Duas dicas bacanas mesmo para quem não está acostumado a curtir Vela: Extreme Sailing Series, na Europa, e o Circuito Sul-Ameicano de Soto 40 em Búzios. A Extreme Sailing Series é um evento com um desses nomes "mamãe-quero-ser-radical" que me desgostaram logo de cara. Mas eu quebrei foi a cara ao ter a oportunidade de ver de perto e de velejar num desses barcos durante a etapa de Boston, no começo de julho. São catamarãs de carbono de 40 pés que podem ser assombrosamente velozes. E digo assombrosamente porque a quantidade de colisões está ficando difícil de contar. E eu não estou falando de raladinhas. Estou falando de um barco ficar com o casco espetado dentro do outro. A explicação para isso é mais ou menos simples. Esses barcos aceleram muito e muito rápido. Catamarãs já são velozes, quando alguém decide construí-los em carbono, é porque a coisa ficou séria. Como a Extreme Sailing Series quer transformar a Vela em um show para o público, eles sempre convidam algum velejador local para participar das etapas (aliás, Brasil deve receber uma em 2012). Acontece que, muitas vezes esses velejadores convidados não se acostumam com o barco, e quando descobrem que não são tão bons assim como pensavam... too late, proa espetada no outro casco.
O Circuito de Soto 40 é outra idéia bacana. A segunda etapa deste ano (serão três) está rolando em Búzios até domingo. São barcos exatamente iguais, grandes (40 pés), modernos e velozes. Em Búzios estão correndo 13 barcos: 6 chilenos, 4 brasileiros, 2 argentinos e 1 uruguaio. Quem está longe de Búzios pode acompanhar on line por dois serviços. Ou o site da classe Soto 40: www.soto40.org (em espanhol) ou pelo twitter @mitsailingcup. Até domingo

Por Antonio Alonso às 01h14
O Snipe é um barco clássico para a Vela. Pelo menos para a Vela sulamericana. Um ainda jovem Torben Grael conheceu nela suas primeiras glórias de vulto internacional, vencendo duas vezes o Mundial, ao lado de seu irmão Lars. E a história tem provado que os campeões nesse barco perduram. Bochecha e Xandi Paradeda são dois nomes olímpicos relativamente recentes que chegaram ao título mundial da Snipe.
É um barco panamericano, mas não olímpico. Isso significa que é bem difícil sustentar uma campanha profissional nele. Serve como uma alternativa de ótimo custo-benefício para velejar contra muitos sparrings de primeira, mas não-profissionais.
Pois bem, toda essa introdução para comemorar que o Brasil tem cinco duplas entre as 10 primeiras no Mundial que acabou de começar na Dinamarca. Para quem acompanha a vela, melhor ainda é saber que, entre as 59 duplas competindo, a primeira é brasileira e baiana. Mario Urban e Rafael Sapucaia fazem parte de uma forte geração baiana que começa a mostrar sua cara para o mundo. Há apenas um mês o proeiro Kim Vidal escreveu seu nome na história da vela brasileira como o primeiro baiano a conquistar um título mundial, ao lado do paulista Martin Lowy. Paulista e Baiano se juntaram para correr o Mundial da Juventude, na Croácia, e levaram a melhor na classe SL16, um catamarã.
Vale a pena ficar de olho nesses baianos.
O primeiro dia dos brasileiros na Dinamarca:
1º - Mario Urban e Rafael Sapucaia – 6º - 11º - 1º - 11º
4º - Mateus Tavares e Daniel Seixas – 8º - 7º - 14º - 10º
5º - Alexandre Tinoco e Gabriel Borges – 4º - 3º - 31º - 2º
6º - Bruno Bethlen e Danti Bianchi – 10º - 19º - 12º - 1º
10º - Xandi Paradeda e Gabriel Kieling – 3º - 35º - 7º - 9º
Por Antonio Alonso às 00h56
Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.
A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.