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24/12/2011

Feliz Natal em terra... e também no mar

Feliz Natal a todos os leitores deste blog. Longa vida às celebrações humanas e meus votos são de que todos os "feliz Natal" que realmente importam, dos nossos próximos e de quem amamos, continuem sendo trazidos por ótimos ventos.

Só como curiosidade, temos hoje diversas tripulações competitivas passando o Natal em alto mar. Além do pessoal da Volvo Ocean Race, que vocês acompanham de perto aqui, há mais duas regatas de Volta ao Mundo rolando, a Global Ocean Challenge e a Clipper Round The World, a tentativa de recorde a bordo do Banque Populaire V (que hoje já aumentou a vantagem para 800 milhas sobre o recorde anterior)... Isso sem falar nos bravos da Sydney-Hobart, que largam dia 26 para a mais temida regata do mundo.

Grande abraço a todos. Mais tarde eu volto com notícias.

Por Antonio Alonso às 21h47

Vermelhinho Camper assume a liderança na véspera de Natal

Se o Camper sair mesmo da calmaria antes dos outros, esse vermelhinho aí só pode ser o saco do Papai Noel

Alguns dizem que essa regata Volta ao Mundo é para moças. Que aventura de verdade é a Vendée Globe, as voltas ao mundo em solitário, ou que o Banque Populaire está fazendo (quebrando o recorde da volta ao mundo, sem escalas). Eu não chegaria nem perto de falar isso. É muita cara de pau dizer que é fácil daqui do computador. Pergunte pro Joca Signorini, que quebrou duas costelas na primeira vez que tentou fazer uma travessia nesses barcos. Hoje no Telefónica, ele está prestes a completar sua terceira volta ao mundo. Se ele me falar que é moleza, eu acredito.

Bom, mas mesmo que não seja uma regata pra moças, ficou bem chato de acompanhar isso com essa zona escura. Eu sei quem está na frente, si quem está melhor, mas não tenho ideia de quais são as estratégias, quem está fazendo o que e como está o vento à frente de cada um dos competidores. Ou seja, não dá pra analisar nada adiante, a não ser o que já passou. E isso é rápido: Agora os veleiros estão nas zonas de calmarias intertropicais, os dóldrums. Isso reembaralhou toda a flotilha algumas vezes já. O Telefónica, que liderava ontem, é segundo. O Puma, que encostou no terceiro colocado Groupama, já está 30 milhas atrás dos franceses de novo. Abu Dahbi é o último e o Camper, barco da cor do trenó do Papai Noel, lidera no início desta véspera de Natal. Camper e Telefónica devem estar saindo da calmaria, porque navegam a 17 e 16 nós, enquanto os outros estão navegando a 10.

Como a primeira parte desta etapa (até um porto secreto) está perto do fim (deve estar), é enorme a vantagem que Camper e Telefónica ganham se estiverem mesmo saindo da calmaria. Quem pegar a pista rápida primeiro, aumenta muito a vantagem agora. Depois que chegarem neste porto secreto, os barcos serão colocados em um navio e enviados para outro lugar secreto, já perto de Abu Dabi, onde velejarão um sprint final de um dia para pelo menos chegar velejando ao final da perna. 80% dos pontos da etapa serão distribuídos neste primeiro trecho, e os outros 20 ficam para o sprint final.

Por Antonio Alonso às 09h44

23/12/2011

Volta ao Mundo: Na calmaria, Groupama perde liderança de 70 milhas

O skipper francês Franck Cammas fez 39 anos, mas quem ganhou o presente foi o Team Telefónica, do brasileiro Joca Signorini. A regata agora está totalmente "no escuro", com todos os barcos dentro da zona oculta, onde as posições não são reveladas, para evitar os piratas que acompanham regatas pela internet. Dá para saber pouco, mas fica claro que, na hora de atravessar as calmarias intertropicais, o Groupama acabou se enroscando e agora são os franceses que estão 70 milhas atrás do líder, em terceiro lugar, atrás também do Camper.

Enquanto isso, o Team Sanya, que quebrou um cabo do mastro, já encomendou uma mastreacão nova. Até as peças novas chegarem e serem testadas, será meados de janeiro. O barco então irá diretamente para o "porto secreto" e, vai fazer a segunda parte da terceira perna, entre o "porto secreto" e Sanya, na China. Ou seja, o time de Mike Sanderson vai perder tanto a chegada como a largada em Abu Dabi. Mas vai chegar velejando na China... (se não quebrar de novo).

Por Antonio Alonso às 23h11

Para quem acha que o ano acabou, na segunda vai rolar Sydney–Hobart

Nessa regata, o mar pode mudar de humor rapidamente. Veleiro: Ichi Ban. Foto: Carlo Borlenghi/Rolex

Há 67 anos, velejadores australianos, neozelandeses e de todas as partes renunciam a seus natais em família para fazer os últimos ajustes no barco antes de encarar a temida Rolex Sydney–Hobart, disputada sempre no dia seguinte ao Natal. Uma marca que não será apagada foi a triste edição de 1998, quando só 44 barcos terminaram, de 113 que largaram. Cinco veleiros afundaram e seis veljadores morreram. Com pouco mais de 1000 km (628 milhas), esta regata é um dos maiores desafios que um velejador pode sonhar em encarar. O estreito de Bass, que separa a Austrália da Tasmânia, tem profundidades que mudam, repentinamente, de 1000 para 10 metros, propiciando o surgimento de ondas gigantescas e perigosas.

O Brasil não tem tradição de participar dessa regata (no Natal, e do outro lado do mundo... complica), mas já fizemos história. Em 1996, Torben Grael participou de uma quebra de recorde, com o Morning Glory. "Foi uma noite de cão", ele conta no relato qu está no release abaixo. E, nesta edição, após 67 amos, pela primeira vez teremos um skipper brasileiro, Edgardo Vyeites, no Accenture (Yeah Baby), um GP42 todo em carbono.

Coloco abaixo o release completo em português:

     
       
Release completo: 

Os países que fizeram parte do Império Britânico comemoram o "Boxing Day" no primeiro dia útil após o Natal, quando os presentes eram distribuídos aos empregados. Nos domínios da Vela, o dia seguinte ao Natal é reservado àquela que é provavelmente a regata oceânica mais respeitada do planeta, a Rolex Sydney Hobart. O brasileiro Edgardo Vieytes vai correr a edição deste ano, tentando remontar a época em que já fizemos história na regata, como o recorde de Torben Grael em 1996.

Com 67 anos de história, a Rolex Sydney Hobart é um dos mais duros testes para homens do mar e seus veleiros. As 628 milhas náuticas entre Sydney, na Austrália, e Hobart, na ilha da Tasmânia, usualmente escondem alguma surpresa de mau tempo durante a regata. A travessia do estreito de Bass é uma das experiências mais desafiadoras que um velejador pode almejar. Lá, a profundidade em alguns locais muda abruptamente de mil para apenas 10 metros, favorecendo a formação de ondas gigantescas. Nas latitudes dos 40º, os "quarenta bramadores", o vento circula o planeta relativamente sem obstáculos, o que também levanta ondas enormes no caminho. Entre os participantes da edição 2011 está o vencedor absoluto da infame edição de 1998, quando a tragédia mundialmente famosa se abateu sobre a flotilha. Com tanta tradição e tantos desafios, não é de surpreender que ela seja a regata oceânica de maior audiência no planeta.

A edição deste ano vai ser especialmente empolgante, com alguns barcos novos se juntando à flotilha de grandes campeões, como o Wild Oats IX, fita-azul em cinco das seis edições passadas.

Entre os veleiros novos nesta edição está o Ker 40 australiano AFR Midnight Rambler (AUS), lançado à água em setembro, de Ed Psaltis, Bob Thomas e Michael Bencsik. Psaltis e Thomas ficaram para a história como vencedores do inesquecível ano de 1998. O iate mais velho, por sua vez, 79 anos, e também é australiano, o Maluka of Kermandie, 9 metros de Sean Langman. Para quem acha que Langman é um velejador sem aspirações, vale lembrar que, em 2002, ele foi o segundo a completar a prova com o 66 pés Grunding, deixando vários maxi-iates para trás.

Uma prova do valor de Langman é que seu iate nesta edição não é apenas o mais velho, mas também o menor, em contrastes com os máxis de 100 pés, gigantes em tamanho e também em tecnologia. O Wild Oats XI, projeto de Reichel Pugh, é o atual detentor do recorde, com 1 dia, 18 horas, 40 minutos e 10 segundos registrados em 2005. Neste ano, eles vão tentar a sexta fita-azul – conferida ao primeiro a cruzar a linha de chegada – em sete participações. Mas entre os concorrentes existem outros gigantes do mesmo tamanho, como o Investec Loyal, tripulada por alguns dos melhores velejadores do mundo e algumas celebridades australianas, como o bicampeão da Copa do Mundo de Rugby (e uma estrela por lá) Phil Kearns e o ex-campeão mundial de boxe Danny Green. Entre as "celebridades" está também o navegador americano Stan Honey, vencedor da Volvo Ocean Race em 2006, com o ABN Amro One. Curiosamente, a única vez que Honey participou desta regata, em 2006, com o próprio Volvo 70 ABN Amro One, o barco teve o mastro quebrado e ele não completou a prova. "Nós tínhamos acabado de passar o Wild Oats e assumir a liderança quando o mastro quebrou. Ou seja, eu larguei, mas não terminei", contou. Lembrando que a Rolex Sydney Hobart já fez parte da Regata Volta ao Mundo em edições passadas, ele comemorou a oportunidade de voltar a disputá-la. "Eu estou muito empolgado em voltar aqui. A combinação da Corrente Leste Australiana e a meteorologia de rápidas mudanças fazem da navegação da Rolex Sydney Hobart um desafio dos grandes".

Brasileiros: poucos, mas importantes

Entre os 93 inscritos, além de barcos de todos os estados australianos, há também veleiros da França, Hong Kong, Nova Zelândia, Reino Unido e dos EUA. Os brasileiros são raros, mas capazes de fazer história. Em 1996, Torben Grael foi um dos timoneiros do Morning Glory, de Hasso Plattner, e quebrou o recorde da regata em tempo real, feito raro, que só aconteceu seis vezes durante os 67 anos de disputas.

O recorde de Torben veio 21 anos após o recorde anterior. “O desafio era tão grande, que a organização colocou um prêmio de 35 mil dólares australianos para quem conseguisse a façanha”, lembra Torben. No barco do brasileiro estava a tripulação neozelandesa campeã da última America’s Cup praticamente completa, incluindo o capitão Russell Coutts.

Apesar da tripulação de estrelas, o barco de Torben era dúvida na largada. “Três dias antes da regata, num treino despretensioso e sem forçar o barco tivemos o mastro quebrado.  Lembro que Hasso fretou um avião Antonov especialmente para trazer o mastro reserva de Los Angeles. Depois de uma maratona da tripulação, fomos para a largada cautelosos com a previsão de vento muito forte na primeira noite. Bem no finalzinho do dia, quando o vento aumentou tivemos de descer a vela grande para pequenos reparos. Enquanto fazíamos isso, outros dois barcos grandes perderam seus mastros o que nos levou a passar a noite apenas com a Genoa 4 pra cima, sem vela grande, pois as ondas altas de proa , muito curtas faziam o barco bater violentamente”, conta Torben.

Mas o final foi feliz para o brasileiro: “Foi uma noite de cão, mas já na manhã seguinte o vento amainou e aos poucos foi rondando para trás facilitando uma singradura mais rápida que acabou nos levando ao recorde, por poucos minutos”.

Outro brasileiro que também está fazendo história é Edgardo Vieytes. Vieytes foi um dos pioneiros da classe olímpica 49er no Brasil, mas logo se voltou para a vela oceânica e hoje o brasileiro mais experiente na Rolex Sydney Hobart. Tão experiente que neste ano ele será o primeiro brasileiro a assumir o posto de capitão de um barco, o Accenture (Yeah Baby), um GP 42 todo em carbono. "É uma honra enorme. No barco só tem fera, entre eles tries campeões mundiais: Ben Austin, campeão mundial de 49er, e os gêmeos Tim Austin & Rob Bell, campeões mundiais de Skiff 18. Eu serei timoneiro e capitão, o primeiro brasileiro a ser capitão nesta regata!. Mesmo quem está longe da Austrália vai poder acompanhar o trabalho de Edgardo – basta um pouico de insônia, porque a regata começa à meia-noite no horário de Brasília. O veleiro de Edgardo terá uma câmera transmitindo em live-streaming durante a regata.

Estreantes e veteranos

Embora esta edição conte com muitos estreantes, incluindo a jovem Jessica Watson, hoje com 18 anos. No ano passado, três dias antes de completar 17 anos, ela se tornou a pessoa mais jovem a dar ao mundo a vela sozinha e sem assistênca. No dia 26 de dezembro, às 13h locais (0h no horário brasileiro de verão), ela vai comandar uma tripulação cuja média de idade é de apenas 19 anos. No outro extremo está Tony Cable, que pretende participar da regata pela 46a. vez. Ou seja, ele já participou de mais de dois terços de todas as regatas já disputadas. Esse certamente sabe como aproveitar seu Boxing Day.


Um vídeo curto para mostrar – de leve – como foi o desastre de 1998

Por Antonio Alonso às 07h59

Encontrado o irmão perdido do S40 na Austrália: Ker 40

A Regata Sydney–Hobart, provavelmente a regata mais respeitada do mundo e a de maior audiência no planeta vai largar na segunda-feira, dia 26, com a participação do brasileiro Edgardo Vyeites, que será skipper do Accenture (Yeah Baby). Será a primeira vez que um brasileiro corre como skipper em 67 anos de Sydney–Hobart. Mas a aproximação da regata me fez encontrar esse Kerr 40, barco construído pela australiana McConaghy Boats e que tem uma semelhança impressionante com "nosso" Soto 40, que andou fazendo sucesso mundial. É claro que existem diferenças, a mais marcante para mim é a proa bem mais volumosa e arredondada do primo australiano. Mas ainda assim, a semelhança é de assustar.

Ker 40 - foto de divulgação

Soto 40 - foto Matias Capizzano

Por Antonio Alonso às 02h20

22/12/2011

Trimarã de 40 metros completa 30 dias no mar em busca do recorde da volta ao mundo sem escalas

Após 30 dias no mar, o máxi-trimarã francês Banque Populaire se aproxima do temido e esperado Cabo Horn. O Banque Populaire encontrou ventos uma zona com muito pouco vento nos últimos dias e agora comemora os 15 nós na aproximação à ponta sul do continente americano. O Cabo Horn é a região mais temida do planeta pelos navegadores. As condições climáticas são de muito vento, sempre, e de ondas grandes e perigosas, na confluência dos Oceanos Atlântico e Pacífico. Depois de contornar o Cabo Horn, o Banque Populaire vai subir pela costa do Brasil e seguir em direção à França. 

Para bater o recorde, que pertence ao Groupama 3, os 14 tripulantes a bordo do Banque Populaire V têm menos de 18 dias para completar a volta ao mundo. A eficiência do trimarã azul de 40 metros e 23 toneladas é impressionante. Com os 15 nós de vento que encontraram hoje, o barco estava velejando a 27 nós, quase o dobro da velocidade do vento! Atualmente eles têm 550 milhas de vantagem sobre o recordista anterior. Vai rolar.

Por Antonio Alonso às 15h01

Vídeo: Parece wake, mas é esqui

O esqui-aquático é uma modalidade náutica muito antiga e tradicional. Tão antiga e tradicional que às vezes beira a chatice. Mesmo sendo um esporte pan-americano (e com sonhos olímpicos), o esqui continua por baixo quando se trata de mídia e público, ultrapassado de longe por seu primo mais novo, o wakeboard. O videozinho acima é só pra dizer que talvez exista uma redenção no futuro do esqui aquático.

Por Antonio Alonso às 14h49

Para fugir da pirataria, Regata Volta ao Mundo esconde posições dos barcos até do público

Hoje o líder da Regata Volta ao Mundo, o veleiro francês Groupama, vai sumir do mapa. Pelo menos para quem costuma acompanhar a regata diariamente (sim, os viciados podiam acompanhar toda hora o deslocamento dos barcos na página oficial da Volvo Ocean Race). O que vai acontecer ali dentro da "zona escura" é mantido sob segredo. A maioria das apostas espertas vão para as Maldivas, enquanto os tradicionalistas colocavam suas fichas nas ilhas Seychelles (ao norte de Madagascar) no início da regata. As Seychelles podem ser descartadas, porque estão completamente fora da rota que os veleiros tomaram. Tudo leva a crer que o destino é realmente as Maldivas, com a possibilidade ainda de ser no território britânico de Diego Garcia. Localizado ao sul das Maldivas a sete graus e 26 minutos de latitude sul, Diego Garcia tem a vantagem de ser território britânico, onde o inglês é a língua oficial, em oposição ao maldivense das Maldivas. Outros pontos que favorecem a hipótese de Diego Garcia é a menor distância (são cerca de 550 quilômetros do local onde o Groupama "sumiu do mapa") e a infraestrutura. Diego Garcia tem um porto preparado para receber as maiores embarcações militares dos EUA e da Grã-Bretanha. Mas, é claro... eu posso estar errado.

Caso a opção de Diego Garcia se confirme, o crédito vai para o leitor Carlos Luís, que chamou a minha atenção para isso quando eu nem estava muito preocupado com o porto de destino. 

A curiosidade do dia vai para o Team Sanya. Depois que eles quebraram, quando surpreendentemente lideravam a flotilha, o barco parou para reparos na mastreação em Fort Dolphine, no Sul de Madagascar. O mastro do barco foi retirado hoje e as cruzetas foram enviadas para Valencia, onde serão construídas novas. O reparo, que seria uma parada rápida, deve demorar pleo menos três semanas. Isso significa que eles são dúvida até mesmo para a largada de Abu Dabi rumo a Sanya, dia 13 de janeiro. Até agora, eles não revelaram detalhes da quebra, nem qual o plano para o transporte do barco até Abu Dabi (ou para a China direto?).

Por Antonio Alonso às 08h53

21/12/2011

Optimista Leonardo Lombardi explica os perigos do "vento que ronda rondando"

O vídeo acima foi postado no facebook da confederação brasileira. Embora seja uma brincadeira entre garotos, eu achei uma excelente maneira de apresentar o Leonardo Lombardi, que vai disputar o Mundial de Optimist na raia de Napier, na Nova Zelândia, mas principalmente dar uma palhinda de como esse esporte é um jogo de leitura do vento.

Leonardo fala do vento que ronda rondando em oposição ao vento que ronda girando, sem mudanças abruptas, na raia de Napier. Uma das coisas mais difíceis na Vela é realmente ver uma rondada dentro da rondada. Mesmo velejadores experientes não-olímpicos têm dificuldades com essas surpresas eólicas.

Aliás, vocês sabiam que todo vento faz a curva? Mas isso fica pra outro post.

Enquanto isso, boa sorte para a galerinha em Napier!

Por Antonio Alonso às 21h08

Americano se apaixona por lancha já vendida, rouba o barco e é preso em perseguição rodoviária

Esse vídeo não é novo, mas vale a menção. A câmera no painel de um carro da polícia de Connecticut flagra a perseguição a um suspeito de roubar uma Boston Whaler de 32 pés nos Estados Unidos. O vendedor assaltado disse que o ladrão era um cliente conhecido de longa data, que queria comprar esse barco, que já havia sido vendido. No lugar de procurar algo diferente para comprar, ele foi até a loja e roubou o barco! Belo marketing para a lancha, mas que ideia de jerico! 

Por Antonio Alonso às 16h51

Volta ao Mundo: Repetidas quebras na mastreação colocam segurança dos barcos em dúvida

A quebra no estai intermediário D2 do Team Sanya foi o quinto problema de mastreação apresentado até agora, antes de completadas duas etapas da Regata Volta ao Mundo. Durante a primeira perna, dois mastros caíram, o do Puma – por motivo ainda desconhecido – e o do Abu Dahbi – também por motivo desconhecido. O time árabe revelou que também teve uma quebra no D2, mesmo estai intermediário que teve problemas no Sanya. Abu Dahbi e Sanya usavam o mesmo sistema de mastreação, só que o Abu Dahbi trocou um estaiamento contínuo por um descontínuo, mesmo sem saber o motivo exato da quebra.

"Nós também quebramos um dos D2, mas não temos nem ideia de como ou por que ele quebrou bem ali", disse Ian Walker, capitão do Abu Dahbi, à revista Yachting World que estará nas bancas dos EUA em fevereiro. "Depois do incidente, nós examinamos as partes quebradas e testamos a mastreação exaustivamente, sem conseguir fazer que nada quebrasse com as cargas reais. Mas o fato de que velejamos tão pouco (eles quebraram no primeiro dia, com menos de seis horas de regata) sugere que não foi fadiga de material", completou. Mesmo assim, eles decidiram trocar o estaiamento por um descontínuo, teoricamente menos vantajoso,  pelo menos porque o descontínuo pode ser trocado por partes em caso de quebra.

O problema com o Sanya, que neste momento está reparando o barco em Madagascar, levanta sérias preocupações para a organização da regata. Primeiro, porque nesta etapa os veleiros terão de "fugir" dos piratas a bordo de um navio que espera por eles em um "porto secreto". Se o Sanya não chegar a tempo, vai perder a carona e complicará muito a logística montada para levar todos os barcos de navio até um ponto próximo de Abu Dabi e devolvê-los à água, para que eles façam uma "chegada emocionante". Em segundo lugar, é uma preocupação também porque esta é a quinta quebra de mastro em tão pouco tempo, e nenhuma delas foi provocada por erro da tripulação. Parece que a mastreação é o elo fraco dessa geração de Volvo 70, assim como as quilhas eram o elo fraco duas edições atrás.

Enquanto isso, o Groupama continua bem colocado, aproveitando a vantagem conseguida com uma estratégia arriscada, com um caminho mais longo para buscar ventos mais fortes. Na manhã desta quarta, os franceses tinham mais de 85 milhas de vantagem sobre o Puma, segundo colocado, seguido de perto do Telefónica. Além disso, o Groupama velejava a 21 nós, contra 17 dos concorrentes mais próximos. Tudo indica que, desta vez, os franceses mostrar por que são recordistas mundias da Volta ao Mundo sem escalas e vão dar um banho de estratégia que muita gente apostava.

Correção: Na Volta ao Mundo, os estais não são de aço: Alertado pelo Jonas Penteado, que me escreceu de Santos, eu faço uma correção aqui. O material que quebrou no Sanya não foi aço, como eu mencionei em um post. Os estais (cabos que sustentam o mastro) são de outros materiais na Volvo Ocean Race. Eu escrevi para a assessora do Puma e ela me disse que eles são de carbono. No entanto, a informação mais precisa é que o material usado nesses barcos é uma mistura de kevlar e PBO (polybenzoxazole). Além de ser um material mais forte do que o aço, ele poupa cerca de 80 quilos a bordo em comparação com o estaiamento metálico.

Por Antonio Alonso às 08h46

20/12/2011

Touché! Mais uma colisão de catamarãs em vídeo

Se você realmente gosta de vela, ou de vez em quando se empolga quando rola alguma emoção, você deveria dar uma passada de vez em quando no blog americano www.sailinganarchy.com. Foi lá que eu encontrei esse vídeo acima e o relato do acidente. O autor explica que a porrada aconteceu na Key Largo Steeplechase, uma regata de 110 milhas, disputada em um fim de semana ao redor das upper Keys, as famosas ilhas tropicais que ficam ao sul da Flórida e que se estendem até quase encostar em Cuba (olha o perigo!).

Bom, essa regata não tem juria ou sala de protestos. É uma regata na qual todos os problemas foram tradicionalmente resolvidos em acordos de cavalheiros. Até hoje. O barco que espeta o outro no vídeo é um ARC22, o outro é um Nacra 20, como os que Betão Pandiani andou trazendo para Ilhabela há alguns anos. Veja o vídeo. O dono do AC22 achou que ele não tinha culpa do acidente e continuou velejando durante o resto do dia. No sábado à noite, ele assumiu a responsabilidade. No domingo, "desassumiu". Dá pra pensar em o que cada um de nós faria nessa situação.

Se você achou "interessante" a batida, dê também uma olhada nisto: https://picasaweb.google.com/SailingImagesByMica/Steeplechase2011#5684639392732415554

Bom proveito!

Por Antonio Alonso às 14h09

Estratégia arriscada dá certo, e Groupama lidera na Volta ao Mundo

 

O Groupama é o novo líder da segunda etapa da Regata Volta ao Mundo, a Volvo Ocean Race. Os franceses, que cometeram uma lambança tática na primeira perna, mais uma vez decidiram fazer tudo diferente do resto da flotilha. Eles mergulharam bastante ao sul, buscando ventos mais fortes, encontraram. Quando voltaram para o norte, rumo ao destino intermediário desta segunda perna (um porto secreto, para fugir da pirataria), eles estavam mais a leste (mais perto do destino), com mais velocidade, em ventos mais fortes e com ângulos mais favoráveis. Ou seja, tudo o que deu errado da outra vez, agora funcionou. No último relatório de posições, na manhã desta terça, o Groupama velejava a 20,3 nós, contra 16,2 do segundo colocado, o espanhol Telefónica, que é o líder geral da regata até agora.

"Esta é a segunda vez que escolhemos um caminho diferente de todo o resto da flotilha. Pode parecer estranho, mas provavelmente isso é apenas fruto de nossa experiência com os multicascos", comentou o skipper Franck Cammas. Cammas e sua equipe estão mesmo muito mais acostumados com os catamarãs e trimarãs. Eles são os atuais recordistas mundiais da Volta ao Mundo sem escalas, a bordo de um gigantesco trimarã também chamado Groupama. Narciso Reinato, velejador paulista do veleiro Jylic e autor do blog Vento e Som aposta bastante no Groupama nesta regata. Eu disse a ele que os franceses tinham queimado o filme naquela primeira perna, quando cometeram um erro que pareceu básico, ficando presos numa zona sem vento e sem saída. Parece que eles estão no caminho da redenção...

Enquanto isso, o Sanya, que quebrou um estai intermediário (cabo que liga a cruzeta ao mastro) está chegando ao sul de Madagascar, onde vai encontrar com a equipe de terra para avaliar a extensão dos danos, fazer o conserto e voltar para a regata (em último disparado).

Por Antonio Alonso às 08h19

19/12/2011

Catarinenses comemoram fim da Copa Veleiros com fim de semana "perfeito"

Optimists na Copa Veleiros de Monotipos

Por César Eugênio Dias - 


Sol forte, ventos constantes e mar sem ondas. Condições que todo velejador sonha formaram o cenário da 10ª e última etapa da Copa Veleiros de Monotipos promovida pelo Iate Clube de Santa Catarina – Veleiros da Ilha.

 

A etapa contou ainda com a presença de 10 velejadores, integrantes do projeto social do Joinville Iate Clube, que competiram na categoria Estreante da classe Optimist. A equipe veio a Florianópolis apoiada pelo Instituto Náutico de Joinville.

 

E mesmo com tamanha concorrência, a vitória ficou com Guilherme Berenhauser que superou Rafael Servaes, 2º colocado, por apenas um ponto. A 3ª colocação ficou com Lucas Pitta, seguido pelo joinvilense Eduardo Silva na 4ª posição.

 

Na categoria feminina dos Estreantes, a vitória foi de Beatriz Karling, seguida por Thaiz Corrêa na 2ª posição e Juliana Uliana em 3º, todas da equipe de Joinville.

Entre os Veteranos da classe Optimist, Erik Hoffmann foi o vencedor, deixando Paola Berenhauser na 2ª posição e Michel Durieux em 3º.

 

Na classe Laser Radial, Luca Mazzaferro e André Servaes duelaram por toda etapa e acabaram empatados, mas a vitória acabou nas mão de Luca por ter uma vitória a mais na série. A 3ª colocação ficou com Maria Cristina Boabaid, que também superou Flávio Lopes, 4º colocado, no desempate.

 

Entre os velejadores da classe Laser 4.7, Daniel Mattos foi o vencedor com Bruno Capella na 2ª posição.  Enquanto na categoria Standard a vitória ficou com Fábio da Luz, seguido por Paulo Schaefer em 2º.

 

Alex Juk e Eduardo Beirão foram os vencedores na classe Snipe, seguidos por Adriano Santos/ Nelson Lorenz na segunda posição com Diego Montautti/ Alexandre Niederauer em 3º.

Na prancha vela Alessandro Witoslawski foi o vencedor seguido por Rafael Cunha em 2º e Vicente Castro Mello em 3º. Na classe Dingue, a vitória foi da dupla Dionísio Durieux e Igor Lodygenswy, seguida por Cassiano Zaniratti e Victor Oliveira.

Por Antonio Alonso às 00h11

Volta ao Mundo: Quebra no Sanya foi em estai intermediário. Navegação está segura

Quando não é pra ser... O Team Sanya, com barco usado e muito menos recursos do que os outros times estava prestes a dar uma aula de tática (ou não) na Regata Volta ao Mundo, quando uma quebra (de novo) em uma peça fundamental do barco obrigou o time a rumar para terra e avaliar os danos. O Team Sanya, equipe chinesa, mas com uma tripulação internacional comandada pelo neozelandês Mike Sanderson, é o azarão desta regata e, antes mesmo de a disputa começar, o último lugar já era deles. Só que nesta segunda perna eles quiseram mostrar que não vão aceitar a lanterna facilmente. Após seis dias de regata, eles se desgarraram da flotilha e rumaram direto para o norte, arriscando um caminho totalmente diferente dos outros cinco barcos. Logo que eles atravessaram uma zona de ventos fracos e iam começar a curtir os benefícios da aposta, perceberam que um estai intermediário, o D2, qe liga uma cruzeta ao mastro, estava quebrado. "Percebemos isso numa troca de velas ao raiar do dia. Se fosse de noite, com certeza não teríamos percebido e o mastro teria caído", diz um desanimado Mike Sanderson no vídeo ao pé desta nota. É uma pena, porque o barco chinês, por ter tomado o rumo norte, era o mais próximo da chegada, e aparecia na classificação como líder disparado. Eles devem chegar a Madagascar amanhã, onde vão avaliar toda a extensão do problema e decidir qual medida tomar.

O Sanya não foi o único a quebrar. O Abu Dabi, último neste momento, também teve um dano, mas menor e no casco, no encaixe de uma das bolinas.

Por Antonio Alonso às 16h44

Mesmo com confederação 'na pendura', Brasil continua em bom caminho olímpico

Jorginho Zarif é uma das revelações do Brasil e viu a confederação sob intervenção durante praticamente toda sua carreira. Foto: Pedro Felizardo/CBVM

O Brasil encerrou neste domingo o Mundial de Perth, na Austrália, garantindo sete das dez vagas olímpicas possíveis e com um campeão mundial, justamente na classe mais "importante", a Star. Mesmo com uma confederação sob intervenção há quase cinco anos, e oficialmente "sem dinheiro para nada", a Confederação Brasileira de Vela e Motor (CBVM) teve 21 tripulações representando o Brasil em Perth. E os resultados foram sentidos. Apenas as classes 470 masculino, 49er e Match Race Feminino não garantiram a vaga antecipada e terão que disputar as vagas remanescentes durante os mundiais de cada classe em 2012.

A vela brasileira tem bons resultados há 50 anos, mas em termos de objetivo olímpico, a campanha em Perth foi excelente. E o melhor, sem surpresas. Tudo o que aconteceu ali refletiu um trabalho de cada tripulação em suas campanhas olímpicas. Se houve surpresas, foram as negativas. Bochecha e Marco Grael quebraram e ficaram fora de três regatas em Perth, impossível saber como eles se sairíam se tivessem realmente corrido o Mundial todo.

Mas deixando a classificação olímpica de lado, a campanha não foi tão boa assim. O Brasil fez o grande campeão desse mundial, Scheidt & Prada, na Star, mas foi só isso. Martine Grael e Isabel Swan chegaram à Medal Race, mas foram só elas. Bimba, na Prancha, e Bruno Fontes, na Laser, são dois exemplos que claramente podem ir além.

A renovação da Vela brasileira também é importante. Com o fim da carreira olímpica de Torben, nos resta apenas Scheidt? Eu boto muita fé em Jorginho Zarif, que não fez um bom Mundial em Perth, mas mostrou no passado que pode ser o melhor velejador de Finn brasileiro desde Jorge Bruder. Patrícia Freitas, campeã pan-americana, também tem dado boas surpresas na Vela, e também não fez um bom Mundial. A tímida Martine Grael resolveu botar as manguinhas de fora no finzinho do Mundial e foi lindo de ver. 

Intervenção até quando? A vida segue e os problemas da Confederação continuam um mistério. Até mesmo o valor da dívida, que passa de R$ 100 milhões, é mantida sob sigilo. Tudo o que se sabe é que é um valor que jamais será pago, não importa por quantos anos de interevenção a entidade passe. Eu duvido, você duvida e quem está lá também duvida. Eu imagino que eles estejam esperando por um momento propício para uma anistia do governo, que eu também não sei se acontecerá. Uma ideia forte há alguns anos era simplesmente abandonar essa confederação e criar outra, com outro nome e os mesmos propósitos, mas o COB vetou, sabendo que provavelmente o exemplo seria seguido por outras entidades devedoras.

Mesmo oficialmente sem dinheiro, a confederação conseguiu um patrocinador grande – que não pode colocar dinheiro na conta da confederação falida, mas dá um jeito – e, esportivamente, a Vela tem se sustentado. Só que não dá pra se contentar com isso. Torben abandonou a Vela olímpica antes da hora, alegando falta de patrocínio. Como seriam as coisas se não houvesse essa intervenção? Nunca saberemos.

Se você quer saber um pouco mais sobre a intervenção, leia esta matéria de Bruno Doro do UOL um pouco antes da Pré-Olímpica de Weymouth, no ano passado.

Em intervenção há três anos e meio, Vela não tem data para recuperar autonomia

Assinantes do UOL e Folha também podem ler:

Sob intervenção desde 2007, vela vê rarear investimento na base, e, sem apoio, novos talentos deixam o esporte

 


Por Antonio Alonso às 14h32

Brasileiro de esqui-aquático estreia formato de homem contra homem em Sertãozinho

Felipe Neves, campeão da head-to-head

Klaus Nimitz

Paulo Sigrist

Rafael Negrão

Alteta pan-americana Juliana Negrão

Caio Neves, outro dos irmãos Brucutu. Fotos: Rei Junqueira

 

O esqui-aquático é modalidade pan-americana, mas tem perdido adeptos para o mais moderno wakeboard e suas variações. Na última etapa do Campeonato Brasileiro deste ano, a organização tentou modernizar a competição com o sistema homem contra homem. Dois esquiadores saem juntos, puxados por dois barcos em duas pistas paralelas. Quem cair primeiro, está eliminado.

A final da categoria principal foi entre Felipe Simioni Neves, um dos famosos "irmãos Brucutu", que dominam o esporte, e o veterano Rafael Funari Negrão, com Felipe levando a melhor.

As competições de esqui-aquático têm um resultado estranho para os não iniciados. Na última etapa do Campeonato Brasileiro, disputada em Sertãozinho (SP), por exemplo, Felipe Simioni Neves venceu a "head-to-head" por 4,5 bóias a 11 m - 58km/h. A tradução é que ele caiu quando tentava contornar a quinta bóia da pista (que tem seis), com 11 metros de corda e velocidade do barco 58 km/h. Cada vez que o esquiador completa a prova, a corda é encurtada. 

Resultados: 

Masculino A               Felipe Simioni            (4,5 bóias a 11m – 58km/h)

Masculino B               Felipe Bonini              (4,5 bóias a 13m – 58km/h)

Masculino C               Paulo Sigrist               (1,5 bóias a 14m – 58km/h)

Feminino                    Juliana Negrão            (3,0 bóias a 13m – 55km/h)

Sênior 1                      Célio Aguiar               (1,5 bóias a 11m – 55km/h)

Sênior 2                      Rafael Negrão            (5,0 bóias a 11m – 55km/h)

Juvenil                        Pedro Filizola                         (1,5 bóias a 12m – 55km/h)

Infantil                       Rebeca Demeterco     (4,0 bóias a 18m - 48km/h)

Iniciante                     Eduardo Joppert         (4,0 bóias a 18m – 45km/h)

Os demais resultados encontram-se no sítio da CBEA (Confederação Brasileira de Esqui Aquático) – www.cbea.com.br

 

Por Antonio Alonso às 10h47

Sob críticas, CBVM comemora classificação em 7 classes e "melhor mundial da história"

Claudio Biekarck, chefe de delegação em Perth

Esportiva e tecnicamente, a Vela brasileira também é cheia de talentos, como Ricardo Baggio (acima, de branco) e Claudio Biekarck (no alto), mas a situação jurídica da confederação ainda é complicada. Foto: Alexandre Haddad

Vou colocar aqui o release oficial e em breve eu comento um pouco o balanço desse Mundial em Perth

Da ZDL de Comunicação - Um dia para o mundo da Vela não esquecer. No domingo de sol, temperatura amena, por volta de 28 graus, com o ‘Fremantle Doctor’, o vento do Índico típico do verão em Fremantle, soprando do sudoeste a generosos 18 nós, terminou o Mundial de Vela de 2011 da ISAF (ISAF Sailing World Championships), o evento que desde 2003, a cada quatro anos, serve como qualificação de 75% das vagas das nações para os Jogos Olímpicos. O Brasil garantiu sete vagas para a Inglaterra, na melhor participação em mundiais da ISAF.

Neste domingo que coroou um campeonato que fez jus à fama do lugar de ser um dos melhores lugares do planeta para velejar, foram corridas as quatro últimas regatas do evento. E foram quatro ótimas Medal Races, as provas finais que reúnem apenas os 10 melhores colocados na série regular de 10 regatas (15 para a classe 49er), nas classes 49er, RS:X Masculino, Laser (masculino) e 470 Feminino. O Brasil estava presente em somente uma delas, a da classe 470 Feminino, com a dupla niteroiense Martine Grael e Isabel Swan. E com um sexto lugar as meninas do Brasil se mantiveram na oitava posição geral e terminaram bem o campeonato.

"Estar entre as top10 do mundo é muito bom. Hoje, no 470, os 12 primeiros times estão muito parecidos e a briga para a olímpiada do ano que vem vai ser boa. Nós viemos aqui para classificar o Brasil, antes de tudo, e tentar sair na frente na seletiva nacional. Ficar em oitavo foi uma boa surpresa. Ainda mais se pensarmos que só nós e o Star chegamos às regatas finais", explica Isabel Swan, a pioneira medalhista de bronze (Pequim 2008) na classe, ao lado de Fernanda Oliveira. 

"Neste domingo nós acabamos largando escapado e isso, claro, atrapalhou. Foi uma regata de recuperação. Mas estou feliz com o resultado, principalmente porque sei que temos ainda alguns pontos em que precisamos melhorar. Isso é bom, porque muitas de nossas competidoras já estão no auge e nós já estamos andando perto delas. Isso nos dá mais ânimo para treinar", pondera Martine Grael, filha do multicampeão Torben Grael.

Volta para casa - Depois da conquista do bicampeonato mundial da classe Star na Medal Race deste sábado (18) o dia de Robert Scheidt e Bruno Prada foi de trabalho na embalagem e despacho dos equipamentos que voltam para a base Europeia da Confederação Brasileira de Vela e Motor (CBVM), na França, e para o Brasil. 

Assim, como a dupla campeã em Perth o resto da EBV - Equipe Brasileira de Vela, time apoiado pela CBVM/COB - Comitê Olímpico Brasileiro e patrocinada pelo Bradesco e CPFL, com apoio da Travel Ace e da Vuarnet, também usou o domingo para preparar a volta para casa. O balanço final de vagas conquistadas mostra um avanço em relação ao último ciclo olímpico, quando Brasil confirmou apenas cinco classes em Cascais 2007 para os jogos de Pequim 2008. No entanto, do ponto de vista do desempenho geral, o país caiu da terceira posição em Portugal, com dois ouros, no Star e RS:X Masculino, para a sétima posição em Perth 2011, com apenas um ouro na Star.

Dever cumprido- "O balanço geral é positivo. Viemos aqui para classificar o Brasil no maior número de classes para os Jogos do ano que vem e conseguimos colocar sete, das dez classes olímpicas em Londres. Os outros 25% das vagas vão ser disputados nos mundiais individuais de cada classe em 2012 e ainda temos chances razoáveis nas outras três que ficaram de fora aqui. Claro que como diretor técnico meu papel é querer sempre mais e algumas frustrações aqui e ali sempre acontecem. Mas saímos de Perth com a sensação do dever cumprido e com a alegria do bicampeonato do Robert e do Bruno", resume Cláudio Bieckark, o diretor técnico do escrete canarinho.

"O campeonato aqui em Perth foi fantástico e temos certeza que a estrutura que disponibilizamos para os atletas foi equivalente a de países que, muitas vezes, investem o triplo de nós na vela. A delegação esteve sempre unida e conseguimos um aproveitamento de 70% nas vagas em disputa, nossa melhor participação em Mundiais da Isaf. Individualmente algumas classes que poderiam ter ido para a Medal Race, bateram na trave. Mas isso é parte do esporte e é imponderável. Para o ano que vem, pretendemos continuar nossa parceria com o Bradesco e a CPFL e aí teremos condição de classificar mais algumas classes nos mundiais de 2012, além de fazer uma boa preparação para Londres", declara Ricardo Baggio, superintendente da CBVM.

Colocação dos representantes brasileiros em Perth, por classe:

Classe Star

Robert Scheidt / Bruno Prada - Campeões

 

Classe 470 F

Martine Grael / Isabel Swan - 8º

Fernanda Oliveira / Ana Luiza Barbachan - 26º

 

Classe RS:X M

Ricardo Winicki - 11º

Vicente Carvalho - 74º

 

Classe RS:X F

Patrícia Freitas - 29º

Carmem Rosas - 58º 

Bruna Martinelli - 60º

 

Classe Laser Standard

Bruno Fontes - 15º

Eduardo Couto - 86º

Alex Veeren - 131º

 

Classe Laser Radial

Adriana Kostiw - 41º

Odile Ginaid - 82º

Patrícia Gatti - 101º

 

Classe Finn

Jorge Zarif - 32º

 

Match Race Feminino

Renata Decnop / Gabriela Nicolino / Larissa Juk - 17º

Juliana Senfft / Fernanda Decnop / Luciana Barros - 20º

 

Classe 49er

André Fonseca / Marco Grael - 51º

 

Classe 470 M

Carlos Henrique Wanderley / Marco Brancher - 54º

Fábio Pillar / Gustavo Thiesen - 63º

Henrique Haddad / Nicolas Castro - 66º

 

Quadro de medalhas:

1- Austrália - 3 ouros

2- Holanda - 2 ouros - 1 prata

3- Grã-Bretanha - 1 ouro - 4 pratas - 1 bronze

4- Estados Unidos - 1 ouro - 2 bronzes

5- Israel - 1 ouro - 1 bronze

Espanha - 1 ouro - 1 bronze

7 - Brasil - 1 ouro

8- Polônia - 2 pratas

9- Nova Zelância - 1 prata - 2 bronzes

10- Bélgica - 1 prata

Alemanha - 1 prata

12- Dinamarca - 1 bronze

França - 1 bronze

Croácia - 1 bronze

 

A Confederação Brasileira de Vela e Motor tem o patrocínio do Bradesco e da CPFL Energia, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte do Governo Federal, e apoio da Travel Ace e Vuarnet.

Por Antonio Alonso às 10h18

Único barco velho na Volta ao Mundo, azarão Team Sanya quebra após conseguir liderar por um dia

O Team Sanya quebrou, mas ainda consegue velejar e está indo para um porto em Madagascar. Foto: Paul Todd

No último dia, a tabela de posições da Regata Volta ao Mundo parecia estar de cabeça para baixo. O Team Sanya, a equipe que todos sabem que vai terminar esta regata em último lugar, aparecia na frente, com uma vantagem de mais de 370 quilômetros (200 milhas) sobre o segundo colocado. A liderança foi o resultado de uma aposta muito inteligente do skipper Mike Sanderson, que já ganhou esta regata em 2006, quando havia um barco brasileiro participando. Sanderson e seu navegador decidiram dar meia volta e não acompanhar a flotilha, que estava rumando a leste, buscando ventos mais fortes. O Team Sanya literalmente voltou para trás e decidiu velejar mais a oeste, acompanhando a costa africana. Ora, já que o barco da equipe chinesa Sanya é mais lento que o resto da flotilha, faz todo sentido apostar num caminho diferente como a única chance de conseguir alguma coisa. 

Para ser justo é preciso dizer, essa liderança que os computadores da organização da regata mostra, nunca leva em conta as condições que as equipes vão encontrar pela frente, mas apenas a distância, em linha reta, em direção ao porto de destino. Se isso fosse uma corrida de automóveis offroad, seria possível dizer que o Sanya estava mais perto da chegada, mas tinha escolhido um caminho com mais subidas, enquanto os demais competidores, teriam terrenos planos e algumas descidas pela frente. Ainda assim, foi um movimento arriscado e corajoso do Team Sanya, único barco que corre com um veleiro usado (o Sanya era o Telefónica Azul da última edição, com algumas reformas).

Os tripulantes não revelaram detalhes sobre o que aconteceu no barco. Disseram apenas que tinham acabado de passar pelo vento mais forte e começaram a trocar uma genoa pela enorme Code Zero quando perceberam que "uma peça vital da mastreação solta do mastro", referindo-se provavelmente a um dos estais. "Nós deveríamos ter feito essa troca uma hora mais cedo, mas decidimos esperar até clarear para ver se estava tudo ok. Se tivéssemos trocado a vela no escuro, certamente o mastro teria caído", disse Sanderson.

O Tem Sanya, que no momento tem uma distância de 1300 quilômetros em relação ao marco mais oriental da flotilha, está se dirigindo para um porto ao sul da ilha de Madagascar (na costa oriental da África) para avaliar os danos e decidir qual plano de ação vão tomar. "Como você pode imaginar, estamos totalmente decepcionados com essa quebra logo agora, quando tudo estava indo tão bem e quando o tempo ia melhorar ainda mais à nossa frente", disse o capitão.

Por Antonio Alonso às 07h37

18/12/2011

Santista Robert Scheidt fica com o único título Mundial brasileiro do fim de semana

O Santista Robert Scheidt comemora o título Mundial conquistado neste fim de semana... na vela!

O jogo entre Santos e Barcelona pelo Mundial Interclubes acabou junto com o Mundial de Vela disputado em Perth. Não foi dessa vez que a talentosa Martine Grael e sua experiente proeira ficaram com o título. Mas ainda há um caminho longo pela frente para a dupla, que já classificou o Brasil para a Olimpíada do ano que vem.

Martine e Isabel terminaram em oitavo lugar na classe 470 feminino, a melhor colocação de um brasileiro depois de Scheidt & Prada, que venceram o Mundial, na classe Star. Aliás, mesmo com o fim do jogo entre Barça e Santos, tem um santista que pode comemorar o título mundial neste fim de semana: Robert Scheidt. Ao lado do proeiro Bruno Prada (que é corintiano), Sccheidt chegou a seu segundo título Mundial na classe Star, que é a mais prestigiada embarcação olímpica. É lógico que futebol tem uma importância muito maior para imprensa, torcedores e para o girar do mundo em geral. Ninguém vai pra Paulista, pra Copacabana ou pra Calçada da Fama em Porto Alegre comemorar o bi-mundial de Scheidt e Prada, mas a dupla entrou para a história mesmo assim. Nem mesmo Torben Grael, o maior velejador olímpico de todos os tempos, venceu o Mundial de Star duas vezes. Justiça seja feita, seu proeiro, Marcelo Ferreira, um dos mais sinceros e divertidos velejadores de todos os tempos, venceu dois mundiais. Um com Torben, em 1990, e outro com o alemão Alexander Hagen, em 1997.

Pouca gente comemorou, mas o santista Robert Scheidt entrou para a história neste fim de semana. Ele ainda tem uma medalha de bronze a menos que Torben (que tem 2 ouros, duas pratas e um bronze) e também não tem conquistas relevantes nas regatas de oceano. Torben venceu uma Louis Vuitton, disputou a Americas' Cup, liderou um projeto brasileiro na Regata Volta ao Mundo e depois venceu a Regata Volta ao Mundo... Ainda assim, o menino já é uma lenda da Vela. Orgulho de que ele seja brasileiro. Pode comemorar, santista.

O Mundial de Vela em Perth serviu para classificar antecipadamente 75% das vagas para a próxima Olimpíada, no ano que vem. O Brasil conquistou sete vagas de nove possíveis, elas são: Star, Laser, Prancha e Finn (entre os homens) e Laser Radial, 470 feminino e Prancha (entre as mulheres). As duas classes em que o Brasil terá de disputar vaga no ano que vem são no Match Race feminino e no 470 masculino. O Match Race disputa as quatro vagas remanescentes no Mundial dos EUA, em fevereiro, e o 470 masculino terá de esperar até o Mundial da Croácia, em maio. Essa incerteza até a véspera da Olimpíada não é boa para os atletas, mas temos chances nas duas classes.

 

Por Antonio Alonso às 12h42

Sobre o autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.

Sobre o blog

A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.

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