Blog do José Cruz

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23/05/2013

Aos 26, brasileira campeã mundial de kite aposta no físico

Você sabia que o Brasil tem uma campeã mundial de kitesurf? Hoje com 26 anos, Bruna Kajiya saiu de Ilhabela para o mundo em 2009, quando venceu o Mundial na Oceania. Quatro anos depois, a brasileira está em terceiro lugar na classificação geral do circuito mundial PKRA e aposta no treino físico para encarar a terceira etapa do Mundial de Kite, que acontece no mês que vem, na Itália.

A jornalista Valéria Corbucci conta mais: A kitesurfista Bruna Kajiya, de 26 anos, começou bem a temporada 2013. Depois da disputa de duas etapas, a atleta paulista segue em terceiro lugar na classificação geral do Mundial da PKRA (Professional Kiteboard Riders Association), categoria Freestyle.

Neste mês de maio, Bruna intensificou o treinamento físico com o preparador Luciano D’Elia, na Academia Pretorian, em São Paulo. “O kite é uma modalidade que exige agilidade, força, velocidade, flexibilidade e resistência. Nosso objetivo foi criar um treino que ela possa praticar em qualquer lugar, mantendo a constância, mesmo durante os períodos de competição”, explica Luciano.

Com treinamento em dois períodos, Bruna, que foi campeã do mundo em 2009, já se sente mais forte e resistente para encarar a próxima etapa da temporada, marcada para 25 a 30 de junho, na Sicília, Itália. “Comecei bem a temporada, mas ainda posso melhorar. E esse condicionamento físico específico vai me ajudar na busca do meu objetivo, que é mais um título Mundial”, diz Bruna. Para isso, terá de superar suas principais adversárias, a polonesa Karolina Winkowska e a espanhola Gisela Pulido, atuais primeira e segunda colocadas respectivamente. 

Antes da próxima etapa do Mundial, Bruna participa do Campeonato Internacional de Obstáculos, nos Estados Unidos, de 1º a 7 de junho.


Por Antonio Alonso às 08h57

22/05/2013

Jornalistas conseguem fotos que podem revelar causa da quebra do Artemis

Muitos de vocês já sabem disso, mas frequentemente há uma relação direta entre o jornalista ser bom e ser chato ao mesmo tempo. Pois foi a insistência e o trabalho duro de jornalistas "chatos" americanos que conseguiram uma série de fotos do Artemis, catamarã de 72 pés que capotou em um treino para a America's Cup, matando um velejador.

Não vou cair na tentação de dar uma de bidu aqui e adivinhar qual foi a causa da quebra. Dá pra ver perfeitamente a travessa frontal, que liga os dois cascos, quebrada. Segundo relatos da equipe, isso aconteceu antes da capotagem, mas não se sabe se essa foi a primeira peça que quebrou ou se outras falhas aconteceram antes. Eu também estou vendo os hidrofólios nas quilhas. Importante notar que a primeira versão do Artemis não tinha esses hidrofólios. Eles foram colocados depois, a pedido do chefe da equipe, que percebeu que seria impossível ser competitivo sem um barco que "voasse", com todos os dois cascos acima da água.

A série de fotos está no site da Sail World e pode ser vista clicando aqui. Se alguém tiver uma boa pista sobre o acidente, compartilhe conosco.

Por Antonio Alonso às 08h58

21/05/2013

Luna Rossa desobedece America's Cup e sai para velejada nos EUA

Na semana passada, os italianos do Luna Rossa fizeram um charminho, se disseram preocupados com a segurança na America's Cup, mas confirmaram que irão correr a copa. Nesta semana, eles provaram que a preocupação com segurança não é mais prioridade, já que desobedeceram um pedido da organização da competição e colocaram o AC72 na água. Como vocês podem ver na foto de Carlo Borlenghi, trata-se de um catamarã com hirofólios, que veleja sem nenhum de seus dois cascos na água.

Após a morte do velejador britânico Andrew Simpson há duas semanas, na capotagem do AC72 da equipe Artemis, a organização da America's Cup solicitou para todas as equipes suspenderem os treinos tanto nos catamarãs grandes, de 72 pés, como nos pequenos, de 45. Uma nova reunião está marcada para esta sexta-feira, quando provavelmente novas regras de segurança serão anunciadas. Mas os italianos não quiseram esperar.

Por Antonio Alonso às 09h56

20/05/2013

Brasileira que dá a volta ao mundo sozinha fará parada na Ilha de Páscoa

Izabel Pimentel deve aportar na Ilha de Páscoa ainda nesta semana. A velejadora brasileira, que tentava dar a volta ao mundo sem escalas, capotou o barco num dos trechos mais perigosos do oceano austral e decidiu se dirigir para o trecho de terra mais próximo para avaliar as avarias em seu barco. Após a capotagem, Izabel ainda conseguiu consertar uma cruzeta quebrada e pensou em seguir viagem, mas ela teria de passar pelo temido cabo Horn, o ponto mais temido dos oceanos. Qualquer pequeno problema na mastreação, por invisível que fosse, poderia ficar evidente nos mares revoltos do cabo Horn. Por isso, Izabel achou melhor parar para reparos da ilha de Páscoa.

A mato-grossense foi a primeira brasileira a cruzar o Atlântico sozinha, e se preparava para ser a primeira mulher do país a contornar o planeta sem escalas. Apesar de se ver obrigada a parar, ela continua com o objetivo de completar a volta ao mundo (com paradas). Ao chegar à França, de onde partiu, Izabel será a primeira Brasileira a contornar o globo velejando sozinha.

Na noite de ontem (domingo), Izabel ainda estava há cerca de 455 milhas da Ilha de Páscoa, velejando com velocidade entre 4 e 5 nós. Nesse ritmo, ela deve chegar à ilha antes do próximo domingo (26).

A brasileira leva uma gatinha a bordo do veleiro, e chegou a anunciar que rumaria para o litoral chileno, e não para a ilha de Páscoa, por conta de restrições que a ilha faz a animais exóticos. Aparentemente, o problema está resolvido e Izabel se dirige mesmo para a ilha de Páscoa.

Por Antonio Alonso às 12h30

HPE: Plácido Breno Chvaicer dispara na liderança do Brasileiro

Lô Kunze, da página da HPE 25, me manda notícias do primeiro fim de semana do Brasileiro de HPE (em Ilhabela, claro). Para ela, ainda está tudo muito indefinido. Eu vejo o Ginga, do paulista Breno Chvaicer, numa perigosa liderança, 11 pontos à frente do segundo e do terceiro colocados. O comandante Breno veleja com o timoneiro Vicente Monteiro, Juan de la Fuente e Eduardo Mateus. O Vicente, local de Ilhabela, faz parte desse grupo de timoneiros não-olímpicos, mas que dão trabalho sério para qualquer velejador de ponta na HPE. Por isso, ao ver o Ginga 11 pontos à frente do segundo e do terceiro colocados, eu vejo um duro trabalho para os adversários no próximo fim de semana.

Para se ter uma ideia do nível da competição, em segundo lugar está o Fit to Fly, de Eduardo Mangabeira, timoneado pelo gênio Xandi Paradeda e, em terceiro, o Corum, barco do Iate Clube de Santos timoneado pelo santista Rafael Gagliotti. Ambos têm 24 pontos perdidos após 5 regatas. A flotilha ainda tem nomes como Alexandre Saldanha, Baby Arndt, Rique Wanderley, Marcelo Belotti e Dario Galvão, entre outros. O Brasileiro da classe de monotipos mais competitiva do país termina no próximo fim de semana. 

Não conseguiram nenhuma foto, mas a Lô manda um relato deste domingo:

Neste segundo dia do VII Campeonato Brasileiro da Classe HPE25, as condições de tempo permitiram a realização das regatas para fora de Ponta das Canas/Canal de São Sebastião, Ilhabela.

“Com mar médio, tempo nublado e vento  leste variando entre 10 e 15 nós, assistimos momentos bastante competitivos com definições somente na última perna, entre os vinte participantes”, descreveu Cuca Sodré, árbitro responsável pela Comissão de Regatas.

Embora o veleiro HPE seja considerado um “barco escola” para a navegação no mar, por ser de fácil controle e manejo, o nível técnico dos participantes é bastante elevado, com velejadores experientes, de outras Classes, como Hobie Cat, Soto40, Snipe, entre outras.

O VII Brasileiro  acontece sob organização da Associação da Classe HPE25, apoio do Yacht Clube de Ilhabela e termina  no próximo domingo.

Resultados Provisórios deste fim de semana no anexo.

Por Antonio Alonso às 00h48

17/05/2013

Italianos vão correr America's Cup, mas pedem mais segurança

Depois que o campeão olímpico Andrew Simpson morreu durante um treino da America's Cup, há pouco mais de uma semana, surgiram boatos de que a equipe italiana Luna Rossa poderia desistir da competição. O dono da equipe, Patrizio Bertelli, foi hoje à imprensa e confirmou que sua equipe segue inscrita, mas quer mudanças nas regras.

Bertelli disse que quer garantias de que as regatas serão canceladas se o vento for considerado muito perigoso. O que Bertelli pediu não é nada mais do que uma prática comum e que seria seguida de qualquer maneira. Em praticamente todas as regatas existe um limite de vento. Ou seja, ele não pediu na realidade nenhuma mudança verdadeira nas regras. Até agora ninguém de dentro da America's Cup deu algum sinal de que a morte de Andrew Simpson vá mudar alguma coisa na competição. Uma coisa certamente mudou: a alegria.

E pensar que, se o Ernesto Bertarelli não tivesse inventado de querer tomar para si a Copa depois da vitória do Alinghi em 2007 nada disso teria acontecido...

O Luna Rossa já contou com os brasileiros Torben Grael (que fez história como tático e levou o time a uma final de America's Cup) e Robert Scheidt. Mas isso era nos velhos tempos dos monocascos. Hoje, com os catamarãs de 72 pés, o único brasileiro da America's Cup é Horácio Carabelli, justamente na mesma equipe de Andrew Simpson, a sueca Artemis Racing.

Por Antonio Alonso às 23h25

16/05/2013

Golfinho com anzol na nadadeira pede socorro a mergulhador

Não, não sou um libriano romântico e nem costumo acreditar nesse tipo de historinha. Mas dêem uma olhada nesse vídeo e depois me contem.

Esse grupo de mergulhadores estava filmando mantas no Havaí quando apareceu um golfinho-nemo, que atendeu ao chamado do mergulhador e mostrou a nadadeira peitoral, onde havia um anzol e uma linha enroscados. O mergulhador trabalha cerca de três minutos para livrar o golfinho do enrosco, e conta com a colaboração total do paciente.

Não levo jeito para transformar isso num post sentimental, mas se este é mesmo um golfinho selvagem, a interação é uma fantástica lição da natureza.

Quem quiser ler a fonte original do vídeo (em inglês), é só clicar aqui.

Por Antonio Alonso às 23h41

Deputado quer mandado para pescar em estação ecológica de Angra

Deu nO Globo: "MP afirmou que Jair Bolsonaro quer "um verdadeiro salvo-conduto de pesca emitido pelo Judiciário", algo "impensável" do ponto de vista jurídico".

O deputado Jair Bolsonaro (de sunga branca na foto) ficou famoso por suas posições contra o movimento gay, a favor do pastor Feliciano e o gosto por polêmicas que envolvam a pauta anti-LGBT. Eu não sei vocês, mas eu sempre acho que políticos radicais de uma causa só jogam pra torcida: ou seja, nem acreditam muito no que falam, mas sabem que vão conseguir votos suficientes de uma parcela radical da sociedade. 

Mas quando eu vejo uma notícia dessa eu fico na dúvida. 

Vale a pena ler a notícia e descobrir que, "coincidência ou não, após o bate-boca entre o deputado e os fiscais, foram propostos dois projetos de lei na Câmara dos Deputados. Um deles, por ironia, é do deputado federal Luiz Sérgio, ex-ministro da Pesca e ex-prefeito de Angra, sobre a liberação de embarcações particulares, pesca artesanal ou amadora, além da utilização das praias por banhistas, na Esec Tamoios". Uau

Clique aqui para ler a matéria em O Globo.

Por Antonio Alonso às 14h51

Paulistas abrem inscrições para velejada de 14 dias no rio Tietê

Se você acha que a ideia cheira mal, está muito enganado. É impressionante o que a natureza pode fazer para limpar a sujeira que a gente coloca lá. Claro, o passeio é bem diferente dos cruzeiros pelas águas azuis do nosso litoral, mas guarda algumas surpresas que só a água doce e o interior do Brasil podem oferecer. 

Repasso o informe completo:

Release:

Acontece em Julho o 4º Cruzeiro Hidrovia Tietê-Paraná 2013, organizado pela Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro – ABVC, através da sua diretoria Sudeste, representada e organizada pelo Comodoro e Navegador Paulo Fax, em sua quarta incursão pela hidrovia.

O passeio de 14 dias tem o objetivo de levar adultos e jovens para uma experiência cultural única e enriquecedora, conhecendo de um ponto de vista diferente, pelo rio, os atrativos turísticos das cidades ribeiras, seus costumes e folclores, sabores coloniais e sua importância histórica.

A Flotilha, já esperada anualmente, passará por 12 Cidades, entre Yacht Clubes, Marinas, Condomínios e Atracadouros Públicos. Em cada parada será oferecida uma palestra a toda comunidade ou seus associados, demonstrando o potencial turístico fluvial da hidrovia e suas belezas.

Poder explorar de forma segura e divertida, os nossos rios e seus afluentes, com suas margens repletas de natureza viva, fauna e flora convivendo com as imensas e coloridas plantações que sustentam nosso país, afirma o organizador.

Aos iniciantes, aprender de forma vivencial e intensiva a arte da navegação Fluvial, pouquissimo explorada nos países de 3º mundo. A experiência e a segurança de se navegar em flotilha, realizar eclusagens, radio e navegação eletrônica.

Em sua maioria o Cruzeiro é formado por veleiros e velejadores de todo interior do sudeste.

Através de um trabalho sério e dedicado, as cidades ribeiras se envolvem apresentando seu turismo regional, e recebem os participantes com muita alegria, festas típicas e atividades, tornando a viagem um verdadeiro festival gastronômico e cultural.

A largada será no dia 06 de julho, em Barra Bonita e a chegada no dia 20 de julho na cidade de Três Lagoas, já no Mato Grosso do Sul, conforme roteiro anexo.

Serão 2 semanas de viagem com 07 Eclusagens e uma programação tranquila e planejada para as familias possam navegar e curtir a natureza, aproveitar o descanso e as férias.

 A qualquer tempo se pode programar entre as datas e locais onde estará a flotilha, a entrada ou saída do Cruzeiro, caso não haja possibilidade de fazer toda a viagem.

 O 4º Cruzeiro é aberto a participação de todos, sem limite de idade, principalmente para pessoas que ainda não tem experiência em navegação, com embarcações a vela ou a motor, de 16 a 37 pés.

 Através dos Blogs, é possível conferir e copiar fotos, mensagens dos comandantes e o relato completo dos últimos Cruzeiros:

http://2aexpedicaocruzeiro2011.blogspot.com.br/

http://3ocruzeiro2012.blogspot.com.br/

 As inscrições para o 3º Cruzeiro 2012 deverão ser feitas através do email: abvcinterior@terra.com.br

 

 

Por Antonio Alonso às 12h44

14/05/2013

Morte na America's Cup está diretamente ligada à opção tecnológica

Coisas ruins acontecem. É a vida. Especialmente quando você leva material e tripulações ao limite, como acontece na America's Cup. O vídeo acima mostra, como o One Australia, em menos de três minutos quebrou no meio e afundou no pacífico durante as seletivas da America's Cup de 1995. Naquele dia, uma das catracas quebrou durante a velejada, e os trimmers decidiram passar o mesmo cabo numa catraca posicionada mais atrás no barco. A mudança de forças foi o suficiente para quebrar o barco ao meio.

Muita gente deu sua opinião depois da morte de Andrew "Bart" Simpson durante um treino do time Artemis (leia sobre o acidente aqui), e alguns acharam "normal" o fato de uma morte acontecer num ambiente onde se vive no limite. Desculpem, mas não é. A última morte na America's Cup aconteceu se não me engano em 1999, quando uma peça do barco se soltou e atingiu a cabeça de um velejador, matando-o instantaneamente. Isso é um acidente raro, que poderia ter acontecido em terra. 

O que está acontecendo na America's Cup atual é bem diferente, muito mais perigoso e todo mundo sabe disso, já que os velejadores carregam consigo uma garrafa de ar comprimido para o caso de capotagens. 

Capotar um catamarã de 22 metros, como são os AC72, pode equivaler a uma queda de um prédio de sete andares. Catamarãs capotam eventualmente. Catamarãs que voam sem nenhum casco na água, apoiados em hidrofólios, capotam muito mais. Está aí a longa história de acidentes do L'Hydroptère para confirmar. Portanto, esse foi um risco calculado e — pior — que pode voltar a acontecer. Calculado porque de um lado da balança estava o potencial de retorno de mídia, com um barco enorme e "radical", e de outro a segurança (e a tradição do esporte). Fizeram a escolha por um dos lados.

A lenda da Vela Paul Cayard chefão da equipe sueca Artemis, está sendo bastante criticado pelo silêncio após a morte de Andrew. É bastante claro que tem erro nesta meleca. Como eu falei, o Artemis foi desenhado para não ter fólios. Posteriormente, Cayard pediu que fossem adicionados fólios ao barco, o que muda completamente o equilíbrio das forças quando o barco veleja. Eu não sei nem se esse barco que quebrou já tinha recebido alguma modificação para ter os fólios. Não sei por que o silêncio é total. Ou quase.

Cayard aparece em um vídeo de 30 segundos lamentando a morte de Andrew, solidário à família e aos amigos do velejador britânico. O time Artemis também divulgou um comunicado, no qual pede que a imprensa pare de especular sobre o acidente. Ora, dessas especulações podem sair a crítica que vai impedir que um novo acidente desses aconteça. Do silêncio do Artemis eu acho muito difícil a Vela tirar algum proveito.

 

Por Antonio Alonso às 16h03

12/05/2013

Gato e estrutura colocam Izabel Pimentel no caminho do Chile

Izabel Pimentel está mais perto do continente sul-americano. A velejadora brasileira que está dando a volta ao mundo sozinha e capotou há algmas semanas no oceano austral deve aportar no Chile, Yacht Club Viña del Mar, daqui a 20 ou 30 dias.

A ideia original de Izabel era completar a volta ao mundo sem paradas, cruzando o temido cabo Horn, ponto ao sul da América do Sul que marca a união dos oceanos Pacífico e Atlântico. Depois da capotagem, no entanto, a decisão mais prudente foi aportar e avaliar os danos.

Ela estava indo para a ilha de Páscoa, que fica muito mais perto de onde ela está do que a costa chilena. No entanto, por questões sanitárias, a gata Mimi, que acompanha Bel na viagem, pode ser proibida de desembarcar na reserva natural da ilha de Páscoa. Além disso, a estrutura náutica é muito mais precária do que no continente.

A guinada representa cerca de mil milhas a mais até a parada. Com tempo melhor, Izabel melhorou a velocidade do barco, mas ainda assim ela veleja cerca de 100 milhas por dia, nos melhores dias.

Com informações de Marcos Lobo.

Por Antonio Alonso às 09h34

10/05/2013

Nova capotagem de catamarã da America's Cup mata campeão olímpico

"Vamos ser sinceros, nós todos já sabíamos que algo muito feio estava para acontecer". Esta frase mistura cinismo e sinceridade em um nível que dói.

O britânico Andrew "Bart" Simpson morreu ontem depois que o AC 72 da equipe sueca Artemis se despedaçou e capotou durante um treino. Os relatos mais confiáveis até agora são de que Andrew ficou preso embaixo do barco por cerca de 10 minutos e morreu afogado. Vale mencionar que os velejadores levam uma garrafa de ar de emergência, como os surfistas de grandes ondas. Não está claro se Andrew chegou a usar a sua.

Reprodução da revista Wired, que tem um dos mais precisos relatos sobre o acidente. Para ler (em inglês), clique aqui.

Eu entrevistei Andew Simpson no Mundial Star no Rio de Janeiro, em 2010, quando ele e seu parceiro Ian Percy ganharam de lavada a competição. Andrew era um proeiro acidental. Um dos melhores timoneiros de seu país, ele cansou de ficar sempre em segundo lugar, atrás da lenda britânica Ben Ainslie, que foi ouro em todas as Olimpíadas que disputou na Finn. Com a Star fora das Olimpíadas, ele estava se dedicando à America's Cup na equipe Artemis, a mesma do brasileiro Horácio Carabelli.

Pressão comercial

A "nova" America's Cup foi concebida para agradar, em primeiro lugar, à mídia. Não à mídia especializada, à massa. A ideia foi radicalizar e popularizar a Vela. Uma competição centenária, que sempre foi disputada por gênios da tática como Paul Cayard, Torben, Peter Blake e Dennis Conner (para nomear apenas alguns), deu sua guinada para se tornar um X-Games do mar. Os gênios e a tecnologia ainda estavam lá, mas a tática… essa deu lugar à velocidade pura.

Capotagens recorrentes

Várias capotagens aconteceram durante os treinamentos com os "mini" AC, catamarãs de 45 pés (maiores que um soto 40, portanto), usados nos treinamentos da America's Cup. Essas imagens de capotagens correram o mundo e fizeram a alegria de patrocinadores e organizadores. O Oracle já havia capotado seu AC 72 (esse simm, o catamarã verdadeiro da nova America's Cup), há alguns meses, sem feridos graves.

E agora, José?

Sim, todos nós sabíamos que novas capotagens iriam (vão?) acontecer. O que eu nem de longe imaginava era que o resultado seria tão devastador como o de ontem. O acidente assustou a America's Cup, que fará uma investigação sobre a segurança dos barcos. Mas agora? Às vésperas do início das competições?

O que ninguém falou

Segundo a revista Wired, foi a travessa frontal do barco, que serve para manter os dois cascos do catamarã unidos, que quebrou primeiro. O Artemis teve várias quebras em suas travessas durante os treinos. A partir da quebra, os dois cascos, separados na parte da frente, começaram a velejar em direções opostas. Um dos cascos se partiu, levando consigo os estais que tensionam o mastro. O mastro então caiu e o barco capotou, prendendo Simpson sob a água.

O que ninguém falou ainda é que a equipe Artemis estava fazendo modificações estruturais importantes no barco, que podem estar por trás do acidente. Depois de decidir que não queria um barco "voador", Paul Cayard, chefão da equipe, voltou atrás e pediu um barco com hidrofólios. Esses hidrofólios são capazes de fazer o catamarã velejar sem nenhum casco na água, o que minimiza o arrasto e maximiza a velocidade. Não sei se os hidrofólios já estavam nesse barco que capotou ou não. 

Pior fase da história recente da America's Cup

Eu posso falar sem medo de errar feio que a America's Cup vive sua pior fase nos últimos 50 anos. E isso já dura seis anos, desde a segunda vitória do Alinghi, em 2007, quando o dono da equipe, Ernesto Bertarelli, tentou mudar as regras para virar dono da copa. Ele mudou as regras para poder, por exemplo, eliminar concorrentes sem dar explicações. Foram tantas as provocações que ele foi obrigado a colocar a Copa em disputa mesmo sem querer. O Oracle venceu com um catamarã gigantesco, uma vitória do dinheiro e da tecnologia. Quando eu achei que os monocascos voltariam, veio essa ideia dos catamarãs gigantes, para atender patrocinadores e mídia. E mídia tipo "Fantástico", porque a mídia especializada não cai nessa.

Por Antonio Alonso às 08h47

09/05/2013

Aprenda a plotar waypoints no Google Maps

A velejadora Izabel Pimentel se viu obrigada a fazer uma escala de segurança na ilha de Páscoa, e interrompeu sua tentativa de ser a primeira brasileira a dar a Volta ao Mundo sem escalas. Izabel capotou o barco, teve uma cruzeta avariada, e decidiu sabiamente não enfrentar o cabo Horn, ponto mais temido de todos oceanos, nessas condições.

Graças a Marcos Lobo, temos recebido informações constantes das posições de Izabel Pimentel. Nesta quarta-feira, a velejadora reclamou de estar dormindo no molhado há quinze dias e os equipamentos de comunicação começaram a falhar seriamente. "...você não imagina o que é dormir numa cama molhada há mais de quinze dias. Tudo úmido, sol aqui não vejo há muito tempo. Mar batido jogando água para dentro a toda hora..."

Segundo as posições, ela andou cerca de 260 km nos últimos dois dias. Ainda faltam cerca de 1700 km até a ilha de Páscoa, mas é muito provável que ela encontre melhores condições de navegação nos próximos dias.

Com o waypoint na mão, eu decidi plotar no Google Maps mesmo a posição de Izabel, para ter uma ideia de onde ela está no oceano Pacífico. O resultado é a imagem acima. A Izabel é o ponto vermelho. Ela está ainda a mais de 1500 km da Ilha de Páscoa, mas a previsão indica que o tempo vai melhorar.

Resolvi dar uma dica para os curiosos que quiserem fazer o mesmo. É bastante simples. Vou usar como exemplo as coordenadas que o Marcos postou na noite desta quarta-feira. Pouco antes do São Paulo entrar em campo contra o Atlético Mineiro, Izabel estava na seguinte posição: Latitude: 42º 03' S Longitude: 113º 06' W. (Obs: se você é uma pessoa prática, pare de ler agora e vá direto ao final deste post).

Pois o Google Maps não entende só endereços, entende também coordenadas. No entanto, precisamos "traduzir" para a linguagem dele. Por convenção, no Google Maps, tudo o que é S (Sul) tem sinal negativo. Tudo o que é norte tem sinal positivo. Nas longitudes, tudo o que é W (Oeste) tem sinal negativo, e E (Leste), sinal positivo.

Portanto, se você procurasse apenas por 42ºS e 113ºW, tudo o que vc precisaria colocar no www.maps.google é -42, -113. Faça o teste. Você vai ver o local onde o paralelo 42 sul cruza com o meridiano de 113º oeste.  Mas não é isso que procuramos ainda. Queremos a posição precisa, em graus e minutos.

Voltando às aulas de geografia, vou lembrar que as coordenadas são medidas em graus, minutos e segundos. Os minutos e segundos, como no relógio, vão de zero a 60. Ou seja, não existe 41 graus e 63 minutos, esse valor equivale a 42 graus e três minutos. Ou, como está marcado na notação do Marcos Lobo, 42º03' S. 

A única coisa que temos que fazer é transformar o sistema de minutos no sistema decimal, no qual 60 minutos equivalem a 100 centésimos de um minuto.

Uma tabela simples de conversões:

60 minutos = 100 centésimos

30 minutos = 50 centésimos

15 minutos = 25 centésimos

6 minutos = 10 centésimos

3 minutos = 5 centésimos

1 minuto = 1,7 centésimos (aproximado)

Seguindo esta tabela, os três minutos da nossa latitude, valem 5 centésimos, ou 0,05. E os seis minutos da nossa longitude, valem 10 centésimos, ou 0,10 de um minuto. 

Usando esses dados, podemos transformar as coordenadas Latitude: 42º 03' S Longitude: 113º 06' W em linguagem Google Maps: -42.05, -113.10. Notem, por favor, que eu usei ponto para separar os centésimos dos graus. Isso é a notação usada nos Estados Unidos. Se você tentar a vírgula, não vai funcionar. Até porque a vírgula é usada para separar a latitude da longitude.

Parece difícil, mas é fácil. Agora você pode testar com outros waypoints. Dá até pra saber com uma relativa precisão as coordenadas da sua praia predileta ou da sua casa. Outro dia eu ensino como.

Para você, que é uma pessoa prática, eu compartilho o comentário do David, que mata tudo o que eu disse acima:

Prezado Antonio, sou leitor do blog, mas sem comentar. E para ajudar nessa empreitada, o Google Maps aceita a coordenada direto. Pode testar e digitar --- 42º03'S 113º06'W --- só precisa ter o símobolo de grau e o apóstrofe (não é aspas simples). Se quiser colocar em decimal, basta dividir separadamente os minutos por 60 e os segundos por 3600 e somar tudo. Como só tem minutos, então fica -42.05 = 42+(03/60) e 113.10=113+(6/60). Espero ter contribuído.

Por Antonio Alonso às 00h44

Aprenda a plotar waypoints no Google Maps

A velejadora Izabel Pimentel se viu obrigada a fazer uma escala de segurança na ilha de Páscoa, e interrompeu sua tentativa de ser a primeira brasileira a dar a Volta ao Mundo sem escalas. Izabel capotou o barco, teve uma cruzeta avariada, e decidiu sabiamente não enfrentar o cabo Horn, ponto mais temido de todos oceanos, nessas condições.

Graças a Marcos Lobo, temos recebido informações constantes das posições de Izabel Pimentel. Nesta quarta-feira, a velejadora reclamou de estar dormindo no molhado há quinze dias e os equipamentos de comunicação começaram a falhar seriamente. "...você não imagina o que é dormir numa cama molhada há mais de quinze dias. Tudo úmido, sol aqui não vejo há muito tempo. Mar batido jogando água para dentro a toda hora..."

Com o waypoint na mão, eu decidi plotar no Google Maps mesmo a posição de Izabel, para ter uma ideia de onde ela está no oceano Pacífico. O resultado é a imagem acima. A Izabel é o ponto vermelho. Ela está ainda a mais de 1500 km da Ilha de Páscoa, mas a previsão indica que o tempo vai melhorar.

Resolvi dar uma dica para os curiosos que quiserem fazer o mesmo. É bastante simples. Vou usar como exemplo as coordenadas que o Marcos postou na noite desta quarta-feira. Pouco antes do São Paulo entrar em campo contra o Atlético Mineiro, Izabel estava na seguinte posição: Latitude: 42º 03' S Longitude: 113º 06' W.

Pois o Google Maps não entende só endereços, entende também coordenadas. No entanto, precisamos "traduzir" para a linguagem dele. Por convenção, no Google Maps, tudo o que é S (Sul) tem sinal negativo. Tudo o que é norte tem sinal positivo. Nas longitudes, tudo o que é W (Oeste) tem sinal negativo, e E (Leste), sinal positivo.

Portanto, se você procurasse apenas por 42ºS e 113ºW, tudo o que vc precisaria colocar no www.maps.google é -42, -113. Faça o teste. Você vai ver o local onde o paralelo 42 sul cruza com o meridiano de 113º oeste.  Mas não é isso que procuramos ainda. Queremos a posição precisa, em graus e minutos.

Voltando às aulas de geografia, vou lembrar que as coordenadas são medidas em graus, minutos e segundos. Os minutos e segundos, como no relógio, vão de zero a 60. Ou seja, não existe 41 graus e 63 minutos, esse valor equivale a 42 graus e três minutos. Ou, como está marcado na notação do Marcos Lobo, 42º03' S. 

A única coisa que temos que fazer é transformar o sistema de minutos no sistema decimal, no qual 60 minutos equivalem a 100 centésimos de um minuto.

Uma tabela simples de conversões:

60 minutos = 100 centésimos

30 minutos = 50 centésimos

15 minutos = 25 centésimos

6 minutos = 10 centésimos

3 minuto = 5 centésimos

Seguindo esta tabela, os três minutos da nossa latitude, valem 5 centésimos, ou 0,05. E os seis minutos da nossa longitude, valem 10 centésimos, ou 0,10 de um minuto. 

Usando esses dados, podemos transformar as coordenadas Latitude: 42º 03' S Longitude: 113º 06' W em linguagem Google Maps: -42.05, -113.10. Notem, por favor, que eu usei ponto para separar os centésimos dos graus. Isso é a notação usada nos Estados Unidos. Se você tentar a vírgula, não vai funcionar. Até porque a vírgula é usada para separar a latitude da longitude.

Parece difícil, mas é fácil. Agora você pode testar com outros waypoints. Dá até pra saber com uma relativa precisão as coordenadas da sua praia predileta ou da sua casa. Outro dia eu ensino como.

 

Por Antonio Alonso às 00h44

08/05/2013

Robert Scheidt critica novo formato das competições olímpicas da Isaf

"O jogo tem que ser justo e não pode depender somente da sorte". O brasileiro dono de cinco medalhas olímpicas se juntou a um coro praticamente unânime de atletas criticando o novo formato das regatas olímpicas. "A vela é um esporte de regularidade". Esta foi a frase mais ouvida na série de entrevistas feitas pelo site SailCoach.

Traduzi abaixo a fala do Robert (a entrevista foi gravada em inglês). O brasileiro fala no começo do vídeo e depois aos 3min52 de gravação:

Robert, qual a sua opinião sobre o novo formato?

"Eu acho que é bom tentar coisas diferentes. Minha única preocupação é que a Vela é um esporte de regularidade. Portanto, fazer cinco regatas no começo da competição e ter essas cinco regatas contando como se fosse apenas uma é algo que sou contra. Porque a pessoa que foi consistente nessas cinco regatas deveria ter uma vantagem sobre os demais. Esta é realmente minha única preocupação. Porque agora as competições se resumem a dois ou três dias [que contam como uma regata] mais finais e duas medal races. 

Eles [A Isaf] estão tentando muitos formatos diferentes. O importante é ouvir o que os velejadores querem, não só o que a mídia quer. Eu acho que os velejadores devem ter uma voz forte sobre o formato das competições e decidir as coisas. Porque há um grande esforço sendo feito pelos velejadores para estar no topo e o jogo precisa ser justo e [depender] de regularidade, não apenas da sorte".

Depois de Robert, uma série de atletas mete a boca no novo formato. A linda holandesa Marit Bouwmeester (já disse que ela é linda?) responde um redondo "NÃO" quando perguntada se tinha gostado do evento. O britânico Giles Scott resume: "a única coisa boa que eu acho boa são os zero pontos para o vencedor"

A Federação Internacional de Vela (Isaf) faz seu encontro de meio de ano a partir de amanhã, na Dinamarca. Aliás, fiquem atentos para novidades que podem vir de lá nos próximos dias.

Um resumo rápido sobre o formato das regatas olímpicas:

Antes do advento das Medal Races, os velejadores corriam um determinado número de regatas e o campeão era quem somava menos pontos descartando o pior resultado. Simples assim. O problema aconteceu quando a TV ganhou importância e passou a transmitir as finais. Ora, mas o Robert Scheidt já havia ganho todas as regatas anteriores, não precisava correr a final, porque era só descartar um resultado (a própria final) e o título estava garantido. Mas a TV saía frustrada, porque mostrava uma regata sem o campeão.

Para resolver isso, inventaram a Medal Race. Você corre 10 regatas, seleciona só os 10 primeiros e leva esses caras para a Medal Race, que é uma regata com regras especiais. Em primeiro lugar, ela não pode ser descartada (Robert Scheidt vai ter que correr). Em segundo lugar, a pontuação é dobrada. Portanto, se Robert Scheidt chegar em último, ele soma 20 pontos (e não 10, como em uma regata tradicional).

Novo formato

Agora a Isaf está testando um novo modelo, um tanto mais complexo. As principais mudanças são:

* O primeiro colocado em cada regata soma zero pontos (e não mais um). O resto da pontuação segue igual: (2, 3, 4, 5...)

* Há uma série qualificatória (que foi de 5 regatas em Hyères), que conta como apenas uma regata para a série final. Ou seja, o primeiro colocado após cinco regatas soma zero pontos. O segundo dois...

* Na fase final, cada regata conta normalmente 

* Agora são duas Medal Race para cada classe, ambas no mesmo dia. É o "Medal Day", ou "Final Stage" em inglês. 

* Os skiffs (49er e 49erFX), por serem mais rápidos, fazem quatro medal races, com apenas oito participantes, e em algum local perto do público (quando possível, claro).

Por Antonio Alonso às 10h38

Sobre o autor

Antonio Alonso Jr é capitão amador e cobre esporte há 15 anos, com passagens pela Folha de S.Paulo e por um UOL ainda em seus primeiros anos de vida. Jornalista e formado também em Esporte teve a excêntrica ideia de se dedicar à cobertura náutica, com enfoque para a Vela. Depois de oito anos na principal revista especializada do país, estréia agora seu blog no UOL.

Sobre o blog

A Vela é o exemplo claro de que o sucesso de um esporte não se mede em medalhas. Ou pelo menos o sucesso dos esportistas não representa o sucesso do esporte. A Vela foi o esporte que mais medalhas Olímpicas deu ao Brasil. Ainda assim, é um esporte desconhecido, com enorme dificuldade de atrair público e restrito a guetos idílicos. Apenas dois clubes, com umas poucas centenas de sócios, respondem pela maior parte do sucesso olímpico nacional. Este blog não está interessado em resolver esse problema, mas em trazer mais para perto esse esporte excêntrico, complicado talvez, mas cheio de matizes empolgantes e que coloca atletas e meio-ambiente numa simbiose singular no mundo esportivo. Wake, esqui e motonáutica também devem ser assuntos frequentes por aqui. Bem-vindo a bordo.

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