Blog do José Cruz

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07/04/2012

Reveja a disputada chegada de Puma e Telefónica em Itajaí; Groupama e Camper retornam

Assim ficou a mastreação do Groupama. Foto: Yann Riou/Groupama Sailing Team/Volvo Ocean Race

A batalha da chegada em Itajaí merece ser revista. Mas enquanto Puma e Telefónica dividem o tempo entre comemorações e curar as feridas dos barcos, bastante destruídos nesta etapa, Groupama e Camper retornam à competição.

O Groupama já está na costa do Uruguai, depois de ter parado em Punta del Este para fazer uma mastreação de fortuna mais segura. O Camper também já está na água, mas do outro lado da América do Sul, na costa chilena. Mais ao fim do dia eles vão retornar ao ponto onde "suspenderam a competição" e então estarão oficialmente de volta.

Temos mais dois barcos parados. O Sanya, nem vem para Itajaí. Voltou para Auckland e, de lá, vai direto para Miami. O Abu Dahbi deveria embarcar hoje em um navio que levaria nove dias até Itajaí. No entanto, o mau tempo atrasou o navio em dois dias. Se tudo der certo, o Abu Dahbi chega ao Brasil dia 18, apenas três dias antes da regata costeira. E eles precisam de muito trabalho da equipe de terra, porque um bordo inteiro do barco foi praticamente destruído nessa perna.

Por Antonio Alonso às 10h43

06/04/2012

Depois de 19 dias no mar, Puma vence por 13 min e revela que ficou sem comida a bordo

Ken Read, capitão do Puma, comemora a vitória em Itajaí. Fotos: IAN ROMAN/Volvo Ocean Race

A chegada foi tão apertada, que os proeiros precisaram subir nos mastros e ficar atento a todas as rajadas disponíveis

Depois de 7500 milhas, numa perna que durou 19 dias e 18 horas, a equipe Puma Ocean Racing, comandada pelo americano Ken Read, venceu a quinta etapa da Volvo Ocean Race. O time americano chegou apenas 13 minutos à frente do Telefónica, barco que leva a bordo o único brasileiro nesta edição da regata, Joca Signorini. Em terra, Ken Read revelou: "Eu nunca fiz uma regata tão dura em toda minha vida. Nossa comida acabou há um dia e meio. Nós ficamos todo esse tempo sem comer a bordo. Foi muito intenso".

A quinta etapa da Regata Volta ao Mundo, entre Auckland, na Nova Zelândia, e Itajaí, no Brasil, mostrou-se uma das mais desafiadoras de toda a história da Volvo Ocean Race. Dos seis barcos que largaram há quase 20 dias de Auckland, apenas o Puma não precisou parar para reparos. Mesmo assim, eles terminaram a regata com feridos a bordo. As ondas gigantes no Oceano Austral provocaram quebras gravez em cinco veleiros. O chinês Team Sanya precisou voltar para a Nova Zelândia e não vem para Itajaí. Camper e Abu Dahbi estão parados no Chile fazendo reparos. O francês Groupama, que liderava a regata na altura do Uruguai, quebrou o mastro e precisou parar em Punta del Este. 

Esta foi também a etapa dos gestos heróicos. O capitão do Puma conversou com dois tripulantes, um com o ombro deslocado e outro com suspeita de costelas quebradas e evitou uma parada emergencial para desembarque. Eles seguiram sentindo dores a cada onda que castigava a proa. O Telefónica viu uma enorme delaminação na proa colocar a integridade do casco em risco. Parou no sul da América do Sul durante 15 horas e voltou à corrida para terminar apenas 13 minutos atrás do vencedor. O Groupama, sem tempo para trocar o mastro, vai completar as últimas 600 milhas desta regata com uma mastreação de fortuna, sacrificando o descanso dos tripulantes em terra para garantir o pódio e manter vivas as esperanças de título nesta edição da Volvo.

No geral o Telefónica é mais uma vez o grande vencedor. Os espanhóis chegam a 147 pontos, 34 a mais do que o Puma. Mesmo quando o Groupama terminar, em terceiro, a vantagem do Telefónica terá aumentado de 15 para 20 pontos. A situação é tão confortável que, mesmo que o Telefónica garante a liderança mesmo com um penúltimo lugar na próxima etapa.

Dia 21 de abril acontece a reata costeira em Itajaí. Camper e Abu Dahbi ainda precisam provar que conseguem chegar à cidade catarinense para disputar os pontos em jogo nesta regata curta. No dia seguinte, quem estiver em Itajaí larga na sexta etapa, rumo a Miami.

Por Antonio Alonso às 17h52

Fernanda Oliveira e Ana Barbachan ficam com vaga olímpica na 470

Fernanda Oliveira e Ana Barbachan serão as representantes brasileiras da 470 na Olimpíada. Foto: Daniel Primo/CBVM

Acabou. Foi uma disputa duríssima, mas Fernanda Oliveira se consolida como a melhor timoneira do Brasil e acaba de garantir a vaga olímpica na classe 470 feminino. Ao lado da também gaúcha Ana Barbachan, Fernandinha terminou o Trofeo Princesa Sofia, em Mallorca, na 11a. posição, com 114 pontos perdidos, 21 a menos que as niteroienses Martine Grael e Isabel Swan, que terminaram em 16º. 

O resultado só saiu depois de muita água rolar. Foram três eventos qualificatórios: o Mundial de Perth, em dezembro, a Semana Brasileira, em fevereiro, e agora o Trofeo Princesa Sofia. Na Austrália, Martine e Isabel dispararam no final do campeonato e eu cheguei a acreditar que elas tinham dado o passo que faltava para estar entre as concorrentes claras a medalha. Tine e Bel lideraram e venceram regatas contra as melhores do mundo, deram as cartas na parte mais tensa do campeonato e terminaram o Mundial em sétimo lugar, classificando o Brasil e dando o primeiro passo para garantir a própria classificação.

Uma vitória na Semana Brasileira de Vela garantiria a primeira olimpíada de Martine Grael. No entanto, elas acabaram levando um verdadeiro baile. No match race (só havia dois barcos na raia), Fernanda e Ana venceram todas as regatas e jogaram a decisão para a Espanha.

No Trofeo Princesa Sofia, a experiência de Fernanda Oliveira falou mais forte, especialmente no começo do campeonato. Depois da quinta regata, Martine e Bel começaram a virar o jogo e velejaram consistentemente melhor. No entanto, uma desclassificação na largada da sétima regata foi um golpe do qual as niteroienses não conseguiram se recuperar. 

É uma pena que o Brasil não pode levar as duas tripulações para a Olimpíada. Fernanda Oliveira e Isabel Swan velejaram juntas em 2008 e foram as primeiras mulheres brasileiras a conquistar uma medalha olímpica, um bronze. Problemas de relacionamento e uma insatisfação técnica de Fernanda com relação a Isabel acabaram com a melhor dupla que o Brasil já conheceu. 

Neste momento, o Brasil está longe da medalha. Fernandinha e Bel tinham resultados muito mais expressivos há quatro anos. Eu não duvido da Fernandinha, ela é uma timoneira de talento raro, mas dessa vez vai ser bem mais difícil. Até porque ela teve de lutar pela vaga até agora e o apoio que as gaúchas têm também é diferente daquele de 2008, quando só havia uma dupla na parada.

Estou na torcida.

Por Antonio Alonso às 11h18

A menos de 50 milhas de Itajaí, Telefónica e Puma duelam por metros

Essa é exclusiva para você, leitor do blog. Faltam cerca de três horas para terminar a quinta etapa, e o Telefónica já chegou a "quase" ultrapassar o Puma. Navegadores que estão na água em Florianópolis, acompanhando os barcos, me informaram às 9h53: "Puma, de code zero, ficou sem vento no costão da praia da Joaquinha. Telefónica, uma milha atrás, viu o problema, colocou genoa, orçou e ultrapassou. Telefónica na frente!". 

Poucos minutos depois, no entanto, ficou claro que era uma ilusão de ótica provocada pelos bordos diferentes, o Puma ainda lidera, mas as apostas são todas para o Telefónica, que está andando mais rápido. Se o barco azul vencer, depois de parar 15 horas para consertos no cabo Horn, será uma vitória heróica.

O Puma está observando há dias o Telefónica encostar. O tripulante de mídia, Amory Ross, resumiu o sentimento a bordo: "Nós estamos fazendo nosso melhor, mas é desconcertante ver nossa liderança evaporar a cada hora (...) Já que não podemos fazer nada para deter o Telefónica, estamos focados em velejar nosso barco da melhor maneira que podemos".

Por Antonio Alonso às 10h14

05/04/2012

Na Espanha, dupla gaúcha do 470 vira o jogo e fica mais perto da vaga olímpica

 

Martine Grael e Isabel Swan estão em condição complicada. Foto: Daniel Primo/CBVM

Os brasileiros já garantiram sete das 10 vagas possíveis para a olimpíada deste ano. Das sete classes já classificadas, apenas uma ainda não conhece quem será a tripulação que vai representar o Brasil em Londres: a 470 feminino. Depois de um longo domínio de Fernanda Oliveira, que cultimou na medalha de bronze em Pequim 2008, ao lado de Isabel Swan, pela primeira vez a gaúcha encontrou uma adversária a sua altura. Isabel Swan, rejeitada por Fernanda como parceira pós-Pequim, formou dupla com a jovem timoneira Martine Grael, que superou todas as expectativas e — de repente — estava dando as cartas na 470. 

O choque de gerações foi apertado. Em dezenas de competições duas duplas brasileiras (Fernanda Oliveira agora com Ana Barbachan) andaram consistentemente juntas, como num balé sincronizado. Quando a disputa começou pra valer, no Mundial de Perth, no ano passado, Martine Grael e Isabel Swan atropelaram as gaúchas. Mas essa era só a primeira fase da série que definirá o representante brasileiro na raia olímpica inglesa. Na segunda fase, no Brasil, Fernanda Oliveira e Ana Barbachan devolveram o atropelo em grande estilo, vencendo todas as regatas. As duas disputam agora a fase final, em Palma de Mallorca, na Espanha. As gaúchas novamente começaram melhor e agora estão muito perto da vaga. Com oito regatas disputadas, Fernandinha e Ana estão em 13º lugar enquanto Tine e Bel estão seis posições atrás. Esta quinta-feira foi um dia ruim para ambas. Fernanda e Ana somaram um 18º lugar e um 38º, enquanto Martine e Isabel foram desclassificadas na primeira prova e terminaram em 30º lugar na outra.

Essa disputa provavelmente termina nesta sexta. Isso porque só as 10 melhores vão disputar a Medal Race, no sábado. Acho difícil as duas duplas avançarem às finais. Imagino até que Fernanda e Ana devem estar analisando a possibilidade de gastar as fichas nas duas últimas regatas da fase classificatória para atrapalhar a velejada das fluminenses. Afinal, tudo o que as gaúchas precisam é terminar na frente de Martine e Isabel. Neste momento, a balança pende muito mais para as gaúchas.

Segue o release completo que a ZDL fez sobre o campeonato: Após quatro dias de regatas em Palma de Maiorca, na Espanha, o Brasil tem boas chances de emplacar representantes na medal race (regata final, que reúne apenas os dez melhores da classificação geral) em três classes no 43º Troféu Princesa Sofía Mapfre, segunda etapa de 2012 da Copa do Mundo de vela: Robert Scheidt e Bruno Prada na classe Star, Bruno Fontes na Laser e as duplas Fernanda Oliveira/Ana Barbachan e Martine Grael/Isabel Swan na 470 feminina. Na sexta-feira serão disputadas as últimas duas regatas previstas (três no caso da 49er) antes da grande final do torneio, no sábado.


Os melhores brasileiros são Robert Scheidt e Bruno Prada. Atuais campeões mundiais e líderes do ranking da Isaf (Federação Internacional de Vela), eles estão em segundo lugar na classe Star, com 48 pontos perdidos. Os líderes são os ingleses Iain Percy e Andrew Simpson, com 40 pontos. A diferença entre os dois aumentou nesta quarta-feira, após um 17º dos brasileiros na última regata do dia (o resultado foi descartado e um 14º lugar passou a valer).

"É visível que está sendo um campeonato difícil para todos os competidores. Nós teremos que nos superar para ultrapassar os ingleses. Chegamos em boa colocação nas primeiras boias, mas encontramos dificuldades no vento em popa. Estamos trabalhando duro para acertar o barco nessas condições", diz Scheidt.

Duplas da 470 feminina fazem disputa acirrada - Na 470 feminina, em que o Princesa Sofia vale, também, para definir a dupla brasileira que vai velejar nos Jogos Olímpicos de Londres, a disputa nacional deixou o top-10 da classificação. Geral. As gaúchas Fernanda Oliveira e Ana Barbachan, que estiveram entre as dez primeiras durante todo o campeonato, agora ocupam a 13ª posição, com 98 pontos. As cariocas Martine Grael e Isabel Swan também caíram, para o 19º lugar, com 121 pontos.

O dia não foi bom para as duas duplas postulantes a Londres/2012. Fernanda e Ana somaram um 18º lugar e um 38º, enquanto Martine e Isabel foram desclassificadas na primeira prova e terminaram em 30º lugar na outra.

A outra chance de medal race do Brasil chega com Bruno Fontes, na classe Laser. Após um início de campeonato ruim, o catarinense passou a subir na classificação. Nesta quinta-feira, já com a divisão de flotilhas (todos os velejadores são divididos segundo a classificação geral e os 46 primeiro velejam juntos), Bruno velejou na Flotilha Ouro e fez um 11º e um sexto lugares, somando agora 77 pontos perdidos. Para chegar à medal race, ele precisa entrar no grupo de dez melhores, que hoje é fechado pelo sueco Rasmus Myrgren, com 68 pontos.

Nas demais classes, os brasileiros tiveram dificuldades. Jorge Zarif, na classe Finn, segue alternando boas exibições com performances medianas. Nesta quinta, ele marcou um 9º lugar e um 30º, subindo para o 30º lugar na classificação geral, com 177 pontos. Adriana Kostiw, da Laser Radial, que está competindo apesar de forte gripe, teve problemas no terceiro dia de disputas, e foi desclassificada nas duas regatas. Nesta quinta-feira ela foi oitava na flotilha prata e está na 79a. posição, com 196 pontos. 

Já nas classes 470 masculino e 49er os brasileiros estão aproveitando o Princesa Sofia para se preparar para os Mundiais específicos, em que terão a última chance para classificar o Brasil para os Jogos Olímpicos. Na 49er, André Fonseca e Marco Grael estão em 46º lugar, ainda buscando adaptação à condição da raia. Nesta quinta, já com a divisão de flotilhas, os dois conseguiram um terceiro lugar no Grupo Prata.

"Estamos com grandes dificuldades nas condições do campeonato, com ventos de 7 a 10 nós, com muita onda e balanço do barco. Ainda não conseguimos desenvolver uma velocidade satisfatória e isso dificulta muito o resultado. As largadas também têm sido bem difíceis, não conseguimos arrancar o barco rápido e isso dificulta mais uma vez. Estamos com uma performance abaixo do necessário para ir aos Jogos, mas estamos buscando soluções para os próximos eventos", analisa André Fonseca.

Já Fabio Pillar e Gustavo Thiesen estão em 37º lugar e comemoram a classificação para o Grupo Ouro da 470 masculina. Os dois mostraram melhora significativa nesta quinta, marcando um 9º lugar velejando contra os melhores do torneio. "Nossa performance está sendo mais consistente do que nos primeiros dias de regatas. Eliminamos alguns erros, mas ainda não estamos contentes com a velocidade do barco nessa condição de ventos fracos. Os resultados podem melhorar bastante quando encontrarmos um bom ajuste para regatas de brisa", explica Fabio.

Resultados dos brasileiros no Troféu Princesa Sofia:
(Posição geral - Nome - Pontuação total - Pontuação por regata) 

Laser Radial 
65º Maria Cristina Boabaid - 157 (26 + 30 + 46/DNF + 22 + 38 + 28 + 28)
79º Adriana Kostiw - 196 (40 + 29 + 27 + 46/OCS + 46/DNC + 46/DNC + 8)

Laser 
15º Bruno Fontes - 77 (21 + 13 + 4 + 7 + 22* + 15 + 11 + 6) 

99º Alex Veeren - 156 (32 + 47/DNC + 36 + 25 + 40 + 19 + 4)

470 masculino
37º Fabio Pillar e Gustavo Thiesen - 144 (28 + 33 + 15 + 21 + 19 + 19 + 9 + 46*) 

89º Carlos Wanderley e Nicolas castro - 262 (37 + 30 + 43 + 28 + 35 + 41 + 47/DNC + 47/DNC*)

470 feminino
13º Fernanda Oliveira e Ana Barbachan - 98 (7 + 3 + 2 + 29 + 27 + 11 + 18 + 38*)
19º Martine Grael e Isabel Swan - 121 (14 + 32 + 5 + 28 + 10 + 1 + 53/BFD* + 30)

49er
48º André Fonseca e Marco Grael - 196 (20 + 29* + 24 + 6 + 21 + 22 + 26 + 19 + 28 + 27/BFD + 3)


Finn
30º Jorge Zarif - 177 (28 + 27 + 58/DNF* + 34 + 40 + 8 + 9 + 30) 

56º Arthur Lopes - 350 (49 + 50 + 52 + 50 + 56* + 53 + 44 + 52)

Star
2º Robert Scheidt e Bruno Prada - 48 (14 + 10 + 3 + 4 + 7 + 5 + 5 + 17*)


Em negrito, membros da Equipe Brasileira de Vela

 

Por Antonio Alonso às 18h05

Mastreação de fortuna: a arte de fazer gambiarra em grande estilo

Para mim, o MacGyver sempre será o eterno rei da gambiarra. Depois dele, vêm os velejadores. Se alguém acha que não é preciso estilo para fazer uma gambiarra bem feita, veja bem esse vídeo do Groupama. Os caras fazem um veleiro sem mastro velejar mais rápido do que 95% dos barcos da Semana de Vela de Ilhabela. Mais do que isso, eles estão agora em Punta del Este dando um tapa na gambiarra e vão voltar ao mar com a mastreação de fortuna para terminar a perna, em terceiro lugar (bem à frente do Camper, que ainda está no Chile).

Esse post também dá uma explicada melhor para o Rui Viggiano Filho, que queria entender o que é a mastreação de fortuna.

Por Antonio Alonso às 17h46

Pelo pódio, franceses da Volta ao Mundo chegarão com barco quebrado em Itajaí

Vai ser bonito ver o Groupama chegando todo feio em Itajaí. Foto: Yann Riou/Groupama Sailing Team/Volvo Ocean Race

O Camper caminha a passos largos para voltar à regata. Foto: Hamish Hooper/CAMPER ETNZ/Volvo Ocean Race

O Groupama, que quebrou o mastro por volta do meio-dia de ontem, está em Punta del Este e já percebeu que não terá tempo de fazer a troca do equipamento e manter o terceiro lugar na etapa da Volvo Ocean Race entre a Nova Zelândia e O Brasil. Os franceses decidiram voltar para a água, com o mastro quebrado mesmo, e vão velejar as últimas 600 milhas com mastreação de fortuna (uma gambiarra da marinharia) para garantir o pódio. A imagem da chegada será heróica, com certeza. Enquanto isso, a equipe ganha tempo para o transporte do mastro reserva até Itajaí, onde os reparos definitivos serão feitos.

As notícias de que o Camper, parado na costa do Chile desde ontem, está trabalhando em ritmo acelerado para voltar à água provavelmente ajudaram os franceses a optar pela rota mais rápida. Tarcisio Mattos, velejador catarinense e leitor deste blog apostou ontem que os franceses completariam a perna com mastreação de fortuna, e acertou.

Enquanto isso, na ponta da flotilha, o Puma entra em águas brasileiras nesta quinta-feira e ganhou um pouco de folga com relação ao Telefónica, que chegou a ficar menos de 40 milhas atrás dos americanos. O barco espanhol, que parou para reparos no Sul da América do Sul e voltou à água 15 horas depois, agora está a mais de 60 milhas atrás do Puma. Como o mais nobre dos competidores, o Telefónica preferiu arriscar suas fichas e vai seguir lutando até a última milha. Sem nada a perder, o barco espanhol veleja cerca de 30 milhas mais afastado da costa que os americanos onde os ventos, até a manhã desta quinta, ainda eram mais fortes. Como dizem os gaúchos, "não está morto quem peleia".

Por Antonio Alonso às 11h46

04/04/2012

É verdade: Groupama quebrou o mastro. Restam dois

Podem anotar nos caderninhos: Esta é a perna mais traiçoeira da história da Volvo Ocean Race. Ok, ninguém morreu, mas dos seis barcos que largaram da Nova Zelândia, só dois continuam velejando. Desses dois, um (o Telefónica) foi obrigado a parar uma vez, com uma delaminação enorme no casco. Só o Puma não quebrou nada até agora. O Groupama quebrou o mastro logo acima da primeira cruzeta e está a 60 milhas de Punta del Este.

Por pior que seja para os franceses, a notícia é ótima para o Telefónica, que só precisa chegar para garantir o segundo lugar (resultado ótimo para quem já parou uma vez). Além disso, o Telefónica está atualmente velejando em ventos melhores que o Puma e pode até ultrapassar os norte-americanos. O Groupama, com 15 pontos a menos que os espanhóis na classificação geral, era um dos poucos barcos a terminar todas as pernas e era também o maior adversário do líder Telefónica até agora.

O Groupama deve rumar para terra o mais rápido possível, provavelmente para Punta del Este e aposto que eles vão tentar terminar essa perna para garantir o terceiro lugar.

Não tenho informações do motivo da quebra, o vento e o mar não estavam especialmente perigosos.  Em breve teremos mais notícias.

Por Antonio Alonso às 15h07

Camper ainda sonha chegar velejando ao Brasil; Abu Dahbi vem de navio

Camper chega ao Chile. Foto: Hamish Hooper/CAMPER ETNZ/Volvo Ocean Race

Velejadores checam gambiarra no Abu Dahbi. Foto: Nick Dana/Abu Dhabi Ocean Racing/Volvo Ocean Race

Bastante quebrados, dois veleiros da Volvo Ocean Race encostam agora na costa chilena para reparos. O hispano-neozelandês Camper afirmou que pretende fazer os reparos e terminar esta perna velejando. Só o conserto do barco deve demorar quatro dias. Como a regata costeira em Itajaí está programada para dia 19 de abril, eles até terão tempo de fazer tudo isso. Não sei se terão tempo para fazer os reparos da maneira que precisam ser feitos. Neste momento, um reparo apressado pode significar o fim da competitividade do barco, com o acréscimo de 50 ou 60 quilos de reforços na proa, que é uma região delicada para receber pesos. No entanto, eles têm pouca escolha.

Já o Abu Dahbi, que colocou mais de 30 parafusos no casco e montou uma gambiarra complexa para manter o barco inteiro, disse que vai para a regata costeira de Itajaí, mas de navio. 

Enquanto isso, lá na frente da flotilha, Groupama e Puma ficam trocando de posições e vêem o Telefónica se aproximar. O barco espanhol, que parou em terra durante 15 horas para reparos, voltou com tudo e está pegando ventos melhores do que os líderes. O Telefónica também apostou numa rota diferente, mais a leste, enquanto Groupama e Puma velejam perto da costa. Por enquanto, o Telefónica tem se dado melhor. Diminuiu uma distância que era de 400 milhas para menos de 60 em três dias.

Por Antonio Alonso às 07h06

03/04/2012

Volta ao Mundo: A bordo, comandante do Puma dá entrevista exclusiva para o UOL

Ken Read na passagem do Horn. Foto: Amory Ross/PUMA Ocean Racing/Volvo Ocean Race

No dia em que o Puma retoma a liderança da quinta perna da Volvo Ocean Race, o comandante Ken Read respondeu uma entrevista exclusiva para o UOL. A bordo, ele enviou um e-mail confirmando que o pior já passou e que a subida pela costa leste da América do Sul é um jogo de sorte. Que o diga o Telefónica, que diminuiu uma desvantagem de mais de 400 milhas em relação aos líderes para apenas 88 em três dias. Bem-humorado, Ken brincou sobre o joguinho virtual da regata e confirmou que ele considera os veleiros desta edição mais fortes e mais bem construídos do que os veleiros da edição passada. Rumores sobre a má qualidade dos barcos dessa edição surgiram com força depois que cinco dos seis veleiros (todos, menos o Puma) sofreram com delaminações na proa.

Segue a entrevista completa com o skipper do Puma. Uma das perguntas foi vetada pela Puma. Eu pedia para Ken explicar os motivos de o Puma ter sido o único barco a não quebrar. A Puma achou que isso poderia ser entendido como uma quebra nas regras que limitam o acesso a informações sobre os outros barcos, o que poderia acabar penalizando o Puma.

Sobre as Águas: Nós andamos preocupados com vocês, como está a situação a bordo agora? O pior já passou mesmo?

Ken Read: O pior já passou com certeza, isso foi lá no Cabo Horn. Mas ainda estamos num momento difícil, já que este é um momento muito estratégico desta perna. É preciso ter um pouco de sorte. Às vezes, as coisas dão certo pra você, às vezes, não. É uma questão de acaso, é difícil. Às vezes, venta forte, às vezes você fica à deriva. A parte brutal acabou, mas a parte difícil continua. Neste momento, nós estamos tentando vencer uma regata [e não mais tentando sobreviver].

Sobre as Águas: O que aconteceu nesta perna maluca?

Ken Read: Aconteceu tudo o que se desenhava desde Auckland até o Cabo Horn. Foi brutal, foi sem descanso, foi perigoso às vezes. Nós nunca perdemos o controle, mas certamente velejar máquinas de Fórmula 1 nesses mares de 50 nós não é moleza. A boa notícia é que, mesmo tendo alguns feridos, todos estão se recuperando agora, nós estamos todos a salvo e o barco está inteiro. Estamos orgulhosos dessa conquista. Agora é hora de conseguir o melhor resultado possível.

Sobre as Águas: Em terra, existe muita gente falando que os barcos desta edição estão quebrando mais porque são mais fracos que os da última Volvo. Você esteve nos dois. É verdade?

Ken Read: Com certeza os barcos desta edição são mais fortes do que os da última Volvo. Eu acho que a competição ficou mais acirrada e os barcos estão sendo levados mais ao limite. Há também muita sorte envolvida aí. A onda errada na hora errada pode quebrar qualquer coisa – poderia quebrar seu carro, sua bicicleta, pode quebrar muita coisa. Nós tivemos um pouco de sorte, e mostramos boas habilidades no mar. Houve momentos em que nós percebemos que as condições estavam um pouco severa demais para o barco e tiramos o pé do acelerador de leve. A diferença entre os dois é pequena, mas com certeza os barcos atuais são mais fortes e melhor estruturados do que os da última edição. A competição ficou melhor, as apostas são mais altas e os barcos estão sendo mais exigidos.

Sobre as Águas: Qual o desafio do Puma daqui pra frente nesta etapa?

Ken Read: No momento o vento está fraco, estranho, instável. Além disso, os modelos de previsão do tempo não são tão bons nesta parte do mundo. Portanto, é difícil de prever. Nós temos apenas que continuar velejando rápido e tentar ficar à frente do Groupama neste momento. Não é fácil. 

Sobre as Águas: Eu nunca me esqueço que você esteve no Rio na última regata e me disse que a Guanabara foi o lugar mais sujo em que você já velejou em toda sua vida. No mês que vem, o Brasil recebe a Rio +20. Você tem alguma mensagem para nós desta vez?

Ken Read: Os oceanos estão sendo negligenciados e nós estamos na primeira fila assistindo a tudo isso enquanto velejamos ao redor do mundo. Depende de nós, embaixadores dos oceanos, encarar os problemas e encorajar pessoas a criarem soluções. Algumas partes deste mundo estão uma bagunça, e é realmente triste observar isso. Se depender da nossa voz para atrair atenção, nós temos a responsabilidade de fazê-lo enquanto navegadores e enquanto pessoas que amam os oceanos.  

Sobre as Águas: Eu sei que seu irmão é uma fera no joguinho virtual da Volvo. Há milhares de brasileiros concorrendo com ele. Você tem alguma dica para este trecho final da etapa até Itajaí?

Ken Read: Tenho! Continuem no joguinho virtual e em seus sofás. É muito mais confortável do que a regata de verdade!

 

Por Antonio Alonso às 17h17

Mais um atropelamento. Será que o jet ski atrai imbecis?

Tá lá no UOL de hoje. Mais um atropelamento com morte envolvendo jet ski. Quando aconteceu o caso da garota Grazielly, morta aos 3 anos de idade em Bertioga, eu me posicionei contra o linchamento dos jets. Posição que mantenho. Eu não conheço os detalhes desse atropelamento em particular, mas não dá pra fugir da pergunta: "será que o jet ski tem um poder de atrair imbecis?". É possível. 

Acidentes acontecem e sempre vão acontecer. Mas tem que acontecer tanto com quem anda de jet? Tecnicamente, é fácil manobrar um jet e ficar longe das pessoas que estão na praia. Talvez, psicologicamente, não seja tão fácil ficar longe da platéia. Aí, quando junta um cidadão inexperiente com vontade de se mostrar e uma máquina com um motor com a potência de dois Veloster  e metade do peso, só pode dar em caca mesmo.

Galera, gosta de andar de jet? Vai aprender antes. Gosta de se mostrar? Estude violão. Não machuca ninguém.

Por Antonio Alonso às 16h17

Sem surpresa: Grande SP é reprovada em ranking do esgoto

Matéria de Eduardo Geraque de hoje na Folha de S.Paulo revela que, segundo a Cetesb, "as regiões da Grande São Paulo, do litoral norte, da Baixada Santista e da Mantiqueira, onde fica Campos do Jordão, estão entre as que mais sujam os rios do Estado".

Alguém pode argumentar: "mas é claro que a Grande SP fica pior no ranking, é a região mais desenvolvida, por isso suja mais". Primeiro, se você pensou assim, precisa começar a descobrir que existe (sim, existe) uma diferença entre desenvolvimento e porquice. Segundo, vale destacar que São Caetano do Sul teve nota 10, enquanto Itapecerica da Serra teve nota 0,1. E os critérios não são nem tão rígidos assim, pelo visto. São Paulo teve nota 6,7.

Ah, o governo planeja rios sem esgoto em 2020. É uma pena, mas eu não acredito. Acho que tenho motivos.

Assinantes Folha e UOL podem ler a matéria completa clicando aqui.

Por Antonio Alonso às 16h02

Volta ao Mundo: Golpe de sorte dá novas esperanças ao Telefónica

Diego Fructuoso/Team Telefonica/Volvo Ocean Race

Sabe quando tudo parece dar certo, mesmo quando dá errado? Pois é, eu também não sei. Mas os tripulantes do Telefónica estão vivendo exatamente isso agora. Eles pararam 15 horas no Cabo Horn para consertar um casco que ameaçava quebrar e chegaram a ficar 300 milhas atrás dos líderes. Num golpe de sorte, o vento "morreu" para Puma e Groupama, que estavam na frente, e o Telefónica agora é o barco mais veloz da flotilha, a apenas 95 milhas dos líderes.

"Foi sorte pura mesmo", confessou o comandante espanhol Iker Martínez. Sorte ou não, agora eles querem capitalizar a oportuinidade e, quem sabe, roubar mais uns pontinhos. 

O lugar no pódio está praticamente garantido. Todo mundo atrás do Telefónica está quebrado. O quarto colocado, Abu Dahbi, está há quase duas mil milhas de distância,  e provavelmente vai parar para reparos. O Camper já está parado.

Os velejadores que lêem esta coluna vão se lembrar de alguma regata em que o vento acabou para os grandões lá na frente, fazendo a festa de quem vinha atrás. Costuma-se dizer que, nesses casos, o grandão vai "estourando as minas" à frente. Cada vez que um pequeno vê o grande parado, sabe que precisa desviar da zona sem vento. O Telefónica tem essas opções na mão agora. A zona sem vento é bem grande, o desvio não é tão simples assim. Mas a oportunidade está oferecendo aos espanhóis muito mais do que eles jamais sonharam em pedir depois da parada de emergência no Horn.

Por Antonio Alonso às 12h26

Neymar compra Azimut 78, iate pra gente de altíssimo bom gosto

Deu aqui no UOL hoje. Neymar comprou uma Azimut 78 (boa escolha) usada (pô, Neymar!) e vai homenagear a mãe ao batizar a lancha. A Azimut é um dos principais estaleiros de luxo do mundo em tradição e qualidade de construção. A 78 é uma das menores lanchas do que eu posso chamar de linha super-premium da Azimut, são feitas em uma fábrica separada das lanchas menores, com um controle de qualidade altíssimo, superior a tudo o que se faz aqui no Brasil (o que não é verdade para as Azimut menores). Não é um barco para corridas, é uma casa de luxo (não esse luxo de shopping center, luxo de bom-gosto de verdade). É um barco no qual você gostaria de dar uma recepção, não um barco para levar a mulherada. Se é que vocês me entendem.

Eu havia postado aqui que o preço estava alto demais, mas depois fui alertado que R$ 15 milhões é o preço de uma lancha nova. Neymar pagou menos do que isso em sua Azimut 78 usada.

Por Antonio Alonso às 10h59

02/04/2012

Deram trabalho: Marinha dos EUA precisa resgatar velejadores da "Volta ao Mundo para Amadores"

Deu no blog do Murillo Novaes: "Marinha americana faz operação de resgate na Clipper Race". A Clipper Round the World é uma regata de volta ao mundo para amadores. Você paga e entra nessa aventura (ou furada, como preferir). Os barcos são veleiros de 68 pés, bem menos modernos que os da Volvo Ocean Race, mas não deixam de ser veleiros de competição oceânica, com toda falta de conforto, stress e racionamento de espaço e comida de uma volta ao mundo "de verdade". Se na Volvo Ocean Race já tem gente se machucando, imagine na Clipper. Mesmo com um percurso menos radical, quatro dos tripulantes do veleiro Geraldton Western Australia se deram mal depois que uma onda atingiu o convés no sábado (29), a 400 milhas da costa da Califórnia. Os amadores faziam o trecho final da perna entre China e EUA quando uma onda enorme quebrou na popa do barco. Dois tripulantes tiveram de ser evacuados para atendimento médico. Como as condições do tempo não eram favoráveis a uma remoção aérea, foi preciso o apoio de um navio da Guarda Costeira Americana. Segundo o site do Murillo, os feridos foram "a médica Jane Hitchens, 50, está com duas costelas quebradas e recebendo oxigênio, enquanto o engenheiro de software Nick Brbora, 29, pode ter fraturado a pélvis. Já o fazendeiro Max Wilson,62, que também está com duas costelas quebradas, e Mark Burkes, 47, que estava no leme na hora do incidente e possui uma fratura nas costas, ainda estão a bordo do veleiro".

Achou que era fácil?

Por Antonio Alonso às 18h21

470: Gaúchas disparam como favoritas à vaga olímpica brasileira

Foto: Jesús Renedo/Sofia Mapfre
Do Clube dos Jangadeiros: E começou nesta segunda-feira (2) o Trofeo Princesa Sofia. Disputado em Palma de Mallorca, na Espanha, o evento é particularmente importante para a Fernada Oliveira e Ana Barbachan (foto), já que pode definir a classificação das velejadoras do Clube Dos Jangadeiros para os Jogos Olímpicos de Londres. As atletas travam um duelo particular com Martine Grael e Isabel Swan, do Rio de Janeiro, para ver quem fica com a vaga brasileira na classe 470 - Feminina. 

E as gaúchas estrearam com o pé direito. Após a realização de duas regatas, Fernanda e Ana ocupam o terceiro lugar, com apenas 10 pontos perdidos (7º e 3º). Já Martine e Isabel estão na 23ª colocação, com 46 pontos perdidos (14º e 32º).


Por Antonio Alonso às 17h04

Trofeo Princesa Sofia começa pra valer hoje, valendo vaga e medalha entregue pelo rei

Martine Grael e Isabel Swan já mostraram talento de sobra. Mas e a experiência para derrotar Fernanda Oliveira? Foto: Marcio Rodrigues/Mpix

Por mais que se tente disfarçar e negar que a Vela seja um esporte de elite, tem sempre uns caras que queimam o filme. Nesse quesito, os reis são imbatíveis. Afinal de contas, sempre aparece um deles no meio das regatas. E eu não estou falando do príncipe Albert dando recepções no Yacht Club de Mônaco, falo por exemplo do rei da Noruega, Olavo V, que foi medalha de ouro na Olimpíada de Amsterdã, em 1928. Ou do rei Juan Carlos, da Espanha (aquele do ¿Por que no te callas?), que – se deixarem – está todo fim de semana disputando regatinha no Mediterrâneo. 

E é o rei Juan Carlos que vai premiar – pessoalmente – os vencedores do Trofeo Princesa Sofia, que começa nesta segunda e rola durante toda a semana em Palma de Mallorca, na Espanha.

Para os atletas brasileiros já classificados será mais um teste contra os melhores do mundo, agora sem a pressão da disputa por uma vaga. O 49er e o 470 masculino, que ainda não garantiram vaga na Olimpíada, estarão lá, fazendo os últimos ajustes e acertos no barco. 

Mas o centro das atenções – pelo menos para nós, brasileiros – estará mesmo na 470 feminino. Nesta classe, duas das tripulações mais talentosas que o Brasil já viu vão se enfrentar em uma batalha que não poderia estar mais equilibrada. As gaúchas Fernanda Oliveira e Ana Barbachan andaram juntas com as niteroienses Martine Grael e Isabel Swan em praticamente todas as competições internacionais que disputaram nos últimos anos. Na seletiva brasileira, as niteroienses venceram a primeira fase e as gaúchas a segunda, levando a disputa para o Trofeo Princesa Sofia.

Eu estou bem certo de que a única dupla brasileira capaz de enfrentar essas duas é justamente a que ficou com o bronze (primeira medalha olímpica da história da vela feminina brasileira) na China em 2008, Fernanda Oliveira e Isabel Swan. No entanto, o relacionamento das duas, desgastado por anos de treino e convivência, forçou a separação da dupla já no dia seguinte à conquista do bronze. Fernanda Oliveira, uma das melhores timoneiras que o Brasil já viu, estava descontente com sua proeira e achou que poderia ir muito além com uma parceira mais habilidosa. Enquanto Fernanda encontrou uma jovem proeira em seu clube, em Porto Alegre, Isabel Swan foi convidada para fazer dupla com Martine Grael, que até então não tinha mostrado as garras em classes olímpicas. Mas a dupla de niterói acabou dando muito certo e chegou até a ganhar regatas no último Mundial, na Austrália, quando terminou em sétimo lugar.

Prognóstico? Vai depender muito do psicológico das duas duplas. Eu fiquei muito bem impressionado com a recuperação de Martine e Bel no Mundial da Austrália. Nos últimos dias desse mundial, elas acertaram as largadas e passaram a velejar consistentemente um nível acima daquilo que elas haviam mostrado até então, enferntando em igualdade as melhores do mundo. Se elas velejarem daquele jeito, a vaga é delas.

No entanto, Fernanda Oliveira tem uma maturidade e experiência que a dupla de Niterói ainda vai demorar algum tempo para alcançar. Na fase brasileira da seletiva, as gaúchas ganharam simplesmente todas as regatas que disputaram num mano-a-mano contra Martine e Bel. 

As duas equipes treinaram muito, fora do Brasil. Eu vou ficar de olho nesse primeiro dia. Ou elas vão andar coladas uma na outra, ou...

A assessoria de imprensa ZDL fez um levantamento de todas as classes:

Laser Radial (11 regatas programadas)
A representante brasileira na classe Laser Radial é Adriana Kostiw, que já garantiu a vaga olímpica. Após superar os problemas de transporte causados pela greve geral na Espanha, ela terá a chance de encarar as melhores do mundo em sua categoria. São 92 inscritas, incluindo a campeã mundial Marit Bouwmeester, da Holanda, e a número 1 do ranking mundial, Evi Van Acker, da Bélgiva.

Laser (11 regatas programadas)
A classe Laser conta com a maior flotilha do Princesa Sofia, com 148 inscritos. Dos dez líderes do ranking mundial, oito estarão competindo em Palma. Um deles é o catarinense Bruno Fontes, número 4 do mundo. "Os resultados da temporada, até agora, têm sido excelentes. Subi ao pódio em todos os eventos que disputei. Espero continuar essa sequência", fala Bruno.

Finn (11 regatas programadas)
Mais jovem da equipe brasileira, com 19 anos, Jorge Zarif é o 40º colocado do ranking mundial. Na Espanha, ele vai competir com outros 57 velejadores da classe Finn, incluindo o campeão mundial Giles Scott e o tricampeão olímpico (e atual campeão da Copa do Mundo de vela) Ben Ainslie, ambos do Reino Unido, e o vice-campeão mundial, Pieter Jan Postma, da Holanda.

470 feminino (11 regatas programadas)
Para o Brasil, a classe 470 feminina é a mais importante do Troféu Princesa Sofia: nas águas espanholas acontecerá a definição da dupla classificada para os Jogos Olímpicos de Londres, que irá defender o inédito bronze de Pequim/2008. Fernanda Oliveira/Ana Barbachan e Martine Grael/Isabel Swan estão empatadas no processo de classificação olímpico e a dupla que ficar na frente em Palma garante lugar em Londres/2012. A classe terá 53 participantes.

470 masculino (11 regatas programadas)
Os integrantes da equipe brasileira de vela são Fábio Pillar e Gustavo Thiesen, mas o Brasil ainda não tem a vaga olímpica. Os dois vão usar a competitividade de Palma, em que estarão competindo os números 1 do mundo, Mathew Belcher e Malcolm Page, da Austrália, e os vice-líderes da Copa do Mundo, Stuart Mcnay e Graham Biehl, dos EUA, para treinar para a última chance de classificação para Londres: o mundial da classe, em Barcelona, a partir do dia 10 de maio, em que sete vagas olímpicas estarão em disputa.

49er (16 regatas programadas)
A classe 49er está na mesma situação da 470 masculina: ainda sem vaga, os integrantes da equipe brasileira, André Fonseca e Marco Grael, estão na reta final de preparação para o Mundial da classe, em maio, em Zadar, na Croácia, que define as últimas quatro vagas para Londres/2012. Na Espanha, a dupla brasileira terá a chance de enfrentar os líderes e vice-líderes do ranking mundial, Nico Delle-Karth e Nikolaus Resch, da Áustria, e Allan Norregaard e Peter Lang, da Dinamarca, além dos atuais campeões em Palma, Manu Dyen e Stephane Christidis, da França.

Star (11 regatas programadas)
Na classe Star, o Brasil entra como favorito, graças ao bom momento da dupla Robert Scheidt e Bruno Prada. Líderes do ranking mundial, os dois venceram todos os campeonatos que competiram na temporada. "Já lido com o favoritismo há muito tempo, desde a época da Laser. Não é novidade", afirma o bicampeão olímpico Robert Scheidt. Na Espanha, os dois terão pela frente um novo duelo com os campeões olímpicos Iain Percy e Andrew Simpson, do Reino Unido, atuais campeões, também, do Princesa Sofia.

RS:X masculino e feminino
Os dois representantes da prancha a vela na equipe brasileira, Ricardo Winicki e Patrícia Freitas, disputaram o mundial da categoria, em Cadiz, também na Espanha, que terminou neste domingo. Bimba terminou em 76º lugar e Patrícia, em 31º.

Por Antonio Alonso às 01h36

01/04/2012

No 1º de abril, todas as tarefas do Groupama ficam a cargo de um homem só

Enquanto alguns times lutam para conseguir chegar em terra e salvar seus barcos que ameaçam desmontar no meio do oceano, o líder Groupama teve tempo de gravar uma mensagem bem-humorada de primeiro de abril. No vídeo, o irlandês Damian Foxall (que chegou a ser anunciado no Brasil 1 em 2005, mas não velejou) explica como está dando certo a ideia de deixar apenas um homem encarregado de todas as funções a bordo, enquanto os outros 10 dormem no cockpit. "O problema é que não temos macas para todos. Mas, nesses dias frios, é até bom ter alguém por perto para dividir essas macas apertadas", contou.

O vídeo é uma brincadeira de primeiro de abril, mas vale lembrar que o skipper do Groupama, Franck Cammas, está bastante acostumado a velejar sozinho barcos até maiores (e mais rápidos) do que os V70, de 70 pés da Volvo Ocean Race. O Groupama 3, por exemplo, tem mais de 100 pés e foi velejado por Cammas solitário em várias oportunidades.

Enquanto o Groupama brinca, o Puma apertou o cerco e os dois barcos estão praticamente juntos na tabela de posições, 300 milhas à frente do Telefónica.

 

Por Antonio Alonso às 13h39

Telefónica conserta casco no Chile e retorna à regata. Tripulante ferido fica em terra

Foto: Diego Fructuoso/Team Telefonica/Volvo Ocean Race

Na Regata Volta ao Mundo, quando um barco faz uma parada, ele precisa ficar pelo menos 12 horas "de castigo", mesmo que a parada seja para só para um pipi. O Telefónica fez todos os reparos e retornou à competição 15 horas depois de ter parado. O barco espanhol estava com uma delaminação na proa e os tripulantes não estavam conseguindo contornar o problema no ambiente molhado e frio do oceano. O skipper Iker Martinez já havia dito que seria "brincadeira de criança" fazer o conserto em terra. Parece que foi mesmo.

O Telefónica ficou parado na ilha Herschel, dentro do Parque Nacional Cabo de Hornos, no Chile. O casco do barco continuava intacto por dentro, apesar da delaminação, que enfraquece e "amolece" a fibra de carbono. Foi esse o mesmo problema que aconteceu com Sanya, Camper e Abu Dahbi nesta perna e com o Groupama na perna anterior.

Eu comentei aqui antes que eu tinha informações não-confirmadas de que o Telefónica levava um tripulante ferido a bordo. Sim, era real. Antonio "Ñeti" Cuervas-Mons sofreu uma lesão nas costas, também provocada pelas pancadas constantes do casco na água e a equipe avaliou que seria melhor retirá-lo do barco agora para tê-lo totalmente recuperado para a próxima etapa.

Groupama e Puma continuam liderando, num match race particular. O Telefónica perdeu 200 milhas com a parada, mas não tem motivos para muita preocupação. Camper e Abu Dahbi, os outros dois barcos que ainda velejam nesta perna, estão bastante avariados. O Camper se dirige para a costa do Chile e o Abu Dahbi, embora não tenha ainda anunciado oficialmente, parece fazer o mesmo. 

Com 15 pontos de vantagem na classificação geral, o Telefónica só precisa chegar em terceiro para garantir a liderança por mais uma etapa. Abu Dahbi e Camper devem revelar detalhes de seus planos em breve. O time árabe já deixou claro que não descarta o plano de colocar o barco em um caminhão rumo a Itajaí.

Por Antonio Alonso às 01h35

Sobre o autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.

Sobre o blog

A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.

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