Volta ao Mundo: Team Sanya decide retornar e sprint final terá só 80 milhas
São duas coisas diferentes. 1) Os chineses do Team Sanya vão completar a primeira parte da segunda perna da Regata Volta ao Mundo. 2) O sprint final, que deve largar nos próximos dias, terá só 80 milhas e provavelmente com ventos fortes e de través. Ou seja, vai durar apenas algumas horas.
Talvez a notícia mais surpreendente seja a do Team Sanya, mas na verdade ela era esperada. O time chinês teria que viajar até o porto "ex-secreto" de Male, nas Maldivas, para pegar a largada da segunda parte da terceira perna de qualquer jeito. Como assim? Bom, a pirataria fez a organização mudar a rota tanto da segunda como da terceira pernas. Na terceira perna, os Volvo 70 farão apenas uma curta etapa inicial, partindo de Abu Dabi, para depois serem novamente embarcados em um cargueiro e levados até o tal porto ex-secreto, de onde partirão em competindo rumo ao porto de Sanya, na China. Por motivos óbvios, essa perna é de interesse máximo para o Team Sanya. Ou seja, de qualquer jeito o barco chinês teria de estar nas Maldivas, então nada mais normal do que eles velejarem até lá e somarem uns pontinhos pela etapa.
Por Antonio Alonso às 16h38
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30/12/2011
Banque Populaire V pulveriza recorde Equador–Equador do Groupama 3
Neste último dia útil de 2011, o máxi trimarã francês Banque Populaire V continua em plena atividade e acaba de pulverizar o recorde Equador–Equador do Groupama 3. Depois de 38 dias no mar, o Banque Populaire está de volta ao hemisfério Norte, rumo a Ushant, na França. O objetivo principal é bater o recorde da volta ao mundo a vela, que é de 48 dias, 7 horas e 45 minutos, e também pertence ao Groupama 3. Se as coisas não derem muito errado, o Banque Populaire V leva também esse recorde.
O recorde batido hoje foi de 32 dias, 11 horas, 51 minutos e 30 segundos desde que eles cruzaram o Equador pela primeira vez e o retorno. O mais impressionante é que isso representa uma vantagem de 3 dias e 18 horas sobre o recorde anterior!
Por Antonio Alonso às 17h13
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Dica: Lendo as nuvens para descobrir mau tempo
Dica: Lendo as nuvens para descobrir mau tempo
Veleiro Loki, durante a Sydney-Hobart 2011. Foto: Rolex/Kurt Arrigo
Encontrei essa foto sensacional do Loki durante a Rolex Sydney–Hobart deste ano e decidi inventar um motivo para publicá-la. Eu poderia enrolar vocês, discorrendo sobre as nuvens que lembram as pinceladas pesadas de Van Gogh, e enrolar mais ainda dizendo que a vida imita a arte e coisa e tal... E eu acho que seria uma enrolada nobre para um fim de ano, mas essa foto tem algo ainda mais interessante, que é mostrar um céu perfeito para ensinar um truque de leitura de mal tempo.
Olhem a parte de cima da foto, onde o céu ainda está azul. Ali vocês vão ver nuvens altas, brancas e num formato que chamamos de "rabo de galo". Notem que o rabo de galo aponta para onde está a tempestade, mais abaixo na foto. Pois bem, embora na foto a leitura parece inútil (afinal, a tempestade já está em cima do barco), na vida real, saber encontrar os rabos de galo no céu e descobrir para onde eles apontam é utilíssimo. Os rabos de galo podem aparecer a mais de 100 km de uma tempestade, e são um sinal seguro de que mau tempo vem por aí. Ou, para ser mais exato, o mau tempo vem exatamente do lugar para onde o rabo aponta.
Mas que a foto é bonita demais, isso é.
PS. O Investec Loyal manteve a fita-azul da Sydney–Hobart mesmo depois de um dos tripulantes ter recebido ajuda externa de um piloto de helicóptero. Mais tarde eu volto ao assunto.
Rumo a recorde de volta ao mundo, Banque Populaire V se despede do Brasil
No início da noite desta sexta (horário de Brasília), o máxi trimarã de 40 metros Banque Populaire V navegava na altura do litoral do Ceará, depois de passar a menos de 200 milhas da costa brasileira. O veleiro gigante francês, comandado por Loïck Peyron está em busca do recorde da volta ao mundo a vela, que atualmente é de 48 dias, 7h e 45 minutos e pertence ao Groupama (sim, mesma equipe que corre a Regata Volta ao Mundo, que não tem nada a ver com este recorde). Os 14 homens a bordo do Banque Populaire estão numa condição excelente para bater o recorde. São 1200 milhas de vantagem sobre a distância que o Groupama tinha percorrido após os mesmos 37 dias e 18 horas que o BP tem na água.
Daqui pra frente, o recorde ainda depende da passagem dos dóldruns, que são a zona de calmaria do equador, mas há gordura de sobra para ser queimada. Depois da calmaria, eles voltam a velejar nos alísios (desta vez do hemisfério Norte) e aí o navegador já começa a quebrar a cabeça para descobrir a melhor estratégia, dependendo da direção dos ventos. É possível que eles tenham que ir muito para o Norte, antes de rumar para o leste em direção ao ponto de partida, na França. Mas previsões de uma semana não são muito confiáveis e bastante coisa pode mudar até lá. Veremos
Por Antonio Alonso às 00h52
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28/12/2011
Sydney–Hobart: Conversa com piloto de helicóptero pode fazer máxi de 100 pés perder fita-azul
A chegada foi a mais apertada dos últimos 29 anos. Foto: Daniel Forster
As chegadas emocionantes estão na moda. Depois de o Telefónica superar o Camper por menos de 2 minutos na segunda perna da Volvo Ocean Race, foi a vez de o máxi Investec Loyal derrotar o bicho-papão Wild Oats XI por apenas 3 minutos e 8 segundos, após 2 dias 6 horas 14 minutos e 8 segundos de regata no percurso clássico de 628 milhas náuticas da 67a edição da Sydney-Hobart.
No entanto, o comandante do barco vai ter que explicar amanhã às 10h locais (21h de hoje no horário brasileiro de verão) uma conversa entre o piloto de helicóptero da rede ABC de televisão e um tripulante do Investec que perguntava sobre o plano de velas usadas no líder Wild Oats XI. A comissão de regatas não só ouviu, como também gravou a conversa e vai usá-la no protesto.
A bordo do segundo colocado, o Wild Oats XI, o skipper Mark Richards foi categórico sobre o resultado. "Esses caras ganharam na água e nós ficamos em segundo lugar. Isso é tudo que existe para ela. Eles fizeram um ótimo trabalhoe merecem a vitória".
A disputa pela fita-azul foi uma das mais apertadas desses 67 anos. "Eles [equipe Investec Loyal] estavam na nossa esteira, e quando paramos sob uma nuvem, eles basicamente navegaram direito do lado de fora deste grande buraco. Ficamos presos lá dentro. Foi um bom trabalho deles", reconheceu o navgador do Wild Oats XI, Ian Burns.
O vento acabou voltando para o Wild Oats XI para e eles foram capazes de retomar a luta e, a partir deste ponto, a disputa se tornou verdadeiramente um match race entre os dois 100 pés.
Finalmente, esta manhã, hora local 7:30, Wild Oats XI recuperou a liderança. A distância entre ambos raramente passava de duas milhas, e foi só na manhã desta quarta, quando o Wild Oats XI ficou novalemente acalmado, na entrada da Storm Bay, que o Investec Leal conseguiu mais uma vez passar, contornando o buraco de vento. Desta vez, eles, apesar dos melhores esforços da tripulação Wild Oats XI liderada por Mark Richards, o Investec Loyal não seira mais ultrapassado.
Para alegria dos espectadores no Constitution's Dock, em Hobart, os dois gigantes entraram quase juntos no rio Derwent, mas foi o Investec Leal e sua tripulação, incluindo estrelas do esporte, como os jogdores da Australian Rugby Union Phil Kearns e Waugh Phil, que chegaram primeiro. Eles cruzaram a linha às 19h14min18seg hora local, com um tempo total de 2 dias 6 horas 14 minutos e 18 segundos.
"Foi uma das grandes experiências da minha vida", disse Anthony Bell, proprietário Investec Loyal, com um sorriso radiante. "A coisa toda, desde o início até a linha de chegada foi emocionante. Foi uma corrida muito dura, travada, mas a tripulação acreditava no barco desde o início e estamos muito felizes por termos chegado em primeiro lugar. "
Michael Coxon, estrategista na Investec Leal compartilhou seus pensamentos sobre sua vitória: "É uma equipe muito profissional competente e um grande proprietário, que faz tudo isso pelas razões certas. É como um conto de fadas - um barco que apóia a caridade. Este barco levantou um milhão de dólares australianos neste ano para a caridade. É assim que deve ser. Estou muito feliz por Anthony Bell. Nós navegamos com pessoas que nunca velejaram antes e eles fizeram um trabalho realmente bom".
Por Antonio Alonso às 18h23
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Vídeo: Veja como foi o embarque dos veleiros multimilionários no navio anti-pirata
Essa é com vocês. Estou na praia, de noite volto.
Por Antonio Alonso às 14h12
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27/12/2011
Sugestão de leitura: "Enterrados vivos, a saga dos rios de Pinheiros"
O rio Pinheiros era assim em 1930
Não é preciso voltar ao passado para respeitar a nós mesmos, e acabar com os rios de cocô
Isso é o rio Reno, que sofre pressão de poluição há pelo menos 150 anos a mais do que o Pinheiros
Eu nasci em São Paulo do lado de um rio e moro a menos de 200 metros de outro. Mas eu nunca vi nenhum dos dois. No entanto, quando eu era menor, ainda conseguia entrar em algum terreno baldio nas redondezas pra pescar guarus e lebistes em pequenos cursos de água (pequenos mesmo). Hoje eles não existem mais. Encontrei no blog de Axel Grael um texto muito interessante sobre o fim dos rios da vila de "São Paulo de Piratininga". O nome original dessa cidade, salvo engano, já remetia à abundância de água e peixes por aqui. Toda essa chuva de verão, a inundação temporária das várzeas, rios sinuosos e cheios de peixe... São Paulo tinha uma vida aquática invejável. Não me digam que é o preço do progresso, porque até o Reno, no Vale do Ruhr, ou o Tâmisa, na Inglaterra, estão sendo poluídos há muito mais tempo e a situação deles não é nem de longe (nem de muuuuuito longe) comparável à dos nossos rios.
Culpa dos governantes? Corrupção? Eu não acho. Culpa minha, culpa sua, culpa nossa. Ou nos outros países não existe safado? Ou nos outros países a justiça funciona? Enquanto continuarmos com essa mentalidade de vítimas inocentes, empurrando a culpa para os outros, não há a menor chance de salvação. Culpa minha e sua porque nós nos acostumamos a andar todos os dias ao lado de um rio de cocô sem reclamar. Ou você já viu alguém falando de poluição olfativa no horário eleitoral?
Frescura minha se preocupar com isso enquanto crianças morrem de fome na África? Não acho. Aliás, eu acho que quando os fumantes pararem de atirar bitucas de cigarro no chão (ou pelo menos quando começarem a ter um mínimo de vergonha ao fazê-lo), vamos viver em um mundo melhor. Assim como quando motoristas desistirem de lutar pelo primeiro lugar na fila do engarrafamento e cederem um lugar para o motorista que está dando seta na fila ao lado. Isso porque, nesse dia, duas pessoas vão ter um senso de que carregamos a sina de compartilhar esse mundo com outras pessoas que calharam de viver na mesma época que nós. Quando cada um assumir um pouco da culpa (e com isso cuidar, amar, reclamar...), aí sim, vamos começar a entrar no caminho.
Não, o problema não é só paulista. Para quem está acompanhando a regata Volta ao Mundo, vou deixar duas frases que skippers de edições passadas me disseram depois de velejar na baía de Guanabara.
Ken Read (skipper do Puma): "Eu vou falar uma coisa de coração, porque eu amei estar aqui e a maneira como fui tratado: vocês precisam cuidar dessa baía. Eu velejo há mais de 30 anos e nunca velejei em um lugar tão sujo como a baía de Guanabara".
Pau Cayard (skipper do Piratas do Caribe): "Eu moro numa área de oito milhões de pessoas, e a água da nossa baía não é nem comparável à Guanabara em sujeira. Tem alguma coisa errada aí".
Regata Volta ao Mundo já pega carona em navio anti-pirata
O Abu Dahbi chegou em último, mas Netuno teve ânimo para fazer uma visitinha a bordo
O navio vai deixar os veleiros na costa de Sharjah (do ladinho de Abu Dabi, em laranja) para um sprint final de um dia
Acabou a primeira etapa. O Abu Dahbi, time que melhor deveria saber o caminho pra casa, foi o último a chegar até o "porto secreto" (o Sanya não terminou). Pela ordem, ficaram: Telefónica, Camper, Puma, Groupama e Abu Dahbi. Na segunda perna, o Telefónica já começa a somar uma vantagem daquelas que depois fica difícil de alcançar e que vão deixando a regata meio sem graça no final.
Para quem acha que a carona agora é tranquila, vale lembrar que todos os times tiveram de mandar as equipes de terra para o porto secreto e para Sharjah, porque a chance de que uma peça (um mastrinho, por exemplo) se quebre em uma operação como essa não é desprezível. E, se algo quebrar aí, bye-bye etapa.
Protesto e porto secreto descoberto
Pouca gente ficou sabendo, mas o Camper protestou o Telefónica ontem logo após a chegada. E, em seguida, o Telefónica protestou o Camper por atitude antidesportiva. E rapidinho os dois concordaram em retirar os protestos. Eu explico aqui a situação que o skipper do Camper relatou: os dois barcos navegam lado a lado, no mesmo bordo. Telefónica a barlavento. O Camper teria tentado passar e o Telefónica não deu espaço, como pedem as regras. Nunca saberemos se foi isso mesmo que aconteceu. Provavelmente por uma pressão dos patrocinadores, eles decidiram retirar os dois protestos.
O porto secreto é mesmo Male, nas Maldivas. E agora ficou fácil para os piratas rastrearem os barcos, já que o navio MV Happy Diamond, um dos poucos capazes de fazer esse transporte está em Male. Como esses navios são rastreados, basta olhar a rota na internet para descobrir onde eles estão.
Por Antonio Alonso às 10h15
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26/12/2011
Martine Grael e Isabel Swan falam após garantir vaga olímpica do Brasil em Londres
Isabel Swan e Martine Grael são mais do que dois rostinhos bonitos (acreditem). Elas acabaram de classificar o Brasil para a Olimpíada de Londres, com um oitavo lugar no Mundial de Perth, na Austrália. O mais curioso é que as duas não estavam indo bem, quando de repente parece que decidiram levar a sério e tornaram-se a melhor dupla da competição. Disparado. Pena que isso foi muito no finalzinho, mas mesmo assim elas mostraram que têm vela (de sobra) para fazer bonito na Olimpíada.
Só que antes de fazer as malas para Londres, elas precisam primeiro derrotar as gaúchas Fernanda Oliveira e Ana Barbachan. A dupla do Sul não foi muito bem em Perth, mas eu não me deixo enganar. Fernanda Oliveira é a melhor timoneira brasileira que eu já vi até hoje. Pode ser que isso esteja para mudar, mas a parada vai ser dura para definir com quem fica essa vaga.
Por Antonio Alonso às 00h52
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Depois de 15 dias, Telefónica vence Camper por menos de dois minutos (eu avisei)
Telefónica aumenta sua liderança na classificação geral. Foto: Ian Ronman
Foram quase nove mil quilômetros navegados da Cidade do Cabo até o porto secreto (que a esta altura todo mundo já sabe que fica nas Maldivas e que provavelmente é Male). O Telefónica, do brasileiro Joca Signorini, chegou à frente do Camper por 1min57seg. Uma batalha barco-a-barco nas últimas 48 horas deixou todos os tripulantes exaustos, mas também viu os espanhóis muito confiantes. Esta é a segunda vitória do Telefónica, já que eles venceram a primeira perna, entre Alicante e a Cidade do Cabo, na África do Sul.
Bom, na verdade não a segunda, mas a 1,8a. vitória, já que esta parte da segunda perna, entre a Cidade do Cabo e o porto secreto de Male, no Oceano Índico, vale apenas 80 dos pontos da perna. Os outros 20% serão disputados em um sprint final, de um dia, até Abu Dabi.
Para quem perdeu esta parte da novela, eu explico. Com medo da pirataria (que fez mais de 1100 reféns no ano passado), a organização da Regata Volta ao Mundo decidiu que os competidores não iriam velejar pela parte mais perigosa do caminho, perto da costa da Somália, o "chifre da África". Em vez de velejar, eles iriam até um porto secreto (Male, nas Maldivas) e ali seriam embarcados em um navio que os levaria até o ponto secreto B (que acho que logo será revelado também). Desse ponto B, os veleiros navegam mais um dia em competição até Abu Dabi, e chegam triunfantes e lindos, como se esta fosse uma Volta ao Mundo normal.
Essa eu avisei aqui, mas confesso que ia ser muita cara-de-pau minha falar que eu já sabia que o Telefónica iria ganhar a perna. O que ficou claro é que ele passaria o Camper em algum momento a partir de ontem. Mas os dois veleiros trocaram de posição várias vezes, e a chegada foi dramática, com apenas cinco nós de vento, exatamente quando o sol se punha nas Maldivas.
Essa vitória parcial dá 24 pontos para o Team Telefónica, o que aumenta sua liderança no acumulado da Volvo Ocean Race 2011-12. A equipe do skipper espanhol Iker Martinez soma agora 61 pontos, sete a mais do que o Camper with Emirates Team New Zealand, que ganhou 20 pontos hoje e chega a 54.
Na sequência estão Puma, Groupama e Abu Dabi, que devem chegar exatamente nesta ordem.
Por Antonio Alonso às 16h46
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Depois de 9000km, Telefónica e Camper estão lado-a-lado, no rumo das Maldivas
Durante este Natal várias coisas aconteceram na Regata Volta ao Mundo. A mais intrigante é esse relatório de posições abaixo que mostra que, depois de quase nove mil quilômetros desde a largada na Cidade do Cabo, Telefónica e Camper estão lado a lado. A distância entre eles é ZERO, e a velocidade de ambos é extamente a mesma: míseros 8,7 nós (míseros para eles, não para nós).
Eles devem chegar ainda hoje ao tal porto secreto, que não é mais tão secreto assim. A organização da regata divulgou fotos do tal porto, onde apareciam placas de carro e a bandeira das Maldivas. Portanto (espero que não tenha nenhum pirata lusófono lendo meu blog logo hoje), todas as suspeitas apontam para o porto de Male, nas Maldivas. Mesmo navegando a menos de 10 milhas por hora, os veleiros devem chegar entre a noite de hoje e a manhã desta terça-feira. Estaremos ligados.
Por Antonio Alonso às 15h40
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Aniversariante do dia, Andrea Grael conta como foi a Regata Preben Schmidt
Lady Lou em foto de Gustavo "Rato" Pacheco
A Regata Preben Schmidt, em homenagem ao engenheiro dinamarquês patriarca da família Grael Schmidt, é uma tradicional competição festiva que reúne alguns dos barcos clássicos mais belos do Brasil e também amigos, em barcos modernos. Um desses modernos, o Soto 40 Carioca, de Roberto Martins, foi o fita-azul da regat disputada no sábado, dia 17. Eu consegui autorização de Andrea Grael, aniversariante de hoje, para publicar aqui uma carta que ela mandou para os filhos Martine e Marco, que corriam o Mundial de Perth, na Austrália. Martine, ao lado de Isabel Swan, terminou o Mundial na oitava colocação da classe 470 e classificou o Brasil para a Olimpíada do ano que vem, feito que foi comemorado após a regata, em Niterói.
Segue a carta da aniversariante. Parabéns, Andrea!
Olhem que foto maneira que o Rato fez!
Ontem a Preben Schmidt foi cheia de emoções. Boas e ruins:
Já antes da largada tivemos um probleminha no head foil do Lady Lou, pois quando fomos içar a genoa com o enrolador, ele bateu numa das divisões do foil e acabou separando uma parte e quase rasgou a vela. S. Antonio precisou subir duas vezes para tentarmos solucionar e nisso deram a largada e nós na âncora ainda, de grande amarrado na retranca e tudo...!!
Pensei "que M!", mas em seguida já assumi que faríamos apenas o percurso, pois a regata é festiva e o barco gostoso de velejar e o dia estava lindo. Enquanto estávamos na faina,escutei um ai ai ai ai... Buuum,crack,krrrr!!!!!!!
Caracas... o Rolf no barco do tio Eric, o Linnie, estava de genoa aberta, sem água, e bateu de proa. Subiu na lateral do Marga, atingindo o terminal dos estais , tensionando o estai de força e quebrando o mastro novinho do tio Lars... Que tristeza!! A proa do Linnie ficou um caco! Mas deu pra eles fazerem a regata. Que cena!
Enquanto isso, nos ainda na poita terminando de resolver. Aí liguei o motor pra sair da poita e não bater no Escândalo e fomos rumo à largada, só de genoa em cima e içando o grande.
Vento Norte cravado! Papai (Neném e Pipoca) no Aileen já escorregavam lá pra frente.
Correu conosco o Fernandinho na proa (ajudou pracass) Betinho e Galo, Paulista (do vôlei), um antropólogo da UFF, tia Mumu, Carol e Pina. Regata de recuperação... fomos ralando e vimos que o nosso adversário seria o Tangará, com o Samuel no leme e Renata na tripula.
Foi super divertido!!! Montamos a Mãe e o Pai e o vento virou de Leste, e a comedia é que chegamos de balão e fomos rodando a ilha e sem rodar o balão, porque o vento rodou conosco... hehe
Parecia que este Leste iria firmar, e do outro lado (Ilha Rasa) com cara de sul chegando...(que foi pro Sul sifu..). Vai entender! Ficou todo mundo doido sem saber qual a melhor tática! Quando colocamos a proa pra boca da barra, o vento virou Norte de novo e passamos o papai no embalo entre tirar o balão e desenrolar a genoa... Papai rumou lá pra Piratininga , pois acreditou no Leste que até deu, mas só até certo ponto. Nós de Norte e a flotilha toda que vinha de trás de leste (inclusive o Tangará) chegando em nós, que estávamos de contravento... hilário!
Niso os barcos de regata mais modernos tinham nos passado (alguns) e que aflição de ver a galera encostando de balão e nós ainda de contravento!
Chegando na Fortaleza, uma maré vazante fortíssima e nós, velejando de balão simétrico, contra a Fortaleza que parecia um nó mais rápida! Nisso, o Tangará foi por dentro, encostado na pedra da Fortaleza, de balão completamente murcho, e passaram agente! Graussss!
Aí caprichamos na boquinha da Barra demos um jibe pra pegar a rajadinha de depois da Fortaleza, aí começou a entrar o leste fraquinho. Sei que depois voltou o Norte, e fomos comendo um ao outro até o final, quando optamos já dentro dentro do Saco de ir mais pra perto da Fróes. Rendeu e chegamos na frente dos clássicos! Cruzamos de balaozao simétrico, lindo!
Papai ganhou com o Aileen na categoria dele! Somando ao resultado da Zezinha, dia inesquecível! (tirando a extrema tristeza do tio Lars...)
Durante a premiação Roby comemorou o resultado de Perth e todos aplaudiram!
Depois, claro, papai tocou sino hehe!
Grande beijo
Mãe
Resultados:
Fita Azul (primeiro barco a cruzar a linha de chegada):
S40 Carioca
Barcos de Época (projetados até dezembro de 1949):
1º. Aileen
2º. Linie
3º. Barbra
Clássicos (projetados até dezembro de 1969):
1º. Lady Lou
2º. Froya
3º. Bystra
Antigos (projetados até dezembro de 1979):
1º. Tangará
2º. Mar – Soling
3º. Fregate – Soling
Bico de proa A:
1º. Lugar: Smooth – V22
Bico de proa B:
1º. Rocket Power
Bico de proa C:
1º. Finistere
Bico de proa D:
1º. Duma
Bico de proa E:
1º. Carioca S40
Bico de proa F:
1º. Samurai Rio
Por Antonio Alonso às 14h17
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Syhdney–Hobart larga e tem previsão de 40 nós para esta noite.
O Investec Loyal, de 30,5 metros, é o vice-líder na largada. Foto: Daniel Forster/Rolex
"A tempestade era horrível, ventos de 120 km/h, granizo do tamanho de bolas de gude grandes, e árvores caindo," o relato do tripulante Robert Data, do Reichel Pugh 52 Runner Scarlet não é do mar, mas da viagem de avião entre Melbourne e Sydney. "Nós esperamos que não vejamos o mesmo no mar, esta noite, mas acho que é possível."
A tempestade que atrapalhou bastante a vida de 4 tripulações de Melbourne deve atingir a flotilha de 88 barcos esta noite. Quem liderou a flotilha foi o poderoso 100 pés Wild Oats XI – vencedor de quatro as últimas cinco edições – seguido de perto pelo.
Depois de um curto contravento para os líderes, após a saída Sydney Harbour, assim que os barcos cruzaram a primeira marca do percurso, já puderam içar seus balões, com um vento norte de 18 nøes.
Enquanto nesta tarde a flotilha curtiu um velejo rápido rumo ao sul, com o Wild Oats XI fazendo sólidos 18 nós sob gennaker A2, a noite que começa agora por lá vai ver um vento sul bastante mais típico da Rolex Sydney–Hobart. Segundo os meteorologistas, deve fazer 30 nós de média, com rajadas de 40.
Boa sorte para eles.
Por Antonio Alonso às 09h02
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25/12/2011
Saiba como foram os cinco natais em alto-mar mais famosos do mundo da Vela
Loïck Peyron deve ganhar um recorde de presente, mas só se se comportar muito bem nas próximas duas semanas
Velocidade máxima 5: O francês Loïck Peyron e seus 13 tripulantes largaram do porto francês de Château à Brest no final de novembro, para atacar o recorde mundial da volta ao mundo a vela sem escalas. Já completaram 33 dias a bordo do trimarâ gigante, de 40 metros. Enquanto eu escrevia esse post, eles velejavam a 25 nós, já no litoral do Rio Grande do Sul. Ficarão alguns dias na costa brasileira, mas não esperem visitas. O Banque Populaire V tem 15 dias para voltar à França e bater o recorde da volta ao mundo, que é de 48 dias e 7 horas. Com uma vantagem de 905 milhas em relação ao atual recordista (Groupama 3), as chances de conquista do Troféu Julio Verne (que é dado ao recordista da volta ao mundo sem escalas e tem esse nome por motivos óbvios) é grande.
Papai Noel não trouxe aquele colchão que o Abu Dahbi pediu
Celebridade oculta: Na Volvo Ocean Race, o Natal foi complicado para a maiora das tripulações, que começam a entrar numa zona de ventos inconstantes rumo ao destino final da segunda perna Abu Dabi. Bom, não exatamente a Abu Dabi, mas para um porto secreto, onde eles pegarão carona em um navio para fugir dos piratas, mas essa história você já leu aqui. Na tarde deste Natal, o Telefónica, barco que tem o brasileiro Joca Signorini a bordo, tirou toda a vantagem que o Camper tinha, mas não conseguiu passar. Enquanto eu escrevo este blog, os dois líderes velejam com apenas um quilômetro de separação entre eles. O resto da flotilha segue em fila indiana atrás, o que sugere que não terão muita chance de fazer nada diferente para passar os líderes. Não antes do tal porto secreto.
Apesar da dureza, o clima é ótimo a bordo do Cessna Citation
Esqueceram de mim: Essa eu não contei pra vocês antes, mas há uma outra regata de volta ao mundo rolando desde o final de setembro, a Global Ocean Race. É uma daquelas regatas casca-grossa, com muito menos dinheiro e muito mais dificuldades que a Volvo Ocean Race. Primeiro, só há duas pessoas em cada barco, depois, os barcos são veleiros Classe 40, muito rápidos, mas com pouco mais da metade do tamanho dos Volvo 70. E a regata só tem 5 escalas. Atualmente, eles estão, como Volvo, terminando a segunda perna. Só que lá não tem moleza de ir para Abu Dabi ou China, eles estão velejando mesmo pela rota tradicional, no Oceano Austral, aquele onde os ventos berram alto e as ondas são gigantes. O Cessna Citation (esse da foto um tanto "Priscilla, a Rainha do Deserto" acima) lidera após 26 dias nesta etapa. Eles estão quase lá...
A Clipper largou na véspera do Natal da costa oeste da Austrália, rumo à China
Quem disse que eu não podia? Você acompanha as regatas de volta ao mundo e fica sonhando em estar lá um dia? Todos seus problemas estão resolvidos. Se você estiver disposto a gastar um pouco, é claro. Com cerca de cinco mil libras você já consegue fazer uma perna da Clipper Round the World Race. Todos os tripulantes pagam para participar da emoção de correr uma volta ao mundo (ou parte dela) de verdade. Neste ano, quatro brasileiros estão envolvidos. Quem lidera? Não importa muito pra falar a verdade. Nessa regata, sim, dá pra falar que o importante é competir. Eles estão na quinta perna, saindo da Austrália rumo à China, com uma passadinha em Cingapura antes.
Jessica Watson, de 19 anos (que deu a volta ao mundo sozinha aos 16) comanda um barco de jovens na Sydney-Hobart
Vai encarar? Esta não é volta ao mundo, mas é simplesmente a regata mais respeitada do planeta. Com 628 milhas de percurso entre Sydney e a ilha da Tasmânia, a Rolex Sydney-Hobart é tensa. Ela está em sua 67a. edição e ficou famosíssima com a tragédia de 1998, quando só 44 de 103 barcos chegaram, 5 afundaram e seis velejadores morreram. Ela larga à meia-noite no horário brasileiro de verão. O brasileiro Edgardo Vyeites vai ser o skipper do Accenture (Yeah Baby). Será a primeira vez na história da regata que um brasileiro será skipper na Sydney-Hobart. O barco vai transmitir em live-streamming pelo microsite www.accenture.com/yeahbaby
Por Antonio Alonso às 18h12
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Telefónica vai passar o Camper na Volta ao Mundo
Os veleiros da Volvo Ocean Race estão quase chegando ao "porto secreto", onde um navio armado vai recolher os cinco barcos que ainda navegam e levá-los até outro ponto secreto, de onde eles continuarão velejando até a chegada em Abu Dabi. Bom, ontem o Camper tinha uma grande liderança, mas as condições voltaram a ficar traiçoeiras. Depois de saírem das calmarias intertropicais, foram só algumas horas de vento muito forte, e agora os veleiros estão novamente em zonas de vento fraco. No último relatório de posições da manhã deste dia de Natal, o Camper tinha uma vantagem de apeans quatro milhas sobre o Telefónica, que velejava mais rápido.
Faltam menos de 500 milhas para a chegada do tal "porto secreto", que já não é tão secreto assim, uma vez que a própria organização divulgou (e depois tirou do ar) fotos com a bandeira do país, placas de carros e várias dicas que permitiam a identificação do local. O primeiro a chegar no porto leva 80% dos pontos da perna. As novidades não páram.
Por Antonio Alonso às 13h14
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Sobre o autor
Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.
Sobre o blog
A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.