O início de feriado com exclente tempo aqui em Campinas me pegou desprevenido. Eu continuo apostando que quem foi pego de surpresa pelo tempo também foram os franceses do Groupama, que cada vez mais me parecem presos num caminho sem saída. Ou melhor, com uma saída muito lenta. Eles continuam líderes da primeira perna, mas na realidade já não estão onde gostariam de estar, por conta do vento fraco e da distância com relação ao portão de passagem obrigatória em Fernando de Noronha. Carlos Matos me escreveu dizendo que confia no time francês. Eu também, mas tudo indica que eles erraram dessa vez. O Carlos também dá outra dica boa. Diz que a coisas vão se definir a partir da latitude 20, vamos esperar.
Enquanto isso, eu traduzi e tentei narrar as declarações dos gringos do Abu Dabi explicando a desistência. Para um público pequeno, e seleto, sei bem... Abraços!
Por Antonio Alonso às 16h42

Com o barco no reboque, a Diferencial Sailing Team partiu nesta sexta-feira, 11, rumo à Argentina onde disputará o Mundial da classe J-24. Com início oficial marcado para a próxima segunda-feira, 14, o campeonato tem reunido todas as atenções do grupo sendo o principal agendado no segundo semestre do calendário de competições da equipe. Nos últimos meses as participações em regatas e os treinos da Diferencial Sailing Team tinham como foco exclusivo o treinamento para o Mundial. Recentemente, inclusive, a equipe conquistou o quarto lugar no Brasileiro da classe, disputado em Porto Alegre, RS.
Considerado um dos mais destacados eventos da vela internacional, o Mundial contará com a presença de cinco tripulações brasileiras. A Diferencial ST será formada por Matias Mellecci, Felipe Ilha e Frederico Sidou e capitaneada por Nelson Ilha, membro da ISAF, Federação Internacional de Vela. No total, entretanto, competirão 60 embarcações sendo 26 apenas do país sede.
O Mundial de J-24 terá início na próxima segunda com a realização de uma cerimônia de abertura no Yach Club Argentino. A primeira regata está agendada para terça-feira, às 13h.
Por Antonio Alonso às 01h56

Não adiantou todo esforço hercúleo da equipe de Terra. O barco árabe Abu Dahbi, líder da Regata Volta ao Mundo anunciou nesta manhã que está fora da primeira perna, entre Alicante e a Cidade do Cabo. Pra ser justo, não foi por fata de vontade. Os caras, que venceram a regata costeira e eram favoritos nesta perna, quebraram o mastro com menos de sete horas de regata, voltaram pra trás e perderam quatro dias em reparos. Ontem, voltaram à água, mas o mastro não inspirou confiança. Para quem não tem mais um mastro reserva esperando em algum aeroporto do mundo, perder outro mastro seria bem mais doloroso.
"Foi um período agoniante de testes, mas decidimos que é necessário testar esse mastro e as regulagens com calma na Cidade do Cabo [para que o mastro fique confiável]", contou o comandante Ian Walker. "Estivemos checando a previsão do tempo hora a hora e eu nunca tive mais certeza de que tomamos a decisão correta".
Ficar fora de uma perna é um golpe duro para um concorrente forte ao título. Numa regata parelha como esta, pode significar o fim de todas as esperanças. Vale lembrar que, nas últimas edições desta regata, o vencedor desta primeira perna acabou sempre campeão no final da volta ao mundo.
Por Antonio Alonso às 14h49
Sabe quando você se mete a fazer uma coisa, mas acha que vai ficar uma porcaria? Bom, sou eu cansei dos vídeos em inglês da Regata Volta ao Mundo e coloquei um áudio em português nesse. Resumindo o dia, o Abu Dabi, que tinha quebrado o mastro depois de seis horas de regata, retornou à prova. Eles estão 800 milhas atrás do líder, que é o francês Groupama.
O Groupama veleja bem perto da costa africana, e vai aproveitando ventos melhores e conseguindo andar para o sul. Mas querem saber o qual é minha aposta? Eles vão se dar mal. Por enquanto eles estão encontrando os melhores ventos, só que a previsão não indica melhora nenhuma para levar o Groupama da costa africana até Fernando de Noronha, que é um portão de passagem obrigatório. Por enquanto, a regata é só aposta estratégica. Puma e Telefónica seguem colados, enquanto o Camper veleja mais ao norte rumando a oeste, na esperança de encontrar ventos fortes. Nos próximos dois dias esse cenário atual vai mudar um pouco.
Podem cornetar a vontade o áudio do vídeo, eu não treinei pra isso...
Por Antonio Alonso às 22h02
Robert Scheidt e Bruno Prada tiveram uma campanha quase perfeita este ano, foram 10 vitórias em 12 competições disputadas (sete delas por antecipação). Hoje cedo, fui conversar com a dupla no Yacht Clube Santo Amaro, às margens da represa Guarapiranga. Quem já passou por lá num dia de sol (e acho que muita gente que lê esse blog já fez isso) sabe como o lugar é especial. "Nem parece São Paulo" resume bem o que eu quero dizer.
"Pra ser sincero, já foram tantas as vezes em que eu cheguei em competição como favorito, que isso não me traz pressão a mais nenhuma", confessou Robert Scheidt. "É muito bacana, mas isso também não nos garante nada", completou o parceiro Bruno Prada.
Os brasileiros são líderes do ranking mundial há quase um ano e meio, venceram as duas competições que disputaram na raia olímpica (Weymouth, 250 km ao sul de Londres) e deixaram os ingleses, que foram o bicho-papão de 2010, chupando o dedo. Iain Percy e Andy Simpson venceram quase tudo no ano passado, mas amargaram duas derrotas em casa (eles estão morando em Weymouth para treinar) justamente para os brasileiros.
Fim da carreira olímpica?
"Meu sonho é ver essa decisão revertida, mas sem a Star no Rio 2016, já fica muito mais difícil voltar para a Laser ou ir para a Finn, que são muito mais exigentes fisicamente". Robert Scheidt diz que não quer gastar energia agora pensando em qual classe vai seguir após a Olimpíada de Londres, mas ele não esconde uma grande esperança em ver a Star de volta, o que vai depender, entre outras coisas, da eleição de um novo presidente da federação internacional de vela, a Isaf.
Bruno Prada confessou que Londres pode ser o final de sua carreira olímpica. "Uma campanha de quatro anos como a nossa custa algo em torno de um milhão de euros. Sem ter certeza se vai ter Star no Rio, fica difícil de alguém ter segurança para inverstir. Felizmente nossos patrocinadores já confirmaram que ficam conosco até 2016, aconteça o que acontecer". E ele confessa: "Pode ser que viremos técnicos". Seria o fim prematuro da dupla de maior sucesso da vela brasileira desde o surgimento da parceria entre Torben Grael e Marcelo Ferreira, há mais de 20 anos.
Por Antonio Alonso às 16h28
Se você for direto aos 45 segundos desse vídeo, vai ver o tamanho da encrenca que o Team Sanya conseguiu contornar na Regata Volta ao Mundo. Na primeira noite, com ondas de mais de 10 metros e ventos de 40 nós (mais de 70km/h), o barco deles bateu em alguma coisa e o negócio ficou sério. "Dava pra ouvir a água entrando. Felizmente, as portas seladas estavam fechado. Se não estivessem, teríamos afundado com certeza", contou o comandante Mike Sanderson.
O barco pode ter batido em um contâiner que caiu de algum barco, algo lamentavelmente comum de acontecer ainda nos dias de hoje. Mas o fato é que o rombo é impressionante. O Team Sanya já decidiu empacotar o barco em um navio e mandá-lo direto para a Cidade do Cabo, pra dar tempo de largar para a próxima perna.

Quem está de volta à corrida é o Abu Dahbi, que largou de madrugada, com um mastro novo. "O ideal é você fazer alguns testes com o mastro, e é impossível de fazer isso à noite. Normalmente, levaríamos alguns dias para deixar o mastro no ajuste ideal, mas não temos tempo", avisou o comandante do barco árabe, Ian Walker.
Por enquanto, a flotilha ainda enfrenta ventos bastante fracos e a emoção é mínima. O farncês Groupama decidiu costear a costa africana e já abriu mais de 150 quilômetros de vantagem sobre o segundo colocado. Mas eu não apostaria muito neles por enquanto. Os outros barcos estão mais a oeste, mais próximos do portão obrigatório em Fernando de Noronha e devem pegar ventos mais fortes nos próximos dias.
Por Antonio Alonso às 09h04
Claudio Cardoso é uma fiigura sui generis na Vela brasileira. Pernambucano, ele não é desses velejadores que a gente encontra normalmente na Semana de Ilhabela ou em outros eventos. É desconhecido de boa parte dos velejadores brasileiros, mas é o nome mais importante da história de classe Hobie Cat no Brasil. Claudio Cardoso é venceu o Mundial de Hobie Cat 16 em uma época em que o Brasil não tinha tradição vitoriosa nos catamarãs. Como se não bastasse, ele decidiu correr um Mundial de Hobie 14, sozinho, e venceu também. Ele tem ainda uma medalha pan-americana (em 1999), seis títulos brasileiros e dois vice-mundiais.
Atualmente, ele é comodoro do Cabanga Iate Clube, em Recife, mas continua perigoso quando assume o leme do Hobie Cat. Ele acaba de vencer o Campeonato Brasileiro, ao lado de Mequias Queiroz. Detalhe: a dupla estava inscrita na categoria master, mas foi melhor entre todos os 26 competidores.
Classificação final:
01º Claudio Cardoso / Mequias Queiroz (CIC) - Master
02º Felipe Frey / Geisa Lira Geral
03º Yam V. Andrade / Kim V. Andrade (ICB) - Geral
04º Robert G. Bezerra / Gilberto Felix Silva (ICF) - Geral
05º Mario Dubeaux / Karoline Bauermann (CDJ) - Master
06º Claudio L. Teixeira Jr. / Denis Tassone (BL3) - Geral
07º Ricardo A.F. Halla / Marcela Mendes (ICSC) - Master
08º Marcel D'Almeida / Ana P.Almeida (IACS) - Geral
09º Paulo S.Costa / Juliao S. Ferreira Filho (ICP) - Geral
10º Daniel N. Azevedo / Carla N. Azevedo (ICF) - Geral
11º Remo Zucchi Jr. / Jaqueline Jardim (ICB) - Master
12º Carlos A. Sodré / Brenno Francioli (Araruama) - Master
13º Gustavo Lis / Claudia Welter (VDS) - Geral
14º Alexandre N. Martins / Anne Rawwerdink (ICF) - Master
15º Claudio "Mika" da Silva / Aleks Vasconcellos (CDJ) - Gran-Master
16º Carlos B.M.Valença / Licinho Moura Filho (ICES) - Geral
17º Adriano B. Schneider / Ricardo Lis (VDS) - Geral
18º Carlos Ledo / Wilson Alves Neto (ICB/ICAJU) - Geral
19º Cesar Fiuza Jr. / Alex Souza (ICF) - Gran-Master
20º Luiz G. Machado / Marina Paraizo (ICES) - Gran-Master
21º Guilherme C. Borges / Jussara Oliveira (Sava) - Geral
22º Eduardo Ekman / Francisco Ekman (VDS) - Gran-Master
23º Roney S. Andrade / Francisco Mendonca (ICB/ICAJU) - Master
24º Marcelo B. Vera / Maria Ines Vera (Sava) - Master
25º Luis A. Schneider / Claudio Baques (VDS) - Master
26º Mateus M. Beltrame / Ricardo Dubeux (CDJ) - Estreante
Por Antonio Alonso às 20h23
Vejam o vídeo e me digam. Íker Martinez e Xabi Fernández, de dentro do Telefónica, comemoram o prêmio que receberam de "Iatista do Ano". Mas ou eles estão muito concentrados na regata ou não se animaram muito com o prêmio.
Por Antonio Alonso às 17h43

A cerimônia do Prêmio Rolex de Velejador do Ano não contou com a presença dos vencedores da categoria masculina, Iker Martínez e Xabier Fernández. Os espanhóis estão neste momento liderando a primeira perna da Regata Volta ao Mundo, entre a Espanha e a Cidade do Cabo, na África do Sul. Demorou 11 anos e três indicações até que a dupla finalmente levasse o prêmio. Eles, no entanto, gravaram um vídeo a bordo do Telefónica, prometendo que iam celebrar a conquista a bordo.
Íker e Xabí têm uma história incomum na vela. A dupla veleja junta desde 1999, e conquistou três títulos mundiais na classe 49er e duas medalhas olímpicas, ouro em 2004 e prata em 2008. Mesmo estando entre os favoritos, eles desistiram da campanha por Londres 2012 para correr a Regata Volta ao Mundo. O pesado patrocínio da Telefónica explica em parte essa decisão, mas vale lembrar que os dois se meteram também em outras aventuras offshore, como a Barcelona World Race, outra competição de volta ao mundo, mas em barcos de 60 pés, os Open60.
Se para os espanhóis, o prêmio demorou a vir, já a laserista americana Anna Tunnicliffe, quase a versão feminina de Robert Scheidt, leva o prêmio pela segunda vez em apenas três anos. Em 2009, ela também foi a vencedora.
Por Antonio Alonso às 09h34
Esse vídeo (infelizmente em inglês) é o melhor resumo do que rolou até agora na Regata Volta ao Mundo. Mostra o Team Sanya enchendo de água e o neozealndês Andy Miklejohn com o pé quebrado, coisa que eu não sabia que tinha rolado. Além disso, mostra muito bem as opções táticas dos barcos neste momento.
Por Antonio Alonso às 18h06

Depois de 32 dias no mar, o brasileiro Kan Chuh completou a Transat 650, regata em solitário da França até o Brasil. Ele foi o terceiro brasileiro na história da regata a fazê-lo "oficialmente". Ele, que partiu sem pretensão de resultado, correndo a regata como um "presente" por seus 50 anos, chegou num honroso 21º lugar entre os barcos de série. Além disso, colocou seu nome na história da classe ao ser o primeiro brasileiro a ganhar a Mini Fastnet, uma das mais duras regatas desses barquinhos corajosos e minúsculos, de apenas 21 pés.
O site oficial escreveu:
Terceiro brasileiro a disputar a Regata Charente-Maritime/Salvador-BA, Kan Chuh (472 - VMAX) teve o prazer de reecontrar, hoje de manhã, sua família e seus amigos vindos para felicitá-lo por essa aventura esportiva e humana fora do comum. Especialmente nessa terra brasileira . Alegre e falante, logo de improviso. ele já foi abrindo o seu barco para matar a curiosidade de seus admiradores, antes de se derreter em inúmeros agradecimentos.
Kan Chuh (472 - VMAX) terminou em 21o. lugar a etapa Funchal– Salvador-BA e seu tempo de prova foi de 21 dias, 20 horas, 54 minutos e 8 segundos, com uma velocidade média de 5,93 nós. Seu tempo total de prova foi de 32 dias, 5 horas, 14 minutos e 46 segundos, com uma média de 5,51 nós.
Depoimento:
"Eu me dei essa incrível aventura como presente do meu 50o. aniversário. Eu esperava desfrutar muito mais em uma prova notável, ensolarada e com vento de popa. A maior parte do tempo foi de temporal e de bolina. Eu estou orgulhoso de estar aqui, de ter ido até o final dessa aventura. Eu agradeço a todos aqueles que me ajudaram no Brasil e na França, onde eu fui recebido e aceito como um membro da família "Mini". Por todos os lugares onde passei, senti amizade e gentileza. Foi difícil, mas é como na vida, a gente esquece os momentos ruins para guardar apenas os bons momentos. Foram poucos momentos de prazer, mas que durarão pelo resto da vida..."
Por Antonio Alonso às 15h17

O Groupama é o único barco apostando na costa africana. A tripulação já deve ter ouvido o temido "Calma, eu sei o que estou fazendo" a bordo
Que me desculpem os estrategistas e os merrequeiros, mas que momento chato na Regata Volta ao Mundo! O primeiro dia, no Mar Mediterrâneo, foi surpreendentemente radical, dois barcos fora da competição, tripulante tomando rola durante entrevista (o vídeo está alguns posts aí pra baixo), todo mundo reclamando... Agora, no Atlântico, o vento simplesmente acabou! Dos quatro barcos que restaram, três foram para oeste e apenas o Groupama está velejando bem perto da costa africana. Por enquanto o Groupama, que é francês, está se dando melhor... mas eu não sei por quanto tempo. Eles pode acabar se metendo num caminho furado, já que terão de atravessar o oceano de qualquer jeito, para passar pelo portão obrigatório em Fernando de Noronha e aproveitar os alísios na costa do Brasil.
Por enquanto, esta é a Regata de Volta ao Mundo mais lenta do mundo. E nem chegou ainda a temida zona de calmarias equatoriais! Mas pra falar a verdade, nas condições atuais, a região onde a flotilha está tem menos vento até mesmo que nos dóldrums.
Por Antonio Alonso às 09h21

Xandi Paradeda representou o Brasil em duas Olimpíadas e estava garantido na terceira quando um dia, no meio do Campeonato Mundial em Cascais, em 2007, ele decidiu que não queria mais aquilo. Abandonou o campeonato na metade e nunca mais fez campanha olímpica. Eu cheguei a achar que ele tinha desencanado de vez da Vela, mas o cara está praticamente em todas, só campanha olímpica que não (se bem que ele ainda é técnico de primeira). Xandi, pai de uma filhinha linda, acaba de ganhar mais uma, dessa vez o gaúcho de Snipe, classe na qual ele já foi Campeão Mundial, mais de uma vez (como Torben e Bochecha). Vai entender...
Da assessoria de imprensa do Jangadeiros:
Bem que Fernando “Duca” Kessler e Lucas “Sorriso” Mazim tentaram, mas mais uma vez o título do Campeonato Estadual da classe Snipe ficou com Alexandre Paradeda e Gabriel “Bolinha” Kieling. Foram cinco regatas disputadas, com duas vitórias para cada dupla e uma diferença de apenas um ponto no final. Realizada pelo Veleiros do Sul e pela Federação de Vela do Rio Grande do Sul (Fevers), a competição iniciou na sexta-feira (4), em uma tarde ventos fracos e duas regatas, que terminaram com duas vitórias de Duca e Sorriso.
No sábado, a falta de ventos causou o cancelamento das provas, deixando a decisão para domingo. E, dessa vez, as condições climáticas ajudaram as 14 duplas participantes, dando ainda mais emoção para as disputas dentro da água. Na primeira regata do dia, mais uma vitória de Duca e Sorriso. Mas, além de talento, Xandi e Bolinha contaram com a sorte. Enquanto os adversários caíram um pouco de produção, terminando a quarta e a quinta regata em 4º lugar, os campeões estaduais da classe em 2010 obtiveram dois primeiros lugares, terminando a competição com apenas seis pontos perdidos, um ponto a menos que Duca e Sorriso, e conquistando o bicampeonato.
Classificação Final:
1º Alexandre Paradeda e Gabriel Kieling (Clube dos Jangadeiros)
2º Fernando Kessler e Lucas Mazim (Clube dos Jangadeiros)
3º Gaëtan Borba e Vicente Ducati (Clube dos Jangadeiros)
4º Andre Streppel e Lorenzo Medeiros (Veleiros do Sul)
5º Átila Pellin e Juliano Mallmann (Clube dos Jangadeiros)
6º Diego Quevedo e Bryan M. Luiz (Veleiros do Sul)
7º Pedro Brito e Vitor Brito (Clube dos Jangadeiros)
8º Kadu Bergenthal e Valéria Fabiano (Veleiros do Sul)
9º Carlos Felipe e Fernanda Araujo (Veleiros do Sul)
10º José Marcelo Maia e Salvatore Meneghini (Clube dos Jangadeiros)
11º Eduardo Scheidegger Jr. e Rodrigo Quevedo (Veleiros do Sul)
12º Lucio Jacometti e Rodrigo Aquino (Clube dos Jangadeiros)
13º Lucas Lorenz e Mizael Guttmani (Iate Clube Guaíba)
14º Luiz Antonio Serrano e Ivandel Lourenço (Sava)
Por Antonio Alonso às 22h11

Juliana Mota (de boné e óculos escuros) lamentou não continuar na briga. Marina Jardim (de faixa vermelha) também está fora. Da equipe, apenas a proeira Larissa Juk segue sonhando com os Jogos de 2016
A partir do dia 11 de dezembro, todas as classes olímpicas começam a definir as primeiras vagas (75% delas) no Mundial em Perth, na Austrália. Quem não se classificar por lá terá de correr nos Mundiais do primeiro semestre para tentar os 25% restantes. No Match Race (só o feminino é olímpico), por exemplo, são oito vagas em Perth e três no Mundial em Miami, no início de fevereiro. Ou seja, o vencedor em Perth será campeão mundial por menos de dois meses.
Esta segunda-feira foi um dia importantíssimo para o Match Race feminino do Brasil. Das velejadoras que estavam brigando pela vaga olímpica, a confederação brasileira escolheu seis, e montou dois times. Esses dois novos times, que não treinaram juntos ainda e terão cerca de 30 dias para fazê-lo antes do mundial são: Juliana Senfft, Fernanda Decnop e Luciana Kopschtiz em um barco e Renata Decnop, Gabriela Nicolino de Sá e Larissa Brunese Juk em outro.
Essas primeiras oito vagas de Perth praticamente já têm suas donas, e as brasileiras não estão entre elas. Muito menos sem treino. Já em Miami, em fevereiro, a esperança de classificação para a olimpíada é real.
Juliana Poncioni Mota, que assim como Marina Cardia Jardim ficou fora da disputa, divulgou um comunicado oficial no qual lamenta não poder continuar lutando pela vaga:
Chegou o tão esperado dia "D" e infelizmente não fui selecionada para representar o Brasil no Mundial em Perth.
Tenho certeza de que fiz tudo o que estava ao meu alcance, tenho certeza de que estava aberta a "crescer" nesse processo e tenho certeza que cresci.
Não deu... Não foi um resultado de campeonato, ainda não consigo analisar realmente quais foram meus erros já que o processo dependia da avaliação de outras pessoas e não apenas do resultado nu e cru de minhas decisões.
Não vai ser fácil digerir essa informação, essa nova situação. Era meu objetivo, o primeiro objetivo a se alcançar antes de chegar ao objetivo máximo, que seria os Jogos Olímpico.
Vai ter de ficar para um próxima.
Precisarei de um tempo para avaliar o ocorrido e descobrir novos projetos e objetivos na vela já que o Match Race não continuara como modalidade para as os Jogos do Rio 2016.
Agradeço a todos que me apoiaram e acreditaram, agradeço aos meus apoiadores Mormaii e Tiramisú.
Por Antonio Alonso às 19h47

Sanya com o rombo no casco

Abu Dahbi sem mastro
O único veleiro usado participando desta regata não aguentou mesmo nem um dia de velejada no Mar mediterrâneo e vai ser enviado de navio para a próxima largada, na Cidade do Cabo. As condições bastante difíceis, com ventos de mais de 30 nós e ondas de mais de 10 metros literalmente racharam o casco do Team Sanya, time patrocinado pelos chineses. Depois do susto enorme com a quebra, a tripulação conseguiu levar o Sanya para o porto espanhol de Motril, a 250 quilômetros de Alicante, onde ficou óbvio que seria impossível reparar o barco e retornar ainda nesta primeira perna.
Mike Sanderson, que comandou o barco campeão da edição 2005/2006 – e neste ano comanda o barco que chegará em último – contou como foi: "De repente, o barco deu uma guinada estranha, como se a quilha estivesse atravessando lama mole. Dava pra ouvir a água entrar no compartimento da proa. Felizmente, as portas seladas estavam fechadas. Nós subimos todos para o convés e colocamos os coletes salva-vidas. Se as portas seladas não estivessem fechadas, nós teríamos afundado com certeza. As bombas de esgotamento estavam trabalhando, jogando água para fora, mas na verdade não estavam fazendo muita diferença. Demorou um tempo até a situação se estabilizar e então decidimos partir direto para o porto mais próximo".
Para o Abu Dahbi, a situação é mais confortável, apesar do susto. O barco árabe teve seu mastro quebrado em três pedaços e neste momento já está em Alicante, bem perto de retornar à regata. A primeira ideia deles era terminar em último e somar apenas cinco pontos. Com a desistência do Sanya, eles agora podem pegar 10 pontos pelo quinto lugar, mas já pensam em algo melhor. Como a flotilha está enfrentando ventos muito fracos e terá uma passagem bastante difícil pelos dóldruns o Abu Dahbi pode terminar mais perto dos rivais do que pensavam enquanto voltavam para Alicante com o mastro derrubado no último sábado.
Os rivais não estão mesmo muito animados. "Os próximos dias serão uma bagunça. A única certeza é que os ventos estarão fracos e vai ser muito duro chegar até os dóldruns", contou o navegador Jean-Luc Nélias, do francês Groupama.
Ken Read, skipper do Puma, segue no mesmo tom: "Os alísios deveriam estar aqui, mas não estão. Portanto, estamos indo pra outro lugar procurar ventos melhores para seguir rumo sul".
Tudo isso, dá ânimo ao Abu Dahbi. "O nome do nosso barco é Azzam, que significa determinação, e é exatamente o que estamos sentindo agora. Nós queremos voltar para a água e dar 110% do nosso esforço. É claro que é difícil pensar sobre o que aconteceu, pois foi o dia mais assustador da minha vida. O que tiver que ser será e nós ainda queremos ganhar essa regata ", afirmou Adil Khalid, um dos mais novos velejadores da competição (23 anos). Ele foi foi escolhido entre mais de 120 candidatos para ser o primeiro dos Emirados para competir na Volvo Ocean Race.
O time árabe espera voltar para a regata dentro de dois dias e aproveitar a calmaria tradicional no Atlântico para alcançar a flotilha.
Por Antonio Alonso às 18h46
O hispano-neozelandês Camper foi o primeiro barco da flotilha da Regata Volta ao Mundo a sair do Mediterrânero, e eles continuam na frente no começo da tarde desta segunda-feira. Mas isso não significa que a vida está fácil nem mesmo para eles. O tripulante Chunny Bermudez (que quase tripulou o Brasil 1 em 2005, mas abandonou o barco antes da largada) estava dando essa entrevista aí acima quando foi literalmente lavado pelo convés. Depois ele volta, surpreendentemente com todos os dentes na boca, para explicar que nada acontefeu. Ainda fem!
Com dois barcos quebrados parados na Espanha para reparos (Sanya e Abu Dahbi), os quatro que sobraram agora começam a traçar suas estratégias para atravessar a complicada zona de convergência intertropical (ou dóldruns) que é uma área gigantesca de calmaria na região do equador. Por enquanto, a opção para oeste está claramente melhor. O francês Groupama é o único veleiro que ainda insiste por uma rota mais perto da costa africana.
A flotilha tem pela frente uma perna de 12 mil quilômetros até a Cidade do Cabo, na África do Sul e precisa passar ainda por um portão obrigatório localizado em Fernando de Noronha.
Por Antonio Alonso às 11h31
Relato impressionante do comandante Ian Walker: "Veio essa onda gigantesca e eu sabia que ia ter problemas. Meus pés saíram do deque e eu voei por alguns instantes, quando o barco caiu, o mastro continuou caindo". Ele, que havia vencido a regata costeira, já está de volta a Alicante, para reparos, e só pôde lamentar: "Toda essa preparação de meses, vimos perdida em horas de regata. Na semana passada estávamos no topo do mundo, após vencer a regata costeira, esta semana não estamos mais. Talvez na próxima semana estejamos lá de novo". Quem sabe.
Destaque para as cenas do resgate noturno das velas. Se alguém acha que é moleza, veja o vídeo.
Por Antonio Alonso às 19h53

Eu já sabia: O Team Sanya, com barco usado, não aguentou nem as primeiras 24 horas
O navegador Aksel Magdahl, do Team Sanya, barco patrocinado pelos chineses, avisou na manhã deste domingo que tem uma quebra no casco. Até o momento, não foram revelados mais detalhes, mas o problema foi estabilizado e toda a tripulação está em segurança. O barco estava a cerca de 30 milhas náuticas ao sul da costa da Espanha. A equipe de terra do Team Sanya está atenta para receber o barco, avaliar os danos e colocá-lo de volta na regata o mais rápido possível. O barquinho usado do time chinês encarava ventos de 43 nós (é muito forte) e ondas de 10,5 metros dentro do mar Mediterrâneo quando aconteceu a quebra.
Ontem, poucas horas após a largada, o Abu Dahbi já havia deixado a regata com uma séria quebra no mastro. O barco árabe, que era líder da pontuação após vencer a regata costeira, fará os reparos em Alicante, mas já começa a regata com uma desvantagem enorme em relação aos adversários.
Se o Abu Dahbi tem um prejuízo enorme com a quebra, não posso falar o mesmo do Team Sanya. Eles estão correndo com um barco usado na última regata, o Telefónica Azul, e não têm nenhuma chance de competir em igualdade com os demais barcos. Apesar de contar com um skipper campeão (Mike Sanderson venceu a regata com o ABN 1 em 2006), o Team Sanya corre só para alegrar patrocinadores e a organização da regata (ter seis barcos na água é melhor do que apenas cinco).
Mike Sanderson entrou em contato com a organização e avisou: "A situação está bastante sob controle. Todos estamos obviamente muito desapontados, mas todos a salvo e com moral em alta".
Ótima notícia. Se você estiver a fim de tentar ganhar um carro no valor de R$ 200 mil ainda dá tempo de entrar no joguinho online da regata. Eu aposto que pelo menos na frente do Team Sanya você chega. O link é http://www.volvooceanracegame.com/
Por Antonio Alonso às 10h24
Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.
A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.