
Assim não dava pra velejar. Foto de Dan Ljungsvik publicada originalmente no Vsail.info
Eu ainda não vi esses RC 44 de perto, mas eles parecem estar no topo da cadeia quando se fala em monotipos de oceano. O RC é sigla pra Russell Coutts, que é uma lenda da vela mundial. História longa, vou tentar resumir: Pupilo de Peter Blake, Russell Coutts era o capitão do Team New Zealand na America's Cup quando foi chamado por um suíço para montar outro time, o Alinghi. Com uma tripulação que tinha base no Team New Zealand, Coutts venceu uma America's Cup pelo Alinghi e depois brigou com o bilionário dono do time, que o mandou embora. Nesse período de ostracismo, ele decidiu se dedicar a sua vocação de projetista e criou o RC 44, que é uma máquina de correr regatas em grande estilo. Depois ele voltou pra America's Cup, como diretor geral do time adversário do suíço, ganhou, se vingou e viveu feliz para sempre.
De volta ao RC 44. Esses barcos correm um circuito mundial badalado, com a participação de vários dos melhores velejadores do mundo. Hoje foi dia de estreia da etapa sueca e já rolou uma pancada feia por lá. E parece que foi uma batida bem besta. Antes da pré-largada, as duas equipes relaxadas não se viram e dá-lhe proa do Peninsula Petroleum abrindo um rombo no costado do Artemis. A batida frustrou a torcida local, já que o Artemis é a principal equipe de Vela sueca, com participações até na America's Cup. O barco sueco foi tirado da água com guindaste e é provável que volte às regatas neste sábado.
Por Antonio Alonso às 22h02
Itajaí tem vocação náutica indiscutível, mas e o bom gosto da prefeitura?
A cidade portuária catarinense de Itajaí vai receber em abril do ano que vem a parada da Volvo Ocean Race, a Regata Volta ao Mundo. Rio era a preferida do público, mas essas decisões dependem de vontade dos governos locais e do dinheiro que eles querem botar nessas regatas. Bom, Itajaí, que é uma cidade com vocação náutica legítima, mas sem tradição na Vela, venceu. Nesta sexta eles anunciaram o site oficial, o www.volvooceanraceitajai.com.
O que me chamou à atenção no release foi a tal "Patrulha do Bom Gosto". Felizmente, parece que é apenas um nome terrível para uma idéia boa. Porque se a prefeitura quiser dar palpites de "bom gosto" na decoração e arquitetura das casas, aí é triste. Mas pelo que li, parece que é uma idéia para manter a cidade renovada e limpa, com renúncia fiscal do IPTU, vejam o parágrafo do release abaixo:
"O Prefeito Jandir Bellini lançou a Patrulha do Bom Gosto e o projeto de reurbanização da Rua Hercílio Luz. A Patrulha do Bom Gosto será formada por um grupo de técnicos que visitarão as residências de Itajaí e darão dicas sobre como melhorar o visual. A ação faz parte do "Projeto Itajaí mais Linda", que prevê desconto de até 40% no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) para quem realizar melhorias nas calçadas, muros, jardins e fachadas das casas. Porém, se essas melhorias forem realizadas até o mês de abril de 2012, antecedendo a parada da Volvo Ocean Race em Itajaí, o desconto no IPTU será de 50%. O Projeto de Lei que determina o desconto foi assinado por Bellini para posteriormente ser encaminhado ao Poder Legislativo (...)"
Ok, mas dicas de bom gosto não, hein... por favor.
Tomara que a patrulha do bom gosto não chegue até a praia...
Por Antonio Alonso às 21h32
Concordo que dirigir um barco não tem nada a ver com dirigir um país, mas George Bush pai, um amante da náutica e da pesca, andou exagerando nas barbeiragens. Em julho do ano passado ele acabou com sua lancha na areia da praia. Bush pai pilotava uma Fountain super bem motorizada, com 3 Mercury Verado de 300hp cada, quando uma neblina apareceu de repente, as ondas da arrebentação de repente se apresentaram num lugar onde ele não esperava, o barco deu uma surfadinha e acabou na praia, sem feridos.
Esse vídeo de 2009, que teve o código de incorporação retirado do Youtube, mostra a Fountain de Bush, na Perkins Cove, que é a marina de onde ele costuma sair no Maine, e pelo estilo de pilotagem, eu tendo a concordar com a identificação do piloto que corre pela internet: George Bush pai. Dessa vez ele tentava sair para pescar lagostas no Maine. Em defesa das capacidade de governo (de lanchas) de Bush pai, eu preciso dizer que existem uma teoria de que foi um problema técnico nos controles do barco.
Mas é que de repente pareceu uma baita barbeiragem...
Esse vídeo é de 2009, a foto abaixo de 2010. Será quem vem mais uma este ano?

Por Antonio Alonso às 17h50

Esta edição da America's Cup vai ser estranha. Primeiro, porque decidiram fazê-la em catamarãs, o que já foi uma aposta arriscada. Depois, porque criaram essa America's Cup World Series, que parece uma boa idéia, mas é tão cheia de mudanças para agradar a televisão e o público leigo, que ninguém entendeu direito ainda. Nem os próprios velejadores da maioria das equipes. A World Series é uma competição preparatória apenas. Nem os barcos são os mesmos da America's Cup "de verdade". A World Series usa catamarãs de 45 pés, enquanto na America's Cup os barcos terão 72 pés.
A primeira etapa da World Series acabou de acontecer, em Portugal, na raia de Cascais, famosa pelos ventos fortes. Ali ficou claro que existem quatro times que estão na briga e cinco que não têm a menor chance. O China Team, que terminou em último, é um deles. Hoje eles anunciaram que não mais estão trabalhando com Mitch Booth. O americano Booth tem no currículo nada menos do que 10 títulos mundiais da classe Tornado e duas medalhas olímpicas. Booth ainda ajudou a montar a Extreme Sailing Series (aquela competição da batida dos barcos que vocês viram aqui há dois dias). Tomara que os chineses estejam pensando em mudar outras coisas também, porque o motorista era bom, o carro... já não sei.
O Emirates Team New Zealand venceu a etapa de Cascais, seguido por Artemis (Suécia) e os dois barcos da Oracle Racing. Os outros cinco barcos, incluindo o China Team, foram figurantes na competição até agora.
Por Antonio Alonso às 09h56
O informativo americano Scuttlebutt de hoje traz um texto com perguntas e respostas sobre a mudança de rota na Regata Volta ao Mundo:
Clique aqui para ler o texto na íntegra (em inglês)
Como os barcos serão transportados para Abu Dabi?
Os barcos serão transportados num cargueiro feito especialmente para transportar barcos. Os veleiros e as tripulações serão transportados separadamente.
Onde será esse "porto seguro" para onde os barcos serão levados?
Nós sabemos que vai haver muita especulação em torno disso, mas por questões de segurança da operação, isso só será revelado bem mais adiante.
De onde a regata vai recomeçar?
Isso não será decidido até que nossa estratégia para o momento da relargada tenha sido definida, mas estaremos trabalhando para criar uma estrutura logística capaz de atender diferentes opções, que poderão ser mudadas até bem perto da relargada.
Como você pode garantir a segurança do cargueiro que estará transportando os veleiros? Navios grandes já foram sequestrados ali antes.
A pirataria é um crime de oportunidade. Os veleiros são relativamente lentos (especialmente com os ventos fracos) e com poucas possibilidades de tomar medidas táticas de defesa, portanto são considerados um alvo fácil. Embarcações maiores, com velocidades regulares maiores, maior borda livre e com a possibilidade de manobras defensivas são considerados um alvo muito mais difícil. Piratas desesperados ainda podem tentar mesmo assim. Não existem garantias, mas a probabilidade de um incidente ficar reduzida.
Quão sério é o problema da pirataria no Oceano Índico?
A pirataria na Somália tem uma longa história, desde os velhos tempos em que pescadores insatisfeitos usavam botes de borracha para ameaçar embarcações estrangeiras não muito longe da costa pouco depois da guerra civil no país, em 1990. Em 2005 a pirataria ainda era esporádica. Em 2006, A União das Cortes Islâmicas quase acabou com a pirataria na Somália, mas quando as forças da Etiópia derrubaram a União, em dezembro de 2006, a pirataria se reestabeleceu. Desde então, o problema só cresceu ano a ano, não só na frequência dos ataques, mas também na distância da costa em que eles acontecem e em sofisticação. No ano passado, estima-se de US$ 150 milhões foram pagos em resgates por embarcações, cargas e tripulações, quando um número recorde de 1.181 navegantes foram sequestrados.
A regata começa em menos de 80 dias, por que deixar essa decisão pra tão tarde?
A situação no Oceano índico é dinâmica e nós consideramos que essa decisão veio, na verdade, bem cedo. Não dá pra saber como os piratas vão agir nesta temporada até que comecem as monções de nordeste, no final de outubro e começo de novembro. Ou seja, logisticamente pode parecer tarde, mas taticamente é uma decisão tomada bem cedo.
Por Antonio Alonso às 09h32
A Volvo Ocean Race, regata de volta ao mundo mais famosa do planeta, desta vez não será uma volta ao mundo completa. Os veleiros serão transportados, provavelmente por navios, em parte do percurso, para evitar ataques dos piratas que infestam a região conhecida como "Chifre da África". No vídeo abaixo o CEO da regata, Knut Frostad explica a decisão. Knut, que foi tripulante do Brasil 1 na regata de 2005/2006 diz que a pirataria sempre foi uma preocupação, mas sua escalada recente motivou essa decisão "extremamente difícil".
Por Antonio Alonso às 17h14
A notícia de que Torben desistiu da Olimpíada por falta de patrocínio repercutiu bastante na imprensa ontem e hoje. Há matérias grandes (especialmente para os padrões da Vela) em O Globo (clique aqui para ler) e em O Estado de S.Paulo (link da matéria).
Hoje Bruno Doro, do UOL Esporte, veio com uma notícia que ajuda a entender o cenário. Torben foi procurado por uma seguradora, mas as conversas acabaram apontando para uma dupla mais jovem, a de seu filho Marco e de André Fonseca, o Bochecha, na classe 49er. Clique aqui para ler a matéria do Bruno Doro.
No começo da tarde de hoje, a assessoria do Torben divulgou uma nota dizendo que ele "dificilmente" tentará a vaga olímpica, por conta principalmente da falta de patrocínio, mas ressaltando que ele está muito bem patrocinado na classe S40, em competições não-olímpicas.
Por Antonio Alonso às 13h51
Pela primeira vez, os barcos serão transportados com auxílio externo e não navegarão a volta ao mundo completa

O veleiro de Abu Dabi é um dos favoritos nesta edição da Regata Volta ao Mundo. Foto: Daniel Foster/Rolex
A organização da Volvo Ocean Race, a Regata Volta ao Mundo, anunciou nesta quinta-feira uma modificação significativa no percurso da mais famosa competição de volta ao mundo a vela. Devido às ameaças de pirataria perto da costa da Somália, na África, e no Oceano Índico, os barcos nem vão mais fazer a circum-navegação completa. Pela rota original, eles partiriam da Cidade do Cabo, na África do Sul e velejariam por toda a costa oriental da África, até Abu Dabi, no Golfo Pérsico.
"Essa foi uma decisão incrivelmente difícil. Mas nós consultamos os melhores experts em logística e segurança naval e comercial e o conselho que eles nos deram não poderia ter sido mais claro: Não arrisquem", disse o CEO da regata, o norueguês Knut Frostad.
Com a nova rota, os barcos vão sair da Cidade do Cabo e velejar até um porto "secreto" (provavelmente ainda nem definido pela organização). Dali, eles serão transportados pelo mar até perto de Abu Dabi e então seguirão velejando rumo ao emirado árabe. A operação será repetida na perna seguinte: os barcos deixam Abu Dabi velejando até um porto seguro, são transportados até longe dos piratas e continuam depois a velejar rumo à próxima escala, que é Sanya, na China.
Abu Dabi e Sanya são dois portos que ficam muito longe do percurso tradicional da Regata Volta ao Mundo. Até a edição 2005-2006, quando o barco brasileiro Brasil 1 participou, os veleiros deixavam a África do Sul e seguiam direto até Austrália ou Nova Zelândia. Essa é uma rota mítica para a Vela, pois ali estão os ventos mais fortes e o mar mais desafiador que se pode encontrar dias a frio. Mas o dinheiro mudou de lado, portos no Oriente Médio, Índia e China estão mais dispostos a pagar para reveber a regata e o resultado foi que os velejadores trocaram os perigos dos icebergs pelos perigos dos piratas.
Esta será a primeira vez que a regata vai parar no Oriente Médio. Abu Dabi tem um barco competindo, um barco que acaba de quebrar o recorde da tradicionalíssima Rolex Fastnet Race, deixando para trás outros dois competidores da Volta ao Mundo, o Groupama francês e o chinês Sanya.
A Regata Volta ao Mundo 2011-2012 vai passar pelo Brasil. Os veleiros devem chegar em Itajaí, Santa Catarina, no começo de abril e ficam até dia 22, quando partem rumo a Miami.
Por Antonio Alonso às 08h36

O Circuito Sul-Americano de Soto 40 é a competição mais interessante que apareceu por aqui. Antes desses barcos de 40 pés, todos iguais, construídos no mesmo estaleiro, a Vela de alto nível era marcada pelo fantasma do "tempo corrigido". Resumindo uma história longa: a competição aceitava barcos muito diferentes, como se um GP permitisse a entrada de um Jaguar turismo e um Fórmula 1. Para deixar a competição "justa", o Fórmula 1 carrega um handicap, ou seja, precisa abrir uma volta de vantagem sobre o Jaguar a cada 20km para fazer um "tempo corrigido" melhor que o adversário.
Achou complicado? Muita gente achava. Mas muito mais complicado era conseguir achar gente suficiente disposta a comprar o mesmo tipo de barco para correr regatas. Aí apareceu o Soto 40, que é um barco rápido, mas de construção simples. Os Soto 40 são mais fracos e mais pesados que os Fórmula 1 que existiam por aqui, mas também são mais baratos. Em três anos, já há quase 30 barcos desse por aí, 15 no Brasil, correndo o Circuito Sul-Americano, que terá sua última etapa no Rio de Janeiro, de 1º a 4 de setembro.
Na semana passada, esses barcos estavam correndo a etapa de Búzios, raia famosa pelos ventos fortes e considerada por muitos velejadores como a melhor do Brasil. A sexta-feira foi o dia especial, com céu aberto, vento forte e muita onda. O fotógrafo do evento, Matias Capizzano, saiu da água com uma câmera fotográfica destruída pela água e um sorriso no rosto: "Homem, acho que hoje foi o melhor dia de fotos da minha vida". Coloco algumas dessas fotos aqui. Outras você pode ver no site do evento: www.mitsubishisailingcup.com.br (hum) ou no site do fotógrafo: www.capizzano.com/MSC/Buzios.html (oh yeah!).
Ah, e para quem é fã do Twitter, as regatas são acompanhadas online em @mitsailingcup




Por Antonio Alonso às 23h26

O barco azul da equipe Telefónica deixou os treinamentos em Lanzarote e vai partir para uma viagem de 700 milhas ao redor das ilhas Canárias. O Telefónica é um dos favoritos para esta edição da Regata Volta ao Mundo, que larga em outubro, da Espanha. Outros barcos com boas chances de título, o Abu Dhabi e o Groupama acabaram de participar da famosa Fastnet Race, de 600 milhas. O Abu Dhabi venceu e ainda quebrou o recorde da competição.
Por Antonio Alonso às 19h05
Essa aconteceu em Istambul, em 27 de maio deste ano e já concorre ao título de colisão do ano. A Extreme Sailing Series foi inventada por gente que achava que faltava emoção na Vela. Esses veleiros de 40 pés são feitos em carbono, muito leves, levam muita vela e aceleram muito rápido. Eu já velejei três vezes nesses barcos e a velocidade transforma a regata numa experiência bem diferente do que estamos acostumados. Some-se a isso o fato de a Extreme sempre convidar velejadores locais para seus eventos. E não se iludam, é difícil correr regatas nesses barcos. Os barcos batem porque é complicado andar rápido e, mesmo lá, no alto nível, vira-e-mexe aparece um time convidado meio perdido na raia. Ah! Ano que vem é quase certo que tenhamos uma etapa desse evento aqui no Brasil, em águas fluminenses. Marcelo Ferreira, Bochecha e Clínio de Freitas devem fazer parte da equipe brasileira.
Por Antonio Alonso às 10h09
Essa é uma antiga, do site Live Sail Die, mas vale pra lembrar que o lugar de barco é na água...

Por Antonio Alonso às 09h06
A Rolex Fastnet Race é uma regata de 600 milhas (pouco mais de 1100 km) que faz parte do Grand Slam da Vela, ao lado da Sydney-Hobart e da menos badalada Middle Sea Race. A regata deste ano cheia de acontecimentos marcantes. O mais impressionante foi a capotagem do Rambler, maxi de 100 pés, e o resgate bastante improvável de seus 21 tripulantes (veja post abaixo), mas foi também a primeira medição de forças entre competidores da Volvo Ocean Race, a Regata Volta ao Mundo, que começa em outubro. Três barcos da Volvo correram a Fastnet. O misterioso Abu Dhabi mostrou sua cara pela primeira vez e, sob o comando de Ian Walker, não só venceu como também bateu o recorde da Fastnet. O francês Groupama chegou minutos depois, dando dicas de que as previsões estão corretas: esta deve ser a Regata Volta ao Mundo mais parelha dos últimos tempos, já que o Groupama tem dois barcos "irmãos" na regata, o Puma e o Telefónica. Esses três barcos não são exatamente iguais, mas foram desenhados pelo mesmo projetista e compartilham muitas semelhanças entre si.
Ah, eu disse três barcos da Volvo, certo? O terceiro é o coadjuvante Sanya, equipe chinesa comandada pelo australiano Mike Sanderson (vencedor da regata 2005/2006), mas que corre com um barco velho, da regata passada, e não terá chances de dar muitos sustos nesta edição da Regata Volta ao Mundo.
Por Antonio Alonso às 08h00

16 tripulantes conseguiram subir no casco virado, outros 5 só foram encontrados depois de duas horas e meia na água
Todos os 21 tripulantes do veleiro Rambler 100 foram resgatados após a capotagem que aconteceu pouco antes da meia-noite local de hoje, quando eles tinham acabado de contornar a Fastnet Rock, na Irlanda. O Rambler 100 é um dos maxi-yachts mais velozes do mundo, e liderava a Rolex Fastnet Race, uma regata de 600 milhas que faz parte do grand-slam da vela, quando os tripulantes ouviram um barulho da quilha se partindo e o barco capotou imediatamente. O bulbo de chumbo no final da quilha é o que garante a estabilidade desses barcos, sem ele, a capotagem é instantânea. Apesar do mar mexido que é típico da reginão, 16 tripulantes conseguiram subir no casco flutuando ao contrário, onde esperaram pelo resgate. Outros cinco tiveram uma sorte bem diferente. Sem conseguir chegar ao barco por causa das ondas, eles ficaram na água por duas horas e meia até serem resgatados por um barco pesqueiro. Um desses cinco tripulantes, Wendy Touton, teve de ser levado de helicóptero para um hospital por conta da hipotermia. Os outros quatro foram levados de barco para o porto de Baltimore, onde se encontraram com os outros 16 resgatados.
Os cinco tripulantes que não conseguiram chegar ao barco não carregavam nenhum tipo de localizador pessoal, apenas o barco tinha um. No entanto, como a capotagem aconteceu perto da Fastnet Rock, que é um farol sobre uma rocha e um dos poucos lugares do percurso onde havia mídia e representantes da organização, eles acabaram sendo identificados por aeronaves que deram as coordenadas para o barco de resgate. Se o acidente tivesse ocorrido uma ou até meia hora depois, o resgate teria sido ainda mais improvável, especialmente porque nas águas geladas da região, os cinco não suportariam muito mais tempo.
Por Antonio Alonso às 15h36

Os olhos de Torben agora se voltam para o futuro olímpico dos filhos Marco e Martine
Torben Grael, o maior medalhista olímpico do Brasil está fora da disputa por uma vaga na Olimpíada de Londres. Ele e Marcelo Ferreira, seu parceiro na classe Star, não encontraram patrocínio para viabilizar a campanha. "Eu acho que a gente já teve nosso período bom e agora estou mais concentrado em ver a garotada ir pra frente", disse Torben, referindo-se a seus filhos, Marco e Martina, que têm boas chances de se classificar para o ano que vem, Marco na classe 49er e Martine, na 470.
Juntos, Torben e Marcelo foram duas vezes campeões olímpicos e conquistaram também um bronze. Torben ainda tem mais duas medalhas, uma prata e outro bronze, conquistados com outros tripulantes. Esse cartel faz de Torben o atleta com maior número de medalhas em 111 anos de vela olímpica.
A decisão demorou para vir. Torben e Marcelo chegaram a começar uma campanha tendo Londres 2012 como objetivo. No Campeonato Mundial de Star do ano passado, disputado no Rio, a dupla ficou em terceiro lugar e foi a melhor entre os brasileiros. Depois disso, eles participaram de algumas competições da temporada internacional com bons resultados, mas não encontraram apoio. Diferente do que fizeram outras vezes, este ano não vão pagar a conta do próprio bolso. "A gente tentou um pouco, mas não encontrou muito apoio e aí fica difícil de fazer campanha olímpica".
Na realidade, a campanha seria difícil de qualquer jeito. Neste ciclo olímpico Torben e Marcelo disputariam a vaga contra os paulistas Robert Scheidt e Bruno Prada, que venceram a seletiva olímpica brasileira no início do ano.Apesar de terem ficado atrás de Torben e Marcelo no Mundial do Rio, no ano passado, este ano Scheidt e Prada vivem um momento brilhante. Na semana passada eles dominaram completamente o evento-teste contra as melhores duplas do mundo na raia de Weymouth, que será sede da vela na Olimpíada do ano que vem.
Acredito que Torben não encontrar patrocínio já é absurdo o bastante para dispensar um comentário indignado padrão. Mas, se alguém está pensando em dizer: "que vergonha, só no Brasil..." vale a pena pensar duas vezes. Torben tem alguns patrocínios pessoais, mas não conseguiu fechar nada para a Olimpíada. Fora do Brasil, existem outros casos bizarros semelhantes. Há cerca de um mês conversei com Brad van Liew, único americano a dar a volta ao mundo sozinho três vezes. Para ser preciso, Brad fez mais do que isso, ele dá suas voltas ao mundo disputando regatas, e costuma ganhar de longe, com dias de vantagem sobre os demais adversários. Pois bem, Brad me contou que ainda não sabe o que vai fazer da vida depois de sua terceira volta ao mundo, simplesmente porque não consegue patrocínio para alavancar nenhum de seus projetos. E agora? É o sistema?
Torben conquistou sua primeira medalha olímpica na classe Soling, há 27 anos, em Los Angeles, com Daniel Adler e Ronald Senfft. Na Olimpíada seguinte, já na classe Star, levou o bronze com o proeiro Nelson Falcão. Depois, com Marcelo Ferreira, foi campeão em Atlanta 96, bronze em Sydney 2000 e campeão de novo em Atenas 2004. Ele soma seis títulos mundias na vela e chegou nove vezes ao vice. Seu nome ganhou projeção internacional depois de 2000, quando ajudou a equipe italiana Luna Rossa a chegar à final da America´s Cup.
Marcelo Ferreira, sempre menos lembrado que Torben, é o até hoje o único brasileiro bicampeão mundial de Star. Ele venceu a competição em 1990, ao lado de Torben e em 1997, com o alemão Alexander Hagen. Ferreira era uma peça fundamental na dupla e acompanhou Torben até mesmo na campanha brasileira da Regata Volta ao Mundo em 2005. Irreverente e conversador, Marcelo há tempos não escondia sua insatisfação com a dificuldade de se conseguir patrocínio mesmo depois de todas as conquistas da dupla. Há dois anos chegou a dizer: "eu nunca mais embarco para uma regata se não for um esquema profissional de verdade". Embarcou e chegou até ao pódio do mundial da classe mais disputada do mundo, que é a Star. Mas de nada adiantou o pódio. Um ano e meio depois a dupla mais vitoriosa da vela brasileira pendura as chuteiras.
Por Antonio Alonso às 23h05

Isso já está virando quase um monopólio! O projetista argentino Javier Soto Acebal acaba de lançar mais um veleiro one design, o Soto 33. Este é pelo menos o quinto veleiro com o mesmo propósito que Javier coloca na água. O primeiro deles foi o HPE25, que só existe no Brasil e tem hoje uma flotilha de quase 50 barcos. Depois, veio o Soto 40, que foi a realização de um sonho para muitos velejadores profissionais da América do Sul, que só conseguiam correr regatas de alto nível em barcos iguais na Europa ou nos Estados Unidos. O Soto 40 nasceu com o propósito de ser um barco simples de velejar, rápido, com regras que mantenham os barcos rigorosamente idênticos (há restrições até para o número de profissionais a bordo) e barato. Bom, o barco pode ser considerado barato mesmo, com relação a outros modelos construídos para o mesmo fim. Mas não se empolgue, o preço de um Soto 40 completamente equipado pode chegar aos R$ 850 mil.
O Soto 40 virou uma febre na América do Sul, já ganhou um circuito sul-americano, que conta hoje com 15 barcos, um europeu, com cinco, e em breve haverá também um asiático. Essa moda repentina do Soto 40 logo atraiu os olhos de outros velejadores, que gostavam do barco mas não tinham tanto dinheiro assim para investir, então surgiu o Soto 30. Agora vem o Soto 33. E já está em construção o primeiro Soto 20!
Mais informações sobre o Soto 33 no blog do argentino Juanpa Cadario: http://juanpa-cadario.blogspot.com
Abaixo a foto de uma regata de Soto 40 no Brasil, tirada pelo excelente fotógrafo argentino Matias Capizzano.

Por Antonio Alonso às 14h55
O Snipe é um barco panamericano que tem uma enorme tradição nas Américas. Foi ele que deu ao Brasil nosso primeiro título mundial na vela, com os irmãos Erik e Axel Schmidt, tios dos irmãos Grael e tri-campeões do mundo entre 61 e 63. Os brasileiros comprovaram este ano que não perderam a mão e ocuparam todos os lugares do pódio na Dinamarca. Nenhum país havia conseguido esse feito na história até agora. Como se não bastasse, duas duplas da Bahia ficaram em sexto e oitavo lugares e os irmãos Felipe e Victor Sabino, do Rio, terminaram em terceiro na categoria Junior do Mundial. Alexandre Tinoco e Gabriel Borges, do Rio, venceram por antecipação, nem correram a última regata e ainda assim terminaram com oito pontos a menos que os vice-campeões gaúchos Xandi Paradeda e Gabriel Kieling. O bronze também foi para o Rio, com Bruno Bethlen e Dante Bianchi, que terminaram com vinte pontos a mais que o campeão. Brasileiros Top 10 no Mundial de Snipe da Dinamarca: 1º- Alexandre Tinoco e Gabriel Borges –4º-3º-(31º)-2º-7º-2º-2º-5º-(60º)=25
2º- Xandi Paradeda e Gabriel Kieling –3º-(35º)-7º-9º-5º-(11º)-6º-2º-1º=33
3º- Bruno Bethlen e Dante Bianchi –10º-(19º)-12º-1º-16º-(60º-DNC)-3º-1º-2º=45
6º- Mateus Tavares e Daniel Seixas –8º-7º-14º-10º-(60º-OCS)-9º-8º-3º-16º=59
8º- Mario Urban e Rafael Sapucaia –6º-11º-1º-11º-24º-(52º-D)-30º-8º-6º=67
Por Antonio Alonso às 14h09
Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.
A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.