Goran Petersson me surpreendeu na manhã deste sábado, com o anúncio de que a Olimpíada do Rio não terá competições de Windsurf. O Kiteboard, que até pouco tempo nem era regulado pela Isaf, vai tomar seu lugar. A outra decisão anunciada hoje foi escolha do Nacra 17 como catamarã olímpico. A escolha do Nacra também aponta em uma nova direção, já que o Tornado, que foi olímpico por décadas, era a escolha favorita num primeiro momento. Depois da exclusão da Star, este é mais um golpe para o Brasil que tinha chances de medalha com Bimba, cuja carreira olímpica provavelmente será encerrada – a revelia – na Olimpíada de Londres, em agosto deste ano.

O "radicalismo" da Isaf nessas escolhas aponta um certo desespero em atrair novos públicos e tentar transformar o esporte em algo mais popular e acessível ao público. Me chamem de coxinha, mas eu fico preocupado quando uma legião de windsurfistas (que já não tinham muito a ver com o resto do mundo da vela) fica alijada de uma Olimpíada assim. E provavelmente o Windsurf está entre as classes mais populares da Vela. Por outro lado, é um movimento político para aproximar o Kiteboard, mas isso teria de ser feito justo às custas do Windsurf? 

Em Novembro deste ano, o conselho anual da Isaf vai definir melhor como será o formato da disputa do Kiteboard.

Num primeiro momento, as escolhas da Isaf não alegram muito os brasileiros*. Além do Windsurf, a Star ficou fora. Nas duas classes, o Brasil teria excelentes chances de medalha no Rio. A boa notícia pode vir da inclusão do Skiff feminino, que abre espaço para termos Fernanda Oliveira e Martine Grael brigando por duas medalhas, e não por uma única vaga, como aconteceu este ano. Também tenho alguma esperança no Nacra 17, que é um barco que já existe em Ilhabela e – aparentemente – é a cara de nossos campeões mundiais juvenis Martim Lowy e Kim Vidal.

No geral, a Isaf também optou por classes novas e mais velozes. Laser, 470 e Finn são as únicas que "destoam" dessa tendência.

Quem estará no Rio 2016:
Kiteboarding masculino
Kiteboarding feminino
Laser (masculino)
Laser Radial (feminino)
Finn (masculino)
470 masculino
470 feminino
49er (masculino)
49er FX (feminino)
Nacra 17 (catamarã misto)

Atualização: *Depois que eu escrevi esse post, Frid, do Kitesurfmania, me alertou para Nayara Licario, que foi quarta no último mundial de kite modalidade regata no ano passado.

 

Por Antonio Alonso às 11h49

04/05/2012

Pela primeira vez, um barco movido a eneriga solar completa a volta ao mundo

Com 31 metros, o catamarã é o maior barco movido a energia solar do mundo

Depois de um ano e meio nos mares, o PlanetSolar acaba de entrar para o livro dos recordes como o primeiro barco movido exclusivamente a energia solar a completar uma volta ao mundo navegando. Com 31 metros de comprimento e pesando 91 toneladas (apesar de sua estrutura em carbono ultra-leve), o PlanetSolar já havia inscrito seu nome nos recordes antes, como o maior barco movido a energia solar já constrído.

Ele foi projetado pelo designer neozelandês Craig Loomes (especialista em barcos "criativos) e construído no Knierim Yachtbau, na Alemanha. No total, o barco carrega 527 m2 de células fotovoltáicas e é capaz de navegar até quando não há luz solar, graças a um sistema de seis blocos de baterias de lítio, que permite o armazenamento de energia.

Os principais parceiros da iniciativa foram a Immosolar — que trabalha justamente com o desenvolvimento de tecnologias e estruturas de energia solar — e a relojoaria suíça Candino.

Mais sobre o assunto no site oficial: www.planetsolar.org

Por Antonio Alonso às 19h11

Isaf decide usar versão feminina do 49er na Olimpíada do Rio

Está decidido. A Federação Internacional de Iatismo (ISAF) escolheu a classe Mackay FX como barco olímpico feminino em 2016, no Rio de Janeiro. As velejadoras brasileiras Martine Grael e Isabel Swan já testaram o barco, e gostaram. Uma das principais vantagens apontadas por ambas é a velocidade do barco, comparável à de um catamarã e muito mais veloz do que a classe 470 na qual elas velejam atualmente. Além disso, como o casco é o mesmo usado pelos homens na classe 49er, mas com mudanças no mastro e velas, as garotas podem começar os treinos com barcos usados, para só depois partir para um equipamento melhor. Isso deve deixar a campanha mais barata. Isabel Swan, que é proeira, também gostou do fato de as velas não serem tão pesadas quando a dos homens, o que deixa a velejada mais prazeirosa para as garotas.

Copio abaixo a matéria publicada no site do clube portoalegrense Veleiros do Sul, que traz também elogios que a brasileira Adriana Kostiw faz ao barco. Kostiw, que é uma das velejadoras mais fortes do país (estou falando de força mesmo), elogiou o fato de o barco ser adequado para o peso das mulheres. Kostiw vai representar o Brasil na Olimpíada deste ano, em Londres, na classe Laser. Martine e Isabel chegaram perto, mas perderam a vaga da 470 para as gaúchas Fernanda Oliveira e Ana Barbachan.

Martine e Isabel comentam (em inglês) o que acharam do novo barco olímpico

Do Veleiros do Sul: A Federação Internacional de Vela (ISAF) confirmou a classe Mackay FX como o barco selecionado para as Mulheres Skiff nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O Conselho da ISAF considerou as recomendações do painel de avaliação, a Comissão de Material e da Comissão de Eventos e, depois de uma discussão abrangente, votou com a maioria dos membros em favor da Mackay FX.

Para a velejadora olímpica da Laser Radial, Adriana Kostiw, a escolha deste barco propiciará que as “meninas do match race no Brasil, por exemplo, possam ir para esta classe, pois em todo mundo as mulheres estarão começando no mesmo nível e o barco é mais adequado para biotipos mais leves”, avaliou Adriana que treina no Núcleo de Vela do Veleiros do Sul para a Olímpíada de Londres.

A Reunião do Conselho da ISAF do Meio do Ano está acontencendo na Itália e encerra neste sábado quando as recomendações dos multicascos mistos, equipamentos de avaliação e kiteboarding serão avaliados pelo grupo.

O Mackay FX é um projeto semelhante ao 49er, na verdade o casco e a plataforma são dessa classe. A diferença está na mastreação e área vélica. O que segundo o estaleiro Mackay, da Nova Zelândia, isso resultará num custo melhor para as velejadoras porque precisarão apenas adaptar o material novo nos cascos já existentes em todo o mundo.

Especificações: Altura = 7,5 m - Área da vela grande = 13,8 m² - Área Jib = 5,8 m²  Área Gennaker = 25,1 m²

As qualidades do Mackay FX são destacadas como um skiff verdadeiro porque exige preparo atletico, equilíbrio, habilidade e ousadia. Conforme o site do estaleiro “o FX é um barco que vai mostrar ao mundo o quão espetacular é o esporte da vela e o quanto são incríveis as nossas mulheres. As velejadoras top querem um barco que é emocionante em 10 nós e ainda correr em 25 nós. O FX tem o potencial para ser um dos eventos de glamour dos Jogos Olímpicos, atraindo mídia e espectadores.”

Por Antonio Alonso às 15h27

Vídeo: Mini 6,50, mais casca do que isso é difícil ficar

Esse vídeo apresenta um pouco da classe Mini 650, veleirinhos de 21 pés feitos para encarar travessias oceânicas, em solitário. Poucos brasileiros encararam esse desafio. O último deles, Kan Chuh, resolveu criar um grupo no Facebook, que eu recomendo para todos interessados em aventuras a vela (não regatas, aventuras mesmo).

Por Antonio Alonso às 11h40

03/05/2012

Lobby europeu deve novamente dominar escolha de barco feminino na Rio 2016

A 29erXX é a preferida das velejadoras brasileiras

O jornalista Murillo Novaes, da Coluna do Murillo postou uma mensagem de Martine Grael, que está acompanhando a escolha do skiff feminino para a Olimpíada do Rio 2016. Tudo indica que, mais uma vez, vamos ser obrigados a engolir uma escolha europeia, sem representatividade aqui e pensada para atletas bem maiores e mais pesadas do que a média das nossas velejadoras. A nova classe vai substituir o Match Race Feminino, que foi introduzido após o fracasso da Yngling na Olimpíada de Pequim e também foi considerada um fracasso, antes mesmo das competições olímpicas em Londres este ano.

Como se não bastasse a exclusão da Star (classe de Scheidt e Torben) do programa olímpico, agora vem mais essa. Na minha opinião, isso demonstra duas coisas. Primeiro, a falência do sistema atual de escolha de barcos, que é naturalmente viciado. Em segundo lugar, a extrema incopetência da Isaf ao fazer essas escolhas. Em três Jogos consecutivos, 2008, 2012 e 2016, vamos ter três barcos de quilha diferentes para as mulheres: Yngling, Match Race e Skiff. Yngling e Match Race falharam em ter a representatividade mundial. E o skiff corre para o mesmo caminho.

A mensagem de Martine Grael:

Estou na reunião da ISAF em Stresa e está difícil a escolha do SKIFF (barco de modalidade feminina a entrar para a olimpíada de 2016).
Está rolando muita discussão no último repport enviado pela ISAF que finaliza temporáriamente para apenas 2 barcos: O 49er FX e o RS:900.
Eles estão questionando que nesse report não foi informado quem velejou qual barco e as informações meterorológicas.
Houve reclamações pela falta de atletas representantes da América do Sul, África e Ásia.
O que contradiz o falado no começo da reunião sobre não elitizar, centralizar na Europa a vela. Foi falado no começo também que o futuro da vela deve vai vir do resto do mundo, países na Ásia, África, e América do Sul.

Eles estão morrendo de medo que aconteça o que aconteceu com o Ingling e com o Match Race.
E querem mais informações. Ou seja, mais avaliações. O que atrazaria a decisão do skiff a ser escolhido.
Criticaram o peso ideal do barco que está muito alto para a média de mulheres velejadoras no feminino.
Tudo isso deixa o pessoal do 29er xx bem animado com a possibilidade da volta por cima após ter sido eliminado no último report.

Minha opinião é que o escolhido estará dentro dessa lista de 3 barcos:
-49er FX
-29er xx
-RS:900
Mas a votação feita agora foi que eles querem votar entre o RS:900 e o FX

Por Antonio Alonso às 11h37

02/05/2012

Rebocador "atropela" barco de passeio na Filadélfia; veja

Rebocador "atropela" barco de passeio na Filadélfia; veja e outros vídeos - UOL Notícias

O vídeo mostra o momento em que um navio rebocador passa por cima de um barco de passeio na Filadélfia, nos Estados Unidos, em julho de 2010. O acidente provocou a morte dos estudantes húngáros Dora Schwendtner, 16, e Szabolcs Prem, 20. Os advogados divulgaram nesta quarta-feira (2) o vídeo, antes de o caso ser julgado por uma corte federal nos Estados Unidos. Visite o UOL Notícias

 

Por Antonio Alonso às 19h12

Imprensa divulga: "Com verba de Eike, Brasil voltará à Volvo". Será?

Lancenet crava: vai rolar. Eu torço

Poucos dias antes de a flotilha da Volvo Ocean Race deixar o Brasil eu andei atrás de uma notícia que chegou aos meus ouvidos: Eike Batista iria financiar um projeto brasileiro na próxima edição da Volvo Ocean Race. E o barco seria construído aqui no Brasil, mais especificamente em Itajaí.

Um dos organizadores da parada brasileira chegou a fazer o anúncio na TV, antes mesmo da chegada da flotilha ao Brasil (veja link abaixo). Segundo ele, seriam construídos dois barcos, ambos em Itajaí. Como falar é fácil, eu decidi tentar descobrir se a história procedia. Primeiro, nem sei se a organização vai permitir que uma só equipe construa dois barcos para o ano que vem. Segundo, não há nem garantias de que Itajaí esteja no percurso do ano que vem (embora eu ache isso provável, pela boa surpresa que o público deu este ano). E, em terceiro lugar, eu dou desses que duvidam das coisas.

Não, não há nenhuma conversa séria sobre construir o barco em Itajaí. Mas existe a vontade de retornar com um projeto brasileiro. Eike Batista comprou a empresa que timoneou o projeto do Brasil 1, e mudou o nome para IMX. É claro que Eike tem bala pra fazer essa campanha de brincadeira (o Lancenet estima o custo em R$ 64 milhões), mas ele não vai entrar nessa pra brincar. O negócio precisa vingar, com patrocinadores, retorno do tema ao Jornal Nacional e tudo mais. 

Pode rolar? Pode. Vai rolar? Se fosse hoje, não rolaria. Daqui a um ano, o cenário pode ser bem outro.

Vídeo: Clique aqui. Se você estiver de bom humor, lá pelos 15 minutos de vídeo, um dos organizadores da parada brasileira anuncia que Itajaí terá time na próxima edição. E isso faz quase um mês já.

Por Antonio Alonso às 12h10

01/05/2012

Velejador sino-baiano ensina segredo para ter um veleiro transatlântico por mil reais ao mês

Sem nenhum talento excepcional, mas muita garra, Kan Chuh é um pioneiro em várias frentes. Imagem: Repdrodução Yacht Clube da Bahia

Hoje pela manhã o velejador sino-baiano Kan Chuh me convidou para fazer parte do grupo "Classe Mini Brasil" no Facebook. Kan Chuh não é super-herói, não nasceu dentro de um iate-clube e não tem pretensões de chegar a ser um Torben Grael. Aliás, as pretensões de Kan Chuh são, normalmente, ir atrás dos próprios sonhos, com o pé no chão.

Foi isso que o levou a ser o primeiro brasileiro a ganhar uma regata da classe Mini, veleiros oceânicos de 6,5 metros, velejados em solitário ou em dupla, que são verdadeiros mini-Volvo 70. No ano passado, sozinho a bordo de um desses, Kan Chuh cruzou o oceano Atlântico, da França até Salvador, na Bahia e tornou-se um dos pouquíssimos brasileiros a completar a travessia.

Destaco aqui as dicas de Kan Chuh para quem quer ter um Mini gastando R$ 1000 por mês (ou para você não se matar no barco).

Eu quero surfar um MINI, o que eu preciso fazer?

Caso-1: Velejador com médio poder aquisitivo (possuidor de veleiro entre 30-40 pés)

É muito simples: em vez de trocar de carro e perder R$ 20.000,00 ao ano, vc compra um mini na França por R$ 120.000,00. Usa por 2 anos, participando da famosa MINI-FASTNET e até da MINI-TRANSAT se quiser e depois vende o barco por R$ 100.000,00. Perde R$ 20.000,00 por 24 meses de aventura na França, menos de R$ 1.000,00 ao mes. Tem que se somar os gastos com viagens a Paris e litoral da França.

 Resumindo: É mais barato que ter um SUV novo. É só uma questão de como vc quer gastar o seu dinheiro.

Caso-2: Velejador com muito poder aquisitivo (possuidor de barcos novos acima de 41 pés)

Esqueça!!! Vc vai morrer!!!! Vc não vai aguentar cagar no balde!!! comer comida RUIM!!! Passar frio!!! Compre uma lancha!!!

Caso-3: Velejador com pouco poder aquisitivo (monotipo e veleiros de até 26 pés)

Compre um barco de série antigo (R$ 50.000,00) e vá se divertir. Depois de 2 a 3 anos, venda pelo mesmo preço. Só tem o custo operacional e as despesas de viagem.

Caso-4: Velejador sem nenhum dinheiro (tripulante humilhado por comandantes carrascos)

Continue assistindo os videos no YouTube e seguindo as noticias no site da classe mini. Em breve vc vai começar a virar um super-trabalhador, ganhar mais dinheiro e sem vc perceber, vai estar correndo a semana de vela de ilhabela, refeno e num piscar de olhos, na CLASSE-MINI.

Por Antonio Alonso às 10h19

30/04/2012

Volta ao Mundo: "microcalmaria" pode colocar Groupama de volta na disputa

A liderança do Puma está ameaçada por uma calmaria no equador. Foto: Amory Ross/PUMA Ocean Racing/Volvo Ocean Race

 

A flotilha da Volvo Ocean Race está fazendo sua quarta e última travessia do equador. Numa etapa que vem sendo marcada pelos ventos fracos desde a saída de Itajaí, a temida zona de calmarias intertropicais vai passar quase despercebida. 

Quase.

Uma zona de ventos muito fracos, entre zero e dois nós, no norte do litoral paraense está bem à frente do atual líder Puma. Daqui pra frente, se alguma frente fria estiver pelo caminho, ela vai bater "na cara" dos veleiros que sobem rumo norte, com destino a Miami. Esta é a hora na qual vir lá de trás, como o Groupama, pode virar vantagem. Os fraceses vão assistir de camarote quando os líderes começarem a parar e, 150 milhas na rabeira da flotilha é uma ótima posição para ver tudo acontecer e ter tempo para tomar decisões.

Por Antonio Alonso às 17h27

29/04/2012

Pirataria, hipocrisia e amigos que não queremos ter

Marcos Abdias dos Santos foi um dos presos. Parte da quadrilha era formada por ex-marinheiros. Imagem: Reprodução Diário do Vale

 

Ao contrário de muita gente, eu acho que uma imprensa puxa-saco está entre os piores inimigos que um governo pode ter. No longo prazo, a realidade bate à porta. Com os dois pés e de voadora.

 

Eu falo isso porque uma parte da indústria náutica brasileira chiou e tentou impedir que fossem divulgadas as notícias sobre os violentos episódios de pirataria que aconteceram em Paraty no começo deste ano. Assaltantes armados invadiram lanchas, agrediram ocupantes, fizeram ameaças e fugiram sem deixar pistas. Uma grande revista brasileira tinha uma reportagem pronta sobre o assunto, matéria de capa, e teve de voltar atrás. Publicações menores sofreram a mesma pressão: "se vocês divulgarem esta notícia, os compradores vão ficar com medo de comprar barco e não vamos mais poder anunciar". A ameaça teve seu efeito, mas – felizmente – a notícia foi amplamente divulgada em várias mídias (como este blog) que não estão nem aí para as ameaças da indústria náutica.

 

O resultado foi melhor do que a encomenda. A polícia, provavelmente pressionada por empresários e políticos mais espertos, resolveu o crime, encontrou e já prendeu todos os envolvidos. A pirataria acabou? Não, mas essa lição de eficiência das polícias civis de SP e do Rio, que atuaram juntas, mostram que a pressão da sociedade tem uma força enorme para impedir que esses casos se multipliquem.

 

Um coorporativismo covarde fez parte da indústria pensar no próprio bolso antes mesmo de pensar na segurança de seus clientes. Afinal, que tipo de relação asquerosa faz um vendedor esconder de seu cliente a informação de que é perigoso passar a noite em praias desertas de Paraty?

 

Os piratas continuam por aí. As histórias de tiroteio entre embarcações no canal de Bertioga continuam rolando nos iate-clubes. Tão triste quanto isso é saber que continuam no mercado essas pessoas que acham que esconder o perigo do cliente é melhor solução do que enfrentá-lo de frente.

 

Por outro lado, eu aplaudo de pé aqueles que apostaram em outra saída, e contribuíram para que a investigação fosse tão rápida e eficiente. Muitos navegadores podem nunca saber quem foram esses empresários que decidiram encarar o problema de frente. Mas é de mais gente assim que a náutica precisa. Muito obrigado.

Por Antonio Alonso às 15h27

Por velocidade, foltilha da Volta ao Mundo troca Caribe por Brasil

O Groupama não se deu bem na costa brasileira. Foto: Yann Riou/Groupama Sailing Team/Volvo Ocean Race

Nesta madrugada, Telefónica e Camper deixaram o litoral brasileiro, rumo norte, e chegaram a se afastar mais de 150 milhas da costa. No entanto, os ventos mais atraentes na costa norte do Brasil trouxeram a foltilha de volta. Na tarde deste domingo, o líder Puma velejava a 30 milhas da costa cearense. Os competidores estavam prestes a cruzar a linha do equador.

Os dóldruns, região de calmarias intertropicais na zona do equador, parece que vão dar uma folga numa estreita faixa ao longo dos litorais brasileiro e das guianas. Até agora, tudo indica que a flotilha seguirá em fila indiana pela mesma rota.

No entanto, o Groupama, revelação das últimas pernas, pode tesntar alguma surpresa. Os franceses se deram mal até agora nessa perna. "Quanto mais subimos na costa do Brasil, mais caímos na tabela", desabafou o tripulante Yann Riou. E é verdade. Os franceses foram "abandonados pelo vento" na última madrugada e armagam uma lanterna isolada, a mais de 100 milhas do líder. Se eu conheço esses caras, neste momento eles estão estudando todas as maneiras de arriscar uma rota alternativa para reverter esse quadro. Eu, pelo menos, não vejo nenhuma saída óbvia para Franck Cammas e time.

Por Antonio Alonso às 15h01

Sobre o autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.

Sobre o blog

A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.

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