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31/03/2012

Volta ao Mundo: Telefónica para no Cabo Horn para reparos

Eu andei vendo os vídeos das equipes nos últimos dias, e as imagens são de um pós-guerra. Mesmo no Puma, o único barco que não teve delaminação no casco até agora, a cara do skipper Ken Read é a de um moribundo. Enquanto Groupama (líder) e Puma já sobem a costa argentina, com uma diferença de 30 milhas entre si, o Telefónica, parado no cabo Horn, ainda é o terceiro colocado. A ideia de Horácio Carabelli, diretor técnico da equipe, é colocá-los de volta no mar dentro de 12 horas. A boa notícia é que a informação que eu tinnha, sobre um tripulante bastante ferido a bordo, parece ter sido boato.

Eu vou deixar uma tradução rápida aqui do relato de Amory Ross, tripulante de mídia do Puma, que disse que "ultrapassou seus limites muito além do que ele imaginou ser possível um dia":

"O Cabo Horn pareceu com qualquer outro robusto afloramento à beira-mar no horizonte, irregular e rasgado por anos de constantes  golpes muito parecido com o tipo de montanhas que passamos 12 dias vendo. Quando nos aproximamos, porém, navegando perto das últimos montanhas cobertas de neve e um nascer do sol vermelho brilhante, eu comecei a perceber que o espetáculo Horn não está na sua beleza, mas o seu significado.

Este é o Cabo Horn, no extremo sul da América do Sul, o ponto mais meridional do continente na Terra. É frio, escuro e cru, e a vida é dura. E tão impressionante como a rocha estava, ela representa muito mais: ela representa desafio total e recompensa aqueles que a aceitam de forma responsável.

Eu acho que há menos pessoas que navegaram em torno do Cabo Horn da forma como fizemos, com o sofrimento que nós tivemos, do que as que escalaram o Monte Everest. E olhando para aquela ilha sinistra hoje, eu percebi que eu ultrapassei  meus limites bem além do ponto de eu nunca pensei possível... nem mesmo de longe. A maioria daqueles que completam sua primeira viagem em  torno desse ponto sente um pico de orgulho.

Então, sim, hoje nós navegamos por uma grande pedra preta com material verde que cresce ao lado. Mas hoje nós também realizamos algo grande. Essa perna Oceano Antártico foi uma que vai ficar na história, e nós fizemos isso juntos.

Fizemos da maneira correta, de forma segura, e nós nos divertimos fazendo isso. Apertos de mão, sorrisos, charutos e um gole de rum confirmaram que havia algo para comemorar, algo muito diferente para todos, e então nós estávamos em nosso espírito alegre de novo, os olhos mirando ao norte, para o Brasil.

Mas, afinal de contas, a folia, quando coloquei minha câmera para baixo abaixo para iniciar o almoço, percebi que nunca tive tempo para lembrar, a olhar com meus olhos. Então eu subi para o convés, parei junto ao back stay, e vi desaparecer de Cabo Horn à distância."

Por Antonio Alonso às 10h43

30/03/2012

Telefónica muda planos e decide parar no Cabo Horn

Foto: Diego Fructuoso/Team Telefonica/Volvo Ocean Race

A equipe espanhola Telefónica entrou em contato nesta sexta-feira com o diretor técnico da equipe, o brasileiro Horácio Carabelli, e juntos eles decidiram que os reparos no barco serão feitos na baía Maxwell, região do cabo Horn. A ideia é fazer os reparos em 12 horas e poupar tempo, já que Puma e Groupama já contornaram o cabo Horn nesta sexta.

Eu tenho informações não confirmadas de que um dos tripulantes está ferido a bordo e talvez precise ser evacuado durante a parada. Ninguém confirma.

Por Antonio Alonso às 18h50

Ministra Ideli Salvatti nega envolvimento com estaleiro catarinense Intech Boating

Imagem: reprodução do site do Estado de S.Paulo

Nesta sexta-feira, dia 30, o jornal O Estado de S.Paulo publicou uma denúncia envolvendo o financiamento da campanha da atual secretária de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti, para o governo de Santa Catarina, em 2010.

A matéria é intitulada "Pesca contrata empresa e depois pede verba para o PT" e pode ser lida aqui.

A Intech Boating é um dos principais estaleiros catarinenses, e especialista na construção de barcos patrulha e lanchas de serviço, mas atualmente também transformou alguns desses modelos em lanchas de lazer, na expectativa de aproveitar também o boom das embarcações de lazer no mercado brasileiro

Resumindo o assunto, a acusação é de que teria havido um "toma-lá-dá-cá": a Intech forneceria as lanchas e depois faria uma doação ao PT. Para quem não confiar muito no meu resumo, eu sugiro dar uma olhada nos dois links abaixo. Lá estão informações atualizadas sobre a resposta de Ideli e do PT às acusações, bem como uma entrevista com o presidente da Intech.

Por Antonio Alonso às 15h23

Volta ao Mundo: Abu Dahbi revela seu drama em vídeo

O Abu Dhabi quebrou de novo, e a tripulação divulgou um vídeo de um conserto feito no escuro, à noite, em cinco horas em que o barco parecia estar mudando de rota para voltar atrás, mas era apenas uma maneira de aliviar a velocidade durante as exigências espantosas do Oceano Austral.

Os mais de 30 parafusos colados no deque devem impedir que o barco se despedace no meio do oceano. "No momento, a única prioridade continua sendo a segurança do barco e da tripulação, mas eu posso confessar que estou muito mais relaxado a esse repeito agora do que eu estava há 24 horas", disse o skipper Ian Walker.

A situação no Camper, Telefónica é semelhante. É impossível dizer neste momento quantos barcos conseguirão chegar a tempo em Itajaí, já que o Sanya está definitivamente fora e o Camper tem problemas muito sérios a bordo.

Por Antonio Alonso às 12h37

29/03/2012

Volta ao Mundo: Abu Dahbi sofre nova quebra no casco. Só restam dois barcos

 

Nick Dana/Abu Dhabi Ocean Racing/Volvo Ocean Race

 

A Volvo Ocean Race é uma regata de volta ao mundo com nove etapas. A quinta, entre a Nova Zelândia e o Brasil, é a mais temida e todas, porque percorre o furioso Oceano Austral, com ventos e mares muito fortes. Tradicionalmente, havia duas etapas de vento muito forte. Uma entre a África do Sul e a Oceania, e outra da Oceania até a América do Sul. Por motivos abertamente comerciais, a regata precisou fazer uma voltinha pelo Oriente Médio e China para sobreviver. 

Se a regata sobreviveu, não estou certo se posso dizer o mesmo sobre os barcos. Dos seis barcos que largaram da Nova Zelândia, quatro estão com problemas sérios a bordo. Só sobraram Puma e Groupama que, mesmo assim, vivem com problemas menores a bordo. Ambos têm tripulantes feridos. 

A última notícia de quebra veio do Abu Dahbi. Eles já tinham parado uma vez em terra, para consertar uma antepara de proa quebrada. Agora sofrem com uma delaminação no casco e colocaram o pé no freio para avaliar o que fazer. Talvez seja necessária uma nova parada. 

Delaminação também foi o problema de todos os outros quebrados nesta etapa. Trata-se de uma fadiga na fibra, que fica frágil, flexível, e pode quebrar. O próprio Groupama chegou em Auckland com um rombo na proa. Ou seja, só o Puma ainda não teve esse problema.

Barcos de má qualidade?

Essa discussão surgiu com força nos últimos dias. Afinal, antigamente essas quebras aconteciam com um ou outro, não com todo mundo. E não adianta dizer que os barcos antigos eram mais lentos, porque o atual recordista de velocidade nas 24 horas ainda é o Ericsson 4, de Torben Grael.

A mim, parece que as equipes embarcaram na idéia de que o trecho no Oceano Austral seria pequeno e economizaram na resistência do barco. Eu estou tentando investigar isso. Espero voltar com a resposta antes de anunciar mais uma quebra.

 

 

Por Antonio Alonso às 18h17

Olimpíada: Competição na Espanha define quem será a dupla brasileira do 470 na Olimpíada

As gaúchas Fernanda Oliveira e Ana Barbachan venceram a Semana do Brasil e levaram a disputa para a Espanha. Foto: Marcio Rodrigues/Mpix

Da ZDL de Comunicação - A Equipe Brasileira de Vela disputa, a partir desta segunda-feira (2), o 43º Troféu S.A.R. Princesa Sofía, em Palma de Maiorca, na Espanha, considerado um dos principais eventos do calendário mundial. O campeonato é particularmente importante para quatro brasileiras com sonho olímpico: as duplas Fernanda Oliveira/Ana Barbachan e Martine Grael/Isabel Swan definem, em águas espanholas, quem será a representante verde-amarela na classe 470 feminina em Londres/2012. A melhor classificada no Princesa Sofía fica com a vaga. 

Além disso, será o primeiro campeonato da equipe brasileira de vela na temporada europeia depois da seletiva olímpica nacional, realizada em Búzios, em fevereiro. O torneio é uma chance importante de enfrentar os melhores velejadores do planeta e grande parte dos inscritos em Palma de Maiorca vão velejar, também, nas águas olímpicas de Weymouth, durante os Jogos de Londres.

A maior parte do grupo (representantes das classes Finn, Laser, Star, 470 e 49er) já está no país ibérico, conhecendo o local das regatas. Os outros membros do time chegam até o fim de semana. A viagem é parte da parceria entre a CBVM (Confederação Brasileira de Vela e Motor) e do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e os brasileiros contarão com uma equipe multidisciplinar a seu dispor, com fisioterapeuta e consultor de regras, para assessorar os velejadores. O Brasil tem vaga garantida em sete das 10 classes e poderá confirmar mais duas, na 470 masculina e na 49er. Apenas o Match Race feminino está fora.

"Nossa equipe é forte e terá a chance de correr os principais campeonatos antes da Olimpíada na maioria das classes. O evento espanhol é o primeiro da temporada europeia e motiva os velejadores com objetivos diversos. Todos estão bem preparados e podem alcançar resultados expressivos. Também iremos conhecer nossa dupla de 470 nos Jogos", explica Ricardo Baggio, superintendente da CBVM.

A vaga do 470 feminino será da dupla que tiver o melhor desempenho no Troféu Princesa Sofía. As gaúchas Fernanda Oliveira/Ana Barbachan e as fluminenses Martine Grael/Isabel Swan chegam em igualdade de condições. As meninas viajaram com antecedência para a Espanha visando uma melhor aclimatação. 

"O campeonato exigirá todas as nossas forças. Estamos concentradas nisso", relata a medalhista olímpica Fernanda Oliveira, que é 15 vezes campeã brasileira na classe.

Para conseguir a chance de continuar na disputa pela vaga olímpica, Fernanda Oliveira e Ana Barbachan venceram a Semana Brasileira de Vela, em Búzios, em fevereiro. Antes, em dezembro de 2011, Martine Grael e Isabel Swan foram as melhores do País na classe 470 no Mundial de Perth na Austrália.

Os representantes brasileiros - O grupo será liderado pela dupla número um do ranking mundial de Star, Robert Scheidt e Bruno Prada. Além da parceria, que é favorita ao ouro, outros velejadores poderão mostrar o bom momento no ano, como Jorge Zarif, na Finn, e Bruno Fontes, na Laser.

"Viajo com o objetivo de treinar forte e continuar subindo no pódio em todos eventos da temporada, principalmente em Londres, tendo em vista que os resultados foram excelentes e me credenciam à medalha", destaca Bruno Fontes, vice-campeão da etapa de Miami da Copa do Mundo da Isaf e quarto colocado do ranking mundial.

Na Laser Radial, Adriana Kostiw comemora a chance de enfrentar as melhores do mundo em um evento de alto nível, com total apoio da entidade. "Conheço a raia de Palma de Maiorca e o meu objetivo medir forças com as melhores do mundo e continuar nessa evolução técnica. É importante acumular experiência para chegar forte em Londres". 

Os dois brasileiros classificados na classe RS:X para a Olimpíada não irão para Palma de Maiorca. Ricardo Winicki e Patrícia Freitas correm nesta semana o mundial da categoria, em Cadiz, também na Espanha. 

49er e 470 masculina - As duas classes podem confirmar a vaga na Inglaterra nos mundiais da categoria, em maio. Únicos representantes do País, André "Bochecha" Fonseca e Marco Grael intensificaram os treinamentos para ganhar a vaga na competição de 49er, que será em Zadar (Croácia), em maio. Para a categoria restam quatro vagas (12 países já estão confirmados).

Líderes do ranking nacional de 470, Fábio Pillar e Gustavo Thiesen disputam em Barcelona (Espanha) as sete vagas restantes na classe. A 470 masculina tem 20 países confirmados. O Match Race feminino do Brasil não conseguiu classificar um trio para a estreia da classe no calendário olímpico após duas tentativas: Perth (Austrália), em dezembro de 2011, e Miami (EUA), em fevereiro de 2012.

Equipe Brasileira de Vela:

Finn 
Jorge Zarif 

Laser Radial 
Adriana Kostiw

Laser Standard 
Bruno Fontes

RS:X Masculino 
Ricardo Winicki, o "Bimba"

RS:X Feminino
Patricia Freitas

Star
Robert Scheidt/Bruno Prada 

470 Masculino* 
Fabio Pillar/Gustavo Thiesen

470 Feminino 
Fernanda Oliveira/Ana Luiza Barbachan
Martine Grael/ Isabel Swan

49er* 
André Fonseca/Marco Grael

Em negrito os classificados para o Jogos:
* Classes que não tem a vaga olímpica

Vela do Brasil na Olimpíada - Na história olímpica da vela, o Brasil ocupa a 10ª posição no quadro geral de medalhas. São seis de ouro, três de prata e sete de bronze, totalizando 16 conquistas. A modalidade é que a mais deu pódios ao Brasil em todas as edições do Jogos. Torben Grael é o maior medalhista olímpico com cinco conquistas, sendo duas de ouro, seguido por Robert Scheidt, que somou quatro, com as mesmas duas douradas.

Por Antonio Alonso às 15h56

Com Horácio Carabelli a bordo, C3 Kaikias é fita-azul em Floripa

Por Tarcisio Mattos, sobre a regata do último fim de semana: Desta vez não foi tranquilo como na primeira regata, no início de março, (ver e ler “Jaibes e mais Jaibes”), quando o Kaikias cruzou a linha com grande vantagem sobre o segundo colocado. A presença do Zeus na raia ofereceu um desafio e tanto e um final de regata eletrizante para as duas tripulações. O Beneteau 40.7 de Inácio Vandressen só foi alcançado e ultrapassado nas ultimas das quase 17 milhas da regata Cidade de Florianópolis, segunda etapa da Copa Veleiros de Oceano, realizada na tarde de sábado, 24 de março.

A prova também marcou a estreia do Corta Vento, o quarto Carabelli 30 a entrar nas raias. Mas como o barco debutante ainda não recebeu o balão assimétrico, a tripulação comandada por Carlos Augusto de Matos usou a regata para se familiarizar com a nova “máquina”, sabendo que não teria condições de medir forças com os outros barcos da flotilha de regateiros do Iate Clube de Santa Catarina.  

O aviso da Regata Cidade de Florianópolis previa início ao meio dia e percurso com largada junto à Avenida Beira Mar, no centro da cidade, e chegada próximo à sede oceânica do ICSC, em Jurerê, no norte da Ilha de Santa Catarina, depois de contornar a Ilha do Frances. As previsões dos institutos de meteorologia indicavam vento sul fraco rondando para sudeste. A configuração geográfica norte-sul da ilha fez com que o percurso para as classes C30, ORCi e BRA-RGS A tivessem, mais ou menos, sete milhas de rumo NNO, cinco milhas de NNE, três de NE e o restante de SSO. Ou seja: bastante popa, um tanto de orça folgada, um pouco de través e quase nada de contra-vento. As demais classes e os veleiros convidados para um passeio, incluindo a baleeira à vela comandada por Pier Palumbo, fariam um percurso menor, sem restrições à passagem pela Ilha de Ratones Grande e sem contornar a Ilha do Francês, perfazendo pouco mais de 13 milhas.

Os do passeio largaram meia hora antes dos demais. A previsão de vento se confirmou no início da regata e o Kaikias optou por largar junto à boia e tomar o lado esquerdo da raia. A escolha rapidamente se mostrou equivocada e quando o C30 comandado por Tarcísio Mattos mudou a proa, se viu na popa de barcos de todas as classes e tamanhos. Mesmo velejando sempre com maior velocidade do que todos os demais concorrentes, o Kaikias sofria pelo ângulo do vento. Enquanto os outros navegavam em popa rasa na direção norte, o C30, envergando o assimétrico, precisava velejar de jaibes em jaibes. Horácio Carabelli, projetista do barco e tripulante de luxo nesta regata, mantinha um olho nos acertos da velejada e outro na tela do celular, acompanhando as atualizações da VOR, em busca de informações sobre a evolução do Telefónica que velejava no Oceano Austral, em plena Volvo Ocean Race, em meio a surfadas insanas, acima dos 20 nós de velocidade e sob rajadas que ultrapassavam 50 nós.

Galgando posições em doses homeopáticas o C30 alcançou a Ilha de Ratones Grande, seis milhas distante da largada, com apenas o Seu Menino/Katana (Multimar 32, de Fábio Filippon) e o Zeus à sua frente. O vento cresceu e, de plainada em plainada, Seu Menino/Katana cedeu a segunda colocação assim que o rumo da regata girou para norte-nordeste e a posição relativa do vento permitiu que o Carabelli 30 colocasse a proa apontada para a Ponta do Forte e partisse para cima do Beneteau 40.7.

O vento Sul rodou para Leste-sueste, o Zeus tirou o balão, o Kaikias guardou o assimétrico e, em orça folgada, o C30 iniciou uma verdadeira caçada ao Beneteau, por cinco milhas, em direção à Ilha do Francês. A experiente e vitoriosa tripulação do Zeus vendeu caro a ponta da regata, o que só ocorreu próximo a Ilha, no final da perna, com uma passagem “por baixo dos panos”, depois de algumas fechadas de porta resultantes das investidas frustradas por parte do Kaikias em passar por barlavento, aproveitando a sua maior velocidade desenvolvida no través.

Numa última, curta e emocionante perna da regata, com o Zeus no encalço, o Horácio sem dar um segundo de descanso para a escota da genoa e o anemômetro batendo na casa dos 20 nós, o Kaikias cruzou a linha com pouco mais de 30 segundos de vantagem sobre o vencedor da última Olivos-Florianópolis e atual campeão brasileiro da Classe Beneteau 40.7.

Depois, cervejinha no cockpit para relaxar os músculos consumidos pela 1 hora, 59 minutos e 59 segundos de regata.

Por Antonio Alonso às 09h10

28/03/2012

Baía da Guanabara deve receber R$ 2 bi em investimento até Olimpíada, diz governo do Estado

Eu não canso de repetir a frase que Ken Read, skipper do Puma na Regata Volta ao Mundo, disse quando esteve no Brasil em 2009: "Eu adorei o país, mas preciso confessar que nunca velejei num lugar tão sujo em toda minha vida". A declaração é forte, porque o cara veleja profissionalmente há décadas. E não foi só ele, Paul Cayard também achou uma vergonha o estado da baía de Guanabara. No dia da regata costeira, em 2006, tinha sofá boiando no meio da raia. E olha que a raia é montada num lugar "vip", porque tem pedaço da Guanabara onde a "água" é mais suja que a do Rio Tietê.

Tem muita gente que acredita que isso já está mudando, e que a baía está menos pior. Parece que está mesmo. Esse cara no vídeo é o Wagner Victer, presidente da Companhia Estadual de Águas e Esgotos, a Cedae. Ele conta o que está e o que vai ser feito. O vídeo é tosco, mas eu gosto disso. Significa que pouco dinheiro do contribuinte foi usado pra fazer "propaganda".

A descrição do vídeo é a seguinte: "O Governo do Estado do Rio de Janeiro assinou no dia 20 de março de 2012, em Montevidéu, no Uruguai, empréstimo de US$ 452 milhões junto ao BID para o saneamento de municípios do entorno da Baía de Guanabara. O programa integra o Pacto pelo Saneamento, com o qual o governo vai ampliar os serviços de saneamento básico para 80% da população do estado até 2016. Cenário dos Jogos Olímpicos de 2016, a Baía de Guanabara deverá receber até a realização do evento R$ 2 bilhões em obras de esgotamento sanitário, sendo R$ 1,13 bilhão por meio do PSAM. Saiba mais sobre os investimentos do Governo na recuperação ambiental da Baía de Guanabara no vídeo com o presidente da Cedae, Wagner Victer."

Por Antonio Alonso às 22h03

Esquiador americano que ficou paraplégico pede R$ 7,5 milhões por acidente no Hopi Hari

Página de clube de esqui que organizou competição beneficente para Ryan

Hoje uma matéria na Folha de S.Paulo retoma o tema do esquiador americano Ryan Bergeron, que ficou paraplégico após um acidente durante uma apresentação no Hopi Hari em 2008. Atualmente ele continua esquiando, em equipamentos especiais, e já foi beneficiado por algumas iniciativas de clubes e competições de esqui que se reuniram para arrecadar dinheiro para o tratamento de Ryan. Segundo a matéria na Folha, "Na ação, em que pede R$ 7,5 milhões por danos morais e materiais, ele alega que não havia proteção no muro e que os esquiadores não foram alertados sobre o risco. Além disso, segundo Bergeron disse no processo, o contrato não previa que ele pudesse deixar de se apresentar se considerasse que havia algum risco."

Em nota, o Hopi Hari informou que contratou uma empresa para o show, e ela seria a responsável por fornecer toda a estrutura de segurança ao evento.

Ryan fazia o primeiro número do show, uma apresentação "barefoot" (sem esquis, apenas com os pés descalços). Durante uma curva, ele tinha de fazer uma manobra na qual ele esquia com as costas em contato com a água, mas ele foi levantado em uma onda e arremessado contra um muro sem proteção.

Para ler a matéria completa na Folha (só para assinantes), clique aqui.

E clique aqui para ver um vídeo que conta um pouco da história de Ryan.

Por Antonio Alonso às 11h09

Volta ao Mundo: com quatro barcos fora, chegada ao Brasil deve ser "match race"

Dos seis barcos que largaram de Auckland em direção a Itajaí, quatro estão fora da briga pelo primeiro lugar nesta quinta perna. O Abu Dahbi quebrou, voltou para a Nova Zelândia e agora está de volta, 1.400 milhas atrás do líder Groupama. O Sanya quebrou (de novo) e já está de volta à Nova Zelândia, de onde vai embarcar o barco em um navio cargueiro direto para Miami, nem vão passar em Itajaí. O Camper está com uma quebra na proa e vai parar na costa oeste chilena. Informações de fontes que tiveram contato com a equipe dão conta de que a quebra deles é muito grave. Por fim, o líder Telefónica está gastando muita cola tentando manter sua proa em um pedaço único enquanto se dirige para a cidade argentina de Ushuaia, para fazer reparos de emergência. "Em terra vai ser um reparo fácil, mas aqui no mar, nesse frio e num ambiente onde nada seca, nós não estamos conseguindo", contou o skipper Iker Martinez.

Sobraram Puma e Groupama. Por enquanto. Pois a previsão é de piora no tempo. Essa quinta perna está virando um desafio não mais de quem chega primeiro, mas de quem chega.

Por Antonio Alonso às 10h26

27/03/2012

Volta ao Mundo: Telefónica confirma quebra e já ruma para a terra

O Telefónica confirmou hoje a quebra que eu anunciei em primeira mão ontem neste blog. O barco está com uma grande delaminação no casco e, se continuar a bater contra as ondas de cinco metros no Oceano Austral, a delaminação pode virar um rombo ou um problema estrutural grave. Para evitar isso, o veleiro espanhol está indo para terra. O Telefónica fará uma parada em Ushuaia, mas quer voltar à regata rápido o suficiente para manter o terceiro lugar. Neste momento, o Abu Dahbi, que fez uma parada, está mil milhas atrás dos espanhóis.

Dos seis barcos que largaram da Nova Zelândia rumo ao Brasil, quatro já quebraram. Os outros dois, Puma e Groupama, têm tripulantes feridos a bordo.

"O que nós fizemos até agora é colocar algumas barras coladas ao deque perto da proa para reforçar a seção delaminada, que está mais fraca. O problema é que nada por aqui seca e portanto nós temos que ficar repetindo o reparo toda hora. Vai ser um trabalho ridículo em terra, mas aqui, no meio do mar, nesse frio, tudo é muito mais complicado", disse o comandante Iker Martinez.

O Telefónica é o atual líder da regata, com 15 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, Groupama. Nesta etapa, o Groupama é o primeiro e o Puma vem 37 milhas atrás.

Por Antonio Alonso às 11h51

470: Fernanda Oliveira treina na Espanha, de olho na vaga olímpica

Do Veleiros do Sul: “Um evento bastante duro”. Com estas palavras a velejadora Fernanda Oliveira resume seu próximo compromisso: o Trofeo Princesa Sofia, que será disputado a partir da próxima semana em Palma de Mallorca, Espanha. Realizado durante a primavera européia, o campeonato é o primeiro da ISAF Sailing World Cup e reúne participantes de todos os continentes. Neste ano, com número recorde de inscrições, o evento conta com mais de 150 barcos, 37 técnicos e 250 atletas, divididos entre as classes Laser Radial, Laser Standart, 49er e 470.

O grande número de competidores se justifica pela importância da competição frente à aproximação dos Jogos Olímpicos. Enquanto os atletas garantidos no maior evento esportivo mundial visam um treinamento de luxo entre os melhores de cada classe os demais ainda lutam para garantir uma vaga na seleção olímpica de seus países. Este é o caso de Fernanda que, ao lado da proeira Ana Barbachan, entrará na competição com a meta de conquistar uma vaga na Seleção Brasileira de Vela visando Londres 2012.

Fernanda e Ana estão com o mesmo número de pontos que a dupla Martine Grael e Isabel Swan, que obteve melhor resultado no Mundial de Perth, primeira etapa da seletiva olímpica brasileira. Fernanda e Ana venceram em fevereiro a Semana Brasileira de Vela, segunda etapa da classificatória do país. Dessa maneira, o Trofeo Princesa Sofia será decisivo como desempate para as tripulações.

“O Trofeo exigirá todas as nossas forças! Estamos concentradas nisso”, disse Fernanda, 15 vezes campeã brasileira.

Fernanda e Ana, que em 2010 conquistaram o 4º lugar no Trofeo Princesa Sofia, estão trabalhando em Palma de Mallorca desde o último dia 8, ajustando o barco e treinando na água. As duas preferiram viajar para o local com bastante antecedência para que pudessem se adaptar melhor a raia que irão competir. As regatas iniciam na próxima segunda-feira, dia 2 e seguem até o dia 7, sábado.

Fernanda Oliveira e Ana Barbachan contam com o patrocínio de Sul America, Olympikus, Bradesco e CPFL.

Por Antonio Alonso às 11h27

26/03/2012

Volta ao Mundo: Líder Telefónica está velejando há dias com casco avariado e pode fazer parada de emergência

No vídeo, o Telefónica enfrenta duas ondas gigantes. O veleiro não suportou dias seguidos desta rotina

O Telefónica, barco espanhol vencedor das três primeiras etapas da Regata Volta ao Mundo, está enfrentando sérios problemas e pode ser obrigado a fazer uma parada de emergência no Chile ou na Argentina antes do final desta quinta perna, que termina em Itajaí. É no Telefónica que veleja Joca Signorini, o único brasileiro nesta edição da Volvo Ocean Race.

A equipe tem mantido segredo, mas o veleiro que lidera a competição com folga está com uma quebra grande no casco. É uma delaminação de dois metros e meio por meio metro na proa do barco, que foi duramente castigada em ondas de seis metros desde a saída da Nova Zelândia. Neste momento, os veleiros estão a 1500 milhas (2800 km) do cabo Horn, no extremo sul da América do Sul, considerado o ponto mais perigoso do planeta para a navegação. A situação fica ainda mais complicada porque 500 milhas à frente do Telefónica está uma zona de ventos fortíssimos, de mais de 40 nós.

Essa delaminação tornou parte do casco de fibra de carbono "mole", mas ainda não permite a entrada de água no barco. A estratégia do Telefónica é seguir em frente, mesmo que em velocidade baixa, e tentar garantir o terceiro lugar nesta etapa. Dos seis Volvo70 que largaram de Auckland, na Nova Zelândia, dois já estão indo para terra fazer reparos: Team Sanya e Camper. A equipe árabe Abu Dahbi também precisou parar em terra, mas já está de volta à regata, quase mil milhas atrás do Telefónica. Seja qual for a estratégia dos espanhóis, eles precisam continuar velejando a favor do vento e tentar evitar as zonas de vento muito forte, o que é difícil em se tratando do Oceano Austral.

À frente da flotilha, o francês Groupama leva a bordo um timoneiro que está com os dois braços machucados e, em segundo o norte-americano Puma tem dois tripulantes lesionados e fora de combate. Neste momento, mesmo com ondas de cinco metros de altura pode-se dizer que o pior já passou, porque os ventos são fortes, porém favoráveis.

Por Antonio Alonso às 19h38

Volta ao Mundo: É oficial, Sanya não vem a Itajaí

O Oceano Austral parece não ter perdoado o "desvio caça-níqueis" da Regata Volta ao Mundo pelo Oriente Médio e China e está cobrando caro a passagem dos veleiros por suas águas revoltas.

O Team Sanya já está voltando para a Nova Zelândia e já anunciou oficialmente que não virá ao Brasil. O time chinês vai embarcar o veleiro em um navio e mandá-lo direto para a próxima parada, em Miami. O Abu Dahbi está indo para a costa do Chile, onde fará um reparo na proa. O Puma está com dois feridos a bordo, o Groupama tem um timoneiro com os dois ombros machucados e o Telefónica tem algum tipo de avaria, porque nos últimos dias perdeu mais de 200 milhas em relação aos líderes.

Some-se a isso a notícia de que os principais times perderam 50% do valor do patrocínio gasto na edição passada e a situação parece realmente feia.

Por Antonio Alonso às 16h45

Líderes da Volvo Ocean Race recebem metade do patrocínio da última edição

Hoje o Valor rendeu. Matéria no jornal Valor Econômico desta segunda destaca a perda de patrocínio das equipes da Regata Volta ao Mundo com a crise econômica internacional. "A atual temporada levantou € 200 milhões antes do início da corrida, valor 6% inferior ao da edição anterior". Além disso, segundo a matéria, "o patrocínio para os barcos líderes da competição caiu pela metade. Em 2008/2009, eles receberam cerca de €50 milhões, cada. Na atual edição, o valor gira em torno de € 25 milhões, e no ano que vem (sic) deve ficar em € 15 milhões. "Vão cortar ainda mais [a verba]. É dramático, mas necessário", diz Knut Frostad, CEO da Volvo Ocean Race".
Frostad também reconhece que foi dinheiro o motivo de a regata mudar sua rota, saindo do tradicional desafio nos mares do sul para uma rota taxada de "caça-níqueis" passando pelo Oriente Médio e China.

Segundo o jornal, os brasileiros não reconhecem nenhum tipo de crise, mesmo com a evidência de que a parada em Itajaí não vai cumprir várias promessas de campanhas e terá uma estrutura muito mais tímida do que a montada em outros países e menor também do que o circo montado no Rio, nas últimas edições. "No Brasil, a organizadora da etapa, a IMX, de Eike Batista, informa que não teve dificuldade para encontrar empresas dispostas a bancar o evento - 15 no total, entre apoiadores e patrocinadores -, mas não comenta investimentos".
Clique aqui para ler a matéria do Valor Econômico (apenas para assinantes ou usuários cadastrados.

Por Antonio Alonso às 11h49

Estaleiro Kalmar inspira linha de móveis em madeira

Deu no Valor Econômico: "A diretora do estaleiro Kalmar, Lorena Kreuger, chamou os designers José Serafim Junior e Mayara Atherino para traduzir em móveis as embarcações do estaleiro dos últimos 30 anos".

O resultado foi o lançamento da Movelaria Boá, com peças que exploram as mesmas técnicas de construção naval que transformaram o Kalmar numa lenda brasileira, admirada por Torben Grael e Robert Scheidt. O site do Valor dá o link para a movelaria, mas infelizmente o site ainda não está no ar.

Clique aqui para ler o texto no jornal Valor Econômico.

Por Antonio Alonso às 11h22

25/03/2012

"Bichos-papões" vencem Copa Suzuki em Ilhabela

 

Circuito de Vela Oceânica reuniu 50 barcos em Ilhabela 

Largada da ORC, mesmo esvaziada, segue bonita. Foto: Aline Bassi/Balaio de Ideias

A primeira etapa do Circuito Ilhabela terminou neste domingo. O resultado mostra que o ano corre o risco de ser um pouco monótono. Todos os campeões venceram praticamente todas as regatas que disputaram, jogando por água abaixo as esperanças de que as disputas estariam mais equilibradas este ano. Espero que mais gente entre nessa disputa.

Da ZDL de Comunicação -Os números da primeira etapa da Copa Suzuki Jimny mostram que a vela oceânica continua forte e organizada no Brasil. A abertura do Circuito Ilhabela contou com 50 barcos nas classes ORC, BRA RGS, HPE e C30 e os principais nomes da modalidade em dois fins de semana no Yacht Club de Ilhabela (YCI). 

Na classe dos ‘barcos grandes’, a ORC, o título ficou nas mãos do Tomgape (Sérgio Cardoso) com desempenho perfeito da equipe. Vale ressaltar que o barco é o antigo Touché e tem a mesma tripulação. Ernesto Breda voltou à competição em grande estilo, comandando o veleiro que vendeu para Sérgio Cardoso.

"É importante ter adversários de alto nível correndo mais uma vez na ORC. Espero que mais embarcações entrem na disputa. A chegada dos S40 e o investimento nas tripulações só aumentam a nossa força", destaca Ernesto Breda.

A organização também comemora a participação dos velejadores experientes, principalmente na ORC. André Mirsky, um dos principais nomes da categoria, foi tático do Carioca, um S40 que correu a Copa Suzuki Jimny. "É um novo momento da classe com a entrada de novos veleiros. A regra de rating é emocionante e, até o final, ninguém sabe quem venceu. Por isso, a tripulação precisa extrair tudo o que pode", comenta o atleta que foi duas vezes vice-campeão mundial de vela oceânica.

A Comissão de Regatas dividiu a ORC em duas: geral e menores de 30 pés. E, na nova categoria, o Sextante (Thomas Leomil Shaw) foi o campeão após quatro regatas. 

Muito equilíbrio na BRA RGS - Na BRA RGS, classe com maior número de barcos na vela oceânica nacional, mais uma vez as provas foram bastante equilibradas desde a semana passada. A categoria é subdivida em quatro (A,B, C e Cruiser). Um dos maiores da flotilha, o veleiro Fram (Felipe Aidar) foi o campeão superando o Inaê-Transbrasa (Bayard Umbuzeiro Filho). 

"O campeonato foi decidido no detalhe. Os adversários investiram em treinos e equipamentos e colocaram pressão na gente andando muito bem. Vamos continuar focados e a ideia é comprar mais velas para melhorar ainda mais nosso desempenho e vencer a Copa Suzuki ao longo das quatro etapas", antecipa Felipe Aidar.

O campeão da BRA RGS B foi o Nomad (Mauro Dottori). O desempenho inicial com três vitórias e um segundo lugar na semana passada fez a diferença e a equipe só administrou a vantagem neste domingo. Na C, Rainha (Leonardo Pacheco) e Ariel (Luis Pimenta) levaram a decisão para as duas regatas finais. Quem se deu melhor foi o Ariel nos critérios de desempate.

Na Cruiser, onde se encontram os chamados cruzeiristas, a medalha de ouro foi para o Hélio II - Hospital Sírio Libanês (Marcos Lobo). A tripulação mesclou médicos e engenheiros e o entrosamento falou mais alto.

"Estamos juntos desde o ano passado e os integrantes são bastante experientes e sabem extrair tudo do barco. O objetivo é continuar com esse entrosamento e levar o bi", conta Marcos Lobo.

Disputas acirradas marcarm HPE - Na HPE, com 18 barcos na raia e disputas acirradas, o título ficou com o Bond Girl (Rique Wanderley). Foram cinco vitórias em nove regatas e o pior resultado, descartado pelo regulamento, foi um nono. A regularidade fez a diferença para o time, que tirou a hegemonia do Ginga (Breno Chvaicer), que dominou a classe em 2011.

"Os barcos estão andando iguais e essa é a tônica da HPE. O nosso é mais antigo que os demais e, pelo que percebi, isso não interfere. Velejamos bem durante as nove regatas e conseguimos essa vantagem no final. Mesmo assim, os adversários apertaram bem", explica Carlos Henrique Wanderley, comandante do Bond Girl, líder da classificação geral da HPE. 

O vice-campeão Marcelo Bellotti também estava satisfeito. "A equipe do Bond Girl estava inspirada, mas conseguimos nos aproximar da média deles. Para as próximas etapas, o nosso objetivo é ser mais agressivo nas largadas, já que estamos velejando bem", afirma Marcelo Bellotti, vice-campeão com o SER Glass Eternity.

Novata na raia, a C30, provou que tem tudo para ser uma das mais fortes de one-design. Como ainda estão sendo construídos vários barcos, dois veleiros fizeram uma espécie de match race em Ilhabela. O Barracuda (Humberto Diniz) foi o campeão vencendo a maioria das regatas. 

"As provas foram muito equilibradas. Qualquer erro na manobra ou na largada pode custar a vitória. Em 30 segundos é possível ultrapassar o adversário e o objetivo é ficar sempre atento. A categoria está aprovada e tendência é aumentar a flotilha nas próximas etapas", assegura Humberto Diniz.

A segunda etapa será em dois finais de semana - 26 e 27 de maio e 2 e 3 de junho. Os barcos voltam a se enfrentar no litoral norte paulista em setembro (22, 23, 29 e 30) e decidem os campeões entre 24 e 25 de novembro e 1 e 2 de dezembro. 

Resultados 

ORC - após seis regatas e um descarte
1º - Tomgape (Sérgio Cardoso) - 5 pontos perdidos (1+1+1+1+1+5)
2º - Orson/Mapfre (Carlos Eduardo Souza e Silva) - 12 (2+2+4+3+4+1)
3º - Carioca (Roberto Martins) - 13 (4+3+2+2+2+4)

ORC 30 pés- após quatro regatas
1º - Sextante (Thomas Leomil Shaw) - 5 (1+1+2+1) 
2º - Colin (Sebastian Menendez) - 8 (2+1+2+3)
3º - Mashallah (Guillermo Henderson Larrobla) - 13 (4+4+3+2)

HPE - após nove regatas e um descarte
1º - Bond Girl (Rique Wanderley) - 15 (1+3+9+1+1+1+5+2+1)
2º - SER Glas Eternity (Marcelo Bellotti) - 33 (10+10+4+6+3+2+2+1+5)
3º - Take Ashauer (Marcos Ashauer) - 38 (3+7+2+2+4+7+6+11+7)

RGS-A - após seis regatas e um descarte
1º - Fram (Felipe Aidar) - 6 (7+1+2+1+1+1)
2º - Inaê-Transbrasa (Bayard Umbuzeiro Filho) - 9 (1+3+1+2+3+2)
3º - BL3 (Clauberto Andrade) - 12 (2+2+3+4+2+3)

RGS-B - após seis regatas e um descarte
1º - Nomad (Mauro Dottori) - 6 (1+1+1+2+1+2)
2º - Blue Too (Domingos Carelli) - 12 (2+2+2+3+6+3)
3º - Anequim (Paulo de Moura) - 17 (7+7+4+1+4+1)

RGS-C - após seis regatas e um descarte
1º - Ariel (Luis Pimenta) - 7 (3+2+1+1+1+2)
2º - Rainha (Leonardo Pacheco) - 7 (1+1+3+2+2+1)
3º - Jazz 4 (Volnys Bernal) - 17 (4+3+3+3+4+4)

RGS-Cruiser - após seis regatas e um descarte
1º - Helios/Sírio Libanês (Marcos Lobo) - 5 (1+1+1+1+1+1)
2º - Pirajá (Rubens Bueno) - 12 (3+5+2+2+3+2) 
3º - Cocoon (Luiz Caggiano) - 12 (2+2+3+3+2+3)

C30 - após seis regatas e um descarte 
1º - Barracuda (Humberto Diniz) - 5 (1+1+1+1+2+1)
2º - Realizado (José Apud) - 9 (2+2+2+2+1+2)

 

Por Antonio Alonso às 22h14

Volta ao mundo: Vídeo de ondas gigantes vira hit na internet

Isso é Oceano Austral. Reparem que, poco antes da primeira onda, dá pra ver o timoneiro Jordi Calafat tentando "fugir" da onda gigante que atinge o barco de lado. Nas duas ocasiões, Calafat fica "pendurado" no timão e rapidamente coloca o barco de volta no rumo. O Telefónica atualmente é o terceiro, atrás de Groupama e Camper.

O rastreamento da organização mostra nesse momento o Abu Dahbi praticamente parado e com a proa voltada para o sul. Ainda não há nenhuma notícia sobre problemas com os árabes. Mas algo quebrou. Ou o barco, ou o sistema de rastreamento.

Atualização: Se vc ficou preocupado com o Abu Dahbi, despreocupe. Eu olhei com mais atenção os dados meteorológicos e eles estão presos em uma zona sem vento (enquanto os outros adversários estão voando). Barbeiragem do navegador!

Por Antonio Alonso às 16h52

Volta ao Mundo: Veleiro Camper terá de fazer parada de emergência no Chile

A quebra começou a ameaçar a longarina. Foto: Hamish Hooper/CAMPER ETNZ/Volvo Ocean Race

Não deu para o Camper. No relato que eu coloquei aqui ontem eles ainda estavam tentando dar um jeito de prosseguir, mesmo com uma antepara danificada na proa. "Mas agora já estamos ficando sem material para os reparos, e a situação começa a ameaçar as longarinas, que são sustentadas pelas anteparas. Chegou a hora de falar 'chega' e admitir que atingimos nosso limite de segurança", escreveu o skipper Chris Nicholson. A escala será feita na costa oeste do Chile, em Puerto Montt, antes da passagem pelo cabo Horn.

Alguns de vocês que acompanham o blog desde o começo devem se lembrar que eu falei que a corrida adotou uma rota "comercial" em detrimento da "rota histórica" pelo Oceano Austral. Bom, é disso que eu estava falando. Os veleiros agora estão enfrentando ventos muito fortes, mares com ondas gigantescas, e a situação está complicada para vários times. O Sanya já desistiu, o Abu Dahbi teve de voltar para a Nova Zelândia para consertar uma antepara, o Telefónica tomou um susto ontem e agora é a vez do Camper.

É legal eu tentar explicar mais ou menos o que está acontecendo com as estruturas desses barcos, vou tentar fazer uma simplificação aqui. Com as ondas gigantes do Oceano Austral, esses veleiros de 70 pés sobem em ondas gigantes e depois amerrissam com grandes pancadas na proa. Essa situação, durante dias seguidos, acaba exigindo muito do material, especialmente das anteparas de proa, que são como grandes placas de sustentação no sentido bordo-bordo. A sustentação proa-popa é feita pelas longarinas que, por sua vez, estão apoiadas nas anteparas. Se uma antepara se quebra, começa um perigosíssimo efeito em cadeia. 

Para ajudar a ilustrar, abaixo segue uma imagem de um V70 por dentro. A antepara crítica é essa mais perto da proa do barco, logo após a zona preenchida com vermelho.

Por Antonio Alonso às 12h55

Sobre o autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.

Sobre o blog

A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.

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