Blog do José Cruz

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25/02/2012

Glossário visual da Vela: "atravessada"

Taí, ninguém melhor do que o professor Paul Cayard, skipper do Piratas do Caribe, para ensinar o que é uma bela atravessada (broach, em inglês). Trapalhada do timoneiro, que quase joga todo mundo do convés para fora. Repare que o vento estava violento no dia (se eu não me engano, é a regata costeira na Cidade do Cabo, em 2009). Mesmo com o balão quase todo solto, a esteira revela que os veleiros estão voando baixo.

Por Antonio Alonso às 21h02

Garoto admite que ligou jet que matou criança em Bertioga

Reprodução do site Brasil 247

Um menino de 13 anos admitiu que ligou o jet que atropelou e matou a garota Grazielly, de 3 anos, em Bertioga. Segundo matéria publicada na Folha.com, "uma testemunha-chave disse que o menino acelerou o jet ski de forma 'repentina, violenta e total'. O veículo teria empinado, quicado na água e seguido em alta velocidade até atingir a criança".

Vai ficando claro que o acidente não foi causado por nenhum piloto maluco querendo se exibir, mas por uma série de permissividades e pequenos descuidos. Seria hipocrisia esconder que esses pequenos descuidos são práticas comuns aqui. Afinal, que mal há em deixar um garoto de 13 anos dar uma voltinha de jet ski? Essa resposta foi dada da maneira mais dolorosa possível. Há mal, sim. E muito. Alguém morreu por conta disso.

Espero que a justiça não decepcione. De alguma forma, os envolvidos já começam a pagar. Segundo a Folha.com, o jet era de José Augusto Cardoso, pré-candidato do PSDB à prefeitura de Suzano. Segundo outras fontes, o jet estava no nome do filho de José Augusto. Parece que a candidatura de Cardoso já era fraca, e que ele tem um adversário mais forte no partido. Politicamente, é bem possível que a candidatura dele tenha ido para o vinagre de vez. Nós temos o costume de perdoar pequenos deslizes de nossos políticos, mas dessa vez a vítima era indefesa demais para não causar comoção. 

Em tempo: Você também cultiva pequenas permissividades? (como a porquice de jogar a bituca de cigarro na areia da praia ou na rua) Acha que nunca vai causar mal a ninguém?

 

Rápidas sobre o assunto:

* Um piloto profissional de jet está ajudando a família de Grazielly na perícia da embarcação e nas questões técnicas. Quando eu digo que o "jet precisa fazer mais por si mesmo", é exatamente isso que eu cobro. A comunidade tem que trabalhar para eliminar as maçãs podres.

*Jets têm uma chave de segurança para não dispararem sozinhos. É uma chave presa ao braço do piloto, que desliga o jet quando o piloto cai. Essa chave não estava no braço do garoto. Outra pequena permissividade

*Não sei ainda o modelo do jet, mas sei que é um Sea-Doo, que pode ter até 260 cavalos de potência. Para efeito de comparação, o badalado carro Veloster, da Hyunday, tem menos de 140.

*Segundo o site "Diálogos Políticos", Zé Cardoso é "barão do lixo" e seu aterro está interditado pela Cetesb. Sabe aquela história de pequenas permissividades? Eu acho que sempre dá nisso.


Para ler mais:

Adolescente admite que ligou jet ski que matou criança em Bertioga

Suzano: Morte com jet ski pode acelerar saída de Zé Cardoso da cena, ou aumentar sua sede por poder

Dono do jet ski que matou Grazielly é barão do lixo ligado ao PSDB

 

O que fazer com um jovem que atropela e mata (Leonardo Sakamoto)

Por Antonio Alonso às 10h40

Na Vela, às vezes é preciso dar um passo para trás para sair na frente

Amory Ross/PUMA Ocean Racing/Volvo Ocean Race

Não, não é a reedição da revolução Bolchivique e nem foi conselho do Lênin. É a natureza da Vela mesmo. O Puma, que está em último lugar nesta perna da Regata Volta ao Mundo, começa a receber dividendos de uma aposta que fez ao norte. A chegada, em Auckland, fica a sudeste, mas o Puma resolveu apostar sozinho no norte, na esperança de pegar melhores ventos. Eles chegaram. Na manhã deste sábado (horário brasileiro de verão), o Puma velejava a mais de 20 nós de velocidade enquanto nenhum dos adversários chegava aos 15. 

O problema é que esse vento mais forte no norte não deve durar muito. A separação entre o Puma e o líder Camper era de 200 milhas no sentido leste-oeste e outras 200 milhas no sentido norte-sul. Nesta manhã ela tinha diminuído para 100 milhas no sentido leste-oeste e 140 no sentido norte-sul. O vento excelente do Puma acaba em menos de 18 horas. Depois disso, é possível que algum dos adversários mais ao sul já volte a velejar mais rápido que os americanos. O Puma sabe disso. "O perigo de perder muito ainda está aí", escreveu o tripulante de mídia Amory Ross. Vai ser interessante de observar essa briga tática.

Enquanto isso, no "pelotão principal", Groupama e Abu Dahbi decidem se desgarrar também um pouco ao norte. O Team Sanya continua figurando em terceiro lugar, mas já é o barco mais lento da flotilha e, quando todo mundo apontar a proa para Auckland, ele deve voltar a seu lugar de honra, que é o último. O Telefónica andou bem sumido nesta perna. Agora, com ventos de través, volta a ser o mais veloz no pelotão, com 14,8 nós. Parece que, no través, o barco espanhol é mesmo imbatível. Preciso ficar mais de olho para confirmar essa suspeita.

Por Antonio Alonso às 09h42

24/02/2012

Aposta do Puma começa a pagar; mas ainda não é o bastante

Amory Ross/PUMA Ocean Racing/Volvo Ocean Race

O vento começou a aparecer para o Puma, que na noite desta sexta velejava a 15 nós. O problema é que Camper e Groupama, que estão em posição muito melhor, velejavam ainda mais rápido do que os americanos, que ainda ocupavam a última posição, faltando 4500 milhas para o fim da perna.

Uma enorme zona de baixa pressão está obrigando toda a flotilha da Volvo Ocean Race a fazer uma enorme volta pelo leste. O Puma é o único que apostou em uma volta muito maior, ao norte, mais perto do Japão. A aposta é arriscada e pode pagar alto. Como o vento forte chega pelo norte, o Puma será o primeiro a pegar a carona. Só que Puma está nesse momento muito, muito atrás (ainda 200 milhas ao norte e 200 milhas a oeste que o Camper).

"Claro que estamos apreensivos. Por enquanto é negativo, doloroso, enervante e todas essas coisas negativas", confessou o navegador do Puma Tom Addis.

Nos outros barcos, o movimento do Puma chegou a causar surpresa. "Uau! Eles escolheram ir para o norte e isso é… interessante. Eu digo, uma vez que eles peguem o vento que eles estão esperando, eles estarão muito bem, mas então eles terão muito chão para recuperar", opina o navegador do Telefónica, Andrew Cape.

Por Antonio Alonso às 22h44

Temporal em SP? Beto Pandiani está acostumado

Foto de Igor Belly, tirada durante a travessia do Pacífico e que Beto Pandiani postou hoje em seu perfil no Facebook. 

Fim de tarde de verão em São Paulo. Ao longe ouço os trovões e — de repente — chegou a chuva. Já tem gato pulando da janela de susto. Aí você (preocupado em não ficar com a meia molhada) se imagina a bordo de um barquinho de vinte e poucos pés, aberto, encarando essa mesma tromba d'água... Até que tou bem aqui com água pelo tornozelo!

Beto Pandiani é um cara especial. Não só pelas aventuras que ele idealiza, vende, realiza e documenta. Ele é um cara especial porque está em São Paulo com a cabeça no mundo, com o coração na cabeça. Hoje ele me posta: "Não sei porque pensei nisso e me perguntei. Como começamos uma relação afetiva, ou quando começamos ? Mas ao nos relacionarmos com o outro, estamos aprendendo também a nos relacionar. O nosso aprendizado não tem começo e nem fim. Relacionar-se é atemporal. Diante da vastidão da existência, nossos relacionamentos são as nossas referências acumuladas, que ecoaram em nossos corações, muitas vezes como estes trovões".

Não sei vocês, mas eu sou esses trovões.

PS da Volvo: Se você leu meu post no começo do dia, o Puma (ainda lanterna) já é o mais veloz da flotilha. Vamos ver o quanto ele recupera nesses ventos fortes. No final da tarde ele estava 200 milhas a oeste do líder Camper e outras 200 milhas ao norte do mesmo Camper. Como o caminho "certo" é sudeste, os americanos ainda precisam fazer muita água correr debaixo do casco pra lucrar com o desvio.

Por Antonio Alonso às 17h37

Na Volta ao Mundo, Sanya perde liderança enquanto Puma arrisca caminho solitário

Eu confesso: a Volvo Ocean Race andou dando preguiça nos últimos dias. A flotilha encara um vento fraco e no sentido contrário. As coisas ficaram tão morosas, que o lanterninha Team Sanya liderou a tabela de posições por quase dois dias. No meio dessa bagunça, o Puma resolveu inovar e partiu para um caminho solitário, mais ao norte, a uns 370 km (200 milhas) do núcleo do pelotão.

Eu confesso também que estou começando a simpatizar especialmente com o Puma. Eles acabaram de quebrar a cara na chegada a Sanya tentando fazer exatamente isso, e agora estão lá, de novo, arriscando num caminho que nem parece tão promissor assim. Eu sempre achei o Ken Read um skipper mediano, mas dessa vez ele está me surpreendendo.

Esta perna tem 5700 milhas e o percurso envolve a saída para leste, no Mar do Sul da China, e depois que passarem as Filipinas, os veleiros podem começar a decidir quando tomar o rumo sudeste, no sentido da Nova Zelândia. Nesta sexta, todos já passaram as Filipinas, mas continuam velejando para leste. Isso porque há uma gigantesca zona de ventos muito fracos, com cerca de 900 x 300 milhas de extensão, bem ao sul de onde os barcos estão agora. Quem quer que se aventure por lá, vai ficar uns bons dias parados enquanto o resto da flotilha contorna o buraco sem vento. Vendo este cenário, o Puma velejou "para trás". Ken Read e seus homens rumaram 200 milhas ao norte, na esperança de pegar ventos mais fortes para poder contornar o buraco sem vento e também todos os outros competidores. Na manhã desta sexta, a situação não é boa para eles. No entanto, daqui a 12 horas, os ventos vão mudar e o Puma pode começar uma disparada que vai torná-lo o barco mais rápido da flotilha por quase 24 horas consecutivas. Depois disso, as condições devem ficar mais parelhas entre as equipes.

Bom para o Puma, bom para a regata, já que o estilo "Bozo Corrida" estava chato demais, mesmo com o Team Sanya na ponta. Enquanto eu escrevo este post, o Camper lidera, seguido por Groupama e Sanya. Abu Dahbi, em quarto, é o mais veloz da flotilha. Logo atrás dele vem o Telefónica, o mais lento. Puma é o último. Mas não dá pra levar muito em conta essas posições agora. Neste momento, o Telefónica está numa posição excelente para aproveitar os ventos fortes das próximas 12 horas, enquanto Camper e Groupama devem ficar presos em vento fraco por mais tempo.

Espero ter novidades mais interessantes à noite.

Pra quem ainda pensa que o malhado ganhava todas...

 

Por Antonio Alonso às 10h24

23/02/2012

Marinha deve exigir prova prática de habilitação a partir de junho

É isso o que acabei de ouvir na matéria do SBT que você pode assistir clicando aqui. A partir do dia 2 de junho, será exigida prova prática para a hablitação náutica. Essa conversa é antiga já, não sei se dá pra confiar totalmente nessa data, mas boto fé que algum dia rola a tal prova prática.

Na minha cabeça ainda resta uma questão: os caras envolvidos nesses acidentes nem tinham habilitação, para eles nada vai mudar? E punição para quem alugar ou emprestar jets para não habilitados? Para as marinas de onde partem esses caras?

Preciso fazer outro comentário. A matéria entrevista dois caras que foram meus professores, Xan Sampaio e Carlão Polacco. Acho impressionante o sujeito ir até a represa, sentar em cima de um jet, marcar a entrevista e depois deixa um único comentário do entrevistado: "com certeza não". Que beleeeeez!

Por Antonio Alonso às 22h13

O jet precisa fazer mais por si mesmo

Eu pensei em mudar o foco e sair desse papo de jet ski, mas isso volta toda hora que converso com alguém. Prometo, pelo menos, ser breve.

Por mais boa vontade que eu queria ter, a mensagem que a comunidade dos "jets" vem transmitindo para a sociedade é catastrófica. É uma barbeiragem atrás de outra. Hoje conversei com um piloto profissional que me confessou: "Até eu já estou desgostoso. Vejo cada barbaridade, que não sei mais se dá pra dizer que é só uma minoria de irresponsáveis. Talvez eles já sejam a maioria".

Se existem tantos pilotos responsáveis assim, está na hora de começar a denunciar e isolar aqueles colegas boa-praça que todo mundo sabe que, cedo ou tarde, vão causar um acidente. O problema não está no jet... mas isso não quer dizer que o problema não exista.

Digo isso com a especial intenção de incomodar, porque alguma coisa vocês precisam fazer além de se reclamar injustiçados.

Kassab pilotando jet na revista Caras.

Collor em imagem famosa

Momento introspectivo: O jet influenciou o jeito como você vê essas duas pessoas nas fotos?

Por Antonio Alonso às 12h55

Laser radical, para animar a quinta-feira

Tirando os jet skis do foco, vou colocar aqui um vídeo com uma opção mais saudável, silenciosa, limpa (mas muito mais cansativa) pra quem quer ser radical no mar. Gostei do desabafo do coach no início do vídeo. Essa é pra quem pensa que velejar é só tranquilidade, sete mares e coisa de burguês. Burguês???...

Esses veleiros aí no vídeo são da classe Laser, a mesma que consagrou Robert Scheidt no mundo da Vela. Está entre as classes que mais físico exigem do velejador, principalmente com vento forte e ondas. Até hoje Robert Scheidt gosta de treinar de Laser quando pode porque, segundo ele, ajuda o timoneiro a "acertar a mão". Outra coisa que essa classe ensina muito bem é a movimentação e a distribuição de peso a bordo. Pode reparar que o velejador está sempre se mexendo para encarar as ondas e até as mudanças na intensidade do vento. Na olimpíada desse ano, o catarinense Bruno Fontes será o representante brasileiro na Laser Standard. Entre as mulheres, que competem com uma vela um pouco menor, a paulista Adriana Kostiw vai timonear o barquinho com a vela BRA (na Olimpíada só corre um velejador por país em cada classe).

Como a previsão para a raia olímpica é de ventos fortes, quem assistir às regatas vai ver bastante dessa movimentação a bordo. Nossos dois velejadores ganharam peso e passaram bastante tempo na academia para se preparar para a raia de Weymouth, na Inglaterra. Chances? O Bruninho, se estiver focado, volta com medalha. A Adriana é minha dúvida. Ela é um touro de forte e extremamente talentosa, mas não velejou bem nas seletivas.

Por Antonio Alonso às 10h26

22/02/2012

Sobre: "Jet ski bom é jet ski no lixo"

 

Roubei esse título de um post escrito hoje pelo crítico da Folha André Barcinski (ei, eu lia esse cara em 89/90). Bom, ele escreveu um post confessando e justificando seu preconceito por jet skis. Clique aqui para ler. Eu queria que mais pessoas tivessem a atitude de reclamar em voz alta, como esse cara. Mas também acho que esse papinho dele é responsável pela perpetuação de um problema que se repete com uma frequência desanimadora.

No sábado de carnaval, uma menina de três anos morreu atropelada por um jet ski desgovernado. A embarcação estava com dois garotos, de 12 e 14 anos, sem idade para ter habilitação. 

Que tipo de prazer ou alegria pode justificar a estupidez que leva a morte uma criança de três anos? Nunca vai existir uma compensação. Colocando as coisas na balança assim, é difícil negar: jet ski bom é jet ski no lixo.

André Barcinski assinou embaxio. Não há nada que ele odeie mais do que jet ski. "Ele é veloz, barulhento, poluidor, feio, inconveniente, intrusivo e cafona. Tudo que o mar não é". 

É fácil acabar odiando aquilo que ignoramos. É cômodo ignorar o que não queremos saber. 

Digo isso porque os jet skis foram transformados em símbolos da idiotice de seus pilotos. E não é nenhuma novidade – nem para mim, nem para o autor do post de ódio contra os jet skis – que essas máquinas atendem a propósitos muito mais nobres do que assustar e ferir banhistas. Jet skis são ferramentas insubstituíveis para a segurança no mar em várias situações. As competições de surfe e o resgate em zonas de arrebentação são apenas dois exemplos fáceis de entender.

No meu modo de encarar essas coisas, essa visão do André Barcinski (que não é só dele) incentiva a perpetuação desses acidentes. Isso porque colocar a culpa no jet – ou no pitbull – é uma indulgência aos verdadeiros responsáveis, que são pessoas que possuem documentos, carros e contas no banco. Proíbam os jet skis e esses mesmos pilotos irresponsáveis vão atropelar pessoas usando lanchas, motos, picapes, ônibus… Talvez até na praia! Esses mesmos pilotos vão se exibir com o que tiverem na mão, incluindo navios de cruzeiro tipo o Costa Concordia.

André Barcinski sabe disso, o que me deixa feliz. "Claro que os defensores do jet ski vão argumentar que a culpa não é do objeto, mas dos donos. É a mesma lógica de quem defende as armas ou a criação de pitbulls". 

Agora, passada a ira contra os jet skis, fica alguma lição? Eu vejo mais um acidente com morte acontecer por conta de um problema recorrente de irresponsabilidade. Eu quero ver gente respondendo judicialmente por pilotar sem habilitação. Eu quero ver uma praia limpa, sem amolação motorizada ou não-motorizada. Podem tirar todos os jet skis de lá, que eu não vou estar nem perto de ver nada disso. 

Para mim, esse ódio voltado para o lado errado não só desvia a atenção, como até alimenta o que há de mais perigoso e incômodo no mar, que não é equipamento, mas atitude.

Posso estar errado, no entando…

PS. No Youtube está cheio de vídeos de acidentes com jet. Achei baixo-astral demais para postar aqui; Os jets vendidos no Brasil vêm com limitador de velocidade (obrigatório nos EUA); para tirar a habilitação náutica é preciso ter 18 anos e acertar metade de uma prova com 40 questões (não, não há teste prático).

PS2.: Enquanto eu escrevia esta matéria, o UOL postava outra notícia de acidente com jet. Provavelmente esses acidentes (que acontecem toda hora) vão ficar em evidência nos próximos dias, até que algum outro assunto vire moda. Para ler a notícia sobre a morte de um estudante de 19 anos no Piauí, clique aqui.

PS3.: Volto aqui para incluir uma informação importante. Os jets possuem chave corta-corrente, que deve estar presa ao condutor. Se ele cai, o jet desliga automaticamente. Nesse acidente, ou havia irregularidade, ou não souberam usar.

 

Por Antonio Alonso às 14h40

Flotilha muda caminho tentando fugir do vento fraco no sul da China

Dessa vez o problema é o vento fraco, e não o forte. O contravento no sul da China tem sido frustrante para a flotilha da Volvo Ocean Race. A alternativa foi fazer o caminho mais longo, para fugir de uma gigantesca região praticamente sem vento bem no meio do caminho mais curto até Auckland, na Nova Zelândia. No norte das Filipinas, por exemplo, o vento chega a zero nós. Para qualquer uma dessas equipes, ficar parado ali pode signficar o sacrifício da perna toda. Como vários times já sacrificaram outras pernas, um erro agora poderia enterrar de vez o sonho de pódio, especialmente para os "reincidentes" como Puma e Abu Dahbi. 

A tática agora está sendo velejar até o sul de Taiwan, para depois encarar mais contravento rumo ao sul, esperando que as previsões se confirmem e que a brisa ali siga confiável. Nenhum dos times arriscou um caminho diferente, portanto ou dá certo para todo mundo, ou dá errado para todo mundo. Nas duas situações, o drama não é grande. Destaque do dai vai para o Team Sanya, eterno lanterninha, que escolheu uma rota ligeiramente ao sul e – muito por conta disso – aparece na classificação como o segundo barco mais próximo de Auckland, perdendo apenas para o Camper.

Por Antonio Alonso às 11h07

21/02/2012

Regata Volta ao Mundo se prepara para nova "máquina de lavar"

Ah, o contravento... Chance única de montar um touro mecânico com energia infinita, jogando água para todos os lados, e com grande chances de provocar um dano no barco. A flotilha da Regata Volta ao Mundo está neste momento encarando tudo isso, com o bônus de ondas enormes. Os ventos que fizeram a organização adiar a largada em 24 horas já baixaram, mas deixaram o mar cheio de enormes marulhos, que devem seguir pelos próximos dias. Além disso, a previsão é de mais contravento pela frente, até as Filipinas.

Coisas interessantes deste início de regata: Camper lidera, Sanya é terceiro, Telefónica penúltimo e Puma último.

Outra coisa engraçada é que o joguinho virtual está "sub júdice": um comitê de protestos está avaliando possíveis prejuízos causados aos jogadores devido a um problema na largada. O jogo deve ser religado às 16h (horário brasileiro de verão). Toda tensão é justificada: o vencedor vai levar um carro no valor de R$ 200 mil.

Por Antonio Alonso às 12h58

20/02/2012

Bochecha, velejador olímpico e campeão da Volvo, fala sobre o C30

Parece que neste ano vocês ainda vão ouvir falar bastante sobre o Carabelli 30, veleiro esportivo de 30 pés projetado para formar uma nova classe de monotipos de oceano (como S40 e HPE25) no Brasil. Então aí vai o depoimento de alguém que manja do assunto. O vídeo mostra a opinião de André Fonseca, o Bochecha, que velejou duas Volvo Ocean Race (ganhou uma), correu nos melhores veleiros de oceano no Brasil (incluindo o S40) e disputa uma vaga olímpica ao lado de Marco Grael. 

A autoria é de Tarcísio Mattos, que está nos devendo um vídeo que mostre o barco todo. Tarcísio... o pessoal está esperando pra conhecer o C30 de verdade!

 

Por Antonio Alonso às 12h04

Rumo à Nova Zelândia, Camper começa a mostrar as garras na Volta ao Mundo

Depois de esperar o mau tempo passar, a flotilha da Volta ao Mundo finalmente largou ontem e agora segue rumo à Nova Zelândia. Ontem eu respondi a um comentário triste com meu tratamento em relação a esta Volvo Ocean Race. Acontece o seguinte: esta não é a única regata de volta ao mundo, mas é a mais badalada, graças aos Volvo 70, que são os monocascos de oceano mais rápidos do planeta e graças ao excelente trabalho de publicidade organizado pela Volvo e por alguns dos times. Agora, a regata não chama nossa atenção porque é bonitinha. Chama porque o que esses caras fazem não é pra qualquer um...

A grande crítica a essa regata é que ela está cada vez mais "pasteurizada". Enquanto outros caras pegam 60 nós de vento sozinhos a bordo de seus Open 60, a Volvo protege os barcos por conta de uma previsão de 40 nós. É uma escolha, sensata, que prioriza a segurança... mas tem seu preço. Ainda mais para uma competição que já ficou marcada com a imagem de ser muita promoção para cada vez menos ação.

Sobre a situação atual, está difícil de fazer previsões. A flotilha saiu de Sanya e ruma para leste, porque os veleiros precisam contornar um waypoint ao norte das Filipinas antes de começar a descida rumo à Nova Zelândia. O Sanya é o barco mais ao sul, e o Puma, o mais ao norte. Tudo indica que o pessoal do Camper vai botar energia extra nessa perna, para colher os louros de chegar em casa em primeiro. No começo da tarde deste domingo, a classificação mostrava o Groupama em primeiro, seguido por Camper e Telefónica. Todos velejam a são e salvo, bem tranquilos, fazendo entre 11 e 12 nós de velocidade. 

Por Antonio Alonso às 11h55

19/02/2012

Volta ao Mundo: Depois de tropeço do Puma, Telefónica vence mini-perna em Sanya

A flotilha da Regata Volta ao Mundo largou nesta madrugada de Sanya. Mas, ao contrário dos planos originais, eles não partiram numa perna de 5220 milhas (9600 km) até a Nova Zelândia, eles velejaram apenas 43 milhas num trecho controlado. A organização tomou essa decisão pra evitar jogar os velejadores num liquidificador com ventos de 40 nós (mais de 70 km/h).

O trecho que rolou nesta madrugada não valeu pontos, mas a vantagem conquistada nestas 43 milhas vai ser respeitada na largada pra valer. O Puma foi o grande destaque na madrugada. Eles velejaram muito melhor do que todos os outros, chegaram a abrir uma vantagem de quase duas milhas… e morreram na praia. Eles caíram em um buraco sem vento (perigo que todo líder corre), e viram os rivais do Telefónica avançarem rumo ao primeio lugar do pódio. Na vela, o veleiro mais rápido de uma regata sempre corre esse risco de "estourar as minas". Como ele vai na frente, ele é o primeiro a cair nessas armadilhas sem vento (ou o primeiro a pegar o vento forte, se ele existir). A desvantagem é dupla, porque os adversários que vêm atrás vêem que o líder parou e podem desviar do buraco sem vento. Foi o que aconteceu com o Telefónica.

"Nós nunca vimos uma coisa tão ruim começar tão bem", ironizou o skipper do Puma Ken Read, depois de terminar quase 40 minutos atrás do Telefónica. E esses minutos vão custar caro. Na segunda largada, o Puma será o último a sair.

Abaixo seguem os horários da segunda largada. Destaque para o Team Sanya, que surpreendentemente foi quarto (e não último, como sempre).

Ordem de largada:

Team Telefónica: 21h (horário Brasileiro de verão), domingo, 19 de fevereiro

Groupama sailing team: 21:02:34

Abu Dhabi Ocean Racing: 21:03:36

Team Sanya: 21:07:32

CAMPER with Emirates Team New Zealand: 21:09:13

PUMA Ocean Racing powered by BERG: 21:39:17

 

Por Antonio Alonso às 12h27

Ao vivo: Largada "fake" da quarta perna acontece às 4h

Como muita coisa nessa Volvo Ocean Race, a largada desta quarta perna será fake. Os veleiros vão passar cerca de uma hora velejando num percuso pré-determinado em Sanya, com transmissão ao vivo e tudo mais. Mas não vale nada. A previsão avisou que deve ventar mais de 40 nós lá fora, por isso seria maluquice jogar os veleiros no meio desse liquidificador bem agora.  A regata protocolar está mantida, mas depois dela a flotilha toda volta para terra e deve largar de verdade só quando a organização der o OK, o que deve acontecer em menos de 24 hroas.

O que eu estou vendo então? A partir das 4h, você vê aqui os veleiros largando para o percurso "promocional" que eles fariam obrigatoriamente após da largada em Sanya. Devido aos ventos muito fortes, essa largada não vai valer nada... só imagem mesmo. A largada "pra valer" não tem horário para acontecer aidna.

Por Antonio Alonso às 02h22

Sobre o autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.

Sobre o blog

A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.

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